30 março 2014

Imóveis

– E continuamos imóveis.
– Aqui deixámos de sentir o tempo.
– O tempo apagou-se.
– Deixou de arrefecer.
– O pó vestiu-nos.
– Somos passado?
– Presente sem esperança?
– Faltam -me o vermelho das copas e dos ouros.
– Perdi torres de resistência e peões combatentes.
– Somos jogos nunca mais jogados?
– Seremos jogos reinventados.
– Um novo jogo onde incompletos se complementarão.
– Ainda seremos futuro?
– Basta sermos descobertos pelo poeta.
– Quando se ouvirem risos de crianças.
– E os poetas e as crianças existem.


Maria da Conceição Gralheiro, 57 anos, Aveiro
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

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