16 abril 2018

Diário 77 ― 22 ― Desorientando o destino


A multidão agitava-lhe as inseguranças. Perdera o caminho, perdera a capacidade de se reorientar. A multidão parecia alimentar-se disso. Mesmo assim, caminhou. Sem rumo, sem defesas, sem expectativas, arrastando consigo pessoas enlouquecidas ― as suas vidas dependiam de milagres.
Quando o abismo lhe cortou o caminho, não parou. Na frente, um final. Resignou-se. Deixou-se cair.
Porém, continuou a caminhar no vazio. Seria o primeiro milagre, o maior de todos: o de se descobrir capaz de desorientar o destino.
Margarida Fonseca Santos


2 comentários:

  1. Seria um grande milagre, sem dúvida. Mas algo me diz que o destino já sabia que ele ia avançar o sinal. Por mais que tentemos, é impossível surpreender o destino... Ou será que não?...
    Um beijinho, Margarida. A história está muito bonita.

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    1. Obrigada, Glória. É a minha forma de ter textos lidos para serem ouvidos, e porque escrevo tantas que apetece partilhar.
      E tem razão, o destino, mesmo feito por nós, é tramadinho ;)
      Um grande beijinho para si

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