31 dezembro 2016

Feliz 2017

Bom dois mil e dezassete,
Para todos os autores
Das nossas setenta e sete
Sonhadoras, sonhadores!

Que haja inspiração
Para nada nos faltar,
Com Margarida em ação
A querer dificultar!

Que ideias vão surgindo,
Como fios de meadas,
Que se puxam e vão vindo
Com palavras inflamadas!

Que a vida nos permita
Toda esta diversão,
Pois a escrita explicita
A nossa grande paixão!

Por fim, quero agradecer
A boa divulgação,
Gargalhadas e prazer
Que ouvimos em comunhão!

Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

O sofrimento envelhece

Tio Arlindo acordou maldisposto, como de costume. Desta vez, sente-se particularmente sorumbático. Liga a TV, mas ao fim de cinco minutos de balanço do ano, desiste.
― Este mundo vai de mal a pior ― grita, irritado.
Durante horas, fica sentado, calado, de persianas meio corridas.
Alguém toca à porta. A contragosto, levanta-se e vai abrir.
O rosto ilumina-se-lhe: é a vizinha gostosa do 3º D, a convidá-lo para sair.
― Tristezas não pagam dívidas ― suspira. ― E o sofrimento… envelhece!
Carlos Alberto Silva, ​58 anos, Leiria​
Mais textos aqui: http://www.amoranegra.pt/
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

Aprendizado

Fernando foi criado sem as condições necessárias para um bom desenvolvimento intelectual, físico e até espiritual.
Mas em contrapartida, ouvia sempre de sua tia que não se importasse com essa condição, pois o sofrimento enobrece.
 Ele nunca naquilo acreditou, achava que não precisava ser assim. Via os colegas, amigos em diferente situação.
Ele amadureceu. Percebeu-se um grande homem. Viu que muitos amigos não “cresceram”. 
Sabe agora que o sofrimento o fez crescer, mas que o sofrimento ensina...
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

Massa com açúcar

Estava eu a cozer massa
Para um grupo animado,
Tinha o refogado feito,
Não tinha sal refinado!

Sal refinado era açúcar
Só então verifiquei…
Deitei-lhe muita cenoura
E com salsa polvilhei…

Aconteceu em campismo
Onde fiz o cozinhado;
Já me ria do produto,
Mesmo sem ter acabado!

Apresentei o repasto
E a malta só comia…
Como ninguém reparava,
Perguntei a que sabia!

Parece que tem açúcar…
Fizeste bem inovar;
Com churrasco tão picante
A massa veio safar!!... 
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

30 dezembro 2016

Desafio nº 114

Há um dizer popular que muito me irrita:
O SOFRIMENTO ENOBRECE

Ora, se lhe déssemos um jeitinho e criássemos um outro, mudando só uma das palavras?
Podia ser:
O sofrimento empobrece
O crescimento enobrece
Ou outros de que se lembrem.

Essa frase que escolherem, será o remate da vossa história em 77 palavras!

Eu escolho aquela segunda:
Lutava com todos para ir à escola, indiferente aos avisos, que não se matasse a estudar, nunca chegaria a lado nenhum, mas ninguém parecia demovê-lo, nem a namoradinha, que não aguentava os livros e as equações, nem o professor de fama medonha por chumbar alunos, passando à primeira tentativa, deixando o professor com tal subida de tensão que muitos fizeram a cadeira com o substituto, pois, na sua mente, a lei era crescer, pois o crescimento enobrece.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

28 dezembro 2016

Quatro letras

Não sei como irei descrever o Natal em apenas setenta e sete palavras. É algo tão mágico, tão poderoso, tão puro, impossível de descrever. Tenho pena de quem não sente o Natal. De quem não consegue ver o seu brilho intenso, de quem não consegue sentir o seu aroma especial. Como é possível que uma só palavra consiga transmitir mil sentimentos de uma só vez? Parece o amor que, com apenas quatro letras, consegue transformar qualquer coração.
Carolina Constância, 23 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores

Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano

27 dezembro 2016

Cuidado com as zombarias

Zé era desembaraçada, mas ao Azevedo isso pouco importava! De voz sempre alta, zombava agora das azevias que a mulher fazia. Vazio de culpa, nem uma vez a deixava em paz! Zombava dela todo o dia, tão alto que toda a vizinhança ouvia. 
Até que um dia deixou de ser capaz.
Cansada da zombaria, Zé fez as malas enquanto a vizinhança dormia. Não olhou para trás. O Azevedo chora agora pelas azevias que deixou levar enquanto dormia.
Anabela Risso, 24 anos, Évora

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Boas festas em 77 palavras, para mim!

Bom Natal, querida Amiga!
Passado à justa medida dos seus sonhos, desejados com muito amor.
Que 2017 seja cintilante e festivo, traga felicidade e alegria e lhe encha de estrelinhas o coração.
Que lhe reserve boas surpresas e seja recheado de saúde, bom humor e muito afecto.
Eu cá vou preparando a consoada e deitando o olho às ultimas mensagens natalícias.
Mas vou ter de sair: falta um ingrediente e o jantar é dali (daqui) a nada...
Teresa Varatojo, 67 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

77x77 - Luís Leal

Mona Lisa
A rececionista:
– D. Mona Lisa Cruz!?
Pinta-se o quadro africano, dirigindo-se ao gabinete do fundo onde a espera um ecógrafo.
Estranheza tem-se à indiferença da composição dum retrato. Este é real, casualmente belo no quotidiano cinzento da minha semana. Longe das filas intermináveis do Louvre, Mona Lisa estava ali, de mão dada com o marido atencioso aos cuidados médicos da sua obra-prima.
Sentado, não contemplo um Da Vinci, admiro o nome a não desfigurar o ser humano.

26 dezembro 2016

Programa Rádio Miúdos 142 – 26 Dezembro 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos 
Para ouvir, abram o link da rádio, carreguem em «Desafios» e procurem o vosso dia!


Adoro os carros desde sempre. Penso neles a todo o momento. Andam depressa sem parar. Penso nas estrelas, nas tardes... adoro os carros. Se não tens carros, não és nada, nem pessoa. Trata-os com amor, não os trates mal. Adoro os carros. Sempre penso neles. Compra três, sete... Adoro os carros desde sempre. Sempre penso neles a todo o momento. Os carros são peças? Não, não são. Podem ser uma casa andante, com cor: preto, amarelo, prata…
Enrique Ruis Martínez, 16 anos, Escola Secundária IES Zurbarán, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 8 – crise de letras; usar só A E O T R S P L M N D C

Programas Rádio Sim - semana 26 Dezembro 2016

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, no programa «Giras e Discos», nos links aqui em baixo.
(Rádio Sim)

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Conta Reconta




Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias
Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:



25 dezembro 2016

Biblos

Quando for grande
quero ser repositor
numa biblioteca infinita,
e assim privado dos outros,

a espiar e a ler,
     
arrumarei livros lidos

esquecidos

e o meu alimento serão
as palavras mais nutritivas
de Eça ou Garrett ou Namora,
Hemingway, Tolstoi ou Sophia,
Borges e o caos (...)
palavras alimentícias, decerto.
Estarei pois sentado num chão de páginas

as pernas cruzadas,
a curiosidade infinita,
como infinita é a biblioteca,
em que, lembrem-se,
sou o repositor,
esquecido pelo bibliotecário.
Jaime A., 52 anos, Lisboa

Mensagem de Boas Festas

Bom Natal, querida Margarida.
Passado à justa medida dos seus sonhos, desejados com muito amor.
Que 2017 seja cintilante e festivo, traga felicidade e alegria e lhe encha de estrelinhas o coração.
Que lhe reserve boas surpresas e seja recheado de saúde, bom humor e muito afecto.
Eu vou preparando a consoada e deitando o olho às ultimas mensagens natalícias.
Mas vou ter que sair: falta um ingrediente e o jantar é dali (daqui) a nada...
(esta foi a mensagem que recebi, assim, com 76 palavrinhas! Acrescentei uma, para completar:)
OBRIGADA!
Teresa Varatojo, 67 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

Princesa

Como te chamas linda? – perguntou a senhora sorrindo.
– Princesa – respondeu envergonhada.
– Princesa?!
– É assim que a minha avó me chama.
– Mas terás outro nome. Como: Maria, Cátia, Sofia...
– Não! Só princesa.
A senhora sentou-se junto a ela e explicou-lhe que ter um nome é dos direitos das crianças. Princesas incluídas!
No caminho para casa pensava no seu novo nome, como era crescida queria escolher!
Porque princesa ou não, se tinha direito a um nome ela queria-o.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Em busca da felicidade

– Eu adoro-te!
– E eu acho que mudar de vida não implica que me deixes!
– É o meu futuro!
– Eu vou para o Exército em busca da minha felicidade.
– E tu vais ter de procurar o meu amor também.
– Sabes que vamos partir em direções opostas?
– Eu assumo isso, e também que o meu caminho não vai estar ligado ao teu…
– Peço-te que não te esqueças de mim…
– Amar-te-ei para sempre, meu amor.
Partiram então em direções opostas.
Paula Barragán, 16 anos, IES Rodríguez Moñino, prof. Catarina Lages
Desafio nº 11 – diálogo com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.

Tempo de Natal

Desde novembro vou aos shoppings, olhar a decoração. Encanto-me com a multidão de itens coloridos, fotografo, posto imagens: árvores, Papai Noel, guirlandas, balões – para uma viagem imaginária? Crianças alegram-se com o passeio nestes locais encantados e cheios de possibilidades. Tão lindo o Natal!
Sucedem-se cantatas falando do Nascimento. Aparece nos cenários um bercinho de madeira, cheio de palha. Personagens vestidas com mantos e roupas antigas e orientais adoram o Bebê. Alguns fazem doações. Tão bom Natal!
Celina Silva Pereira, Brasília, Brasil

Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33

21 dezembro 2016

Elsa e o louro...

Miguel sentia-se prisioneiro da sua nova namorada – beleza e sensibilidade.
Elsa estava a chegar. Trazia uma notícia importante. Por tudo, preparou-lhe o seu melhor repasto: vitela à Lafões.
Não poupava nos condimentos e nos cuidados; azeite e batatas eram selecionados a preceito… e a folha de louro catapultava todos os sabores. Constatou, em desespero, que esse tempero lhe faltava. Desconforto!
Tliiiimmmm-tliiimmmm!
– Obrigada pelo jantar. Sabes que agora, grávida, não posso sequer cheirar a folha de louro!
Fernando Morgado, 61 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

Pobre Rex!

A nossa Tia, uma catástrofe na cozinha, só sabia fazer almôndegas. Por isso havia a possibilidade, quase de 99%, que punha almôndegas na mesa. Um prato que podia fazer de antemão. Foi então que o caso funesto aconteceu. Tio Zé, vindo faminto da pesca, descobriu-as na bancada e roubou duas.
Ao ver que faltavam almôndegas, a tia deixara um grito e sem pensar olhava acusadora para o rafeiro Rex... O tio, sabiamente!, ficou em silêncio.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

António

António, muito galante,
Cortejava uma menina
Sempre terno, elegante,
Mimando-a com estima!

Ela foi correspondendo,
Vendo com ele o luar,
O clima foi aquecendo,
Ele sempre a cortejar!  

Ela ingénua, bem dotada,                        
Com vontade de casar,
Estava tão maravilhada
Que o levou ao altar!

Passaram-se poucos dias,
Choviam raios, trovões,
Desfeitas as fantasias,
Chegavam-lhe palavrões!

Pela noite, amargurada,
Entristecida, sozinha,
Sentia-o de madrugada,
Entrando pela cozinha!

Chorosa, desencantada,
Restava-lhe o divórcio…
O mentor dessa jogada
Agradava-lhe negócio!
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33

O primeiro passo

Clara é cor que meus pensamentos desconhecem. Reina sempre uma escuridão estúpida. Exigida uma decisão, claramente ela aparece. Depois, qualidade (!) dos espertos, acho melhor ponderar. Que estupidez!! O que antes era claro torna-se escuro como a noite. O sim mexe-se dando lugar ao não, este mexe-se e põe em causa minha esperteza.
Mente estúpida! Porquê tanta indecisão?
Na Vida o importante é mexermo-nos. Há que espertar a coragem porque o caminho parecerá sempre escuro no primeiro passo.
Vera Viegas, 33 anos, Penela da Beira

Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras

Ora, fiz de propósito!

Atendi o telefone, vinham jantar.
Fiquei eufórica, fazia tempo que não os via.
– Vou preparar o prato preferido dela!, pensei.
Fui fazer as compras.
O tempo passava, tudo corria bem, até estava com medo,
pois não era costume.
Quase na hora de chegarem, lembrei-me de provar...
– Meu Deus! Que faço agora? Como é que me esqueci de comprar. Pensarei numa desculpa, sou boa nisso.
– Ó mãe, esqueceste-te do sal?
– Não, tu disseste que a Lena era hipertensa.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela
Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…


20 dezembro 2016

Lambe-botas

O amor torna-nos burros, faz-nos dizer sim quando queremos gritar não.
Foi a vontade de lhe agradar que me fez aceitar cozinhar para o seu novo chefe, aquele mega ego que Nazário pretende bajular.
Como posso eu amar um lambe-botas? O ser humano é de facto estranho, porém o universo encarrega-se de corrigir os nossos desvios. Esqueci-me de comprar sal… Aposto que esta será a última vez que cozinho para o babão. Acho que me vou divertir.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Faça aqui o download do livro infantil «O Chapéu-de-chuva às Bolinhas» http://ow.ly/ZtAG0

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

Para lá da crise

Natal 2002. Fica na História com um rótulo: ano de crise. Pelo menos foi o que escrevi na agenda onde listo as prendas. Catorze anos depois, o rótulo mantém-se, com alguns agravos pelo meio e, cada vez mais, menos pessoas na lista das prendas.
Mas, quem quer saber da crise? Num lar onde não há prendas, mas há gargalhadas e rabanadas, alegria, harmonia e aletria, sonhos, ilusões e coscorões, filhós e nós… a crise não ousa entrar!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33

Saudades

Observo o vale mais uma vez.
As nuvens altas anunciam alguma chuva.
Até isso parecia estar contra mim.
Mas decidi ficar a ouvir rádio.
O cantor que tanto gostas cantava.
Imagino que saltas dançando na pista.
Senti-me vazia como se estivesse roída
Não há nada que lave saudades?
Elas permanecem acesas qual vela trémula.
Batendo como latas nas minhas recordações.
Tantas coisas que te queria contar.
Acho que te vou odiar sempre.
Porque já não estás aqui?!
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras