28 fevereiro 2013

Desconhecemo-nos

Pousa as mãos nos meus olhos, com carinho. Entre nós um abismo separa-nos; um sentimento une-nos.
Não nos conhecemos. Tentámos, com palavras, dizermos,  delicadamente, as emoções vividas.
Fugi! Pensar no acontecido. A distância física, tornará lúcida a amizade que fingimos?
Percebeste o espanto no meu rosto?! Meses depois: surpresa e incredulidade!
Hoje, senti a tua falta. O teu silêncio. Simboliza afastamento, desistência? Entendeste a impossibilidade da relação, desejada (?!), sem alterares a tua vida? Será tudo mesmo assim?

Isabel Pinto, Setúbal

"Eu Não Sou de Ninguém", Florbela Espanca, Literatura portátil,pág.17

"Poemas Escolhidos" António Gedeão, Edições João Sá da Costa, pág.19

2 comentários:

  1. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
    Fernando Pessoa

    O meu silêncio é um misto de dor e revolta. A realidade nua e crua foi assertivamente esfarfalhada no meu rosto pela tua prosa. Tão real que foste.

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    1. Olá! Desculpe, mas as histórias não devem estar nos comentários. Peço-lhe que envie para 77palavras (at) gmail.com, juntando nome, idade e sítio onde vive, pode ser?
      Obrigada.
      Um abraço

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