18 setembro 2012

Da montanha ao balão


A MONTANHA
O desafio de escalar a montanha fazia-me tremer da cabeça aos pés. Tinha prometido realizá-lo e tinha jurado conseguir. Faltava a coragem. Erguendo a cabeça ao céu, avistei o topo. Poucos metros para a ilusão ótica de o cume desaparecer por entre as nuvens. O Sol brilhava e o vento sussurrava-me ao ouvido «Força». A ousadia atropelava o medo ou vice-versa, porque os pés continuavam no lugar. Um dia, a audácia há de conseguir combater o pânico.

O BALÃO
Naquele dia de outono a chuva miudinha teimava em cessar. Seguiu-se uma novidade para alegrar o céu cinzento, porém, deixou-me sem palavras. Ele comprara um balão. No início pensei tratar-se de um a brincar. Qual o meu espanto ao ver um balão de ar quente. Queria dar a volta ao mundo. Tentei dissuadi-lo, cheia de medo, contudo parecia decidido a enfiar-se no meio das nuvens e viajar ao lado dos pássaros mal o Sol voltasse a brilhar.

Maria Jorge

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