28 fevereiro 2013

Harmonia


– Mas que ideias tão extravagantes! Deles tudo se pode esperar – critiquei.
– É bom ser-se livre. – A minha irmã sempre foi liberal.
Havia uma quantidade de coisas que poderia ter dito, mas limitei-me a um:
 – Estou a ver.
Ela emitiu um riso abafado como sepor alguma razão inconfessável, estivesse satisfeita. Depois ficou a olhar Laskell e aquele figurino indubitavelmente excêntrico. Mas, assim que Elsa se atracou ao estrangeiro e saíram de braço dado, perdeu o luminoso sorriso.

Quita Miguel, 53, Cascais

D. H. Lawrence, in St, Mawr e Outros Contos – “A Harmonia” - E Elsa Laskell ficou satisfeita por se ver livre deles.




Dei-te a Mão!


Enquanto eu for eu, e tu fores tu, espero curar-me de ti; do que sinto e não sei nomear; da necessidade de te ver.
Que estamos a fazer?! Sabê-lo-emos?
Seduziste-me. Inicialmente não percebi. Quando suspeitei, perguntei-te. Subtilmente, disseste o que não queria ouvir. Delicadamente, respondi: não.
Afastámo-nos. Ficaria a amizade.
Há dias surgiste. O amigo, a quem inocentemente dei a mão. Inesperadamente, desse toque emergiram sentimentos.
Onde ficou o tempo da ausência? Naqueles que esperam por nós.

Isabel Pinto, Setúbal 

Robert Browning, in "Amo-te" [Uma Antologia Poética], ed. 101 noites. pág 50
Paula Raposo, in "A Poesia nos Blogs", ed. Apenas Livros, LDA, pág.36

Magoada



Claro! Agora que a distância e a ausência marcaram a lucidez dos acontecimentos, percebo o teu objectivo. Ligarei, ainda, de com a certeza, do engano, me convencer da mentira. Fazê-lo para me refugiar também da dor. Sempre recordarei as tuas palavras. As mesmas que me transportaram à ilusão do "amor". Se quiseres, podes pedir desculpa.
Não sei como ou se seguirei em frente. Pouco importa! Não magoei. Fui magoada. Sofrimento que cicatrizará com o tempo. Sim. Esquecerei! 

Isabel Pinto, Setúbal

“Claro, ligarei de certeza. Podes fazê-lo também sempre que quiseres..." – Vítor Burity da Silva, "Rua dos Anjos", Porto Editora, pág. 77

Desconhecemo-nos

Pousa as mãos nos meus olhos, com carinho. Entre nós um abismo separa-nos; um sentimento une-nos.
Não nos conhecemos. Tentámos, com palavras, dizermos,  delicadamente, as emoções vividas.
Fugi! Pensar no acontecido. A distância física, tornará lúcida a amizade que fingimos?
Percebeste o espanto no meu rosto?! Meses depois: surpresa e incredulidade!
Hoje, senti a tua falta. O teu silêncio. Simboliza afastamento, desistência? Entendeste a impossibilidade da relação, desejada (?!), sem alterares a tua vida? Será tudo mesmo assim?

Isabel Pinto, Setúbal

"Eu Não Sou de Ninguém", Florbela Espanca, Literatura portátil,pág.17

"Poemas Escolhidos" António Gedeão, Edições João Sá da Costa, pág.19

desafio nº 36


Depois do sucesso que teve o desafio anterior, fiquei com vontade de vos pedir um que também acho extraordinário.

Peguem, desta vez, num livro de contos.
Procurem a última frase de um dos contos.
Nota: A razão para escolhermos contos é que, normalmente, as frases finais são mais enigmáticas, ou mais abertas, ou mais profundas; além disso, como são vários, têm mais escolha!

Essa frase será escrita de trás para a frente no vosso texto, polvilhando a vossa história em 77 palavras de onde em onde. A distância entre palavras é livre.

Não se esqueçam de enviar a frase original e, se puderem, pôr em bold as palavras.
E digam-nos de que livro retiraram a frase, queremos todos saber!


Aqui fica o meu:

Luísa Costa Gomes, in Contos Outra vez – “O Pico de Furcht”
Tudo o que é meu, guardo-o fechado num armário pequeno.

Pareceu-me demasiado pequeno o mundo que reservaras para mim. Acabavas de me enfiar num armário, teu, num espaço de ninguém. Aquele nem sequer era um mundo verdadeiro. Era um espaço fechado ao exterior, esse exterior de mim onde te encontras e onde encontras a tua vida. Este passou a ser eu. Guardo-o. Sei que é só meu porque não mais te vais lembrar de quem sou. É o que sei, que o tudo, o nosso, nunca regressará.

Margarida Fonseca Santos, 52, Lisboa

Dilema


Para seres grande, sê inteiro, rematou com autoridade.
Tinha a cabeça ligeiramente levantada, olhos fixos no horizonte.
– Isso é muito bonito, mas todas as ajudas são poucas lá em casa! Tempos difíceis...
… Combinamos dividir as gorjetas ao fim do dia, mas caramba! nós sacamos mais que elas todas juntas!...  façam pela vida!
– Choninhas, nem dão por nada!!
– Ensinamo-las a falar! A serem simpáticas, a desapertarem mais a blusa… sei lá!
– Sei que não vou por aí!

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro

Para seres grande, sê inteiro – Fernando Pessoa - Odes de Ricardo Reis
Sei que não vou por aí! – José Régio - Cântico Negro


27 fevereiro 2013

Entardecer


Está no pensamento como ideia enraizada que não desaparece. Torna-se turbulenta como a força da natureza. Aquela vontade imensa de percorrer o mundo sobre a terra e sobre o mar na busca do ser e do infinito. Na paz do silêncio, o murmúrio das ondas, o canto das gaivotas. O horizonte longínquo e o abraço do tempo a chamar por mim. Os passos do meu coração que se arrastam até o apertar daquela hora sagrada dum entardecer.

Maria Jorge

Camões, Rimas. - Está no pensamento como ideia.
+
Florbela Espanca, Livro das Mágoas, As minhas ilusões (1919) - Hora sagrada dum entardecer.

Poisando devagar


A noite vem poisando devagar e a leve brisa traz-me a sensação de ti, a vontade imensa de respirar os gestos e os dizeres que te pertencem. Sinto ainda os teus lábios nos meus e o calor do teu abraço. Só os meus olhos não vêem os traços do teu rosto, o respirar do teu dormir. Mas ouço ainda o riso largo da felicidade e as palavras esgotam-se, agora, que o silêncio é um mar sem ondas.
A noite vem poisando devagar - Noite de Saudade - Florbela Espanca
agora, que o silêncio é um mar sem ondas - Súplica - Miguel Torga

Sandra Évora, Loures

Tinha fugido do céu


De todos os cantos do mundo, trouxe aquilo que me pertencia. Procurei e cravei na alma as memórias de uma vida. O cheiro, o mar salgado, a procura pela liberdade, os pés descalços na areia quente. Perdi-me nessa vontade insaciável de ir mais além, mais longe de mim mesma. Sobrava o mundo, e dele, queria tudo. A luz, o medo, a cor, o frio da brisa de quem vive livre. Tudo o que tinha fugido do céu.

De todos os cantos do mundo – Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen
Tinha fugido do céu – Num meio-dia de fim de primavera, Alberto Caeiro

Inês Costa, 19 anos, Portugal

26 fevereiro 2013

Na areia branca


Na areia branca, onde o tempo começa, o sol brilha!
O mar azul e salgado salpica os meus pés… e eu fico feliz! O barulho das ondas acalma os meus pensamentos e eu permaneço, ali, a olhar para o infinito.
O que será que há para lá da linha do horizonte? Um tesouro? Uma ilha fantástica, com animais extraordinários?
Haverá, de certeza, tudo o que a minha imaginação quiser. E hoje, apetece-me ver amores-perfeitos de muitas cores…

3º B da EB1 nº 3 de Viseu – Massorim (professora Filipa Duarte)

Na areia branca, onde o tempo começa, in As Palavras Interditas, de Eugénio de Andrade
Amores-perfeitos de muitas cores, in Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles

De Pessoa a Lispector


O poeta é um fingidor que chega a fingir que é dor.
Que finge estar bem para agradar a alguém.
Que se mostra sorridente quando não está contente.
O poeta comete erros como qualquer comum mortal.
Mas tenta esconder para que não lhe desejem mal.
É alguém que em folha branca se expressa.
Mas os defeitos não podem ser evitados nem devem ser escondidos.
Porque nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Tatiana Leal, 15 anos, Portugal


Fernando Pessoa - “O poeta é um fingidor que chega a fingir que é dor”
Clarice Lispector – “Porque nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

25 fevereiro 2013

MEMÓRIAS


Guardo a memória do tempo
Alegria, Tristeza, Felicidade
Feliz por ter nascido
Amada por madrinha e mãe

Depois…
O Terror e a Revolta
A vítima tem o direito e a obrigação
De denunciar a agressão
Para proteger outras mulheres

De Dia ou Noite
O medo de sair à rua

Da Revolta …
Tristeza Profunda
Ir à luta e vencer
Lutar e ultrapassar obstáculos

Tenho direito à Felicidade
Marido, Filha e Filho maravilhosos
Tudo na minha vida é intenso

Cristina Lameiras

Ana Paula Tavares do poema intitulado “Origens” in Dizes-me coisas amargas como os frutos
Luísa Vaz Tavares do poema intitulado “ De mim, apenas” in Doçuras e Amarguras

23 fevereiro 2013

Como tu, já fui menina


Como tu, filha, também já fui menina. Saltei à corda e ao elástico, corri por entre ervas e pinhais, joguei às escondidas, como se a vida fosse uma brincadeira sem fim.
Os anos passaram, céleres. Olho o espelho. Não me reconheço, não te reconheço.
Da minha janela espreito o relógio da igreja na esperança que me devolva o tempo perdido para que esse tempo me devolva a memória. Hoje, não sei quem sou. O universo ficou vazio.

Ana Paula Oliveira

Ana Luísa Amaral, do poema intitulado “Como tu”, in Como tu (2012)
Cecília Meireles, do poema “No meio do mundo faz frio”, in Mar absoluto (1945)

Milagre


A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si próprio.
Assim pensava Lourdinha ao ver um motoqueiro atropelado na rua.
As pessoas pararam em silêncio e movidas pela curiosidade, sem ajudar.
Até ela se viu paralisada diante do acidente.
Esqueceu-se dos seus problemas.
Mas um fato deixou Lourdinha com mais esperança na humanidade: um menino correu acudir!
Por essa ela não esperava!
Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.

Anne Lieri, Brasil
1ª frase de Albert Einstein, a última de Guimarães Rosa

Pelo sonho é que vamos


Pelo sonho é que vamos onde queremos. Alegres e felizes perante o sol radiante e esplendoroso.
O sonho é como o sol que se esconde, mas nunca pára de brilhar.
Sonhamos em acabar com a fome, a guerra e a tristeza.
Sonhamos com um mundo melhor e mais justo, onde todos tenham um emprego decente e onde todos os sonhos se poderão concretizar.
Os sonhos mágicos das crianças vão subindo para os astros como um grito puro.

Texto coletivo – EB Veiros – 3º /4º ano, professora Carmo Silva

“Pelo sonho é que vamos” – Poema “Pelo sonho é que vamos”, de Sebastião da Gama
“Subindo para os astros como um grito puro.” – Poema “ Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen

Mentira

Ai quem me dera uma feliz mentira
para que meus dias fossem felizes
Pudesse sorrir, ser feliz
Pudesse sorrir à vida, a mim mesma
E encontrar-me,
Encontrar-me
A mim e a ti
Que perdi
Mas encontro-te dentro e fora de mim
Quem me dera uma mentira
uma feliz mentira
Para que com essa feliz mentira 
O meu coração descanse enfim e te encontre
Mesmo sabendo que já te perdi
E quanto mais te perco mais te encontro


Ana Mestre, 36 anos, Portugal

Ai quem me dera uma feliz mentira – Florbela Espanca in Mensageira de violetas
E quanto mais te perco mais te encontro – Manuel Alegre in Obra Poética

Não tenhas medo do amor


Não tenhas medo do amor
Pois no mar das colheitas
e na contemplação dos dias
vivo ansioso pelo calor dos teus lábios,
Sinto o prelúdio dessa melodia 
Que ganha forma e cresce como o trinado 
Do rouxinol na madrugada
Sonho para que o amanhã regresse 
E antecipe a primavera
Como primícias no veludo do teu corpo...
Encontrar essa fonte desejo
Quando nas tuas mãos desertas
Me deste a conhecer
O sol e o vento no teu coração!

 Alda Gonçalves, Porto

 Não tenhas medo do amor - in Poesia Reunida (2012),  Maria do Rosário Pedreira 
O sol e o vento no teu coração -  Poema Orgasmo in Diário V,  Miguel Torga

MEU GRITO


Desfalecida a flor desprende as folhas
Que caem indefesas ao sabor do vento
O jardim ficou assim mais triste, mais pobre
Deixando-as distanciar sem um lamento.
 
Desiludida a mãe abre os braços num adeus
Seus olhos são fontes, são rios de água salgada
Os filhos partiram em busca doutra vida
E ela ali tão só, tão desamparada
 
Aqui estou eu, exclama, olhando o prado,
As árvores despidas, a chuva, mas tudo
Indiferente à raiva do meu brado.

Rosélia Palminha, Portugal

1º  Verso: Alexandre Herculano – Poema: A  Rosa
 +
2º Verso: Pedro Homem de Melo – Poema: Remorso


22 fevereiro 2013

Tantas vozes fora de nós!



Tantas vozes fora de nós! Parecem-se connosco e talvez sejamos nós. Enchem o sentido das letras gordas com volumes histéricos. Estão prontas para carregarem raivas que vagueiam na minha pele. A pele que é minha carrega os ruídos que me confundem, que se alimentam do espaço que deixo livre. Depois existes tu, silêncio. Tu que te esforças por descansar cá dentro, enroscado num canto, à espera que me lembre de ti. Faltas tu a levar o tempo.

Clara, 36, Lisboa

Manuel António Pina, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança (1999) - Tantas vozes fora de nós!
+
José Luís Peixoto, Morreste-me (2000) - Faltas tu a levar o tempo.

A flor da primavera



Do seu longínquo reino cor-de-rosa, todos os dias chegava a todas as casas uma fada mágica que estava sempre disposta a ajudar as pessoas.
Um dia, durante o seu voo encantado, no meio de um jardim abandonado, viu algo brilhante a aparecer.
– Que bonita que és! O teu brilho chamou por mim… – disse a fada.
– Obrigada! Eu sou a primeira flor da primavera e agora também sou a flor mais feliz… assim por te ter tão perto!

3ºA da EB 1 Feira nº 2 de Santa Maria da Feira, professora Cátia Silva

Do seu longínquo reino cor-de-rosaA fada das crianças – Fernando Pessoa
assim por te ter tão perto!Podes ser in Sentimentos in Versos – Carlos Nuno Granja


21 fevereiro 2013

A fuga do anjo


Base, fuste ou capitel?, perguntava-se o anjo Gumercindo, admirando a coluna que sustentava o templo, imaginando onde atar a corda e zarpar. 
Cansara-se da vida no Olimpo e sabia-se preparado para ajudar os humanos. Ansiava por emoção, pelo corrupio louco dos mortais, pelo inesperado de cada dia. Mas como fazer?
Um trovão anunciou que Zeus se zangara. Com ele? Não saberia dizer, mas, pelo sim pelo não, aproveitou a tempestade e desceu pelo primeiro raio que apanhou."

Quita Miguel - Cascais

Manuel Freire, Pedra Filosofal – Base, fuste ou capitel
+
Fernando Pessoa, Menino Jesus – E desceu pelo primeiro raio que apanhou

Mensagem que amanhece


Subsiste uma palavra, uma sílaba de vento 1
Dentro do silêncio que a noite traz
É simples e plena em verdade
Transporta em si o tanto de que sou capaz.
Devolve-me a força e a esperança
Soletra-me o sorriso que mais feliz me faz
Ilumina o caminho para um dia audaz!
Vai ficando... meus sonhos moldando...
Na intensidade de um fogo posto
E nessa chama imensa vai queimando
Todos os fantasmas que acordam
Quando a noite perde o rosto2

Vera Viegas, 29 anos, Lisboa

1 In “Nós somos “ de António Ramos Rosa

2 In “Há palavras que nos beijam “ de Alexandre O’neill


Sonho ou Mar?


SONHO OU VELO?  QUE IMAGEM LUMINOSA
A brisa corre e a seara ondeia
Persiste o milho farto que se enleia
Por dentro da ventania caprichosa
Do trabalho moço e da coragem
É feito o sóbrio pão do alimento
Que difícil e mau grado o mau momento
Dos dias, se faz ceifar a voragem.
Estilizando em mil formas a verdade
A beleza que se entrevê é tamanha
Que faz inquirir da realidade:
MAR OU CÉU, VALE OU MONTANHA?

Elisabeth Oliveira Janeiro, Lisboa

Citações:  'Sonho ou velo? Que imagem luminosa' - Bocage in "À Memória de Ulina" e 'Mar ou céu, vale ou montanha?' - António Gedeão in "Que de mim?"


20 fevereiro 2013

Corpo e Alma



Sentir tudo de todas as maneiras, não deixar um poro da pele, um fragmento da alma, sem respirar o encantamento do prazer, numa espécie de orgia moderna.

Os corpos oferecem-se, despudorados, na mesa do tempo; só a gula dos dias os pode salvar da tempestade que o espelho, teimoso, devolve.

As almas vendam os seus deuses - cegos esperarão - e deixam-se seduzir pelo esplendor da festa; fingem-se eternas ainda que desfeitas, como recém-saídas de um naufrágio de sangue.

Bau Pires, Porto

Peguei no verso "Sentir tudo de todas as maneiras" do poema "Passagem das horas" do Álvaro de Campos, liguei-o com uma prosa atabalhoada minha e fechei com "como recém-saídas de um naufrágio de sangue" do poema "Aurora de Nova Iorque" do Garcia-Lorca.

Não me digas adeus

Que impressão por dentro do meu sentir cego 
por medo das artes de ignorar…
Não me digas adeus, ó sombra Amiga que Sorris!
Não porque te Gosto. 
Não porque confesso das Saudades, 
da falta que Sinto do teu cuidado e de um Tempo Nosso que nunca existiu. 
Inventa comigo um qualquer Futuro: 
de Sorrisos, de Silêncios em Palavras, Rabiscos, Caminhadas… de Abraços.
Estou Grata por ter comigo o Teu Sorriso.
Não me digas adeus, ó sombra Amiga 

Rita, 36 anos, Carcavelos 
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Citações:

“Que impressão por dentro do meu sentir cego” in Ana Ventura (2009). «Paralelo». Tracejado. Editora Inverso da Capa. 
“Não me digas adeus, ó sombra amiga” in Florbela Espanca (2002). «Espera…». Florbela Espanca: Sonetos. Bertrand Editora.

A Magia do Olhar


A mais bela ponte construída no planeta
é a distância entre um olhar e outro
É feito doce e leve voar de borboleta
pousando nas flores de cor violeta

É um sagrado e ímpar momento
tudo em sua volta deixa de existir
Feito magia e puro encantamento
os olhos brilham e começam a sorrir
 
Os corações em pleno esplendor
fascinantes melodias estão a entoar
As mais lindas palavras de amor
são ditas no silêncio de um olhar

Majoli Olibeira, Brasil

Publicado aqui:


A mais bela ponte construída no planeta
é a distância entre um olhar e outro.
( Leonardo da Vinci)
+
As mais lindas palavras de amor
são ditas no silêncio de um olhar.
(Mario Prata)  

Comunicação


A poesia é incomunicável, por isso ela escrevia prosa.
Contava histórias alegres, usando sempre palavras simples, para que todos a compreendessem.
Os críticos apontavam o vocabulário pobre, a narrativa prosaica, a psicologia rudimentar.
Mas ela não se ralava. Pelo menos, comunicava.
E ninguém lhe tirava o gozo de tornar as pessoas – aquelas comuns, como as suas personagens – felizes.
E sábias, como crianças.
Afinal, toda a gente sabe que a sabedoria da criança é não saber que morre.

Rita Bertrand, Lisboa, 40 anos

Versos: “A poesia é incomunicável”, de Carlos Drummond de Andrade, in “Segredo” e “a sabedoria da criança é não saber que morre”, de Ruy Belo, in “Algumas Proposições sobre Crianças”