31 janeiro 2017

Hoje e sempre

Hoje vou saltar,
vou correr e vou pular.
Quero jogar ao macaquinho do chinês.
Hoje não vou estudar francês.

Apetece-me brincar às escondidas,
no jardim das margaridas.
Também posso jogar à bola,
com os meus amigos da escola.

Não me apetece ver televisão,
prefiro cantar uma canção.
Podia ir para casa ler,
mas prefiro guardar isso para quando chover.

Também gosto muito de estudar
mas hoje prefiro ir dançar.
Porque todas as crianças
têm direito a brincar.
Carlota Lopes, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio Escritiva nº 14 direitos da criança

O amanhã

Foram. Cada um para o seu quarto. Sem jantar. O tempo não dava para acelerar. Infelizmente, fazê-lo recuar também era impossível. O máximo de distância física possível era, por enquanto, aquela – uma parede.
Dormir literalmente sobre o assunto, seria a melhor solução para ambos. A avó ensinara-lhes que nada melhor do que um dia após o outro.
Pois que apareça a lua para que esse destino divinizado pela avó lhes traga a reconciliação e, por conseguinte, paz!
Vera Viegas, 33 anos, Penela da Beira

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

O amor enobrece

Ela era uma rapariga com um coração de ouro como já não se vê muito por aí. Era a pessoa mais conhecida da pequena aldeia em que vivia, mas ela não se importava. Era uma boa menina que só queria viver a vida a fazer o bem. Morava com seus avós numa grande quinta, em que todos os dias se levantava bem cedo para ir preparar o pequeno-almoço para os seus queridos avós. Realmente o amor enobrece.
Beatriz Pacheco, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

O novo prosseguir

Tem épocas na vida do ser humano onde só se deseja dormir, descansar e recuperar energias para prosseguir o próximo rumo.
Já passei por isso muitas vezes e sei que uma boa noite bem dormida ou até mesmo um relaxar num determinado momento do cotidiano desperta mais ânimo e generosidade...
Particularmente, procuro, de tempos em tempos, mudar o foco de determinadas situações e viver com mais qualidade de vida...
Vale a pena, me revigoro corporal e mentalmente!
Rosélia Bezerra, 62 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

Remediar

Remediar sempre lhe pareceu fácil!
Certo dia, apareceu na escola um novo professor, que trazia consigo testes para avaliar os alunos.
Os alunos fizeram-nos e o professor corrigiu-os.
Passado uma semana, entregou-lhos, mas havia um erro: o melhor aluno tirara negativa.
O aluno mostrou a ficha aos pais que decidiram falar com o novo professor.
O professor prometeu rever o teste, mas durante o almoço, perdeu-o.
Remediar sempre lhe pareceu fácil, mas agora não sabia como fazê-lo.
Johana Brotons, 6A, 12 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

Trincheiras

Por vezes escreviam cartas. Falavam do sofrimento, da solidão, dos terrores noturnos, em desabafos espontâneos, na esperança, talvez, de um acordar mais sereno.
Mas o regresso às trincheiras roubava-lhes todas as ilusões e os restos de alguma fé. Todos eles temiam que chegasse a sua hora, apanhados pelas metralhadoras, ou gazeados pelo inimigo. A única luz ao fundo do túnel era chegar o «amanhã». E assim, todos aqueles homens esperavam pelo sono que teimava em não vir.
Isabel Lopo, 70 anos, Alentejo

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

Ideias para o ano

Olá, eu sou o Sérgio, com 11 anos e agora vou falar sobre os meus objetivos e ideias para este ano letivo:
Este ano irei participar nos clubes de fotografia, teatro, desenho e música de onde já conhecia alguns colegas e irei melhorar os meus conhecimentos e no fim aplicar o que aprendi.
Este ano vou ter mais amigos e participar em mais atividades de grupo e, por fim, vou ter melhores notas e passar de ano.
Sérgio Quitério, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Tempo de partir

Na alma apenas gravada a luta que travavam contra o sossego que os perturbava. Queriam mudar, desinstalar-se e percorrer o espaço, o tempo, com que atravessavam os dias, na opacidade que os envolvia, como se fossem marginais. Nada mais falso. Ambos eram generosos, autênticos. Mas a mudança… Difícil decisão. A letargia era tanta que os paralisava. Numa manhã um raio de sol incendiou-lhes o rosto, despertando-os. Era hora de partir e abraçar a missão há tanto tempo adiada.
Emília Simões, 65 anos, Mem Martins ― Algueirão

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

T.P.C.

Os T.P.C. ocupam muito tempo!
Passo o dia inteiro na escola, chego a casa de noite, tenho que rever a matéria que os professores dão e, às vezes, tenho que estudar o dobro por causa dos testes. Não tenho tempo de brincar, nem de passar tempo com a minha família!
Todas as crianças têm o direito de terem tempo livre!
Sou a Lara tenho 11 anos e peço aos professores:
― Professores, por favor, menos T.P.C.!!! Pode ser???
Lara Polónio Gil, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Talvez amanhã

– Não... não! – Tentou recompor-se e prosseguir o caminho, apesar de mal conseguir andar em linha reta.
Porque bebera tanto? Porque bebia sempre tanto? Não era necessário pensar muito para descobrir a resposta: não gostava de si!
Encostou-se ao vidro de uma montra e deixou que o seu corpo grande e gordo escorregasse até se sentar no chão. Não sabia como sair do túnel em que enfiara há tanto tempo atrás. Que fazer?
– Talvez amanhã eu não beba.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe
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Quem muito escolhe

Havia um concurso, que ao calhar o número jackpot se ganhava 30 euros em compras.
Todas as tardes o senhor Josefino ia à mercearia para ver se ganhava o prémio. Tanto que ele escolhia, mas nada lhe calhava.
Um dia um homem disse-lhe que o prémio nunca lhe iria calhar.
Nunca mais ele apareceu.
Um dia voltou, e teve sorte. O senhor Josefino foi ter com o homem e disse-lhe:
“Quem muito escolhe, um dia terá sorte.”
Beatriz Brandão, 6º A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

77x77 - Filipa Taipina

Onde estavas no 25 de Novembro de 1975?
Estava junto às tropas que aguardavam, no local mais alto de Vila Franca de Xira, ordens para mandar abaixo a ponte Marechal Carmona e a A1. Estava frio, as tropas tinham feito uma fogueira no terreno do meu pai. Tínhamos ido dar comida ao Fugitivo, o nosso cão. Enquanto o pai argumentava:
– Não podem fazer tal coisa!
Eu dizia à minha irmã:
– É a guerra! 
Entretanto, as tropas receberam ordens para desmobilizar e tudo acabou em bem!

30 janeiro 2017

EXEMPLOS - desafio nº 115

Esperança do Céu
Não ter aversão ao erro é uma incoerência ao sentir-se livre do perigo. Ser vagaroso para com a cortesia é loucura.
Confiar na própria justiça é estar preparado para a vergonha. Destrói-se, o fraco no dever maior do grande ensinador.
Recordações sagradas fazem o cansaço esquecido quando a guerra termina. A fé enobrece o ânimo.
O arquiteto do Céu é doador de todos os bens. Porém, não se pode procrastinar a verdade que ilumina os corações.
Renata Diniz, 40 anos - Itaúna/Brasil

Fases e saudades
Quatro filhos, sem ajuda de ninguém, avós ou tias...
Só mamãe e papai, quando podia: trabalhava duro.
Ela forte, fazia o que amava alegre. 
Só quando tiveram catapora e caxumba juntos, ficou pesado. 
Haviam combinado? Um melhorava, outro adoecia.  Noites passaram.
Revezamentos. Porém, o casal não conseguia relaxar, dormir...
Tinham medo de, ao acordar, uma ou outra manchinha aparecesse...
Queriam apenas ver dias e noites passar e mesmo sem dormir, "acordar" daquela fase, chegar num "outro dia"...
Conseguiram!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Vai à luta, procura o teu destino e deixa que ele te embale os sonhos que há tanto sonhas realizar.
Esperar pelo amanhã, dormindo sobre o assunto, não te leva a lado algum.
Os sonhos têm o tempo de serem sonhados, e outro para serem realizados.
Então, pedirei ao destino que se apresse, porque me cansei de esperar.
E se ele não aceitar, resignada lhe pedirei que os guarde,
prometendo esperar para o dia seguinte.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Talvez amanhã
– Não... não! – Tentou recompor-se e prosseguir o caminho, apesar de mal conseguir andar em linha reta.
Porque bebera tanto? Porque bebia sempre tanto? Não era necessário pensar muito para descobrir a resposta: não gostava de si!
Encostou-se ao vidro de uma montra e deixou que o seu corpo grande e gordo escorregasse até se sentar no chão. Não sabia como sair do túnel em que enfiara há tanto tempo atrás. Que fazer?
– Talvez amanhã eu não beba.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

Na alma apenas gravada a luta que travavam contra o sossego que os perturbava. Queriam mudar, desinstalar-se e percorrer o espaço, o tempo, com que atravessavam os dias, na opacidade que os envolvia, como se fossem marginais. Nada mais falso. Ambos eram generosos, autênticos. Mas a mudança… Difícil decisão. A letargia era tanta que os paralisava. Numa manhã um raio de sol incendiou-lhes o rosto, despertando-os. Era hora de partir e abraçar a missão há tanto tempo adiada.
Emília Simões, 65 anos, Mem Martins ― Algueirão

O novo prosseguir
Tem épocas na vida do ser humano onde só se deseja dormir, descansar e recuperar energias para prosseguir o próximo rumo.
Já passei por isso muitas vezes e sei que uma boa noite bem dormida ou até mesmo um relaxar num determinado momento do cotidiano desperta mais ânimo e generosidade...
Particularmente, procuro, de tempos em tempos, mudar o foco de determinadas situações e viver com mais qualidade de vida...
Vale a pena, me revigoro corporal e mentalmente!
Rosélia Bezerra, 62 anos, Rio de Janeiro, Brasil

O fim dos monstrinhos
No dia trinta e um de janeiro, quando todas as crianças já estavam a dormir, os monstrinhos rechonchudos, carregados de vírus e bactérias, os tais que provocaram constipações, gripes e faringites, saltaram para o dia um de fevereiro e atacaram o bolo de aniversário do Leonardo.
O Leonardo pegou na espada lutou com os monstrinhos com toda a sua força e expulsou-os de vez.
Às onze horas os convidados chegaram, cantaram os parabéns e comeram o bolo.
EB de Galveias, 1º/2º GA A, professora Carmo Silva

A pé 
O dia não tinha nascido, já caminhavam. Fazia frio, água gelada nas poças. Não falaram até que o sol lhes disse bom dia. Sorriram e pararam para beber café. Não se demoraram. Subiram montanhas, desceram encostas, serpentearam nas curvas de rios, comeram debaixo de uma árvore centenária, beberam água das fontes, disseram adeus ao sol, a lua cheia beijou-lhes a sombra. Pararam já noite avançada. Cansados e felizes. Continuariam ainda sem sol até chegarem ao seu destino.
Marina Delgado, 52 anos, Tramagal

Insónia
Esperaram, em frenesim, pelas previsões à boca das urnas…
O que os media diziam não podia estar a acontecer. Não era verdade… não podia ser verdade.
Com a confirmação sobreveio o choque, a desilusão, a revolta, o medo.
Quem eram, afinal, os concidadãos que tinham escolhido esse destino desastroso? Que país queriam? Que mundo ambicionavam?
Esperaram o sono, mas foi a insónia que lhes indicou o caminho: erguer a cabeça, lutar pelos ideais.
Por um mundo melhor!
Palmira Martins, 61 anos, V. N. Gaia

Jó tinha uma esperança, que parecia uma profissão, cria cegamente no dia seguinte, onde depositava todas suas fichas como um jogador compulsivo. Ainda que alguma coisa viesse dar errado, ele sempre dizia para si, que amanhã tudo seria resolvido em nome de Deus. Jó sabia que na vida nem sempre as coisas acontecem no nosso tempo. Evocava as bênçãos do Pai com fervor antes de dormir. Era assim, que sempre dormia tranquilo, pois acreditava no amanhecer feliz.
Toninho, 60 anos, Salvador Bahia-Brasil

Dois irmãos gémeos, ainda crianças, brincavam juntos na sala, enquanto os pais os observavam, num misto de orgulho e felicidade. 
Anoitecera, passando muito da hora dos pequenos rapazes irem dormir. Mas eles recusavam-se, queriam continuar a divertir-se. A mãe, calmamente, pegou neles ao colo, deitou cada um na sua cama e começou a cantar. 
E assim, embalados com a voz da mãe, adormeceram, descansados, na esperança de que o dia seguinte lhes proporcionasse novos sonhos, novas alegrias...
Mariana Gonçalves de Castro, 13 Anos, Colégio Paulo VI em Gondomar, prof Raquel Almeida Silva

Fizeram juntos a caminhada que os levou até à praia. Ali, permaneceram abraçados, num silêncio apenas interrompido pelo bater das ondas.
Tinham projetos em conjunto, alicerçados numa relação de amor sólida e condições económicas favoráveis, até que o diagnóstico médico, aterrador, fez desmoronar o seu mundo. A partida de um deles estava eminente, a doença vencia.
A noite chegou, escura e fria, acentuando o frio que se entranhara na alma.
Sem sono, com medo do dia seguinte.
Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

Acordou com o sol impertinente a agredir-lhe o rosto queimado, como já acontecia há meses. Desde que perdera tudo, a praia era a sua casa.
Maldita bebida, maldito jogo, malditos todos os vícios!
Teve sorte. Naquele dia, um ser misericordioso (parecia ter caído do céu!) viu-o e estendeu-lhe uma mão.
― Queres mudar? – perguntou-lhe, apenas.
No dia seguinte, Rafael iria mudar o rumo da sua vida. Entretanto, esperou pelo sono. Talvez lhe trouxesse a paz há muito fugida.
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Joãozinho esperava impaciente pelo sono, para que chegasse rapidamente o outro dia. Havia escavações arqueológicas no terreno ao pé da casa, e, se calhar, encontrar-se-iam também covas de três mil anos escondidas na quinta. Joãozinho relatou excitado à sua mãe o achado pelos arqueológicos de uma urna com nota de cem euros dentro. Coitado do João, enquanto ela explicou ao filho de oito anos como naquele tempo não existiam euros, entrou o cão com osso na boca.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica

Meu avô
Abel Vaz, com o suor a queimar a pele, lança os gemidos na ponta da enxada. Já sol ia alto, quando o corpo fraquejou, caminhou de mãos vazias, em direcção à mesa cheia de filhos famintos.
― Ó homem atravessaste a procissão todo sujo e d’inchada às costas?
― Ó mulher, eles vão no caminho deles... eu vou no meu...
Maria rebolou a noite toda em busca do perdão divino. 
Dia seguinte, Abel caminhou para a fábrica na cidade...
Eurídice Rocha, 50 anos, Coimbra

Salvação Diária
Naquela ambiência de altos pergaminhos, atrevimentos não se admitiam. À empáfia dos patrões, opunha-se a submissão dos criados; à suserania dos inclementes endinheirados, dobravam pacatamente a cerviz os rudes trabalhadores. Porque a prole era grande e o pão urgente.
Ao lusco-fusco começavam a chegar das lides. À espera, umas chispas de lume, algum alimento. Só o cansaço sobrava. O reduto era o sono, que permitia o sonho e que, certeiro, infalível, ia mudando a folha do calendário.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

Olhou o rosto e procurou-se na mulher que fora. Deixou os pensamentos gotejarem-se pela lembrança. Percebeu-se traída pela vida que lhe roubara quase tudo. Cada sulco do rosto ilustrava a vida de luta que o destino lhe reservara. Ignorou a dor, fez-se áspera diante dos fracassos. Foi desfiando cada pequena conquista e permitiu-se ouvir o elogio que nunca tivera. Carregava um penoso passado. Agora, apenas sobrava a noite onde desejava adormecer encurtando o presente, ambicionando ser livre…
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Paraíso
O sono chegou, plácido e sereno, de madrugada, e logo entrei para o mundo dos sonhos. Acordei num outro universo, em que tudo era perfeito e calmo, como se fosse o paraíso. Tudo era idílico: as nuvens eram tangíveis, a relva era húmida e verde, e o ar suave. Então, eu vivia como uma princesa, sem horários nem problemas. Tudo era, enfim, distinto do mundo atual...
Quando acordei, fiquei desolada, pois a realidade não correspondia àquela vida.
Matilde Martins, 13 anos Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

O sono é um caminho para o dia seguinte. Mas será o melhor caminho? Este tempo dedicado ao descanso é fugaz, mas inaudito. Faz-nos pensar em tudo o que aconteceu no nosso dia. Seja bom ou mau. Traz-nos uma luz nédia, que nos ilumina a vida. Sonhar faz-nos bem, leva-nos para outra dimensão, onde tudo é mais bonito... Ou não! Nunca deixem de sonhar, nem mesmo quando o dia não corre como esperam. Agarrem os vossos sonhos!
Inês Silva e Rafaela Teixeira, 13 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, Porto, prof. Raquel Almeida Silva 

Por vezes escreviam cartas. Falavam do sofrimento, da solidão, dos terrores noturnos, em desabafos espontâneos, na esperança, talvez, de um acordar mais sereno.
Mas o regresso às trincheiras roubava-lhes todas as ilusões e os restos de alguma fé. Todos eles temiam que chegasse a sua hora, apanhados pelas metralhadoras, ou gazeados pelo inimigo. A única luz ao fundo do túnel era chegar o «amanhã». E assim, todos aqueles homens esperavam pelo sono que teimava em não vir.
Isabel Lopo, 70 anos, Alentejo

O amanhã
Foram. Cada um para o seu quarto. Sem jantar. O tempo não dava para acelerar. Infelizmente, fazê-lo recuar também era impossível. O máximo de distância física possível era, por enquanto, aquela – uma parede.
Dormir literalmente sobre o assunto, seria a melhor solução para ambos. A avó ensinara-lhes que nada melhor do que um dia após o outro.
Pois que apareça a lua para que esse destino divinizado pela avó lhes traga a reconciliação e, por conseguinte, paz!
Vera Viegas, 33 anos, Penela da Beira

Era assim quando o sol se punha. As vozes tombavam como se esticassem os lençóis brancos de linho. A fogueira estalava e na sala bailavam, ao som das sombras, vultos engomados do passado. Na cadeira, ela embalava a memória arrumada de imagens e vozes que enganavam o silêncio do soalho.
E havia um sorriso feito de paz e missão cumprida que era ritual de despedida de mais um dia e voto secreto de um sono sem madrugada.
Lurdes Augusto, 46 anos, Lisboa

Há tempo que a cama era o único espaço que partilhavam; o sono ou o sonho já não eram terreno comum. A dúvida era se alguma vez o teriam sido. Na verdade, era curioso pensar que dois planetas tão diferentes se tivessem podido cruzar no sistema solar. Um capricho da ciência talvez. Quem sabe? O certo é que algo mais os unia sem que soubessem: a esperança surda de acordar um dia e que tudo tivesse mudado.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca

Nada daquilo tinha sentido.
Aquela gente perdera a noção do Bem, como se amar Lucifer fosse amar Deus. Seria?
Tempos estranhos.
Queria sair deste tempo, acordar amanhã com cheiro de musgo, música de mar e gosto salgado.
Da janela do meu mundo, do terraço do vento que me inebriava, assim ia dando alimento à alma, grilhetas à mente mundana, egoísta ― cavalgando os prados da memória em torpor da matéria em que existia.
Saltos do Ser e Ter.
Rui Duque, 54 anos, Figueira da Foz

A sonhar
Um dia de trabalho intenso.  Apanha dois transportes até casa. São 21:30. Encontra o filho adormecido no sofá, cansado de a esperar. O forno está frio e não há sopa pronta.
Com voz suave acorda-o e prepara leite quente com flocos para ambos. Vida de mulher a dias. Afasta uma lágrima que teima em descer pelo rosto enquanto sonha pelo futuro do filho que a há-de levar para uma casa onde encontrará o conforto que sempre procurou.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

esperaram pelo sono para se mudarem para o dia seguinte
a noite estava a cair. ninguém acreditava. ninguém queria pensar. apenas as crianças, felizes ignorantes do perigo, conseguiram apanhar um sono rápido e reparador. o resto do grupo conhecia o futuro, o temido dia seguinte, se calhar o último dia das suas miseráveis vidas. o cansaço era inevitável. enquanto esperaram pelo sono, certos do destino que os esperava, contra todo prognóstico, os últimos pensamentos foram lembranças dos momentos mais felizes das suas vidas. o dia seguinte chegou.
Jesús del Rey, 47 anos, Salamanca (Espanha)

Sono
Era o sono. Sempre fora ele. Aquele que nos levava quando estávamos em paz e o nosso corpo já não se aguentava para trabalhar. O sono sempre foi traiçoeiro para nós.
Eu precisava dele, dependia dele para me libertar de pensamentos acumulados na minha cabeça que faziam o meu corpo pesar a cada pulsação.
Foi quando o sono deixou de me ajudar que me decidi. Foi quando aprendi a não esperar pelo sono para mudar de dia.
Bárbara Teixeira, 13 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Renascer
Sentir, dormir e sonhar
Acontece, qual magia!...
De manhã, ao acordar
Desperta-nos novo dia!

Duma forma poderosa,
O sol rompe a escuridão,
Faz da manhã luminosa,
Transbordando de paixão!...

Com seus raios faiscantes
Aquece a Terra e seduz,
Em feixes de oiro brilhantes
Emoldurados de luz!

Vem trazer-nos a mensagem
De mudar cada momento,
Fazendo a nossa viagem
Em constante movimento!

Não se inibe de pedir,
Transbordando de alegria:
Acorda!... Toca a sorrir!...
Renasce!... É outro dia!...
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

O sono marca a transição entre a noite e o dia, a escuridão e a luz. Sonhar acelera essa transição, tornando-a interessante de viver. Mas para quê dormir quando poderíamos estar apenas connosco, conscientes, para perdoarmos as nossas ações maliciosas, apenas connosco para falarmos de nós... Essas horas que desperdiçamos poderiam ser verdadeiramente úteis para discutirmos com a nossa alma, questionando-a sobre o que nós somos e o que fazemos neste mundo enquanto esperamos pelo novo dia.
Margarida de Faria Rodrigues, 13 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, Prof. Raquel Silva

A noite e o sono andam sempre de mãos dadas. As pessoas dormem à espera que isto lhes resolva os problemas, mas isso não acontece. Simplesmente acordam noutro dia. Tudo continua igual, a não ser por mais um dia de vida.
O que estas pessoas não sabem é que, para, realmente, mudarem de dia, não são precisos nem a noite nem o sono, mas, sim, uma grande força de vontade.
Foi assim que eu mudei de dia! 
Joana Santos, 13 anos, Colégio Paulo VI em Gondomar, aluna da professora Raquel Almeida Silva 

O Grande dia
Uma noite, ainda criança, adormeci, desesperado que chegasse o dia seguinte. Um sonho… projeto grandioso!
Saltei da cama, coração pulando… sachola na mão, ia construir, no quintal, um rio do tamanho do mundo. E via-o, fascinado, como se já existisse. Nesse tempo grande, tudo era mágico e eu acreditava que seria fácil construí-lo.
Haveria de o encher balde a balde...
… os anos passaram… e o rio lá continua correndo, serpenteando por entre as planícies da minha alma…
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Se vocês esperarem até amanhã, vai demorar muito mais tempo, mas, se adormecerem, vão poder chegar até ao dia seguinte muito mais depressa.
Vão poder brincar, nadar e saltitar etc... mas vamos passar ao que interessa, vamos ver se fazem o que eu digo.
Eles fizeram o que lhes disse, então agora estão a brincar, saltitar e nadar etc... e agora vão repetir, repetir, repetir e repetir e por fim repetir.
Assim, passaram os dias muito melhor.
Pedro Batista, PaRK

Era uma vez duas gémeas que faziam oito anos no dia seguinte, por isso não conseguiam dormir. Até que ao fim de vinte minutos adormeceram.
Quando acordaram bem, cedo, começaram a cantar:
― Hoje fazemos anos!!
Quando viram o bolo foram logo acordar a mãe e o pai, a pedir para comer o bolo, mas os pais disseram que era para o lanche. Depois fizeram uma grande festa. Abriram os presentes, cantaram os parabéns e comeram o bolo.
Matilde Faria,3º ano A, PaRk-IS, Lisboa, prof. Sílvia Valério

De repente, ouvem um estrondo:
"Cabom", fez o estrondo.
As quatro meninas acordaram e foram ver o que estava a incomodar o sono delas.
Então levantaram-se, era o irmão sonâmbulo e uma das meninas, a Marina, foi pô-lo na cama e voltaram para a cama e não ouviram mais barulho nenhum, e a Matilde disse:
― Agora sim, nós vamos poder dormir em paz e sossego.
― Pois é mana, finalmente. Ufa!!!
― Boa noite, manas ― disse a outra irmã.
Alice Carvalho, 3º ano A, PaRk-IS, Lisboa, prof. Sílvia Valério

O dia seguinte
Sentindo a alma mais cansada que o corpo, deitou-se junto ao companheiro que dormia. Permaneceu no escuro ouvindo a respiração dele, pesada pela bebida. Enquanto o sono não chegava, fazia planos para uma nova vida, mas faltava-lhe a coragem para dar o decisivo passo.
Sabendo que nunca faria nada de diferente, fechava os olhos e adormecia, colocando esperanças no novo dia.
Como se, por artes mágicas, a noite pudesse fazer do dia seguinte um dia completamente diferente.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Eram dez da noite e as crianças pequenas ainda estavam a pé. Tinha sido a festa do octogésimo aniversário do tio Januário e elas estavam felicíssimas, pois o tio tinha adorado o presente delas. Quando chegámos a casa, pensei que teriam adormecido durante a viagem, mas estavam tão empolgadas que não conseguiam fazê-lo e, embora tivessem ido para a cama, como indiquei, não tinham sono. Estavam ávidas de novas vivências, porque cada dia é uma nova experiência…
Mariah Cerazo, 13 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, Profª Raquel Almeida Silva

Por muito que lhes custasse, teriam de aguardar para chegarem a um novo dia cheio de novidades. Mas, para isso, era preciso passarem pelo sono silencioso e solitário.
Eles ansiavam o nascer do sol, pois acreditavam que só de dia é que se conseguia ser feliz com a luz energizante que este transmitia. À noite, só lhes ocorriam as tristezas profundamente marcadas da vida, enquanto esperavam pelo sono e pelo dia seguinte, que parecia nunca mais chegar...
Marta Durães,13 anos, Colégio Paulo VI (Gondomar), Professora Raquel Almeida Silva

Como estavam muito agitados e não conseguiam adormecer então tentaram acalmar-se, mas não conseguiram e brincaram mais tempo, e então o pai viu ficou tão vermelho que ia explodindo. Os meninos e as meninas ficaram tão assustados que foram logo para a cama tentar dormir para o dia seguinte, mas mesmo assim não conseguiram dormir... mas estavam sempre a tentar.
Como não conseguiam sair da cama, com calma foram para a sala sem os pais os verem.
Tomás Matos, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

A noite é uma morte dourada sobre o mar. É o aproximar das trevas, da solidão, da dor e das más recordações.
O telefone ecoa através do escuro, arrancando a nossa alma de um sono sobressaltado e aflitivo.
As más notícias vêm sempre a coberto da escuridão, deixando-nos sem ar, sem luz, e sem um amanhã radioso.
Partiste de noite, sem aviso, sem despedidas, mas com a certeza de que ao acordarmos, estaríamos num amanhecer sem pôr-do-sol.
Manuela Branco, 60 anos, Lisboa

A Teresa fazia anos, e quando acordaram a Teresa foi logo pedir os presentes aos pais.
Antes dela abrir abanou, abanou e abanou mas não descobriu o que era. Quando abriu o primeiro era uma bola de futebol, o segundo era a mãe com um novo irmão ‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍‍na barriga e o terceiro era um cão que ela sempre quis.
Depois a família da Teresa foi a casa dela, ela recebeu muitas coisas, principalmente brincos: corações, estrelas, raios…
Teresa Pinto, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

Era véspera de natal e três crianças estavam ansiosas para no dia seguinte terem lá em casa a sua família e os presentes, elas queriam muito conhecer o pai natal. Naquela noite de natal a sua família não tinha chegado nem os presentes. Ficaram muito desapontadas dormiram, dormiram, dormiram e os dias foram passando e não vinha ninguém.
Mas a magia do natal aconteceu e eles ficaram tão felizes, tão radiantes, que nunca mais esqueceram aquele natal.
Diogo Freitas, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

Era uma vez um dente que conseguia falar. Um dia viu uma namorada e eles começaram a viver juntos, mas depois os pais morreram com uma cárie. Eles ficaram
muito assustados porque de noite podia ir alguma cárie para os dentes, então
pediram ao menino para ir ao dentista. O menino não ligou, passado um mês
os dentes estavam mesmo a sentir-se mal, e o menino também, portanto foram
ao médico, o médico tratou dos dentes todos.
Carolina Pinto, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

Nós no dia seguinte fomos tomar banho, vestir e lavar as mãos, tomar o pequeno almoço e pôr os sapatos, e a Sabrina disse logo:
― Podemos ir até ao parque?
A Bela disse:
― Sim!
Quando chegaram ao parque, a Chiclete disse:
― Eu um dia queria ir ao céu para tocar nas nuvens e para ir ao arco-íris.
― Vamos jantar à avó? ― perguntou o Bemo.
― Mas é claro que sim! ― disse a Chiclete.
― És bonita, avó ― disse ela.
Sofia Sousa, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

Acordaram! Tomaram o pequeno
Almoço, que foi muito bom, os rapazes foram jogar ténis e encontraram um gato no caminho, e ficaram com ele. O gato era branco mas tinha manchas pretas, era muito fofo.
O gato era muito traquina, então eles tiveram de treiná-lo, ao fim de pouco tempo o gato já estava treinado. E levaram-no para casa.
Brincaram com ele todo o dia, mas à noite tiveram de preparar tudo, muito bem, para o gato.
Leonor Pires, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

Esperaram pelo sono porque no dia seguinte havia uma grande festa na escola, era o aniversário da professora deles. Eles gostavam muito, muito da professora, ela era muito, muito, muito brincalhona, estava sempre a ensinar coisas novas e ajudava muito as crianças que tinham dificuldades, especialmente no seu aniversário. Ela ajudava mais as crianças muito mais e estavam sempre felizes, especialmente na parte do bolo e na dos recreios, a professora estava com eles muito nos recreios.
Francisco Pinto, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

Os dois, quando acordaram, foram para o jardim jogar à bola. Jogaram e jogaram, depois foram almoçar para o jardim.
Puseram uma mesa na relva, depois a
toalha e os talheres e almoçaram.
Depois de almoçarem, em vez de jogarem futebol (à bola) foram jogar basket, puseram os cestos de basket um à frente do outro. Começaram a jogar e as equipas eram pai e filho e mãe e filha, a equipa do pai ganhou e festejaram.
Afonso Andrade, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

As raparigas
Duas raparigas, a Maria e a Ana, queriam esperar pela noite, mas era de dia por isso foram fazer outras coisas. Enquanto esperavam, foram comer, ver tv, brincar e jogar ps4.
E diziam:
― Quero ir dormir, quando é que é de noite? ― resmungavam elas.
Passado 8 horas foram jantar, depois foram vestir o pijama e logo de seguida foram dormir.
Acordaram bem-dispostas e desde então nunca mais resmungaram na vida com mais ninguém.
São felizes!
António Alfaro, 3º A, Park-is, Restelo, prof Sílvia Valério

É impressionante como a vida muda de um momento para o outro. Num momento, somos felizes e, de repente, caímos num abismo fundo e escuro. E eu tinha de ser forte, não podia deixar que vissem como estava destruída. Agora, só me resta a solidão da noite e a lua refletida no imenso mar dos meus olhos. Agora, só me resta adormecer nas memórias daqueles dias cinzentos e esperar que o dia seguinte não demore para chegar.
Joana Silva, 13 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, Profª Raquel Almeida Silva

Uma boa noite de sono tem um poder especial. A passagem para o dia seguinte deixa para trás o que me incomoda. Vejo tudo com outra perspetiva, fico com uma visão mais positiva do que corre menos bem e relativizo todos os meus problemas. É como se fosse um filtro, apenas deixo comigo o que me deixa feliz ou o que não me aflige. Funciona, para mim, como um calmante natural, saudável e de muito fácil acesso.
Daniela Costa (13 anos), Colégio Paulo VI - Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

O mar dos meus olhos
Um áspero e ríspido vento
carregado de lembranças e salitre
empanou a saudosa limpidez
do mar dos meus olhos.
E tudo à minha volta
se cobriu de densa névoa
e de uma enorme massa
de nuvens grisalhas
que tingiram de preto
as suas águas prateadas.
Contudo, no meio daquela escuridão,
lentamente se desfez ao correr
uma forte vaga espumosa
que, como um raio de sol ao entardecer,
encheu de alegres sons
e tristes risos
a minha solidão.
Mónica Marcos Celestino, 43 anos, Escuela Oficial de Idiomas, Salamanca (Espanha)

O sono envolve-nos, como quem agarra a vida. Apodera-se de nós, com a sua magia, e num estalar de dedos, faz com que adormeçamos após um árduo dia de trabalho.
Espera-nos o dia seguinte. Aí, o sol só finge nascer. Uma manhã repleta de ternura com o pipilar dos pássaros e o doce zunido dos moscardos já nos enche a alma. O ciclo recomeça e, com esforço, alcançamos os nossos objetivos, após inúmeros obstáculos que conseguimos ultrapassar.
Sofia Silva (13 anos) e Leonardo Martins (14 anos), Colégio Paulo VI, professora Raquel Almeida Silva, Gondomar

Fim de noite
Fim de noite e de um grande fim de semana, com variados painéis: igreja, música, futebol, namoro – as duas tardes e esta última noite dedicadas a este. Às onze horas retornara para casa de carro.
Na manhã seguinte, recomeçaria a rotina – faculdade e estágio emendados por ônibus e marmita e com outro ônibus finalizando tudo. Precisaria pensar na prova à qual faltara por precisar viajar, nos trabalhos para entregar. Mas... aquela cama estava tão gostosa, tão aconchegante...
Celina Silva Pereira, 66 anos, Brasília, Brasil

Há quem saiba que de noite não se batizam pensamentos. Não se consomem angústias, nem se afugentam medos.
Há quem diga que de noite o sono é leve para quem é infeliz e come pouco. Porque quem come pouco é infeliz, dizem…
Há quem acredite que ao velar-se o sono das crianças se embalam sonhos, plantam-se esperanças.
Há quem jure que quem não dorme de noite, espera pelo nascer do dia para amortalhar as agruras da vida.
Ana Fernandes, 43 anos, Santa Comba Dão

Há quem saiba que de noite não se batizam pensamentos. Não se consomem angústias, nem se afugentam medos.
Há quem diga que de noite o sono é leve para quem é infeliz e come pouco. Porque quem come pouco é infeliz, dizem…
Há quem acredite que ao velar-se o sono das crianças se embalam sonhos, plantam-se esperanças.
Há quem jure que quem não dorme de noite, espera pelo nascer do dia para amortalhar as agruras da vida.
Ana Fernandes, 43 anos, Santa Comba Dão

E o sol se põe, o jantar se faz, um repouso no sofá, uma criança a brincar. O sono ataca primeiramente a criança e a mãe aproveita esse sono. Durante esse sono, com sonhos e pesadelos, com um sorriso lindo ou com um sobressalto, com acordares repentinos porque ouve-se algo, uma criança, um barulho estranho, os olhos voltam-se a encerrar e a entrar novamente no sono profundo. À mesma hora o sono termina para um novo dia.
Rita Afonso Botelho, 35 anos, Moita

As aulas pesam ao final do dia, quando se regressa a casa e temos dois filhos pequenos que nos aguardam no infantário e na escola do primeiro ciclo. As poucas horas que passamos juntos, por vezes já cansados e com pouca paciência, são as mais gratificantes e importantes do dia, apesar de todos nós ansiarmos por aquele precioso momento em que deitamos a cabeça na almofada e acordamos, já no dia seguinte, recarregados para o novo dia.
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

A notícia tinha-lhe caído assim, naquela noite, sem se fazer anunciar! Tentava apanhar as pontas, mas sentia o coração na boca, as pernas bambas, no peito, um aperto imenso, um misto de raiva, desgosto, desilusão.
Tentar perceber as razões daquela traição, era tarefa impossível por agora, queria desabafar nas suas lágrimas, mas nem isso conseguia, por isso abraçou a Martinha e tentou fechar os olhos, na esperança que o sono a levasse dali, para um lugar melhor…
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

Terminavam cada dia das férias de Verão ansiosos pelo amanhecer. Dormir impunha-se apenas quando o sono chegava e o corpo cedia à excitação das combinações infantis próprias de irmãos. O quarto em que dormiam naquelas semanas de calor algarvio, no apartamento construído durante a vaga de betão, separava-se da sala por uma cortina esvoaçante que deixava a brisa nocturna, vinda da janela aberta, arrefecer-lhes a noite. Quando o sono partia e acordavam, mudavam de capítulo sem cerimónia.
António Matos, 31 anos, Lisboa

Tudo o que desejo não me deseja a mim. Os sonhos escorrem-me por entre os dedos, como a água salgada que me cobre o rosto. Mas eu não corro para os apanhar. Deixo-os fugir, assim, ao de leve. E choro, à espera que regressem, outra vez, para dentro de mim. Enrosco-me, no meio da escuridão, fechada do mundo, na esperança que o sono me leve para o amanhã, e que este me devolva tudo aquilo que perdi.
Carolina Constância, 24 anos, S. Miguel - Açores

O amor entre eles findara há muito, mas o carinho pelos filhos conservava-os juntos; consideravam que deveriam educar conjuntamente as crianças para que fossem felizes e se tornassem cidadãos exemplares.
As traições da esposa já há muito deixaram de perturbá-lo... afogava as mágoas na garrafa de gin e na violência doméstica.
Mas uma vida sem amor limita-se a uma mera passagem no calendário, desprovida de qualquer significado!
Assim, quando anoitecia, sentiam-se aliviados pela célere aproximação da morte.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Os homens são rios iludidos
Na contínua rotação das noites, os homens esperam futuros por acontecer. Nessa espera, são rios iludidos que querem ser lagos. Ávidos, retêm as águas nas pedras e constroem barragens, esquecendo a sua verdadeira natureza que é serem rios e passarem. Difícil convencê-los a soltarem-se, perderem o medo e cavalgarem os leitos de mil escombros, como cascatas caindo em plena liberdade. Nesta retida condição, muitas vezes, acordam quando finalmente atingem o mar e se dissolvem nas salgadas águas.
Isabel Sousa, 65 anos, Lisboa

Perguntas se eu fui feliz
Vi auroras e ocasos
Vi desertos e oásis
Marés cheias, rochas desnudas
Florestas absolutas, cumes gelados
Campos esventrados
Se eu fui feliz?
Senti a dor do nascimento
Senti a dor da separação
No fervor do reencontro
Ri, chorei de contentamento
Amei, duvidei, perdoei
Fui perdoada
Se eu fui feliz?
Respondo-te finalmente:
Fui rio sem pressa de ser mar
Corrente que uniu sem amarrar
Ora impetuosa, ora serena
Vivi venturosa por te amar.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira

Algumas coisas precisam das sombras para se moverem confiantemente. É o caso de certas ideias e opiniões, e também de alguns sentimentos. Ao contrário do que possamos pensar, na noite não medram apenas conceitos obscuros. No caso da Mariana, por exemplo, a inspiração só a visitava quando ela dormia. Deitava-se absolutamente falha de ideias, e despertava radiosa e cheia de discursos, qual profetiza das madrugadas. Não percebia como acontecia, nem se preocupava em saber. Tecia sonhos inacabados.
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra