13 setembro 2016

Luar de Agosto

Sedento, lambeu do asfalto escuro o luminoso luar, que a lua de Agosto derramou. Como um gato vadio, devorou, a gosto, e soube-lhe bem. A contragosto, verteu o restante luar num velho caco que ali encontrou. Não o queria desperdiçar. No dia seguinte, para seu desgosto, o luar coalhou. Mal anoiteceu, surpreendentemente, uma meia-lua brilhante desprendeu-se, lentamente, do caco e subiu iluminando, de novo, a terra. Lembrava um brilhante barco dourado, navegando sobre ondas brancas de nuvens.
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa

Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

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