31 agosto 2012

Amor/Roma

Há alguns anos atrás, visitando Roma, saboreei a melhor pizza até hoje, inigualável.

Também lembro-me de ter presenciado, em momento de tédio na janela da hospedaria, um majestoso pôr-do-sol.

Da companhia, das pessoas que conheci, não sinto saudades, posto que da vida só guardamos o que fez bem ao paladar e aos olhos, trouxe amor...

Sei que ocasos, em qualquer lugar que estejamos, são sempre uma magnífica maneira de fugir da realidade e correr para o belo.

Bia Hain, Brasil

Óculos/soluço


Fiz tudo como tinha planeado. Combinei encontrar-me com ele numa esplanada, para que, sem levantar suspeitas, pudesse usar os óculos de sol. Era o ideal para disfarçar as olheiras deixadas por tantas lágrimas. Cheguei, cumprimentei-o e mostrei-me entusiasmada com esta nova etapa da vida dele. Desejei-lhe muita sorte. Não queria que a minha última impressão deixada nele fosse de sofrimento. “Consegui!” – pensei. Mas depois, no momento exacto do adeus, o soluço encoberto durante toda aquela hora... desarmou-me!

Vera Viegas

Aroma/amora

– Interrompi o teu deleite – começou ele, rindo-se assim que o puxei mais para perto, de modo a poder sentir o aroma delicioso da amora silvestre.
Com esmero e precisão colhi um fruto do meio das silvas e coloquei-lho entre os lábios. Ele recebeu-o com a avidez de quem raramente tem ocasião para apreciar os sabores do campo.
Depois ficámos ali abraçados, só sentindo o perfume com que a natureza nos presenteava e esquecendo a hora do regresso.

Quita Miguel

Mais uma vez: Socorram/Marrocos

Achou estranho os cheiros que deslizavam sob aquele céu tão azul. Era agradável, assim como o colorido das roupas e a sonoridade no andar das pessoas. Agradável e desconhecido. Que lugar era aquele?
- Marrocos – alguém gritou.
Os sentidos lhe faltaram, desmaiou.
- Socorram, socorram!
Voltou a si e começou a gritar:
- Marrocos não, Marrocos não... Eu sou do Maranhão.
Aeroporto, conexão, voo atrasado, deu tudo errado.
- Já que estou cá, ao menos uma volta de camelo vou dar!

Ana Paula Amaral do Carmo, Brasil

Publicado aqui:
http://ladodeforadocoracao.blogspot.com.br/2012/08/desafio-77-palavras.html

Socorram/Marrocos

Socorram! – alguém gritou. Pensei em perigo; por terras estranhas pensamos que há uma ameaça em cada esquina, como se a selva se abrisse assim que abandonássemos o nosso bairro.

Não me enganei: vi uma mulher a ser arrastada para um carro. Armei-me em herói – a cobardia também fica guardada no nosso bairro – e corri até ela. Olhei para o corpulento raptor e começou-me a passar a heroicidade.

Corta! Tirem-me esse anormal de cena – disse o realizador, naquela tarde quente em Marrocos.

Bau Pires

Sopa/após + assim/missa

Pedrinho estava ansioso naquele dia. Vovó tinha preparado uma deliciosa sobremesa. Porém, não seria fácil para ele saboreá-la. Ele detestava verduras.
- Quem não comer a sopa de verduras não tem direito ao doce.
- Snif, snif, choramingava o netinho.
- Só após a sopa ! Podem chorar até em grego!
Assim, Pedrinho acabou com a “missa” de ladainha e choradeiras e comeu. Terminou logo! A vovó pergunta:
- Queres mais?
Ele quase cai da cadeira de susto!

Chica, Brasil
Publicado aqui: http://chicabrincadepoesia.blogspot.com.br/2012/08/o-susto.html

30 agosto 2012

desafio nº 17


O desafio nº 17 vai dar uma trabalheira… uma trabalheira muito divertida!
Então, como será?

Procurem duas palavras simétricas (e que existam!):
Por exemplo:
  • ·         Medi – Idem
  • ·         Servil – Livres
  • ·         Socas – Sacos
  • ·         Saco – Ocas
  • ·         Lava – Aval


Que história pode ir de uma à outra?
Vai ser de certeza uma…
história em 77 palavras!
(pode usar as do exemplo, claro, mas vai ser engraçado descobrir mais…)


Deixo-lhe aqui a minha:
Queria dar-lhe o aval que me pedira, mas nunca cheguei a fazê-lo.
Era uma criatura sinuosa, de palavras moles e sentidos escondidos, olhos onde nunca transparecia a alma. Chamavam-lhe tantos nomes diferentes que nunca cheguei a saber o verdadeiro.
Passaram-se três meses e três dias sobre o pedido e a minha inacção. Sei que assim foi, ela mesmo mo lembrou. Senti o golpe na nuca e ouvi dizer:
Lava-me esta casa! A partir de hoje, é minha.
Margarida Fonseca Santos 

29 agosto 2012

Ana Paula Oliveira e o mar

Ainda faltavam quatro semanas para o nascimento mas ela impôs-se. Nasceu no mar. O marulhar das ondas foi a primeira música que ouviu e que a embalou. Por isso lhe chamaram Maria Mar. Por isso o sol foi o padrinho e a lua a madrinha. Por isso, foi abençoada pelas estrelas. Também por isso, herdou a personalidade inconstante do mar. Ora calma e sossegada, ora irascível e tempestuosa, tal como o mar, viveu livremente, cheia de mistério.

Ana Paula Oliveira

Isabel Pinto e a palavra suicídio


11 anos de idade. Tanto tempo passado. A tentativa de suicídio, o Hospital. O Coma.
Renasceu" ao ver o sofrimento no rosto de sua mãe e a ajuda do seu pediatra.
Agarrou-se à culpa e à possibilidade de uma libertação futura, através do conhecimento. Este trouxe-lhe autonomia, mas não lhe eliminou o sofrimento, o tédio, o vazio...
Ainda hoje, quando revê o seu passado, termina nesse tempo longínquo, onde deveria ter ficado. Não existir neste presente.
Isabel Pinto

28 agosto 2012

Vanda Pinheiro foi viajar!


De manhã acordar e sair de casa sem destino. Viajar ao encontro de outras terras. Conhecer natureza e património. Recheada de rios, serras e cascatas, a riqueza natural junta-se aos monumentos de arquitetura dourada com anos de história e lendas escondidas. Um simples olhar e voltam a ter vida como se as suas personagens nos sussurrassem ao ouvido o que há muito esperam contar. O regresso a casa é tão compensador quanto o desejo de nova viagem.

Maria Jorge/Maria Jorge

27 agosto 2012

Vera Viegas, cheia de simplicidade...


Conhecem aquele tipo de pessoas que entra numa sala o mais discretamente possível e sem qualquer artifício cativa toda a gente?
Conhecem aquelas flores que crescem silenciosamente no campo, e que quando encontradas são mais apreciadas do que qualquer bouquet ornamentado e perfumado?
Conhecem aquelas músicas compostas por um belo poema e um simples piano por trás que nos arrepiam ao escutar?
Se responderam que sim, Parabéns! Significa que conhecem o poder e a beleza da SIMPLICIDADE!
Vera Viegas

23 agosto 2012

A Sandra Paulino trabalhou e bem, ora leiam!!!



Desafio da semana! - nº1 – abril 2012

Reencontro

O pôr-do-sol era fogo no horizonte, pareceu queimar o mar assim que lhe tocou naquele instante perfeito. Deitado na areia da praia, pensava regressar ao passado, aos momentos vividos junto da mulher que permanecia no seu coração. Valeria a pena tentar? Agora que Montsé deixara de lhe escrever? Agora, depois de tantos anos sem a ver? Sabia que tinha casado, tinha filhos, tinha uma vida sem si. Feliz? Com um sorriso, sonhou com o abraço do reencontro.

Desafio da semana - nº 2 – abril 2012

Invisível

A minha vida não parecia ser importante para ninguém, mas resolvi escrever a minha história num velho caderno de capa dourada. Nascida no meio de uma família numerosa, senti-me amiúde invisível. Contudo,ser invisível também se revelou útil, sobretudo quando queria fazer coisas proibidas, como ir ao sótão descobrir tesouros. Remexia em velhos baús e experimentava vestidos da bisavó. Dançava sozinha agarrada a fotografias antigas. Quis ser feliz e deixar para sempre a solidão que me acompanhava.

Desafio da semana nº3 – maio 2012

Nomes Perdidos

Na fábrica da região, não existem nomes. Existem números.
O 1 é um homem engraçado e bem disposto. Já nem ele próprio se lembra do nome que a mãe lhe deu.
O 2 perdeu muita da alegria que o caracterizara.
A 3 é uma mulher rude.
O 4, esse, está perdido de amores pela número 8, criatura de boas maneiras.
A 5 tem muitos ciúmes da número 7.
O 6 é descontraído e tem 10 filhos gémeos

Desafio nº 4 - maio 2012

Um Bule com História

Sou um bule rachado, sou…
Durante anos, fui o principal bule da casa e agora… Agora tenho que dar lugar aos jovens bules, acabadinhos de sair da fábrica.
Estou velho e acabado, mas tenho muita história dentro de mim. Fui feito pelas mãos habilidosas de um velho artesão da Galiza. Servi muitas gerações da família Maia. Aqueci muitos corações à volta da lareira, com chá quente de aroma acolhedor. Sou um bule com muitas histórias para contar.

desafio nº 5 - maio 2012

El Andaluz

Filho de andaluz e de aspecto trigueiro,

filho primogénito do Ti Simón, não respeitava nada nem ninguém.
De arma em punho, caminhava de forma pesada pela vila
andaluz, com uma evidente atitude grosseira e herege no rosto,
e desafiava até mulheres que se atravessassem no seu caminho.
De manhãsubia as colinas de estradas sinuosas, sempre com
aspecto agressivo, furioso. A barba por fazer e o ar
trigueiro, despertavam em todos desejos de violência e de morte.

desafio nº 6!!!

Milú

De dia, viam-se pouco os homens que trabalhavam nas minas. Era à noite que se dirigiam ao Bar da Mané. Gulosos, lambiam os beiços depois de sorver o líquido quente e doce da chávena branca e bolorenta, mirando a Milú pelo canto do olho.
A jovem roliça ria-se das piadas e parecia feliz. - São reles estas criaturas – pensava Milú –, mas são eles que me permitem ganhar dinheiro.
Olhou para um deles e sorriu.
Quem diria…!

desafio nº 7

São 7

São 7 as histórias que o pai lhe contava muitas vezes. Em cada um dos 7dias da semana, esperava ansiosa. A preferida era Branca de Neve e os 7Anões. São mesmo 7 anões, papá? Não são 8 nem 9? E como se chamam? O pai olhava-a divertido. Diz tu, filho. Ora, deixa lá ver… 7… Rezingão, Envergonhado e Miudinho… Feliz, Soneca e Atchim… Falta um para chegar a 7… Ah! E Sabichão!!! 7 Anões, concluiu.

Sandra Paulino

A Gisela Franco juntou-se a nós!


Hoje o dia na escola ia ser diferente.
No pátio as crianças sentaram-se em filinhas e brincavam, empurravam-se, riam...
Não percebiam bem como é que aqueles sete colegas iam apresentar um teatro.
Aqueles colegas simpáticos que lhes devolviam sorrisos no recreio, não tinham voz!!!
Começou.
Com gestos, as mãos mostraram a lua, o sol, o coração, o mundo... todos perceberam a estória da amizade.
As palmas juntaram-se às outras mãos erguidas no ar e acenavam. Riam todos.

+

Acordei com a luz do sol que nascia. Espreguicei-me e olhei.
Não havia carros, pessoas, fumo, sirenes nem vozes.
Apenas vi as flores que apareciam como salpicos pequeninos de cor, por entre as minhas amigas, as árvores, enormes, pequenas, e tantas que forravam o meu lar de verde. Um riacho convidava a beber, Corria ao longe entre as rochas.
Ergui-me, comecei a andar. Primeiro devagar, depois acelerei e corri feliz pela floresta.
Sou um tigre. Sou livre.

Gisela Franco

22 agosto 2012

Teresa Silvestre, a brincar...


A minha Criança Interior

– Olá por onde tens andado?
– Por aqui, por ali, mas sempre a olhar para ti.  A ver-te crescer, amadurecer as ideias, concretizar os teus sonhos e à tua espera!  Sim, à tua espera, para voltarmos a brincar, como o fazíamos quando não tinhas horários, quando não te esquecias de mim.
– Mas, não me esqueci de ti!
– Agora não!!!  Por isso estou aqui. E agora, agora está na hora de Brincar!!!  Porque está na hora de eu voltar!!!
Teresa Silvestre

Marco Carreira, com imaginação


Na esplanada a beber café. Aborrecido. Neste mundo urbano sem vida, penso na minha palavra favorita e tudo muda. Dentro da chávena de café vejo uma Galáxia em espiral num Universo desconhecido. No céu, um gigantesco Zeppelin com gigantes rotores deslocando-se como um Titã. Ao meu lado passa um Velociraptor, soltando um leve grunhido. A linha urbana muda drasticamente para torres de jardins suspensos, tudo dentro de uma colossal cúpula. Sim, IMAGINAÇÃO é a minha palavra preferida.
Marco Carreira

Majoli Oliveira e um sorriso



O SORRISO DE MARCO ANTONIO

Será que existe algo mais colorido
Que um lindo sorriso a brilhar
No rosto de um filho tão querido
Que distante de nós está?

Mesmo que seja em fotografia
Emociona, faz chorar
Pois sentimos, através dela, a alegria
Do momento a vivenciar

Esse sorriso tão natural
É o cartão de visita do meu filho
Pois vive sempre em alto astral
Diante de qualquer empecilho

Em breve ele aqui estará
E em mim, um sorriso há de brilhar
Majoli Oliveira

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21 agosto 2012

Sandra Paulino, por amor...


Havia cortado todas as ligações com o passado e começara literalmente do zero, numa nova cidade. Caminhava calmamente, com suavidade e delicadeza, parecendo uma pena a deslizar entre os dedos de uma mão, de forma quase imperceptível. Mesmo assim, destacava-se entre os milhares de pessoas que passavam. A vida começara nesse segundo, no momento em que desistira de tudo por amor e se aventurara em direcção ao desconhecido. Madrid era a cidade. Ana era o seu nome.

Sandra Pilar Paulino

Alexandra Rafael, a sorrir


Olhou-me espantado. “Como é que fazes isso?”
“Fácil”, respondi ,“primeiro puxas o canto esquerdo da boca para cima. Depois o canto direito. Ou ao contrário, não interessa como começas. Mas se quiseres mesmo impressionar abre ligeiramente os lábios e põe os olhos a sorrir também. Nunca falha.” Sorri novamente.
Olhou-me com olhos brilhantes e disse-me que no planeta dele ninguém sabia sorrir. Beijei-lhe a bochecha. “Leva-me contigo, eu ensino.” Deu-me a mão e levou-me. Ia a sorrir.
  
Alexandra Rafael

Carlos Alberto Silva e a palavra mais terrível de todas!

No Castelo das Palavras, havia salas onde se guardavam todos os tipos de palavras. A Sala das Palavras Macias tinha palavras como «peluche», «espuma» e «almofada», mas também «carícia», «beijo», «mãe» e outras do género. A Sala das Palavras Ancestrais tinha palavras como «mundo», «fonte» e «nascimento». A Sala das Palavras Magoadas tinha palavras como «ausência», «lágrima», «fome» ou «solidão». Mas havia também a Sala das Palavras Terríveis, onde se guardava a mais terrível de todas: «morte».


Carlos Alberto Silva

20 agosto 2012

Quita Miguel a braços com a tempestade

Não teve como evitar um estremecimento, quando o trovão se fez ouvir, bem por cima da sua cabeça. A tempestade estava perto. Sentindo o tremor das pernas, aproximou-se da janela no exacto momento em que um raio iluminava o mar à sua frente, seguido de mais um ribombar ensurdecedor.
Queria enfiar-se na cama, tapar a cabeça e deixar de ouvir, mas aquele espectáculo que a atemorizava, atraía-a de tal modo, que se tornava impossível o seu afastamento.

Quita Miguel

Maria C Bruno e a tristeza


Atrás do sorriso sempre aberto para todos, ela escondia um segredo que ninguém desvendou. Espalhava alegria e entusiasmo por onde passava ria e brincava como uma criança. Fazia surgir de uma tempestade o mais belo arco-íris e sarava todas as dores. Invejada pelo optimismo, talvez criticada pelo aparente desprendimento das próprias e muitas mágoas, partiu com um pálido sorriso sem que alguém desconfiasse ser a rainha da tristeza, porque triunfou sobre ela, a vida toda, semeando alegria.

Maria C. Bruno




Maria Araújo e a saudade


( Texto em torno da palavra SAUDADE, de que não gosto particularmente)

A fuga é um desejo constante. Entre pensamentos, despejo a mente. Choro. Fixo a porta na esperança que entres. Não ganhas forma, senão em pensamento. Saudade insana. Ladainha em mim, num jogo de revelações intrigantes. Volto a fixar o olhar naquela porta. E tu, de novo, sem entrares. Guardo a tua imagem num livro de recordações. Sem testemunhas, volto a fechá-lo numa das múltiplas gavetas da memória. Não sem antes te beijar e te aconchegar em mim.

Maria Cristina Araújo

Chica e o menino

Escolhi a palavra MENINO que me diz muito...Nela, o significado de criança!

(((o)))o(((o)))o(((o)))


Menino tranquilo sentado
patinhos estão ali a nadar
olha o lago concentrado
em que estará a pensar?

Pensa na vida, na sua escola?
lembra de lindas brincadeiras?
dos brinquedos que deixou na sacola
ou do lanche que está na merendeira?

Pensa, pensa meu menino
coisas lindas da infância
ainda és bem pequenino
não conheces a arrogância!

Que possas sempre assim estar
alegre e sempre a sorrir
assim hás de desfrutar
tudo de bom que está por vir...

Chica, Brasil

Bia Hain e... abraçar


O que cabe nos braços

Da ponta dos dedos das mãos de um lado ao outro, pouco mais de um metro para o amor estreitar.
Não aprendi seu poder em casa, mas a vida me deu de presente amigos que puderam me mostrar.
De falsidade não espero nada, então só o desejo de quem está disposto o seu carinho entregar.
À família, aos amigos, ao bem amado e a quem chegar
De braços abertos sempre estou, pronta...
para com terno calor, abraçar.

Bia Hain, Brasil

Ana Paula AC e a fronha

Escolhi uma palavra que me diz muito: fronha.
E nenhuma relação há com sonhar ou repousar a cabeça. Fronha virou sinônimo de amizade.
No mundo virtual encontrei uma pessoa que diz não haver palavra mais feia que esta na nossa língua. E de tamanha implicância, surgiram gargalhadas, brincadeiras.
Encontrar a fronha na escrita ou no varal tem agora um significado especial, o da amizade.
Uma palavra feia para ela, uma conexão que me faz sorrir. Conexão fronha!

Ana Paula Amaral do Carmo, Brasil


Também aqui - http://ladodeforadocoracao.blogspot.com.br/2012/08/conexao-fronha.html

Alda Gonçalves e a serenidade

Há pessoas assim. Toda ela refletia serenidade. Gestos suaves, voz pausada, olhar calmo, como calma a vida que levava. Os livros que lia com sofreguidão, a música dos grandes compositores escutada do velho gira discos. Os passeios por entre as tílias e os plátanos, do belíssimo jardim deixavam-na em êxtase. Dormia melhor depois do passeio, dizia! Nunca uma palavra de azedume se lhe ouviu, nunca um lamento pronunciou. E sofria!
Quando amanheceu elevou-se em paz e serenidade.

Alda Gonçalves

Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html

19 agosto 2012

desafio nº 16


O desafio nº 16 vai dar uma atenção especial a uma palavra:
  • ·         Uma palavra que adora;
  • ·         Ou uma que detesta;
  • ·         Ou uma que quase não usa;
  • ·         Ou uma que lhe diz muito.


Escolha uma palavra – todo o texto deverá crescer em torno dela, é ela o mote para a sua…
história em 77 palavras!


Deixo-lhe aqui a minha:
A primeira recordação da palavra aparecia-lhe confusa, sem distinguir o verdadeiro dentro de si e o que outros afirmavam ser real. Ao crescer, desligando-se do que habitara os seus pensamentos, aceitou-a como algo digno de preservação. Contudo, não se defendeu de ataques onde aparecia dissimulada – viu-se atirada para fora de si mesma. Agora, era difícil perceber a que correspondia, a idade baralhava-lhe as memórias. Arrancou com violência a página onde a verdade se encontrava – estava farta dela!
Margarida Fonseca Santos 

Carlos Alberto Silva, e um homem de palha

A frase inicial é do «Romance da Raposa», de Aquilino Ribeiro.

Às vezes, no meio do campo, um homem de palha botava discurso às aves esquivas. Exaltava a solidez da sua morada permanente, com ampla vista sobre o mundo circundante. O pé bem fixo na terra tornava-o forte, temido, imune ao sobressalto das estações. Ali, onde estava, vigiava o próprio ciclo da vida e da morte. Arrogava-se, por isso, Senhor do Tempo.
Mas as aves não o ouviam. Bastava-lhes abrir as asas e o mundo era todo delas.
Carlos Alberto Silva

[Publicado também em ficcoesbreves.blogspot.pt/]

Mais magia, da Sandra Parreira


Os três mais rápidos a ocupá-las sobrevivem, os outros não.
“As ninhadas são de dez ou onze crias, mas a fêmea só tem três tetas.” Nasceram duas meninas boazinhas e a má, invejosa, certo dia espeta um pau na testa da irmã bondosa, por magia transforma-se num lindo pássaro que todos os dia ia pedir arroz e cantava:
ACHIPARITE, ACHIPARITE AUÉ MAMÃ AUÉ…
Admirada ouvia tal passarinho, quem seria ?
Certo dia agarrou-o e encontrou aquele pau na testa, tirou-o, transformou-se na bela menina.
A má arrependida correu.
Linda
(Sandra Parreira)
Frase “As ninhadas são de dez ou onze crias, mas a fêmea só tem três tetas.”

A Lua Pode Esperar, Gonçalo Cadilhe (Pág.127)

17 agosto 2012

Luz e o que "ainda hoje" escreveu!

A partir do livro “Diário da tua ausência” de Margarida Rebelo Pinto, a frase encontrada abrindo o livro à sorte: "Ainda hoje não sei"


Ainda hoje não sei o fim daquele amor.
Nós reuníamos tudo, para que um relacionamento sério, pudesse dar certo.
Já passaram alguns anos, mas o sentimento continua vivo.
Combinámos não nos vermos durante algum tempo. Eu fiquei no entardecer e ele “velho” e em ruínas.
Plano infundado. Falhado. Um lânguido beijo, aconteceu.
O mundo era agora um lugar seguro.
Sei que não lerás este texto, porque se o lesses, tudo voltaria ao princípio e não ao fim.

Luz
(Emília Estanque)

16 agosto 2012

A Sandra Paulino num mundo mágico

O Segredo

O Tio João disse-lhe baixinho ao ouvido que era uma menina especial e que existem mundos diferentes onde coisas diferentes acontecem. Acreditara.
Curiosa, "seguira com o olhar o voo louco de duas borboletas doiradas que tinham surgido a seus pés" e até se sentira tonta com o movimento rápido das asas. Mundos mágicos, pensou. Vêm de mundos mágicos, onde o sol fala com duendes e a lua brinca com as estrelas enquanto vela por todos nós.

Sandra Pilar Paulino

Inspirado na frase "Seguira com o olhar o voo louco de duas borboletas doiradas que tinham surgido a seus pés (…)", do livro Terra de Neve, Yasunari Kawabata p. 35

15 agosto 2012

A Quita Miguel também veio ter connosco!


«Era uma criança parruda e baixinha, de cara divertida.», livro Azul-corvo de Adriana Lisboa.


"Quando regressei à aldeia de onde partira, havia tantos anos que lhes perdera a conta, a primeira pessoa que vi fez-me retornar aos tempos de infância em que corríamos pelos cantos até o sol se esconder atrás das colinas.

Era como se a Martinha, amiga inseparável que fizera as vezes da irmã que nunca tive, estivesse ali.

Era uma criança parruda e baixinha, de cara divertida. Chamava-se Marta como a mãe e, como ela, percorria as colinas."

Quita Miguel

14 agosto 2012

A Ravena foi ao código da estrada!!!


Livro: Código da Estrada.
Frase: "Entre numa rotunda."

O dia era de chuva. Lá fora os carros faziam soar a estrada molhada. 
Saí com Francisca à rua. Avisei-a de que todo o cuidado era pouco e que deveríamos ser prudentes! A mãe Natureza é realmente bela, mas devemos desconfiar de tudo o que é belo. A beleza ofusca-nos e cega-nos. A menina Francisca disse-me: - Entre na rotunda! E quando demos conta, o carro contornava-a como se de um carrossel se tratasse... E assim fomos felizes!

Ravena Ariane Carvalho

Vanda Pinheiro e Pamuk


O dia tinha nascido lindo como a ansiedade de ver chegar a hora em que tu irias aparecer. Mas no teu lugar veio uma carta que tirei da caixa de correio com um triste pressentimento. Já não iria ver-te e as saudades apertavam. Sentei-me à janela a contemplar o céu. De repente, foi invadido por nuvens, tempestades sombrias, pensamentos que não consigo explicar! Quis dissipá-los, com a esperança que o temporal fosse passageiro até ao teu regresso.

In A casa do silêncio, Orhan Pamuk.

Vanda Pinheiro/Maria Jorge

12 agosto 2012

A Clara e um bocadinho de José Luís Peixoto


No centro do jardim há uma flor. Uma flor amarela, bonita e muito simpática. Rodeada de verde, de orvalho e da primeira luz do dia, acorda sorridente e beija o sol de olhos fechadinhos e apaixonados. “Uma aragem suave, mas definitiva, empurra-lhe os sentimentos” e a flor amarela abraça a brisa com tanta doçura que nem se vê. Logo o vento fica mais vigoroso e, mensageiro, leva ao sol o beijo de todas as cores do mundo.

Frase “Uma aragem suave, mas definitiva, empurra-lhe os sentimentos”
Uma casa na escuridão, José Luís Peixoto

Clara Costa Lopes

11 agosto 2012

Participações num blogue

Não posso deixar de pôr aqui...
Depois do post acerca do desafio, apareceram estas histórias. Não têm 77 palavras, mas fiquei tão contente pelo entusiasmo que as partilho aqui:



Peguei o livro que estou lendo 'A hospedeira' (Stephenie Meyer), abri na página 439 (nem cheguei nessa página ainda. Espero que não revele nenhum segredo):
"Mentir com o corpo, esta era a chave. Era simplesmente uma questão de fazer porém os movimentos certos. Imitação. Como os atores de um programa de televisão, porém melhor. Como um humano."
Frase escolhida: "Mentir com o corpo, esta era a chave."
Carol
Um blog simples
Lojinha

Ele era bastante indeciso. Esperava antes a opinião dos outros. "Não abria múltiplas janelas da memória ao mesmo tempo." E por isso, deixava sempre sua criatividade de lado.
Ele era sábio e talentoso, porém tinha medo de usar tais ferramentas para obter êxito na vida.
Livro: Os códigos da inteligência de Augusto Cury - pág 193.
Frase utilizada: "Não abria múltiplas janelas da memória ao mesmo tempo."
Marcilane - Simples Inspirações.

A frase é "manifestou o desejo de retomar a viagem na manha seguinte, bem cedo!"
As pessoas da pousada eram gentis e hospitaleiras, e o jantar estava realmente delicioso.
Varias pessoas da vila estavam por lá, para tomar um pouco de vinho e trocar uns dedos de prosa.
Mas era tarde, e para consternacao de todos manifestou o desejo de retomar a viagem na manha seguinte, bem cedo!
Recebeu abracos perfumados de vinho e quentes de carinho. Nunca iria esquecer daquela gente.
Frase retirada do livro "Lá no silencio do mar"de Thomas Steinbeck.
Ivani

Escolhi o livro que estou lendo. 
O Povo Brasileiro. Darcy Ribeiro. Pag: 45
Para os índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um luxo de se viver, tão rico de aves, de peixes, de raízes, de frutos, de flores, de sementes, que podia dar as alegrias de caçar, de pescar, de plantar e colher a quanta gente aqui viesse ter. Na sua concepção sábia e singela, a vida era dádiva de deuses bons, que lhes doaram esplêndidos corpos, bons de andar, de correr, de nadar, de dançar, de lutar.
Frase escolhida: Para os índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um luxo.
Alê Biet

Bau Pires e uma amiga

"Não queres vir hoje comigo fazer amigos?" do Clube das Encalhadas da Catarina Fonseca.

Madalena era bonita. Esperava por ela, todos os dias, à saída da escola; mas não lhe dizia nada. Espreitava-a, seguia-a, ao longe, até casa. Ensaiava com ela grandes conversas imaginárias.

Um dia, ela não saiu da escola; apareceu-me por detrás.

- Não queres vir hoje comigo fazer amigos? – disse-me Madalena, assustando-me.

Nada disse, fui com ela; os meus passos responderam que sim.

Naquela tarde passeámos até tarde; não encontrámos amigos para fazer, apenas nós. Casei com ela anos depois.

Uma história verdadeira, da Sandra Paulino


Filho?         
Mamã?
A mamã tem que contar uma coisa. Tremo.
Sabes, filho… Hesito. Olhos grandes muito abertos.
O avô… o avô morreu e é agora uma estrelinha. Está no céu.
Chora, chora muito.
Tinha um coração tão grande, mamã. Abraço.
Boa noite, avô, até amanhã, avô. Gosto muito de ti. Todas as noites.
É ele a estrelinha mais brilhante. É amigo da Lua. Às vezes esconde-se atrás das nuvens, mas está sempre a espreitar.
Dorme bem, avô.
Sandra Paulino

10 agosto 2012

Ana Paula Carmo, um relógio, um avô, um menino


A pequena mala estava pronta à espera apenas do calendário.
O menino sonhador, cheio de infância, que não compreendia o tempo, iria para a casa do avô passear.
O avô trazia um tempo na pele e outro na alma e o menino gostava deste mistério.
Sentados juntos no chão da sala, lanterna na mão, ficavam a esperar.
O relógio vai bater. As molas rangem sem fim. Doze “cucos” anunciam o fim da traquinagem. Avô, menino sonham enfim.

Ana Paula Amaral do Carmo, Brasil

Do livro Antologia de Poesia Brasileira para crianças.
Canção de garoa,Mario Quintana.
frase escolhida: O relógio vai bater
                               as molas rangem sem fim.