11 março 2017

Jaime A. ― sem desafio

Faz tempo
Faz tempo que te não vejo.
O anoitecer, a sua luz,
traz-me desenhos pueris,
manchas vivazes,
de ti.

Pediste-me que atentasse no Sol,
na Lua,
os teus sinais viriam.

Miro o mar e
os montes que nele mergulham.
Só imagens fugazes
reversas na sua descontinuidade.

Paira uma manta de esquecimento,
um lençol de valquírias chorosas;
não há reino etéreo
onde guardar a tua memória.

Assim me sustento,
nas cores de uma paleta,
nas tintas que se extinguem.
Jaime A., 52 anos, Lisboa

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