24 setembro 2017

Quita Miguel - escritiva nº 24

Mentira
Tão grande era o desejo de Gepeto de ser pai, que um dos seus bonecos de madeira ganhou vida.
Ora, se era gente, tinha de estudar, pensou o velho e mandou Pinóquio para a escola. Pelo caminho Pinóquio ganhou dinheiro, que depressa lhe foi roubado.
Ao vê-lo a chorar, uma fada quis ajudá-lo, mas ele mentiu e o seu nariz denunciou-o crescendo.
Como seria bom que crescesse o nariz a todos sempre que faltam com a verdade.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005


Maria do Céu Ferreira - escritiva nº 24

O Coelhinho Branco
Era uma vez um coelho,
De pêlo branco, branquinho,
Foi à horta buscar couves
Para fazer o caldinho.

Ao bater na sua porta,
Berrou-lhe a cabra malvada
Que se fechara lá dentro…
E o Coelhinho chorava…

Encontrou a formiguinha,
Cansada de trabalhar
Que logo o reconfortou,
Prometendo ajudar.

Bateram ambos então…

― Eu sou a Cabra Cabrês
 Vou aí faço-te em três…
― E eu, a Formiga Rabiga,
Se entro aí, furo-te a barriga.

A cabrita apavorada
Desabriu atordoada.
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Fernanda Costa - desafio nº 118

O Sol dos amigos
Liana atravessava um momento de incerteza, aquele encontro com Alberto foi uma bênção. Em tempos idos, ele ignorou as imperfeições, demitiu-se do julgamento, calçou inúmeras vezes os seus sapatos, caminhou com ela.
Naquele dia, Alberto soprou as nuvens, o Sol apressou-se a chegar e Liana chorou ― lágrimas doces, tal como estrelas em noite de Natal. De tão genuínas, vivificaram a sua alma.
Liana esqueceu a negrura do tempo, vestiu-se de coragem, agradeceu e acendeu a sua Luz.
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio nº 118 – associação de palavras

Mónica Marcos Celestino - desafio nº 123

O lamento
Qual turbulento tufão brotou da ronca garganta
o triste lamento que, como furtivo fujão,
oculto entre escuras sombras, morava no peito.

Qual retumbante trovão ressoou na densa névoa
a lastimosa queixa que, como berrante fita,
pungiu os corações envoltos em preta capa.

Livre ficou das suas cadeias aquele pranto
tal pássaro engaiolado que escapou da sua prisão
e pôde no fim as assas despregar.

E desligado foi das algemas dos pesares.

Mónica Marcos Celestino, 45 anos, Salamanca, Espanha

Desafio nº 123 – palavras com letras de justificado

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 44

Os pais sempre afirmaram que a saúde é base fundamental da nossa vida. Se não estivermos bem, física e psicologicamente, não podemos estudar, trabalhar, apoiar as pessoas que amamos, ou seja, lutar pelo nosso futuro, pela nossa independência.
Eu acreditava que estavam plenamente correctos.
Mas, apesar de obedecer às demandas clínicas, cumprindo rotinas de consultas, medicação, fazendo inclusive cirurgias, cultivando hábitos de vida extremamente regrados, a epilepsia continua a perseguir-me.
Como posso continuar a acreditar nesta teoria?
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33

Ana Ribeiro - sem desafio

Espectros e luz
A cidade anoiteceu sob um denso manto de trevas.
Os passos cessaram.
A vida parou.
O vácuo alastrou, ganhando a forma de uma tela negra e morta.
Nada mais restou, a não ser um quadro sombrio suspenso numa parede gasta e sem cor, esperando o brilho do sol da esperança surgir, quando, eis que, o amanhecer finalmente chegou.
Ecos de vontade encheram as ruas desesperançadas, trazendo, finalmente, a luz da aurora e da mudança tão outrora desejadas.

Ana Ribeiro, 26 anos, Santa Maria da Feira 

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 97

Encontrei o Carlos, o melhor aluno de Educação Física, a correr no ginásio. Ele informou-me que participará na corrida com obstáculos.
Quando lhe pedi uma opinião sobre o meu vestido novo, apenas me disse que estava a ficar gorda e carecia urgentemente de iniciar uma dieta.
Fiquei furiosa... afirmei-lhe imediatamente que o único obstáculo que necessita de transpor é a má educação. Não passa de um bebezinho que precisa permanentemente que a mãe lhe troque as fraldas!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 97 – galinha de encontro ao vidro

Eurídice Rocha - desafios nº 28 e 29

Os dias são dias e decorrem num tempo que os homens insistem em acrescentar luzes e luzinhas para criarem a ilusão de diferente ou de importante… mas os dias são dias e decorrem num tempo.
Tempos houve em que sentia afronta o ser humano consumir-se em festas enquanto tantos outros rasgavam-se apenas para existir. A contradição do ser e do ter… bichos manipulados por uma máquina que os quer obedientes…
Hoje dias são dias. Decorrem no tempo.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 87

Hoje sonhei que, numa manhã invernal, estava uma cabra hesitante a meio de uma ponte romana, que atravessava um rio de corrente poderosa.
Meditei sobre este sonho estranho.
Senti-me como a cabra, receando o amor.
As margens representavam o meu coração, ávido por paixão e o cérebro calculista evitando o sofrimento.
Tu eras o rio que já tinha inundado apaixonadamente a minha alma.
Para que necessito eu da ponte? Apenas tenho que mergulhar nas tuas águas cristalinas.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra


Eurídice Rocha - desafio nº 27

Sobreviver
Josefina todo tempo corria para colo da sua avó, cobrindo-se com suas saias quando mãe a desolhava porque era vazia, apenas
Confortavelmente nas saias da avó, menina viajava por cima do mar por baixo das estrelas. 
Conheceu Marta quando devaneava pelos mares cheios de cabelos de algas e marés de sal. Marta surgiu entre tábuas soltas. Com rocha martela-as. Nada. Constrói uma jangada. Consegue. Agarra mão de Josefina. Divagaram unidas por olfactos e aromas nunca olhados.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 37

Na aula de Educação Visual, o meu lápis de cor vermelha caiu da mesa, rolando para o chão quando ia utilizá-lo para colorir o fato do Pai Natal.
Contudo, quando me baixei para apanhá-lo, não o encontrei... tinha desparecido misteriosamente.
Eu ignorava que tu, meu companheiro de carteira, o apanhaste, guardaste no teu estojo, utilizando para pintar os corações do postal que me ofereceste no Dia dos Namorados, devolvendo-me o lápis em seguida.
Amor, adorei a surpresa!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 37 – o lápis caído no chão

Eurídice Rocha - desafio nº 26

Daniel Cortês
A saudade enlaça a tua ausência, corpo de menino que cancro assolou. O teu olhar, a tua vida, as tuas descobertas, os teus medos, o teu sorriso, a tua voz, a tua resistência à solidão, a tua luta, amor, esperança... são a semente que permanece dentro do meu coração, com a certeza que te amo e me darás forças para continuar. Beijo-te eternamente com perpétua ternura e com bastante amor, meu doce Daniel, meu aluno, viva memória!
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 26 – dedicatória para alguém

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 1

Hoje encontrei uma antiga colega do curso de Comunicação Social.
Ela trabalha na televisão pública, eu estou integrada numa estação de rádio informativo.
A minha colega nem sequer redige os textos que transmite ao público no noticiário, sendo um mero pivot.
Eu tenho liberdade total, sei que os meus ouvintes avaliam a qualidade do meu trabalho e não a beleza. Além disso, a palavra tem maior poder de alcance que a imagem.
Eu adoro o meu trabalho!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Rádio Sim nº 1 – história tem de falar de rádio


Eurídice Rocha - desafio nº 25

Isto há cada uma!
Andava à procura de cogumelos no campo. Deslumbrei a parra da malagueta. Enchi cesto. Passei pelo João da taberna para lhos oferecer para seus petiscos apetitosos. João comia um naco de pão. Pedi-lhe comida para matar bicho, puxei duma malagueta, juntei-a para a provar. A malagueta rolou como um dado sem parar… forte ramo cresceu pela minha boca… fiquei tão dorida… cheio de frutos e folhas… não eram malaguetas ― eram sementes mágicas de damasco! Ai ardeu, ardeu!
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 25 – palavras com sílabas encadeadas

22 setembro 2017

Carlos Alberto Silva - desafio RS nº 23

Em campanha
As comitivas das duas listas concorrentes à associação de estudantes do colégio feminino cruzam-se num corredor. Um encontrão incendeia os ânimos. Começam as provocações. Esgotando-se os argumentos, vêm os insultos, que sobem de tom e baixam de nível.  
― Sua esta, sua aquela!
― Isso és e a tua mãezinha!
Até que surge o ultraje mais rasteiro, a ofensa suprema:
― Sabes o que és, sabes?
― Não, mas tu vais dizer-mo, não é?
― Vou. És uma grandessíssima e refinadíssima… po-lí-ti-ca!
Carlos Alberto Silva, ​59 anos, Leiria
Desafio RS nº 23 – história de mulheres

Mais contos aqui: ​ficcoesbreves.blogspot.pt

Helena Pereira - escritiva nº 24

A Lebre e a Tartaruga nos nossos dias...
Estavam a Lebre e a Tartaruga a jogar no telemóvel…
Amiga tartaruga queres fazer running comigo?
Vamos até ao final da Baía e voltamos,
quem ganhar publica a foto no Facebook.
Boa Lebre, comecemos…
A meio da prova a Lebre que levava algum avanço diverte-se a tirar selfies…
A Tartaruga que agora fazia trail, lá passou despercebidamente pela baía e regressou.
Quando a Lebre chegou já a Tartaruga festejava nas redes sociais e já contava 77 likes!!!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

21 setembro 2017

Lourença Oliveira - desafio nº 125

O jardim de Marta, na sala dos livros, era feito de peças de dominó em
pé disposta em forma de coração. Um momento feliz da vida plantava uma
peça de dominó.  E estas pulsavam ao ritmo da vida. Naquele dia,
sentada na poltrona junto do jardim com um livro na mão, um alerta
soou: ― Lamentamos, nada mais podemos fazer por Pedro. A última peça
desequilibrou-se com uma única lágrima e o jardim desmoronou-se num
tornado de emoções.
Lourença Oliveira
, 45 anos, S. João do Estoril
Desafio nº 125 – tornado no jardim

EB Galveias, 3º/4º B - escritiva nº 24

O Pedro e o lobo
O Pedro era um menino mentiroso e adorava pregar partidas.
Ele disse que o lobo o estava a atacar mas era mentira. Disse isto durante vários dias.
Os amigos tentaram sempre ajudá-lo. Mas descobriram que era tudo uma grande mentira.
Certo dia, o lobo atacou-o mesmo, mas os amigos não acreditaram e não o socorreram.
A sorte é que o avô estava perto e salvou-o.
O Pedro prometeu que nunca mais mentia.
Mentir é muito, muito feio!!!
EB Galveias, 3º/4º B, professora Carmo Silva

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Eurídice Rocha - desafio nº 24

Ai amiga
Estavam duas melgas brincando
Quando um jacto ali passou
Melga escanzelada travou
melga gorda embateu e tropeçando
esmagou a outra até chiar
fraco zumbido... pobre escanzelada
― Acho que estou achatada
Será que te podes desviar?

― Não sei como te vais safar
na entrevista do primeiro emprego…
mas eu tenho-te tanto apego
Conta comigo que te vou ajudar!
A melga gorda sempre a ponderar
Falou com tal confiança
Pôs-lhe ar adentro com perseverança
lá recomeçou escanzelada a voar.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 24 – duas melgas à conversa, uma gorda e outra escanzelada

Carlos Alberto Silva - escritiva nº 24

O desatino de Vermelhusca
Vermelhusca foi levar uma bucha à avó enferma. Ignorando as advertências da mãe, deambulou pela mata. Apareceu-lhe um lobo de falinhas mansas e ajustaram uma corrida.
Em três tempos, o bicho alcançou a casa da velha. Atemorizada, a senhora encafuou-se no guarda-fatos. Com artes de transformista, o carnívoro aninhou-se na cama dela.
Ao chegar, Vermelhusca desatinou com aqueles preparos: era tudo em grande, sobretudo os dentes...
Acudiram uns lenhadores, que escorraçaram a fera, salvando avó e neta.
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Eurídice Rocha - escritiva nº 24

CHUMPETA-CHUMPATA.
João menino, tinha encontrado saca cheia de maçãs (experimentou supremo ímpeto pela propriedade privada), mas… polícia declarou-se dono do saco. João fugia do polícia, advogado ajudava João: enlouquece-o, quando pedir maçãs responde CHUMPETA-CHUMPATAJoão a tudo respondia CHUMPETA-CHUMPATA. Polícia com medo de contágio, fugiu. Advogado pediu que João pagasse o conselho: – Maçãs… uma para ti, dez para mim, uma para ti, vinte para João retorquiu: - Alto lá,… CHUMPETA-CHUMPATA, CHUMPETA-CHUMPATA, … advogado desmaiou! Amigos e João comeram fraternalmente maçãs. 
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

20 setembro 2017

Ana Paula Oliveira - escritiva nº 24

Era uma vez uma velha. E era uma vez um lobo esfaimado.
A velha saiu da sua cabana para ir ao batizado dos netinhos. O lobo saiu-lhe ao caminho para a degustar.
Mas ela estava magrinha, ele só teria ossos para trincar. E deixou-a partir. Na festa iria engordar, o banquete poderia esperar.
Na hora do regresso, o lobo esperava-a. Escondida numa cabaça, a velha respondeu-lhe:
― Não vi velha, nem velhão! Corre, corre, cabacinha, corre, corre, cabação!
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira,
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 115

O amor entre eles findara há muito, mas o carinho pelos filhos conservava-os juntos; consideravam que deveriam educar conjuntamente as crianças para que fossem felizes e se tornassem cidadãos exemplares.
As traições da esposa já há muito deixaram de perturbá-lo... afogava as mágoas na garrafa de gin e na violência doméstica.
Mas uma vida sem amor limita-se a uma mera passagem no calendário, desprovida de qualquer significado!
Assim, quando anoitecia, sentiam-se aliviados pela célere aproximação da morte.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe


Bruna Gomes - desafio nº 117

― Fonte dos desejos, fica com a minha moeda e realiza o meu sonho!
Sabes, a minha infância foi um horror! Marginalizavam-me e nem percebia porquê.
Agora, tudo é diferente! Tudo se tornou claro!
Tenho psoríase. Sei que não encaixo nesta sociedade preconceituosa. Sei que pareço um monstro.
A minha doença não é contagiosa, mas o julgamento continua, diariamente.
Acabei de ser mãe! Só peço que a minha filha seja julgada pela sua personalidade, não pela sua doença!
Bruna Gomes, 15 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase


Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 90

Quem espera, sempre alcança!
A mãe sempre disse que, se lutarmos pelos nossos sonhos com persistência e paciência, podemos ter sucesso. Mas eu duvido!
Mesmo assim, os pais acreditaram em mim, custearam os meus estudos. Eu esforcei-me para vencer na vida, terminei o meu percurso académico na faculdade.
Contudo, apesar de já ter respondido a inúmeros anúncios de oferta de trabalho, continuo desempregada.
Quero ser independente, ter utilidade social... quando irá aparecer o trabalho?!
Quem espera, desespera!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios


Natalina Marques - escritiva nº 24

Quem quer casar com a Carochinha, que é rica e bonitinha?
― Quero eu... ― respondeu vaidoso, com mania que era dono da capoeira.
― Não te quero, não gostas de trabalhar.
Novamente perguntou, outro disse que sim, ao que ela respondeu...
― Não me serves, gastas muito dinheiro.
Chegou-se então à janela, antes de perguntar, um jovem se aproximou, trocara tudo o que tinha pelo amor da Carochinha.
Nesse momento acordei e sem saber fiquei se foram felizes, para sempre.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Escritiva nº 24 – hist infantil em 77 palavras

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 22

O Zeferino é veterinário do Jardim Zoológico e adora animais desde criança, mas os pais apenas permitiram que tivesse pássaros em casa, pois o seu irmão mais novo era alérgico a pêlo.
Esta manhã, vacinou as zebras, limpou a dentição dos tubarões e tratou os ferimentos da pata direita do zebu.
Quando estava na jaula dos rinocerontes, o jardineiro foi decorá-la com zígnias e, juntamente, apareceu um zangão enorme que lhe picou o braço... que presente desagradável!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 22 – todas as frases com 2 Zs

Programas Rádio Sim - semana 18 Setembro 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

Escritiva nº 24

Histórias da carochinha em 77 palavras
Quando eu era pequenina, ou melhor, desde que sou pequenina que demoro, em média, uns 2 minutos a adormecer. Ora isto para uns pais que incentivam a leitura é algo frustrante, porque nunca passavam da 2ª página dos contos. Vendo que eu nunca chegava ao final das histórias e que pedia sempre (mas mesmo sempre) para começarem a história desde o princípio, a minha mãe adotou uma estratégia: contar tudo no menor tempo possível, conseguindo assim que eu ouvisse tudinho antes mesmo de fechar a pestana. 

Como podem imaginar, só anos mais tarde percebi a quantidade de pormenores que havia em cada uma das histórias, mas no essencial a capuchinho salvava-se, a tartaruga ganhava a corrida e Cinderela acabava com o príncipe.

Pois bem, peguem numa história da vossa infância e contem-na em nada mais, nada menos do que 77 palavras. Eu escolhi esta:

Era uma vez 3 ursos, uma casinha, um bosque e uma menina armada em espertinha.
Andavam todos a passear, quando a menina se pôs a bisbilhotar.
Viu uma casa e decidiu entrar. Comeu, bebeu e adormeceu.
Dormiu, roncou até que se assustou com 3 ursos resmungões que lhe pediam explicações: queriam saber que história era aquela de entrar numa casa que não era dela.
Assustada, levantou-se a correr e fugiu disparada para onde ninguém a pudesse ver.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

16 setembro 2017

Carla Silva - desafio nº 125

Como um tornado
Algo na forma como te debruçavas sobre a mesa tocou o meu coração. Sentindo-me impelida a chamar tua atenção, toquei no teu ombro.
Mas nunca imaginei que abalasses meu interior tão intensamente.
Igual a um pequeno tornado, entraste na minha vida. Sem aviso prévio, revoltando tudo à tua passagem. Muitas vezes pensei desistir, felizmente não o fiz.
Hoje, volvidos vinte anos, não imagino a minha vida sem segurar tua mão ou sem perder-me nos teus tristes olhos verdes.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 125 – tornado no jardim

Eurídice Rocha - desafio nº 23

Olhos nos olhos... valeu!
Leitão faz-me sempre lembrar o meu primeiro amor. Mais valia ter posto uma rolha de cortiça no coração, porque chafurdei o peito anos demais no chiqueiro.
Podeis não crer, mas triturou-me e esmagou-me no almofariz e sem especiarias… só com dor! Acreditei deixar de amar, como minha mãe.
30 anos depois pus o despertador a tocar para finalmente acordarAtirei-lhe com uma bola de ténis, sacudi-o como se de vespa se tratasse e encarnei um novo papel.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel

Laura Garcez - desafio nº 125

Petúnia e Malmequer
A Petúnia apaixonou-se pelo Cravo. Ouvia as ondas melodiosas da sua voz. Ele sempre indiferente!
Petúnia abandonou a dor, mudou de local. Giesta ajudou-a. O Vento Norte abanou fortemente o jardim, plantando a Petúnia ao lado da Giesta. Todos ficaram atarantados ― o cravo, surpreendido, calou-se.
Petúnia ressentiu-se, mas era melhor assim.
À frente de Petúnia, vivia Malmequer Silvestre, muito desanimado. Petúnia enterneceu-se, cobriu-se de doçura. Amou o Malmequer, tal como desejou que o Cravo a tivesse amado.
Laura Garcez, 44 anos, Lisboa

Desafio nº 125 – tornado no jardim

Eurídice Rocha - desafio nº 22

Cadáver à vista
Sentada comodamente fiz que a curiosidade fosse uma lupa. Uma. Fosse curiosidade a que fiz… comodamente sentada.
Menino anuncia bisbilhotice de olho aberto e voz vibrante. Voz e aberto. Olho de bisbilhotice? Anuncia menino!
Vala, aquela, cheia de estrume humano. Estrume de cheia… aquela vala.
Alma e corpo de recém-nascido assassinado… recém-nascido de corpo e alma.
Saiu arrancado, podre, ao lixo. Ao podre arrancado saiu.
Dor maldita quão condena corpo de mulher de corpo. Condena quão maldita?
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 22 – frase simétrica

Fernanda Costa - desafio RS nº 23

Nascer do dia
Liana levantava o pé, puxava a porta, um sol incandescente beijava-lhe o rosto ― desânimo esquecido, um dia cheio de bênçãos estava à sua frente! Organizava os mais valiosos bens, físicos e espirituais, saía de casa com alegria! Os queridos alunos mereciam, mimavam-na, adoravam-na!
No caminho encontrava D. Josefa, mulher ribatejana, sorriso largo, palavras fáceis ― servia-lhe um café com sabor ao longínquo "Pierre Loti".
Freneticamente, o dia começava vestido de sonho, para que as nódoas não o sujassem.
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio RS nº 23 – história de mulheres

Eurídice Rocha - desafio nº 125

Desangolana no deslubango
Tantas horas a voar…  
pôr pés de chão?
Corpos de meninos surgiam entre plásticos. Poeiras numa luta infindável pela sobrevivência. Não lhes sorriam estrelas no olhar. Não lhes rasgavam sonhos no coração… tipo braços mecânicos, secos, arrastavam lixo com garras a iluminar ponta de comida fétida, maquinalmente engolida.
Filhos da nossa terra destratados!
“Quantos pobres são precisos para fazer um rico?” qual tornado jardim? qual justiça dos homens na secura da fome dos olhos de uma criança?
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 125 – tornado no jardim