21 julho 2017

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 22

Era fascinada por agendas. Naqueles tempos, ainda com agendas de papel, trazidas em carteiras ou bolsos dos casacos, não conseguia desviar o olhar quando alguém puxava da sua. Tudo lhe interessava: as cores usadas, a foram de riscar, de apontar, as horas. A única coisa que nunca lhe despertara curiosidade era… o conteúdo. Na sua visão, não prejudicava ninguém. Na dos outros, era uma coscuvilheira. Bisbilhotar a agenda do seu chefe fora um delito grave. E agora?
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante


20 julho 2017

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 76

A entidade masculina que habita na minha alma excede qualquer representante da espécie humana em determinadas características da individualidade: inteligência, sensibilidade, fraternidade.
Mas, apesar de ter quase metade de vida secular, é parca a sua maturidade... parece uma criança, prefere prestar vassalagem à família em vez de pugnar pela sua independência.
Sabes, amar-te implica guerra permanente, mas qualquer luta que enfrente para chegar até ti será justificável! Tu mereces qualquer renúncia.
Amar-te é e será sempre especial.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 76 – escrever sem a letra O

Natalina Marques ― escritiva nº 22

Chegou a casa com a lista do nutricionista. 
Começaria a dieta prometida, durante anos, mas sempre adiada.
Nesse dia, era aniversário de casamento,
faria um jantar especial, com sobremesa preferida.
Terminado o jantar, não comeu sobremesa.
Nessa noite não conseguia dormir, a pensar no doce. 
Fazia-lhe crescer água na boca.
Esperou que ele adormecesse,
foi ao frigorifico, já vinha com a taça na mão quando apareceu:
― Acho que vou dar ao Sanção, para não haver mais tentação.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 89

A avó ofereceu-me um ramo de lírios no aniversário, mas devo ser alérgica, porque provocou-me uma tosse seca horrível!
Os pais ofereceram-me o livro " A Ilha ", tendo usado um agrafador para anexar no interior um envelope com dois bilhetes de avião para os Açores. Foi uma surpresa fantástica!
O namorado ofereceu-me um pijama vermelho e um elefante de peluche, pois sabe que é o meu animal preferido - apesar do seu porte gigantesco, nunca perde a sua graciosidade!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Mireille Amaral ― desafio nº 38

A MORTE CONTA-SE VIVENDO (Ungaretti G. Poeta italiano)
A M|OR|TE| CO|NT|A-S|E V|IV|EN|DO

A morte conta-se vivendo… Este ano não tem sido fácil… De repente, a vida ficou AMarrada a despedidas e a ORações, deixando-me TEmerosa em relação ao futuro e triste COm a ausência dos meus eNTes tão queridos.
ASsim, aturdida me sinto, EVitando porém, quedar-me, porque a vida é uma dádIVa demasiado preciosa para ser ENcarcerada na DOr.
Hoje, só hoje, é o momento em que consinto que as lágrimas se sobreponham às lembranças maravilhosas de quem partiu.
Mireille Amaral, 41 anos, Gondomar

Desafio nº 38 – partindo de uma frase, utilizar os pares de letras desta para o texto

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 94

A ventania excessiva bateu, com força, a porta de minha casa. Eu estava a refletir sobre questões do passado e fiquei aterrorizada com esse barulho estrondoso.
Contudo, interpretei aquele ruído como um sinal sobrenatural para mudar de vida, como um clarão do espírito para esquecer factos antigos e concentrar-me no presente e no futuro.
Não posso temer consequências da ventania. Vou deixar o sonho entrar pela porta e sair a voar, nas asas da ilusão, pela janela!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 94 com clarão, porta a bater e ilusão

Escritiva nº 22

Nunca lhe aconteceu estar parado no trânsito e sentir aquela tentação de “limpar o salão” com jeitinho, para ninguém o ver? E nunca tentou ouvir uma conversa atrás da porta? Não? De certeza? Eu sim!  E o pior não é admiti-lo, o pior é a vergonha que se passa quando somos apanhados em flagrante. Nem sempre é fácil sair do apuro.

Eu resolvi a situação assim:
Fora discreta, esperara até que todos estivessem a dormir, desceu sem fazer ruído, fechou a porta devagarinho, abriu a gaveta, tirou os talheres, um prato e atirou-se à vítima sem piedade. Sem restos que a incriminassem, voltou terrivelmente satisfeita. Dormiu como nunca, sem qualquer remorso, mas a liberdade durou pouco:
 ― Minha menina, estás de castigo! Comeste o bolo todo e não digas que não, porque tens o corpo cheio de borbulhas.
― Oh não, o bolo tinha nozes...
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante

17 julho 2017

Programas Rádio Sim - semana 17 julho 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

Isabel Lopo ― desafio nº 121

Era a mim que devias ter oferecido as flores naquela noite. Talvez não saibas, mas toda a minha vida esperei por esse momento. Desde o tempo em que brincávamos lá na aldeia e trocávamos guloseimas com juras de amizade e de amor...
Contudo, tu preferiste escolher aquela pindérica, só por vaidade. É rica, bonita e isso para ti basta. Para trás ficaram os nossos sonhos como se um sopro de vento os tivesse varrido do teu coração.
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Sérgio Felício ― desafio nº 4

Sou feliz
Sou um bule rachado, sou de fina porcelana muito delicada, de tamanho médio e pintado em dourado cintilante. Quando fui rachado senti uma grande tristeza por não poder servir. Fui colado para continuar a ter capacidade de servir diversos chás.
Sirvo numa casa de chás que pertence a uma família nobre inglesa. O chá que mais gosto de servir é de camomila porque é calmante.
Fico mesmo muito feliz por contribuir pró bem-estar de todas as pessoas.
Sérgio Felício, 36 anos, Coimbra

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 81

Julinho Pitorra queria ser famoso como um rei humorista. E era, realmente, um rei humorista... sem graça nenhuma!
Como as suas inúmeras chalaças não tinham gracejo, os habitantes locais ficaram estupefactos pelo xerife contratar Julinho para animar a festa referente à transição anual.
Na festa apareceu um rato gigante e o humorista começou a gaguejar.
A expressão aflita e fala titubeante originaram o riso fácil e aplausos.
Graças a um acaso, Julinho alcançou o sucesso como cómico.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça

Vera Saraiva ― desafio RS nº 18

Tens toda a razão! Sempre que nos esforçamos demasiado, mais tarde ou mais o corpo acaba por ceder!
Ontem dupliquei o número de quilómetros e hoje já nem me mexo. Tens toda a razão! Se eu te ouvisse, evitava estas situações.
Mas o que vale é que consegui finalmente perder o peso que tinha em excesso. Tens toda a razão, o esforço acaba por compensar.
Vou ter mais cuidado com os próximos treinos, tens toda a razão!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio RS nº 18 – frases repetidas no texto

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 6

De dia, viam-se pouco!
Quando o sol despontava, a chuva, sentindo-se ofuscada pela sua beleza, preferia manter-se afastada. Mas o sol admirava a sua capacidade para se multiplicar em várias gotas e distribuir frescura pelo mundo inteiro.
Um dia, cansados de se observarem à distância, decidiram aproximar-se para conhecerem melhor alguém que admiravam.
Dessa amizade resultou um lindo arco-íris, irradiando o brilho das suas cores no céu.
Quando vencemos a timidez, conseguimos alcançar o sucesso.
Quem diria!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 6 – Início e fim: De dia viam-se muito pouco …….. Quem diria!

Isabel Lopo ― desafio nº 121

Era a mim que devias ter confiado o teu segredo. Mas foste escolher aquela pindérica para o fazeres. Fiquei mesmo lixada por teres quebrado o nosso pacto. Talvez não saibas, mas sempre foste o meu ídolo, pois apesar das borbulhas e do teu ar nerd sempre quis ser a tua amiga especial… Contudo, tu traíste-me. Não contes mais comigo, nem com os meus patins ou a minha bicicleta encarnada. E sobretudo devolve-me os tintins que te emprestei!
Isabel Lopo, “17” anos, Lisboa

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 99

A Renata saiu hoje do hospital onde esteve internada quatro dias para ser operada ao seu problema de atrofia, que se agravou recentemente quando foi atropelada.
Ainda está com dores atrozes nas pernas, mas quer dedicar-se afincadamente à vida profissional, caso contrário a existência mergulha no marasmo.
A patroa prometeu que patrocinava a dinamização da peça " Grito atroador de um insecto atróptero " no teatro local. Que surpreendente! Costuma ser o dono da farmácia o patrono das artes...
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 99 – 8 a 10 palavras com ATRO

Vera Saraiva ― desafio nº 117

Acordei e olho-me no espelho: voltaram as lesões avermelhadas no pescoço e no peito. Sinto os braços envolventes da minha esposa que me abraça e beija levemente nos lábios. Tento esconder, como sempre o fiz, mas ela abre cuidadosamente a camisa e diz:
― Voltamos a ter de fazer fototerapia. Logo telefono e faço a marcação, não precisas de te preocupar mais. Quando te dá mais jeito?
Antes de responder, agradeci a Deus, por ter este apoio incondicional! 
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 35

Santuários de amor, luzes sombrias. São assim teus olhos, simultaneamente poços de ternura e rebeldia, fontes de constante inconstância.
Mesmo não estando comigo, a recordação de teus olhos acompanha-me por todo o lado.
Teu corpo está distante, mas tua alma anda comigo, teu olhar vive dentro do meu coração, é o farol que me concede um brilho no escuro.
Mas, viver somente de lembranças é doloroso! A distância é mãe das saudades...
E que saudades, Deus meu!

Santuários de amor, luzes sombrias - verso extraído do poema "Olhos suaves, que em suaves dias", Manuel Maria Barbosa du Bocage;
E que saudades, Deus meu - verso extraído do poema "Balada da neve", Augusto Gil.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Vera Saraiva ― desafio nº 111

― Linha 111. Em que posso ser útil?
― Socorro! Estão 14 pessoas reunidas e a discutir as notas dos nossos alunos, e já não conseguimos pensar. Muito menos dar notas! Pode ligar o ar condicionado? A sala de reuniões está impraticável!
― Olá, D. Ana! É só dizer as coordenadas GPS e nós ligamos já o ar condicionado remoto.
― As coordenadas são: 36°31'12.1"N 5°54'54.3"W. Oh… muito obrigada… está muito melhor! E logo à noite, mantém-se o pedido de ontem!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 111 – linha de atendimento 111

Laura Garcez ― desafio RS nº 11

Agora
Agora, quantas pessoas expirarão pela última vez, excluídos da próxima alvorada!
Agora, quantas lágrimas desfeitas, inundarão rostos desfigurados, pela linha do acaso!
Agora, quantas crianças ― destroçadas, cambaleantes ― porque jamais verão os seus pais?
Agora, quantas mães bradarão, porque perderão quem lhes saiu das entranhas?
Agora, quantas brisas mensageiras perderão importância, afogadas pelo ruído do mundo?
Agora, quantas paixões violentamente desfeitas, enroladas nas ondas escuras da perversão!
Agora e sempre, sobrarão novas noites, novas estrelas, que muitos esquecerão!
Laura Garcez, Lisboa, 44 anos

Desafio RS nº 11 – 7 frases de 11 palavras, sempre com uma palavra repetida

Vera Saraiva ― desafio nº 98

Lembro-me do tempo em que aquele velho sofá era a poltrona do avô. O tempo passou e tudo envelheceu… A madeira das janelas degradou-se com a chuva e com o calor. A tinta da parede foi arrancada pelas intempéries. O jardim, que outrora fora resplandecente, graças ao tempo interminável que o avô lhe dedicava, é hoje abrigo de ervas daninhas e animais que ali encontraram a sua casa. Apesar de tudo, a casa permaneceu. Avô, onde estás?
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

15 julho 2017

Vera Saraiva ― desafio RS nº 48

O nascimento do primeiro filho, a sua maior alegria! Seguiu-se a Maria e por último o António. Ser mãe de três filhos a tempo inteiro e esposa, dá um trabalhão!
Os dias foram passando, depois os anos, atribulados e sempre a correr para dar assistência aos seus tão amados filhos, que foram crescendo sem que desse conta…
Só então, houve tempo para se olhar no espelho… Ali estava aquele rosto enrugado, irreconhecível, que outrora fora o seu!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio RS nº 48 ― um rosto diferente no espelho

Quita Miguel ― escritiva nº 20

Jantar
– Sei lá! – respondeu Eugénia ao marido.
Ele encolheu os ombros e deixou-a com o mau feitio. Sabia o quanto a mulher estava tensa, já que seria a primeira vez que iria cozinhar para a sogra.
Decidiu-se por coelho. Colocou-o a estufar e foi regando-o com todo o cuidado, mas uma mão fugiu-lhe e o extrato de carne caiu por inteiro dentro do tacho.
Foi isso que a salvou, dando ao tempero um segredo que ela nunca revelou.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio Escritiva nº 20 – acidentes da ciência
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» 

Vera Saraiva ― desafio RS nº 47

Parece impossível, é o primeiro dia do mês e aquele urso varejeiro não pagou, deve ser para me espicaçar! Sem hesitação, passei o dedo no telemóvel.
Apareceu uma imagem aleatória de uma lamparina em cima de um místico jaguar quatro notas no tejadilho oculto atrás de um xaile.
Que grande zanga! Tive de terminar a chamadasolidão instalou-se imediatamenteO bárbaro do meu patrão cometeu um crime contra o rival e está falido. Que atrapalhação!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio RS nº 47 – 23 palavras obrigatórias!

Celina Silva Pereira ― desafio nº 120

A sala de aula
Licenciara-se no início da segunda dezena de anos na sua cidade. Na pressa de conseguir uma colocação, terminara obtendo um dos primeiros lugares de um concurso e trabalhara mais dois decênios numa área estranha, com processos e documentos.
Terminara essa jornada, já há cinco meses em casa. Lendo as notícias, encontrou outra oportunidade, agora para mestra. Decidiu participar e retornar para a carreira sequer iniciada. Lendo algumas apostilas, recordou lições passadas. Assim reencontrou a sala de aula.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Vera Saraiva ― desafio Rádio Sim nº 49

Daniel chega da escola e entrega um recado da professora à mãe.
A mãe, muito atarefada e com as mãos molhadas, pergunta:
― É um recado sobre o quê?
― Não sei, não sei – respondeu ele prontamente. – É qualquer coisa sobre uma operação.
― Operação a quem? Tens a certeza? – pergunta a mãe, limpando as mãos rapidamente e já um pouco preocupada com a informação da professora.
No cabeçalho começou por ler: “OPERAÇÃO NARIZ VERMELHO – Atividade do dia da criança”.
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio Rádio Sim nº 49 ― operação

Carla Silva ― desafio nº 121

A blusa de seda
Era a mim que tu pedias perdão?! A mim?! Depois de teres usado a minha blusa de seda sem autorização e de lhe teres deixado uma nódoa enorme?!
Talvez não saibas... Que digo? Sabes! Eu avisei!
Aquela blusa foi oferta de Luca, trouxe-a de Itália depois das férias. Apenas a uso em ocasiões especiais. Uso não, usava!
Contudo, tu não ligaste nenhuma. E agora queres que te perdoe?
Mas claro que perdoo. Quando trouxeres outra de Itália.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Vera Saraiva ― desafio nº 51

Salamandra Salomé é uma lagartixa que tem mais olhos que barriga. Anda sempre à procura da sua próxima refeição. Olha para todos os lados e o que vê? Dois pontinhos, um vermelho e outro azul. Interrogou-se imediatamente sobre o sabor daquele delicioso manjar. Sempre que via uma nova refeição posicionava-se em forma de ponto de interrogação e imaginava o sabor que teria. Só depois é que Salomé experimentava as diversas iguarias que, a muito custo, ia encontrando.
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

13 julho 2017

Amélia Meireles ― desafio nº 121

Talvez não saibas do que fui abdicando ao longo de todos estes anos. Pintei o céu da cor que mais gostavas. Deixei que outros fossem escrevendo o meu caminho. Era a mim que todos se agarravam, ignorando a minha mão estendida. Sim, eu estava ali também por mim… Também eu precisava de apoio. Contudo, tu sempre me concedeste o lugar de herói, esquecendo que também eu tinha direito a fraquejar. Ainda assim, gosto da história que escrevi!
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Theo De Bakkere ― desafio nº 121

Era a mim que tinhas dirigido o olhar incriminado, enquanto a professora te admoestava por causa duma burla. Contudo, tu estavas enganado na pessoa, porque não fui quem te tinha traído. Talvez não saibas, mas sou o teu melhor amigo. No entanto devo dizer ainda o seguinte: Quando fazes diabruras na aula e a professora te apanha em flagrante delito, tens de agir honestamente e tomar a responsabilidade do disparate em vez de culpar outros pelo castigo.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Amélia Meireles ― desafio nº 120

Há muito que perdera a razão de existir. Abandonara a alegria de gozar cada dia que surgia no seu destino. O céu enegrecido, prometendo choro, parecia emoldurar o seu estado de alma. Deixou-se ir sem perceber a direção. Calcorreou o trilho que a transportou para o mar e, sem disso dar conta, deixou-se carregar pelo ondular da água. Naquele instante tudo se alterou. No hospital percebeu que o destino lhe dera outra oportunidade. Saberia lograr com isso?
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

12 julho 2017

Carla Silva ― desafio nº 121

A mesma mulher
Era a mim que tu sorrias do outro lado da sala, e foi a mim que envolveste nos teus braços e levaste a dançar.
Talvez não saibas mas aquela foi a primeira vez, após cinco anos de solidão, que eu saía de casa. Por ti coloquei o medo de lado e durante um mês voltei a ser a mulher de outrora, acreditando que podia ser feliz.
Contudo, tu partiste, e eu voltei a ser a mesma mulher.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 61

Em tentei afincadamente triunfar, com treino e talento, na ténue arte teatral.
O teatro é totalmente viciante, tranquiliza-me, excita-me transcendentalmente.
A teatralidade é transitória, desenha trajectórias de transfuga e tudo se transforma interiormente, tece novas tramas.
A tenacidade pode teleguiar-nos com telepatia, para tentarmos alcançar trajectos de transe, permitindo transferência de transgressão para tranquilidade.
A teatralidade ajudar-me-á tumultuosamente a ter o teu coração.
Talvez a tragicomédia permita transplantar e transportar sentimentos ternos para ti, sem transtornos complexos.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 61 – palavra sim, palavra não começada por T

Carlos Manuel de Brito Machado ― desafio nº 61

Hoje tive que ter muita temperança e tenacidade.
Bem, trouxe em triunfo os três livros, tentei obter tempo, sem temporizar para tê-los.
No terapeuta, a tensão dos tentáculos provocou temor, mas também sensações térmicas e tépidas que tiraram o tormento dos tendões.
De tarde, a tarefa foi tatuar uma tarântula na teia, na testa.
A tia conseguiu telefonar para transmitir que tinha o tecido para tecer a toalha do treinador de ténis.
No teatro, a trégua venceu-me...
Carlos Manuel de Brito Machado, 45 anos, Porto

Desafio nº 61 – palavra sim, palavra não começada por T

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 80

Este ano não nevou e a Clarinha tinha tudo para enfeitar a sua árvore de Natal: bolas, sinos, anjos, fitas... excepto neve. Podia colocar algodão, mas ela não gostava de neve artificial.
Então, lembrou-se de pedir ajuda à aranha gigante que vivia no telhado da igreja da vila... as teias são uma obra da Natureza.
A aranha adorou ajudar, era fantástico ter uma ligação tão forte ao Natal. As árvores natalícias foram enfeitadas com lindas teias prateadas.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 80 – o Natal da aranha