30 setembro 2017

EXEMPLOS - desafio nº 126

Que situação
Outubro, época das festas de choop.
E em uma boa OKTOBER FEST, o que não pode faltar para combinar com a bebida? Claro, o salsichão.
Aquela dupla cantava animada, comia, se divertia muito, até que a barriga de Fritz começou a dar sinais: Roncos, roncos e depois não só eles...
Para finalizar sua tarefa de casal anfitrião na festa, só sentando-se num “trono”: Sentia-se intermitente verdadeiramente... Ora roncos, ora “troncos”.
Não conseguiu chegar ao fim da festa!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Intermitente
– Eu sinto-o intermitente.
– Hã?
– Às vezes, concorda com o que lhe proponho, para, logo a seguir, se contradizer e negar ter concordado com o que quer que seja.
– Qual é a novidade? Ele sempre foi estranho.
– Não como agora. Pressinto que desta vez seja uma situação terrivelmente ameaçadora – respondeu Fátima Conceição, com uma convicção que a amiga estranhou, ao mesmo tempo, que olhando o pai na cadeira de baloiço, acrescentou: – Acho que ele pode estar com Alzheimer.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

Ai doutor, que terei eu,
Que me sinto intermitente:
Ora acordo com vigor
Ora me ponho dormente;
Ora me assola a febre
Ora gelo de repente;
Ora me dá o fastio
Ora como avidamente;
Ora me invade a tristeza
Ora pulo de contente;
Ora perco a paciência
Ora fico benevolente;
Ora me interesso por tudo
Ora tudo me é indiferente.
Diga-me lá, por favor,
Sendo médico experiente,
Isto é moléstia incurável
Ou acontece a toda a gente?
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria

Naquele instante, Florbela sentia-se intermitente, tal como um semáforo avariado.
Os olhos começaram a piscar com velocidade supersónica, surgindo soluços com intervalos ritmados. A pele estava vermelhíssima, sentindo oscilações da temperatura corporal quase imediatas.
Porém, não carecia de diagnóstico clínico... sabia que esta intermitência não resultava de doença física e tivera origem quando vislumbrara o seu apaixonado passar em frente de sua casa.
Esta sintomatologia estranha era fruto da aliança poderosa entre o nervosismo e o amor!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

A tia canadiana
A romança fugitiva da tia Elsa tornou-se amor para a vida. Como noiva de guerra, vestida numa roupa feita dum para-quedas, casou um soldado canadiano e seguiu-o responsavelmente para Quebec. Embora a sua vida além fosse difícil gostava do novo lar, mas, no desejo latente de rever os pais, sentiu-se intermitente como uma saudade pungente no coração. Trinta anos passaram antes que pudesse cumprir o desejo de rever a família, um reencontro confortante com muitas lágrimas felizes.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Quando a Alma se sente intermitente, só há um caminho a seguir num
discreto percurso que ora se revela ora se esconde, mas nele temos de
partir. Quando o labirinto se forma, entre dilemas do que somos e do
que não somos ou do que poderíamos ser, bem lá no fundo da Alma, no
fim do percurso, existe um patamar, um candeeiro e um interruptor, é
simples! Siga as instruções, desligar em agitação esperar até que
passe.
Lourença Oliveira, 45 anos, S. João do Estoril

A lua perde a forma
Eu sou a lua. Nas minhas quatro formas, uma delas é invisível. Hoje é noite de lua nova e sinto-me particularmente incomodada, a brilhar e a tremer. Até acho que perdi a forma, mas sigo, de olho grande, o mundo dos homens loucos que não aprendem com a história. Vou brilhar, vou pulsar, vou dar a volta ao mundo até à promessa da razão, até à centelha de humanidade. Até lá, quando olharem para mim, sinto-me intermitente…
Odília Baleiro, 62 anos, Lisboa

Caminhos do destino
Quando ele a via da janelinha do casarão, o seu coração sentia-se intermitente. Vivia pensando nela, com ela sonhava dia e noite!
Depois veio o baile, a coragem de um pedido… o coração a saltar, o sangue a ferver…
Finalmente, o enlace, dias felizes…                                            
Mas, caminhos do destino… traiu a felicidade vezes sem conta… seguiu-se o divórcio…
Dele, pouco mais soube. Dela, sei que se fez à vida, prosperou e vive muito feliz mais a sua filhinha.
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Liana, em tarde outonal, foi convidada a entrar na Catedral do Tempo. Ao entrar, sentiu-se abraçada pela quietude soberana. Depois, passo a passo, foi descobrindo o ocre, o laranja, o verde infinito - um templo muito pitoresco. Todos a receberam numa quieta onda de afeto. Os sobreiros estenderam o tapete de bolotas, as figueiras cumprimentaram-na docemente e as murtas perfumavam-lhe a fronte. Comunicavam em silêncio. Liana emanava gratidão. Será que ainda se sentia intermitente? Não, encontrara o paraíso!  
Fernanda Costa, 56 anos, Alcobaça

Estou intermitente ao acordar!!
De manhã é sempre horrível. As horas, o trânsito, os lanches, as mochilas. "Sinto-me intermitente" quase como um semáforo, ao acordar de manhã para ir trabalhar. Aliás nem deveria haver manhãs. As manhãs são inimigas do sono, do bom humor, da vontade louca de fazer coisas novas. 
Durante as férias não!  As manhãs seriam obrigatórias. Para se acordar lentamente e ter um dia comprido pela frente. Para os pequenos almoços repousados cheios de fruta e batidos frescos. 
Alda Goncalves, 49 anos, Porto

Idiossincraticamente possuída de caprichos, de menina prodigiosa, Rosalina andava apoquentada com ideias que, sendo nela usuais, desta feita sentia-se intermitente, o que não lhe agradava de todo.  Queria ela difundir na escola, o conceito de prioridade atinente aos acessos ao vestiário. A indecisão, contudo, tomava espaço. Pugnou e conseguiu ao fim de algumas inusitadas pelejas. Ficou descansada, mas não satisfeita. Pelava-se por uma luta bem renhida, mas tudo se resolveu de uma penada.
Iria pensar noutras causas... 
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

Intermitente
Sentia-se intermitente
Quando ele deambulava,
Para trás e para a frente,
E nem um beijo lhe dava…

Sentia-se intermitente,
Partilhando as reuniões,
Ignorada e competente,
Nas suas intervenções…

Sentia-se intermitente,
Tendo as responsabilidades,
Trazendo os filhos na mente
E omitindo-lhes verdades…

Sentia-se intermitente
Quando à noite ele saía
E deixava a cama quente,
Fingindo ela que dormia…

Sentia-se intermitente,
Com raiva, força, razão!...
Queria dar o passo em frente,
Mas vacilava, somente,
Por ter preso o coração!
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Sentia-se intermitente diante tanto desnível social. 
Caminhava pelas cidades grandes, ficava com o coração entristecido, cheio de compaixão. 
Refletia em como amenizar a dor do ser humano em diversos níveis. 
Resolveu criar uma ONG e combater o mal mais imediato da sua região. 
Era uma mulher constante em suas decisões e perseverou neste projeto até o fim de sua vida terrestre.
Fazer o bem sem se importar com recompensa, era sua meta primordial.
Ânimo, generosidade em ação!
Rosélia Bezerra, 63 anos, Rio de Janeiro, Brasil

«É agora ou nunca! A miúda é muito gira, vou convidá-la para sair. E se levo uma tampa?», hesitou. Sentia-se intermitente como a luz do seu telemóvel. «Estou lixado se isto falha…» Mas arriscou. Deixou tocar até ela atender. Naquele minuto, o écran apagou-se... Em desespero, atirou o telemóvel ao chão. Foi então que o ouviu tocar. Espantado, apanhou-o. A luz, agora num brilho contínuo, iluminou-lhe o coração... E, segundos depois, ouviu a voz tão esperada: «Falaste-me?»
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Sentia-se intermitente
Os malditos soluços não passavam.
― Fica uns minutos sem respirar... ― disse-lhe a mãe, já impaciente.
Não deu resultado, bebeu sete goles de água sem respirar, também não surtiu efeito.
Já desesperada, sem saber o que fazer, lembrou-se de telefonar para a farmácia
e perguntou se tinha algum remédio para os soluços.
Estava nessa conversa, quando o pai chegou, e muito aflito, perguntou o que ela tinha.
― Sente-se intermitente, como a lâmpada do candeeiro que ainda não mudaste.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Há já muito tempo que vivia assim!
Sentia-se intermitente entre a euforia e a depressão.
As constantes mudanças de humor, revoltavam-no. Queria desaparecer de si próprio.
Escarafunchava nas entranhas, em busca de paz, mas cada vez se enterrava mais num lamaçal de emoções antagónicas.
Naquela manhã, mudava de canal, sem encontrar o que lhe prendesse a atenção, de repente ali estava aquele documentário sobre uma tal Doença Bipolar.
Tinham-lhe entrado pela vida adentro, era dele que falavam!
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

Intermitências
Sob a luz trémula o espelho devolve-lhe um reflexo cansado. A frustração apodera-se dela ao ver-se.
Milo partira há imenso tempo e desde esse fatídico dia que se sentia… Como se sentia!? Não sabia ao certo.
Era um misto de tristeza, agonia, até vergonha ao recordar como fora idiota.
Como não percebera que a usara!?
Fora descartada tão facilmente como seria aquela lâmpada ao queimar-se.
Olhou a lâmpada que piscava. Era assim que se sentia… sentia-se intermitente!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena

Amava-o desmesuradamente e talvez isso justificasse o seu viver descontínuo. Sentia-se intermitente. Sentia-se dona do mundo quando Gil estava no seu melhor. O quotidiano era de uma inquietante harmonia que a fazia acreditar ter encontrado a sua alma gémea. Porém, quando bebia, por razões que nunca entendeu, era a pessoa mais aterrorizante que conhecera. O terror, pintado pela raiva e pelo incerto venceu e, apesar de ter períodos de magia e plenitude, separou-se de quem tanto amava.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Olhas-te ao espelho e já não és o mesmo. Vês o teu mundo a desmoronar diante dos teus olhos. Tu mudaste, eles mudaram, tudo mudou. Sentes-te intermitente. Ora vives, ora sobrevives. De um momento para o outro, escorregas em memórias e em possíveis cenários de tragédias psicológicas. Choras, tremes, passas as mãos pelo cabelo vezes e vezes sem conta. Limpas as lágrimas e um sorriso aparece no teu rosto. Ninguém precisa de saber como realmente te sentes.
Joana Silva, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Desde a festa do João que me sinto intermitente. Já não é só a cabeça que se afasta. Agora é a minha alma, o meu ser. Eu sabia que não devia ter experienciado… De tantos avisos que me deram e que sempre achei sem importância, fui, mesmo assim, experimentar. Porque é que lhes dei ouvidos? Devia ter ficado em casa naquele dia. Imagino a mácula que será quando falar com os meus pais. Acho que vou desligar…
Gonçalo Gonçalves, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Estava um dia soalheiro e quente. Toda a gente tinha um enorme sorriso no rosto. O ambiente era alegre e divertido! Só eu estava triste, embora não soubesse porquê.
Ora me sentia pesaroso ora me deixava contagiar por tal contentamento. Sentia-me… intermitente. Como costumava andar animado, toda a gente na escola estranhava o facto de eu estar assim e comentava-o pelos corredores, até mesmo os professores.
O que se passava, afinal, que nem eu percebia? Ai, adolescência!... 
António Vaz, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Estava no meio da ponte, e o nevoeiro intensificava! Cada vez mais denso, impedia-a de observar o voo da ave branca. Aparecia, logo desaparecia, sentia-a intermitente! Trazia a mensagem da data do regresso de seu pai. Ao aperceber-se do seu desaparecimento, o medo aumentava. Conseguiria a ave transpor o nevoeiro e encontrá-la?
Até que a bruma deixou de cobrir a ponte, desvanecendo, e o recado foi surpreendentemente entregue pelo seu pai. A guerra terminara, a paz dominara!
Matilde Faria, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Olhou o relógio: só lá estava há 30 minutos…mas a espera, como parecia longa a espera. Não apercebia o que acontecia ao seu redor; nem notava o corre corre dos que, apressados, deambulavam à sua volta.
Nada o interessava… ele continuava à espera. Era a sua primeira vez…
Sentia-se intermitente.
Saltitava sem parar da cadeira para a janela e da janela para a cadeira. Até que soou nos altifalantes: “Abriu o embarque para o voo TP9999 “
Cristina Almeida, 57 anos, Maia

Olhou o relógio: só lá estava há 30 minutos…mas a espera, como parecia longa a espera. Não apercebia o que acontecia ao seu redor; nem notava o corre corre dos que, apressados, deambulavam à sua volta.
Nada o interessava… ele continuava à espera. Era a sua primeira vez…
Sentia-se intermitente.
Saltitava sem parar da cadeira para a janela e da janela para a cadeira. Até que soou nos altifalantes: “Abriu o embarque para o voo TP9999 “
Cristina Almeida, 57 anos, Maia

Sentia-se intermitente
Nasceu assim e nunca mudaria. Em cada toque seu, quase musical, perdia o fôlego. Retomava-o um pouco depois, como se pedisse desculpa. Sentia-se, incrivelmente, intermitente!
Como admirava essas campainhas enérgicas, sonantes, que nunca se calavam e a quem todos obedeciam. Certo dia, caiu-lhe um parafuso e desatou a tocar, sem parar. Estafada de tanto esforço, chorava pedindo que a desligassem. Foi chamado um eletricista que a consertou.
Finalmente, como era bom voltar a ser como era dantes!
Isabel Sousa, 65 anos, Lisboa

Vagueando pela noite no ensurdecedor silêncio da escuridão, encontrei três homens encapuzados. Não sabia o que fazer, sentia-me intermitente. “Telefono para a polícia?”. Decidi que tinha de impedir aquele assalto.
Tentei agir, lançando-me para cima dos assaltantes, mas tudo o que consegui foram duas costelas partidas e a bacia rachada. Pelo menos, a loja não foi assaltada devido à sirene da polícia.
O dono da loja agradeceu e garantiu-me parafusos vitalícios, incluindo um para a minha bacia.
André Moreira, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Carlos Alberto Silva - desafio nº 126

Ai doutor, que terei eu,
Que me sinto intermitente:
Ora acordo com vigor
Ora me ponho dormente;
Ora me assola a febre
Ora gelo de repente;
Ora me dá o fastio
Ora como avidamente;
Ora me invade a tristeza
Ora pulo de contente;
Ora perco a paciência
Ora fico benevolente;
Ora me interesso por tudo
Ora tudo me é indiferente.
Diga-me lá, por favor,
Sendo médico experiente,
Isto é moléstia incurável
Ou acontece a toda a gente?
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente
Mais textos aqui: ficcoesbreves.blogspot.pt


Quita Miguel - desafio nº 126

Intermitente
– Eu sinto-o intermitente.
– Hã?
– Às vezes, concorda com o que lhe proponho, para, logo a seguir, se contradizer e negar ter concordado com o que quer que seja.
– Qual é a novidade? Ele sempre foi estranho.
– Não como agora. Pressinto que desta vez seja uma situação terrivelmente ameaçadora – respondeu Fátima Conceição, com uma convicção que a amiga estranhou, ao mesmo tempo, que olhando o pai na cadeira de baloiço, acrescentou: – Acho que ele pode estar com Alzheimer.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» 


Francisca Morais - escritiva nº 11

Estava a passear na praia e encontrei uma garrafa de vidro no mar, onde se encontrava um papel que dizia:
«No fundo do mar encontrarás um tesouro cheio de prata e ouro, mas cuidado com os tubarões, que nunca largam aquele tesouro, até parecem ladrões, e se queres encontrar mais pistas tens de as procurar. Tem cuidado porque te podes magoar e começar a sangrar, mas poderás ser a pessoa mais rica se o encontrares, BOA SORTE!!!»
Francisca Morais, 11 anos, Torres Vedras
Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

Helena Pereira - desafio nº 121

Talvez não saibas, mas ontem fui lá! Sim aquele sítio. Ganhei coragem e fui…
Tive medo, sim tive, apeteceu-me regressar, gritar, sei lá, fugir dali…
Contudo, tu não estavas lá! Devias proteger-me e falhas-te mais uma vez…
Era a mim que contavas os teus medos mais profundos.
Caíste e não te quiseste levantar…
Porquê? Porque o fizeste? Fugiste e não pediste ajuda! E eu fiquei tão só…
Tenho saudades das nossas brincadeiras!
Sim compreendo, mas não aceito!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Margarida Fonseca Santos - escritiva nº 24

Era uma vez uma menina muito pobre, esperta, honrada e saudável. Carregava um feixe de lenha. De repente…
Aparecem os três anõezinhos da floresta, Bi, Rebi e Ciribi (não tenho espaço para escrever como eram, azar). Dão-lhe a escolher ser como é ou rica e nobre. Zás, ela aceita, casa com um príncipe, e fica burra e doente.
No meio da aflição, chama pelos anõezinhos, que a deixam esperta, honrada e saudável. Estado novo no seu melhor!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Fernanda Costa - desafio nº 118

Aquieta-se a noite! Os vivos também!
Há uma coruja a piar ― sabe o que diz, mas ninguém a entende.
Na vizinhança, uma torre milenar ― alva, intocável na terra, apreciada do céu. Abençoa o conforto, com temperatura misteriosa.  
Há luzes amarelas, outras laranja, algumas escondidas na bruma. Luz rosada, em abóbada infinita, doa transparência à noite, parecendo um pedaço de dia!
Nesta oposição ― brisa da noite, nuvens do dia ―, há a escuridão doce, morna, tal como um longo abraço. 
Fernanda Costa, 56 anos, Alcobaça
Desafio nº 118 – associação de palavras

Chica - desafio nº 126

Que situação
Outubro, época das festas de choop.
E em uma boa OKTOBER FEST, o que não pode faltar para combinar com a bebida? Claro, o salsichão.
Aquela dupla cantava animada, comia, se divertia muito, até que a barriga de Fritz começou a dar sinais: Roncos, roncos e depois não só eles...
Para finalizar sua tarefa de casal anfitrião na festa, só sentando-se num “trono”: Sentia-se intermitente verdadeiramente... Ora roncos, ora “troncos”.
Não conseguiu chegar ao fim da festa!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

Desafio nº 126

Vamos brincar com frases estranhas, pode ser?

A ideia é esta: algures, terá de aparecer «sentia-se intermitente».
Podem adaptar o tempo do verbo, o sujeito e passar a plural.
Mas a frase estará lá.

Eu desenvencilhei-me assim:
Se pudesse, teria ido a um médico, mas não sabia algum que o compreenderia. Nada fácil, chegar ao gabinete e dizer:
― Senhor doutor, sinto-me intermitente.
― Intermitente?!
Pois, era previsível que não funcionasse. Ainda se fosse um candeeiro de rua, têm tantas vezes esse problema… Mas assim, pessoa de carne e osso, complicava-se tudo.
Ao cair da noite, apareceu-lhe um ser alado.
― Intermitente?
― Sim, muito. O que tenho?
― Espera um pouco, estás quase a vir para este lado.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente
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EXEMPLOS

29 setembro 2017

Paula Castanheira - escritiva nº 24

Ela saltitava entre os dias, com leveza, ele arrastava-se pesadamente, carregando o desejo de ser pai!
Patrícia tinha um espírito rebelde, por diversas vezes chegava a casa, aninhava-se-lhe no colo segredando – vais ser papá – e Joaquim acreditava e abraçava-a feliz, depois ela desmontava sem misericórdia, a sua mentirinha e ria, ria…
Um dia, porém, a mentira foi verdade, o teste dera positivo. Correu para casa e quando lhe deu a notícia, ele saiu e nunca mais voltou!
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Elisabeth Oliveira Janeiro - escritiva nº 24

Na Tristeza e na Alegria
Andava o burro Malhado, triste, macambúzio...o dono achou-o de nenhuma serventia e pô-lo fora. Estrada além, encontrou o cão Ladino, o gato Façanhudo, o galo Falsete, o papagaio Tartamudo. Em concílio, uniram os destinos. Colhidos pela noite, vislumbraram uma cabana alumiada. Aproximaram-se. À mesa, larápios dividiam o ouro roubado.
Então, no escuro, papagaio papagueou, cão ladrou, gato miou, galo cantarolou, burro zurrou e os ladrões, assustados, deram à soleta.
Heróis! Novos donos, mas amigos para sempre.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 47

O místico urso, sem hesitação, terminaria com aquele impossível destino!
O director do Jardim Zoológico, completamente falido, ambicionava notas. Sem atrapalhação, espicaçava zangas entre os animais. 
Com dedo calculista, condenara-o à solidão da jaula quatro... mas ele seria eternamente o primeiro!
Que crime bárbaro dar destaque ao jaguar!
Colocou uma grande lamparina na sua jaula para o admirarem melhor, aconchegando-o de noite com um xaile.
Decidira, de modo oculto, atacar o rival com varejeiras... que bela vingança!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 47 – 23 palavras obrigatórias!

João - desafio nº 59

Não gosto nada de pulgas!
Nãonão é por não serem um animal interessante, mas odeio catá-las aos meus gatos.
Não gosto de andar atrás delas no pelo deles, não param quietas! Não param mesmo!
Sempre a saltar de um lado para o outro. É uma coisa que não agrada aos meus gatos. Não suportam a comichão e eu igualmente.
Não suporto ter de lhas tirar! Nãonão gosto nada! Quando vou catá-las digo sempre nãonão!
João Martins, 11 anos, Torres Vedras
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Theo De Bakkere - escritiva nº 24

O lobo e Capuchinho Vermelho
O lobo malvado, que acabou a devorar de uma vez a avozinha da Capuchinho Vermelho, esperava deitado na cama pela menina, sua sobremesa. Quando a rapariga ingénua chegou, não apercebia que estava na cama um lobo mascarado. No entanto, os grandes olhos famintos e a boca babosa assustaram-na e no momento que perguntou porque tinha ela dentes tão grande, o lobo atacou-a para devorar. Felizmente o guarda-florestal andava nas paragens e pôde salvá-la das garras do antropófago.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia Bélgica

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Domingos Correia - escritiva 24

O pobre corcunda
Um pobre corcunda fez uma viagem. De noite, subiu a um carvalho. Por baixo, vieram pernoitar uns ladrões, cantarolando: segunda, terça, quarta, quinta, sexta!
O corcunda repetiu a cantilena… os ladrões mandaram-no descer, deram-lhe muito dinheiro, tiraram-lhe a corcunda.
Depois, contou tudo ao seu irmão rico que, ganancioso, o quis imitar.
Vieram os ladrões cantando a mesma lengalenga…
Julgando-se esperto, acrescentou à cantarolice… sábado e domingo também…
Os ladrões olharam-no, esmurraram-no e puseram-lhe a corcunda do irmão.
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 96

Habito nas várzeas alentejanas desde criança, mas sou venezuelano.
Esta noite não dormi... o jerico do vizinho zurrava insistentemente.
Tenho o cérebro vazio, em processo de veloz vaporização, em vulcanização total!
Quem não se zangava, sem descanso, ouvindo vozes no interior da cabeça?!
Já visualizo verbalizações cruéis! Vou vigarizar aquele campeão de avareza, vendendo-lhe palha envenenada! Estou a brincar... eu adoro animais.
Mas... um jumento?! O meu cão, Vizir, peca pelo seu apetite voraz, mas é adorável!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Helena Pereira - desafio nº 24

Bulliying entre melgas
― Olá, gorda! Pareces mesmo um hipopótamo!!!
Eu não. Sou uma linda melga modelo!!! Gosto de esvoaçar por aí a espalhar a minha beleza...
― Blah!!! Se eu sou gorda tu és uma escanzelada... Snif... snif...
Vou-te provar que também sou linda e fabulosa. Vamos voar até aquela lâmpada!
Mas quando chegam perto uma desgraça, queimam as asas!!!
Quando caem a escanzelada cai em cima da gorda e esta pergunta:
― E agora sou o quê?
― A minha melhor amiga!!!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

Desafio nº 24duas melgas à conversa, uma gorda e outra escanzelada