16 julho 2014

Chove

Chove.
Apertado! Acorrentado
Na sombra dos dias
Na alma um cansaço!
Assim, um cansaaaaaço!
Dias, horas, tempo.
Anos perdidos!
Ausência de si.
Raiva de não ter-te!
Nada desejar.
Nada que buscasse.
Pensar, pensar…
Palavras a dizer.
Palavras, palavras…
Não as disse.
Não as disse.
Di-las-á ainda?
Cruzam-no ideias, espaços, sonhos!
Ainda o amor.
Tão feliz!
Vê-o a chegar
O movimento das mãos
 A segurar-lhe nas suas.
Não há um rumor.
Caminham na neve.
Silêncio.
O vento parou.

Antónia Pereira, 57 anos, Lisboa
(sem desafio)

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