23 outubro 2017

Fernando Morgado ― escritiva 25

Com o calor o meu calo dói imenso.
O tratamento é caro, e não é claro que resolva o problema. Declaro isto sempre que vou ao médico, mas ele faz ouvidos de mercador. Na próxima consulta, declamo Florbela Espanca,
Sinto os passos da Dor, essa cadência
 Que é já tortura infinda, que é demência!
 Que é já vontade doida de gritar!”
Se, mesmo assim, ele não me entender, eu reclamo, porque quem reclama não acredita em reclames!
Fernando Morgado, 63 anos, Porto
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Mónica Marcos Celestino ― desafio 127

A partida
Partiste, marinheiro, para estrangeiras terras
perseguindo, qual estrategista sagaz, a risonha estrela-guia.

O embravecido mar estrebuchava, traiçoeiro,
o teu estraçoado coração que, ao estradeiro vento,
lançava o estrilante triste pranto.

Ressoava, estridente, a pesarosa saudade
estrangulando o teu peito estracinhado pelas lembranças
das estreitas ruas tantas vezes estramontadas.

Partiste, marinheiro, para estranhas terras
tentando, com estrénuo passo, atrapalhar a cativa estrela.

E o retumbante estrondo das salgadas ondas
estremeceu com a triste estrofe lamurienta
nos teus lábios estribilhada.
Mónica Marcos Celestino, 45 anos, Salamanca (Espanha)

Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3


Natalina Marques ― escritiva 25

Sozinha, entregue à sua SORTE, desejou que a MORTE viesse.
O vento NORTE, deitou por terra, as árvores de FRUTA, plantadas pelo avô.
Já não existia a GRUTA, que em GAROTA brincava com as colegas de escola.
Entrou em casa, que ERAM apenas paredes levantadas do chão, sentiu na ALMA uma dor indiscritível.
ARMAS símbolos de guerra, que o avô se orgulhava, tudo desaparecera.
Então, essas lembranças, no coração guardou, porque todo resto, o fogo lhe levou.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança

Programas Rádio Sim - semana 23 Outubro 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

22 outubro 2017

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 25

Que lua cheia romanticamente bela! Saio para a rua, admirando-a alta no firmamento... nem com uma grua a alcançava!
Esta tarde, explorei a gruta do parque.
Contudo, ao serão, verifiquei que jantaria truta assada. Que horror!
Somente desejava sopa e fruta, mas a mãe exige que coma peixe, porque possui ferro... estou frita.
Quando desejo paz, a mãe grita comigo e, por sua culpa, grito também, caso contrário ninguém me escutaria.
Salvou-me o rito da lua apaixonante.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança

Simão Pinto ― desafio 127

Acordei hoje de manhã e desci as escadas. Estava a minha mãe e o meu irmão a tomar o pequeno-almoço. Vesti-me e fui para a escola. Entretanto acabaram as aulas, fui para casa. Comi leitão com batatas. O meu pai tirou a rolha do vinho e pôs na coleção.
Peguei no almofariz para partir o despertador que não parava de tocar, peguei numa bola de ténis para matar uma vespa, mas só consegui matá-la com um papel.
Simão Pinto, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel


Margarida Freire ― desafio 5

O Homem é capaz de ser Solidário
vento surgira de repente e varria impiedosamente o convés.
Homem ao mar ― gritou o Comandante, alertando a tripulação exausta.
É preciso ter cuidado, agora. Não podemos arriscar mais vidas.
Capaz de cumprir e fazer respeitar as Normas de Segurança;
De manter bem alto o Espírito de Equipa, quando necessário.
Ser responsável, não basta. É preciso saber Unir os Homens.
Solidário ― sê-lo na hora crucial, quando tudo desaba, é urgente!
Margarida Freire, 75 anos - Moita
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Theo De Bakkere ― escritiva 25

O pesadelo
Ela roncou agudo como se tivesse ingerido um APITO. Então, ninguém podia presumir que estava a sonhar, devorando um PITO recheado com abóbora.
Foi um pesadelo! Devia comer com goelas de PATO pastéis sem parar e cada vez mais ficaram pastéis no PRATO. Tornou-se tudo PRETO diante dos olhos, cada pastel ficou PRESO no estômago e seu PESO crescia a olhos vistos. Cheio de vergonha, escondeu-se sob o PISO.
Safa! Ali encontrou os amigos, chorando de RISO.
Theo De Bakkere, 65anos, Antuérpia, Bélgica
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Maria do Céu Ferreira ― desafio 127

Pronta a matar!
Seguia de Estremoz,
Perseguindo seu amante,
Terrivelmente feroz,
Com um revólver brilhante.

Acordara enraivecida,
Roubada nos seus valores,
Pensando banir da vida
Esse mestre dos amores.

Esse estratega ordinário,
Queria vê-lo estropiado,
estroina salafrário
Que a tinha defraudado.

Levara-lhe o diamante,
Bonita estrela estriada
Que sua mente brilhante
Roubara em Estugarda.

Era seu, estritamente,
Pela estratégia, ousadia,
Restringindo-se, ele, Vicente
À constante cobardia.

Estranhou ao acordar
Que o estropício faltasse…
Seguia para matar
Que nada atrapalhasse!...
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante
Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3


Álvaro Aparicio de la Peña ― escritiva 23

Estou muito feliz de vos ter cá, na minha cidade Ledesma. Aqui, temos um restaurante tradicional chamado “La Fernandica”. É um lugar pequeno, sujo e muito antigo, mas esse é o seu encanto. Quando vocês chegarem, haverá uma senhora de uns noventa anos que continua a trabalhar, e que cozinha a melhor e mais apetitosa comida do mundo, ainda mais do que a sua avó. No total, servem sempre cinco pratos. Toda a gente deve ir lá!
Álvaro Aparicio de la Peña, 24 anos, Salamanca, prof Paula Isidoro
Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem


Carla Silva ― desafio 127

A presidente
Dona Estrela, ilustre presidente, estava a perder as estribeiras.
― É 
estritamente necessário restringir a circulação das zebras do Perestrelo! Precisamos fazer uma lei proibindo a passagem pela estrada!
― Oh, presidente... Uma lei no mínimo 
estranha.
― Mas necessária! Esses seres listrados destroem tudo por onde passam e o Castro acha estranho!?
― No mínimo... É um absurdo enorme.
― Absurdo? Quero ver se provocam um 
sinistro.
― Cara presidente, parece-me que existe algo que não está a contar.
― Impressão sua...
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3


Fátima Caletrio Karcha ― escritiva 23

Estava totalmente convencida de que neste restaurante se comeria muito bem, já que na internet só havia comentários bons. Não havia ementa para escolher, tinham oito pratos únicos bastante elaborados, no entanto, como eu não gosto de toda a comida e tenho alergia às nozes, então comi só três pratos e fiquei com muita fome. Eu não recomendo esta experiência, pois haverá algo que você não poderá comer. Além disso, o preço é bastante elevado. Internet? Mentirosa!
Fátima Caletrio Karcha, 21 anos, Plasencia, prof Paula Isidoro
Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem


21 outubro 2017

Rita Nunes ― desafio 5

O propósito da guerra é a paz?
O Homem nem sempre procura a paz da melhor forma.
Propósito? Na minha opinião, guerra traz o contrário de paz.
Da guerra surgem vários problemas que prejudicam o nosso planeta.
Guerra é o Homem que a faz, embora queira paz.
É com amor e alegria que podemos encontrar a paz.
A paz é tão urgente para termos uma vida melhor!
Paz! Com um sorriso apenas, pode-se fazer toda a diferença.
Rita Nunes, 13 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira, prof Ana Paula Oliveira

Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras

Mireille Amaral - desafio 8

Credo! Este é danado! Socorro!
Pena não ter letras para mapear o coração… É o motor do amor.
É apenas naco de carne, e é tão poderoso!
Mas perde todo o senso perante o parente… não posso apresentá-lo… Estou com desacerto de letras… É ardor! Compreendes?
Olá, acorda senso! Pensa, antes do amor está o… esse, esse mesmo… Então?!? Poça! Nem posso crer…
Ora… por partes… amor, topas? Pronto… o parente do amor é o… encantamento, pá!!!
Mireille Amaral, 42 anos, Gondomar   

Desafio nº 8 – crise de letras; usar só A E O T R S P L M N D C

Gonçalo Sousa ― desafio 5

Encontramos a paz ao lutar por ela.
Encontramos muitos corpos no chão após todas as guerras existentes.
A máquina que estimula o mal origina as piores guerras.
Paz é a melhor solução para haver harmonia na Terra.
Ao matar alguém, só alimentamos o ódio que nos destrói.
Lutar pela paz é essencial para a felicidade na Terra.
Por estar ameaçada, isso não significa o fim da vida.
Ela continua a existir, mesmo que não se consiga ver.
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Ana Beatriz - desafio 114

Naquele mar de gente, apenas duas pessoas conversavam. Todos os outros olhavam para os telemóveis. Inevitavelmente, os dotes do Chico foram despertados.
Havia tanta proximidade! O tema parecia sugá-los! Algo invisível os unia fortemente. Ao Chico, nada escapava. A observação ― adicionada aos estudos ― deu-lhe a resposta. Descobriu a razão de tanto enleio. A chama laranja, incandescente, era inconfundível. Aquelas almas eram gémeas, não tinha dúvidas! Havia um rio de fogo ligando aqueles dois seres.
O oculto enobrece!
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa

Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular

Cristina Almeida - desafio 127

A cabeça batia, levemente, na vidraça. O vento distribuía afagos pelos jardins dos vizinhos e ela passeava. Sentiu-se destronado. Fora avisado: rei morto, rei posto. Estranhamente, sentiu-se feliz. Era o quarto, num só trimestre
Sobressaltado pela buzina estridente pôs patas ao caminho. Aquele mastro, qual monstro, chamava-o. E se caísse sobre aquele pedestre distraído? Subiu até não lhe destrinçar a cor do cabelo. Atirou-se… mas que desastre! Aterrou na canastra da Eufémia, que por ali passava.
Cristina Almeida, 57 anos, Maia

Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3

Íris Neves ― desafio 5

Um sorriso apenas, pode trazer a paz.
Um mundo de paz seria muito melhor para a humanidade.
Sorriso, a feição mais bonita de qualquer pessoa: homem, mulher!
Apenas naqueles que têm um coração bondoso ele sempre vive.
Pode acabar com injustiças, alegrar os dias de quem sofre,
trazer uma nova esperança sem medo do que poderá acontecer.
A guerra, a revolta, o conflito, o ódio, seriam inexistentes.
Paz, uma das palavras mais bonitas, um mundo em harmonia.
Íris Neves, 13 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira, prof Ana Paula Oliveira
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Maria Silvéria dos Mártires ― escritiva 25

Disparo o meu apito
Um RISO autêntico sincero é tão bonito.
Digo-te quando caminho e o chão PISO
Até parece que sinto um PESO
Meu coração vos ama, a tudo fica PRESO
E sem distinção do branco, do amarelo ao PRETO
Queria vos servir delicioso arroz no PRATO
Mas não consigo matar o PATO
E nem sequer o pequenino PITO
E quando peço para o fazerem por mim
Fico doente. Uma tristeza sem fim
Apodera-se de mim e dispara meu APITO.
Maria Silvéria dos Mártires, 70 anos, Lisboa

Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança

Leonardo Leal ― desafio 5

Paz no mundo para um mundo perfeito.
Paz é uma coisa de que o mundo muito precisa.
No futuro, espero que as guerras e os conflitos desapareçam.
Mundo ideal é um mundo tranquilo e cheio de amizade.
Para ser realmente bom, haja paz em todo o lado.
Um lugar pacífico é um lugar perfeito, ideal para viver.
Mundo perfeito é onde todas as pessoas vivem em harmonia.
Perfeito seria um mundo em que a paz reinasse totalmente.
Leonardo Leal, 13 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira, prof Ana Paula Oliveira
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Notícia!

Título: Peixinho Rei na Rádio SIM
Subtítulo: Turma do 4ºA da Ermida escreveu um texto, sem a letra A, que foi lido na rádio SIM
Lead: Ontem, na rádio SIM, pelas 17.45h, foi lido, por Margarida Fonseca Santos, um texto escrito pela turma do 4ºA da Escola da Ermida de S. Mamede de Infesta. Este texto foi escrito sem utilizar a letra A e conta o reencontro da turma com a sua mascote “Peixinho Rei”.
Corpo da Notícia: Este projeto foi despoletado pelo livro “Desafio em 77 palavras” da autora Margarida Fonseca Santos. O desafio, desta vez, era escrever um texto onde não pudesse entrar a letra A. Segundo a escritora, este desafio foi difícil, principalmente por se tratar de alunos de 4ºano, e foi incrível a forma amorosa como o conseguiram fazer! A locutora mostrou-se admirada com o vocabulário descoberto, por estes alunos, para substituir as inúmeras palavras da área vocabular de peixe.

Peixinhos da Ermida, outubro 2017 - hora dos media

Tomás Pereira ― desafio 5

Dois, o ideal para fazer a paz!
Dois mundos poderão ser um só se a paz reinar.
O mundo precisa de paz para todos serem muito felizes.
Ideal é toda a gente unir-se contra as guerras mundiais,
Para que haja fraternidade e união entre todos os Homens.
Fazer guerra é próprio de alguém sem amor no coração.
A paz traz felicidade, união e calma a todos nós.
Paz, palavra tão pequena, mas com um significado tão grande!
Tomás Pereira, 13 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira, prof Ana Paula Oliveira

Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras

Quita Miguel ― escritiva 25

cara de Flávio Fernando ficou como se tivesse sido moldada em cera, ao ler a carta: a irmã, achando-se certa, ia capar o gato.
– Como é que ela corta o que não é dela? – reclamou, procurando uma corda para fazer não sabia de quê.
Da copa de uma árvore veio um miado. Afinal, o gato estava inteiro. Só a irmã para brincar com algo tão sério.
Flávio entrou em casa, encheu um copo, descontraindo o corpo.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança

Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

Beatriz Valente ― desafio 5

Com a paz construímos pontes no mundo.
Com afeto acabamos com a guerra e nasce a harmonia.
A todos cabe a tarefa de a cultivar. Sempre! Sempre!
Paz é um direito universal, é importante de se preservar.
Construímos apertados laços de afeto que combaterão violência e guerra.
Pontes construídas na imaginação buscam o outro que está além.
No grande sonho de uma vida pacífica, a alegria sobressai.
Mundo perfeito onde as crianças querem crescer e viver, exige-se!
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras


Margarida Fonseca Santos - escritiva nº 25

Peça, peço, pelo, prelo, grelo, galo, galão, lagoa, lagosta

Aquele homem é uma peça de museu… Quando lhe peço qualquer coisa, fica quase de pelo eriçado e desata a falar no livro que tem no prelo. Não se cala com aquilo! Pensando bem, o livro já deve ter grelo, há tanto tempo para sair. Na volta, nem sai, grande galo! Dar-me o meu galão, isso é que não.
Fujo dali, a caminho da lagoa para apanhar ar. Deito-me, adormeço e acordo feita lagosta. Raio do homem!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa

Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança

20 outubro 2017

Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 22

Esta manhã, quando temperava o hambúrguer que confeccionaria  ao almoço, o telefone tocou. Dirigi-me à sala para atender a chamada.
Quando regressei à cozinha para retomar o trabalho culinário, já não encontrei o hambúrguer, mas somente um prato vazio em cima da banca, bem como vestígios de carne picada no focinho da minha cadela.
Não fiquei zangada... até achei piada!
O drama é que este episódio provocou-lhe gastrite, carecendo de tratamento veterinário.
Felizmente, já se encontra saudável.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante


Isabel Lopo – desafio 120

Encarcerada neste pequeno mundo onde tudo era rotina, já nada era emoção, nem mesmo tu, parti… Percorri estradas, desertos onde o som era silêncio, respirei o cheiro do capim, perdi-me por entre as cores exóticas de terras longínquas....
Um dia acordei com o coração dorido. Bastou o sábio curandeiro olhar-me nos olhos para descobrir que o meu mal eram saudades...
Chegada a hora do regresso, caminhei entre o deslumbre de um reencontro e o medo do abandono!
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 4

Queridas amigas, não possuo um porte atlético impressionante nem cultivo práticas desportivas louváveis, mas a vaidade nunca me fez viver obcecada por saltos altos.
Sempre foi prazeroso o momento do encontro entre todas as amigas.
Vocês acompanhavam-me nos pés, diariamente, oferecendo-me o conforto necessário para passear pela trela a minha melhor amiga.
A nossa vida em conjunto, apenas terminou quando a vossa ficou destruída, após tantas horas nos meus pés. Obrigada pelos passos seguros, nunca vos esquecerei!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 4 – homenagem às sapatilhas

Fernando Morgado – desafio 127

Era noite. Já os pássaros se ocultavam no castrejo da vila quando o lustre caiu com grande estrondo.
A sinistra ocorrência fez estrebuchar a mestrona da astrologia; deixou-a em profundo stress, a ver as estrelas.
A biltre personagem, pouco segura no estribo das suas certezas, não destrinçou astrágalo de joanete, bistrô de casa de reza, fontanário de campanário, e ficou prostrada a olhar para o lampadário caído sobre ela.
Aí, a monstrinha gritou: socorro, salvem-me desta visão!
Fernando Morgado, 63 anos, Porto
Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3


Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 3

Nesta manhã invernal, o sol brilha num céu azul.
Visto o fato de treino, calço as sapatilhas, correndo imediatamente para a rua.
Vou aproveitar as tréguas climáticas para fazer ginástica.
Contudo, quando já estava longe, surgiram rajadas de vento poderosas, a chuva começou a cair como um dilúvio catalítico.
De repente, avisto o carro vermelho do meu namorado que veio buscar-me.
Obrigado, amor, sem ti não sobreviveria! Como abrigo, és mais eficiente que a Arca de Noé!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 3 – texto com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua

Concha Cassiano Neves – desafio 52

Gosto dos domingos na casa velha.
Quando todos saem, sorrio por antecipação.
Tudo é silêncio, depois começam os ruídos: madeira a estalar, vento nas frestas…
Passeio devagar pelas salas e corredores.
Instalo-me voluptuosamente no cadeirão da avó.
Suspiro e fico à espera.
Lá está aquele leve raspar de unhas e o passinho rápido no sobrado.
Sacudo o pelo e aliso os bigodes, aquilo é música para os meus ouvidos.
Subo a escada num salto.
O almoço chegou…
Concha Cassiano Neves, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Escritiva nº 25

Estava eu muito entretida a corrigir uns vídeos que os alunos tinham feito, quando percebi que um deles se tinha enganado ao dizer “amar-te” em vez de “a morte”. No contexto, provocava bastante confusão porque enganou-se o tempo todo, mas pensando bem, de um ponto de vista poético, ele criou algo muito bonito.

Ora eu não sei vocês, mas eu dedico-me muitas vezes a mudar as letras de sítio, a acrescentar 1 letra à palavra ou retirar, e a ver o que acontece.
Por exemplo: AMOR, ATOR, TORA, TROA, TROPA, TOPA, TIPA, TRIPA e posso estar assim até não encontrar mais:
RISO, PISO, PESO, PRESO, PRETO, PRATO, PATO, PITO, APITO ou 
RITA, FITA, FRITA, GRITA, GRUTA, GRUA, RUA, TUA, TUNA

O que é que eu vos peço? Peguem num destes exemplos que eu vos dou, ou criem um vosso, e usem as palavras no vosso texto de 77 palavras. Não se esqueçam de indicar a negrito as palavras que escolheram.
Ah, e usem-nas na mesma ordem pela qual as escreveram (do princípio para o final) ou no sentido inverso (do final para o princípio).

Eu usei aquela última sequência, ficou assim:
Rita, como é que perdeste a fita?
 Ai a fita! Se ela descobre estou frita!
 Credo, não exageres, ela grita, é só isso que ela sabe fazer: gritar para toda a gente ouvir.
 Maldita a hora em que entrei naquela gruta...
 Gruta, que gruta? Tu disseste que estavas bloqueada porque havia uma grua que não deixava ninguém atravessar a rua.
 Que ideia a tua! Eu estava era com a tuna a ensaiar a serenata para a Renata!
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança