29 setembro 2015

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Partiste, deixando no teu quarto um vazio que até a luz se recusa a perturbar. Desde então, não vive ninguém no quarto, por baixo do teu, onde ainda moro. Apesar de gastas, insisto nas cortinas. Deposito, no seu patético balanço, a esperança com que me forço a respirar. Talvez voltes e possamos retomar os livros, entre o teu quarto e o meu, exatamente onde os deixámos. Chegas, resgatamos o sofá à floresta e, em triunfo, envelhecemos juntos. 

Nuno Longle, 41 anos, Odivelas

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

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