31 dezembro 2016

Feliz 2017

Bom dois mil e dezassete,
Para todos os autores
Das nossas setenta e sete
Sonhadoras, sonhadores!

Que haja inspiração
Para nada nos faltar,
Com Margarida em ação
A querer dificultar!

Que ideias vão surgindo,
Como fios de meadas,
Que se puxam e vão vindo
Com palavras inflamadas!

Que a vida nos permita
Toda esta diversão,
Pois a escrita explicita
A nossa grande paixão!

Por fim, quero agradecer
A boa divulgação,
Gargalhadas e prazer
Que ouvimos em comunhão!

Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

O sofrimento envelhece

Tio Arlindo acordou maldisposto, como de costume. Desta vez, sente-se particularmente sorumbático. Liga a TV, mas ao fim de cinco minutos de balanço do ano, desiste.
― Este mundo vai de mal a pior ― grita, irritado.
Durante horas, fica sentado, calado, de persianas meio corridas.
Alguém toca à porta. A contragosto, levanta-se e vai abrir.
O rosto ilumina-se-lhe: é a vizinha gostosa do 3º D, a convidá-lo para sair.
― Tristezas não pagam dívidas ― suspira. ― E o sofrimento… envelhece!
Carlos Alberto Silva, ​58 anos, Leiria​
Mais textos aqui: http://www.amoranegra.pt/
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

Aprendizado

Fernando foi criado sem as condições necessárias para um bom desenvolvimento intelectual, físico e até espiritual.
Mas em contrapartida, ouvia sempre de sua tia que não se importasse com essa condição, pois o sofrimento enobrece.
 Ele nunca naquilo acreditou, achava que não precisava ser assim. Via os colegas, amigos em diferente situação.
Ele amadureceu. Percebeu-se um grande homem. Viu que muitos amigos não “cresceram”. 
Sabe agora que o sofrimento o fez crescer, mas que o sofrimento ensina...
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

Massa com açúcar

Estava eu a cozer massa
Para um grupo animado,
Tinha o refogado feito,
Não tinha sal refinado!

Sal refinado era açúcar
Só então verifiquei…
Deitei-lhe muita cenoura
E com salsa polvilhei…

Aconteceu em campismo
Onde fiz o cozinhado;
Já me ria do produto,
Mesmo sem ter acabado!

Apresentei o repasto
E a malta só comia…
Como ninguém reparava,
Perguntei a que sabia!

Parece que tem açúcar…
Fizeste bem inovar;
Com churrasco tão picante
A massa veio safar!!... 
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

30 dezembro 2016

EXEMPLOS - desafio nº 114

Emocionalmente pobre
Clara retocou a maquilhagem, o espelho devolveu-lhe a imagem de uma mulher que ela não reconhecia mais.
Treinou o sorriso e voltou para a festa, para junto do marido. Viveu sempre em função dos demais, primeiro os pais, depois os filhos, o marido, que deixara de amar há muito devido às constantes discussões. Mas ficou pelos filhos.
Hoje sentia-se uma mulher vazia, sem nada que acrescentar à vida, pior, sentia-se emocionalmente pobre.
E acreditem, o sofrimento empobrece.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Liana ressuscitou
Liana quase morrera, agora queria viver!
O brilho da novidade confidenciava-lhe oportunidades.
Um momento, um olhar descuidado, algo misterioso acontecera. Os sentimentos, em desvario, tomaram as rédeas.
Oscilava entre a esperança e a condenação. Contraste pouco sadio! Ficou aflita, disseram-lhe que o motivo da sua alegria poderia tornar-se "bode expiatório". Que desolação!
Entontecida, afastou-se!
Sentiu a dor da separação, o desespero do erro, o flagelo dos olhares.  
Refugiou-se no amor aos que mais precisam! O amor enobrece!
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Vivia contando as migalhas que a vida lhe dava. Pobre, mas honrada, procurava transmitir aos filhos os valores em que acreditava. O trabalho levava-lhe a juventude e deixava marcas no corpo, que a custo escondia a verdadeira idade. Esgueirando-se pela porta, o procurador sustinha um largo sorriso. A mensagem foi breve. Oferecia-lhe uma reconfortante quantia pelo gesto do seu filho que devolvera intacta a carteira que encontrara. João entendia agora o significado da frase: A honestidade enobrece.
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Aprendizado
Fernando foi criado sem as condições necessárias para um bom desenvolvimento intelectual, físico e até espiritual.
Mas em contrapartida, ouvia sempre de sua tia que não se importasse com essa condição, pois o sofrimento enobrece.
 Ele nunca naquilo acreditou, achava que não precisava ser assim. Via os colegas, amigos em diferente situação.
Ele amadureceu. Percebeu-se um grande homem. Viu que muitos amigos não “cresceram”. 
Sabe agora que o sofrimento o fez crescer, mas que o sofrimento ensina...
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

O sofrimento envelhece
Tio Arlindo acordou maldisposto, como de costume. Desta vez, sente-se particularmente sorumbático. Liga a TV, mas ao fim de cinco minutos de balanço do ano, desiste.
― Este mundo vai de mal a pior ― grita, irritado.
Durante horas, fica sentado, calado, de persianas meio corridas.
Alguém toca à porta. A contragosto, levanta-se e vai abrir.
O rosto ilumina-se-lhe: é a vizinha gostosa do 3º D, a convidá-lo para sair.
― Tristezas não pagam dívidas ― suspira. ― E o sofrimento… envelhece!
Carlos Alberto Silva, ​58 anos, Leiria​

O sofrimento
É p’ra já, Sr. Diniz. As vinhas estão podadas, Sr. Diniz. Sim, Sr. Diniz.
Enxadas e charruas, mondas e colheitas, chuvas e geadas, de tudo sabia. Sabia também da dor que lhe queimava os ossos ao levantar. E do fôlego lento que o tolhia ao deitar.
E sabiam os filhos da pesada tristeza que lhes levava abraços de pai. E sabia a mulher da falta de corpo que lhe levava o sentir.
Sim, porque o sofrimento embrutece
Fernanda Elisabete Silva Gomes, 60 anos, Vila Franca de Xira

Esmorecida
Encostada à ombreira da porta, olhava o fogo-de-artifício, que assinalava o nascer de um novo ano, e perguntava-se até quando iria sobreviver ao desalento.
O cansaço de lutar por um sonho que não encontrava espaço para se materializar, deixava-a com aquele olhar triste que a acompanhava a cada dia.
Há um ano, ainda saíra para festejar, acreditando que chegara finalmente a hora de ser feliz. Agora, sabia o quanto estava errada. Só, percebia como o sofrimento esmorece.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

As noites demoravam muito para um garoto, mas o meu pai, tributário desde sempre, não podia ignorar um pedido da baronesa. Noites inteiras eu devia, com outros rapazes, ficar em claro, pois o fosso do castelo era povoado por rãs grasnantes e a nobre não conseguiu dormir. Quando quebraram o silêncio, deveríamos bater com um pau na água para que a baronesa não acordasse. Dizem que «o trabalho enobrece o homem.» Estranho! Porque a nobreza nunca trabalhou.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia ― Bélgica

Os seus dias andaram com pressa. As festas chegaram ao fim. A maquilhagem foi retirada.
O novo ano entrou sem mudanças, com a cara carregada de sempre, e ela não o sente como novo. Até porque voltaram os silêncios, alguns carregados de ruídos.
Do fundo das rugas, olhar o hoje magoa-a. No restolho do tempo, o futuro parece fugir-lhe.
Mas uma voz dita-lhe: há que correr atrás. A vida é feita de dias e o sofrimento enfraquece.
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Amarguras
Bem cedo conheceu as amarguras da vida.
Bem cedo lhe incutiam que o sofrimento ensina e enobrece.
Porque é um ditado popular?
Pobrezinha, sem colo, sem mimos de mãe, sim, porque lhe roubaram esse direito.
Cresceu no meio de todo esse sofrimento, de saudades, humilhações,
injustiças, tudo isto entre lágrimas esperançosas, de um amanhã melhor.
Esse amanhã, demorou a chegar, mas, um dia, chegou.
Hoje ela diz com toda a nobreza de alma, sim…
O CRESCIMENTO ENOBRECE.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Adeus desinteligências
Adeus desonra, estrada acidentada, sofrimento.
À Deus toda honra e sabedoria.
Adeus apelos desatendidos, morte.
Adeus provas até o máximo, inimizade.
À Deus todo louvor e refúgio.
Adeus insegurança, medo, ignorância.
Adeus medo das necessidades, cativeiro.
À Deus toda glória e fortaleza.
Adeus agitação, fraqueza.
Adeus empurra - empurra, atribulados.
À Deus de amor, bondade, digno de confiança.
Proponha tornar-se estudante.
Caminhando por veredas direitas.
Estude e aprenda com inteligência.
Crescendo com nobreza, paz.
Alegria, perfeição e esperança.
Renata Diniz, 40 anos e Laura Diniz, 7 anos - Itaúna/Brasil

Ela era uma rapariga com um coração de ouro, como já não se vê muito por aí. Era a pessoa mais conhecida da pequena aldeia em que vivia, mas ela não se importava. Era uma boa menina que só queria viver a vida a fazer o bem. Morava com seus avós numa grande quinta, em que todos os dias se levantava bem cedo para ir preparar o pequeno-almoço para os seus queridos avós. Realmente o amor enobrece.
Beatriz Simão Gago Pacheco, 11 anos, Olhão, prof Cândida Vieira

Mudar de Rumo
“O sofrimento enobrece” ouvia ela, sempre que se queixava da vida rude e difícil que levava.
Ao contrário do ditado, não sentia qualquer nobreza naquela vida sofrida e sentia cada vez menos forças para reverter a situação. Precisava de mudar de rumo, de ares, de conselheiros.
E o pior é que temia arrastar, para aquela tristeza e depressão, os filhos que tanto amava.
Por eles, ergueu-se, ajudou-os a crescer e cresceu também.
Agora diz: O crescimento enobrece.
Palmira Martins, 60 anos, V. N. Gaia

O sofrimento enlouquece
O sofrimento é um mal
Que parece sem razão,
Tira um ser do normal
E faz muita confusão!

Faz parte da natureza
Sermos fracos e sofrer,
Não temos a fortaleza
De termos outro poder!

Minorar o sofrimento,
Ciência e filosofia…
Requer o alheamento
Daquilo que agonia!

Conseguir atenuar
A dor da nossa ferida,
E não desmoralizar,
Pode salvar-nos a vida!

Tal como gelo com vento
Que congela e desfalece, 
A dor e o sofrimento
Esmorece e enlouquece!
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

O Homem põe e Deus dispõe.
Vivemos desde o momento em que somos gerados e paridos.
Crescemos e vamos assumindo uma personalidade influenciada por diversos fatores, biológicos, sociais ou culturais.
Somos um nome atribuído a uma aparência exterior que nos identifica.
Dentro de cada um de nós está a matéria de que somos feitos, a nossa verdadeira essência.
Há o dia em que despertamos, tomando consciência de que não nos conhecemos.
Deus põe e o Homem dispõe!
Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

O Grupo
A reunião semanal cumpria-se com rigor de relojoeiro. O grupo era coeso, empenhado e determinado. Diversos os propósitos ou pontos de reflexão. No sábado aprazado, o mote era " O Sofrimento...empobrece". Humm... O sofrimento pode não enobrecer mas faz crescer.
Como valorar o bem-estar se ele for perene? 
As perguntas sucediam-se.  Finalmente alguém comentou: o sofrimento tem várias categorias, diferentes graus, é um leque de situações. Talvez fazendo racionalmente a sua gestão, o sofrimento faça sofrer menos.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

Passavam poucos dias do Natal, quando apareceu por ali e foi visto a dormir na entrada do prédio. Rapaz de cerca de 30 anos, alto, moreno, educado, de gestos elegantes. Tímido, discreto.
Transportava uma mochila e desenhava num caderno. Nunca pedia nada. 
Ela começou por lhe deixar peças de fruta, iogurte, fatia de bolo. Não falavam.
Trocavam olhares, o dele agradecido, o dela preocupado. Passado algum tempo desapareceu dali. Ela passou a apoiar sem-abrigo.
O voluntariado enobrece.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

Todos os dias eu ia à escola. Pertenço à turma em que a maioria de alunos é obesa. Essa maioria podia comer na mesa TOP 10 (é a mesa onde os populares da escola se sentam). Pensei então que a gordura enobrece. Planeei engordar. O meu pequeno-almoço passou a ser todos os dias hambúrguer. Quinze dias depois, era o mais gordo da turma. Cheguei à escola e fui muito gozado.
Lição: Não devemos seguir os maus exemplos.
Sérgio Quitério, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Uma família estava muito abatida, pois o filho mais velho ia estudar para o estrangeiro. Pedro era o seu nome, tinha tido excelentes notas no final da escola secundária. A sua mãe começou a ficar com muitas saudades mesmo antes da sua partida e perguntou-lhe se já saberia durante quanto tempo iria ficar numa universidade tão longe de casa. Começou a preparar tudo para que não faltasse nada ao seu querido filho e assim, o sofrimento abate.
Diogo Carrada, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

A 12 de dezembro de 1948, em Lisboa, nasceu Marcelo, uma criança curiosa e inteligente que gostava de ler, sonhava em mudar o mundo, queria saber tudo, lia livro após livro, todo o tipo de livros, sonhava e crescia com eles.
Já adulto foi jornalista, professor universitário, defensor da liberdade de expressão, comentador político, insaciável de conhecimento.
Marcelo outrora criança, agora presidente continua a gostar de ler, pois o saber não ocupa lugar e a leitura enobrece...
Lara Polónio Gil, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Era uma vez mulher de 50 anos que todos os dias que havia Black Friday preparava-se para os descontos. Mas por se preparar muito acabava por adormecer e perdê-los. Esta era a única altura do ano que ela apreciava pois ela sofria quando isto acontecia. Por isso este ano umas amigas decidiram mudar a data dos calendários da casa e no dia dos descontos ela não estava demasiado cansada para os descontos, pois assim o sofrimento desapareceu.
Aymane Berqia, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Havia um concurso, que ao calhar o número jackpot se ganhava 30 euros em compras.
Todas as tardes o senhor Josefino ia à mercearia para ver se ganhava o prémio. Tanto que ele escolhia, mas nada lhe calhava.
Um dia um homem disse-lhe que o prémio nunca lhe iria calhar.
Nunca mais ele apareceu.
Um dia voltou, e teve sorte. O senhor Josefino foi ter com o homem e disse-lhe:
“Quem muito escolhe, um dia terá sorte.”
Beatriz Brandão, 6º A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Ela era uma rapariga com um coração de ouro como já não se vê muito por aí. Era a pessoa mais conhecida da pequena aldeia em que vivia, mas ela não se importava. Era uma boa menina que só queria viver a vida a fazer o bem. Morava com seus avós numa grande quinta, em que todos os dias se levantava bem cedo para ir preparar o pequeno-almoço para os seus queridos avós. Realmente o amor enobrece.
Beatriz Pacheco, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

O meu objetivo era ajudar pessoas e decidi ser enfermeira. Quando acabei o curso não estava satisfeita e quis ir mais além, apesar dos meus colegas me dizerem que já ajudava muitas pessoas. Mas mesmo assim fui tirar medicina para poder ajudar ainda mais pessoas. Ao longo do curso pensei nas várias disciplinas que tive desde cirurgia, psicologia, pediatria… fui para cirurgia que sempre foi o meu grande objetivo – salvar pessoas, como se diz o crescimento enobrece.
Marta Calé, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Conversa animada
Encontrei-a na minha rua, era velhinha e enrugada. Contou-me sua história. Os filhos tinham-se mudado para longe depois de tê-los criado sozinha. Nunca recebia visitas, costumava trabalhar em obras sociais, mas sentia muito a saudade da família. Nem os netos podia ver.
Depois de uns dez minutos de conversa animada e triste e de conhecer toda a desdita daquela vida, animei-me a perguntar-lhe a idade. Tinha sessenta e cinco. Um ano menos que eu. O sofrimento envelhece.
Celina Silva Pereira, 66 anos, Brasília, Brasil

Era uma linha ondulada, de menos infinito até mais infinito. Depois, começaram as restrições. Passou a reta. Continuava a viajar entre infinitos, mas o percurso ficou empobrecido.
As restrições continuaram… De reta, passou a semi-reta. Só podia viajar num sentido. Mais pobre a viagem, ainda dava para espairecer.
No entanto, a sua vida iria mudar de novo.
Passou a segmento. Anda geralmente de mãos dadas com outros, criando triângulos, quadriláteros, polígonos… A liberdade, foi-se…
O constrangimento empobrece…
Regina Gouveia, 71 anos, Porto

Alegria dos puros
Joana, absorta nos pensamentos, relembrava as conversas:
― Toma, é para ti! ― disse Marinho com o coração. Era uma pequena flor brilhante, um pequeno sol que lhe aqueceu o coração.
Joana, num deserto de afetos, ficava embevecida com aqueles gestos. Vinham dos mais puros, sem pecado, sem julgamentos. Eram mimos memoráveis!
Em cada passo, em cada gesto, em cada atentado à sua dignidade, aquelas dádivas nutriam-lhe a alma.
Joana era amada e correspondia com alegria ― o amor enobrece!
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Jesualdo era servente da construção civil. Como era o funcionário menos experiente, era escravizado pelos colegas, ostracizado pelo chefe, trabalhando exposto a condições climatéricas adversas.
Ele era psicólogo, mas nunca encontrara trabalho correspondente às habilitações e tinha que custear despesas pessoais. Assim, mesmo odiando aquele emprego, não tinha alternativa!
Mas, um dia, decidiu comprar um bilhete de lotaria e a sorte sorriu-lhe, ganhando o primeiro prémio.
Nunca mais iria trabalhar, viveria de férias eternamente!
O sofrimento enriquece.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Naquele mar de gente, apenas duas pessoas conversavam. Todos os outros olhavam para os telemóveis. Inevitavelmente, os dotes do Chico foram despertados.
Havia tanta proximidade! O tema parecia sugá-los! Algo invisível os unia fortemente. Ao Chico, nada escapava. A observação ― adicionada aos estudos ― deu-lhe a resposta. Descobriu a razão de tanto enleio. A chama laranja, incandescente, era inconfundível. Aquelas almas eram gémeas, não tinha dúvidas! Havia um rio de fogo ligando aqueles dois seres.
O oculto enobrece!
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa

O garoto pensava que crescer dizia respeito aos traços físicos. Certa manhã de outubro lembrou-se de subir a uma árvore, julgando crescer mais um pouco. A árvore escorregadia quis dar-lhe uma lição. Pobre coitado, na cama do hospital lamentava-se «Brincar é proibido!».
Sem esperar…uma figura enigmática…não era médico nem enfermeiro ou auxiliar, um palhaço!?
Entre sinceras brincadeiras e conselhos de mister, o garoto fez-se aprendiz da vida. Colocou este letreiro na árvore: «O crescimento enobrece»
Andrea Ramos, 41 anos, Torres Vedras

Desafio nº 114

Há um dizer popular que muito me irrita:
O SOFRIMENTO ENOBRECE

Ora, se lhe déssemos um jeitinho e criássemos um outro, mudando só uma das palavras?
Podia ser:
O sofrimento empobrece
O crescimento enobrece
Ou outros de que se lembrem.

Essa frase que escolherem, será o remate da vossa história em 77 palavras!

Eu escolho aquela segunda:
Lutava com todos para ir à escola, indiferente aos avisos, que não se matasse a estudar, nunca chegaria a lado nenhum, mas ninguém parecia demovê-lo, nem a namoradinha, que não aguentava os livros e as equações, nem o professor de fama medonha por chumbar alunos, passando à primeira tentativa, deixando o professor com tal subida de tensão que muitos fizeram a cadeira com o substituto, pois, na sua mente, a lei era crescer, pois o crescimento enobrece.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular
EXEMPLOS

28 dezembro 2016

Quatro letras

Não sei como irei descrever o Natal em apenas setenta e sete palavras. É algo tão mágico, tão poderoso, tão puro, impossível de descrever. Tenho pena de quem não sente o Natal. De quem não consegue ver o seu brilho intenso, de quem não consegue sentir o seu aroma especial. Como é possível que uma só palavra consiga transmitir mil sentimentos de uma só vez? Parece o amor que, com apenas quatro letras, consegue transformar qualquer coração.
Carolina Constância, 23 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores

Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano

27 dezembro 2016

Cuidado com as zombarias

Zé era desembaraçada, mas ao Azevedo isso pouco importava! De voz sempre alta, zombava agora das azevias que a mulher fazia. Vazio de culpa, nem uma vez a deixava em paz! Zombava dela todo o dia, tão alto que toda a vizinhança ouvia. 
Até que um dia deixou de ser capaz.
Cansada da zombaria, Zé fez as malas enquanto a vizinhança dormia. Não olhou para trás. O Azevedo chora agora pelas azevias que deixou levar enquanto dormia.
Anabela Risso, 24 anos, Évora

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Boas festas em 77 palavras, para mim!

Bom Natal, querida Amiga!
Passado à justa medida dos seus sonhos, desejados com muito amor.
Que 2017 seja cintilante e festivo, traga felicidade e alegria e lhe encha de estrelinhas o coração.
Que lhe reserve boas surpresas e seja recheado de saúde, bom humor e muito afecto.
Eu cá vou preparando a consoada e deitando o olho às ultimas mensagens natalícias.
Mas vou ter de sair: falta um ingrediente e o jantar é dali (daqui) a nada...
Teresa Varatojo, 67 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…

77x77 - Luís Leal

Mona Lisa
A rececionista:
– D. Mona Lisa Cruz!?
Pinta-se o quadro africano, dirigindo-se ao gabinete do fundo onde a espera um ecógrafo.
Estranheza tem-se à indiferença da composição dum retrato. Este é real, casualmente belo no quotidiano cinzento da minha semana. Longe das filas intermináveis do Louvre, Mona Lisa estava ali, de mão dada com o marido atencioso aos cuidados médicos da sua obra-prima.
Sentado, não contemplo um Da Vinci, admiro o nome a não desfigurar o ser humano.

26 dezembro 2016

Programa Rádio Miúdos 142 – 26 Dezembro 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos 
Para ouvir, abram o link da rádio, carreguem em «Desafios» e procurem o vosso dia!


Adoro os carros desde sempre. Penso neles a todo o momento. Andam depressa sem parar. Penso nas estrelas, nas tardes... adoro os carros. Se não tens carros, não és nada, nem pessoa. Trata-os com amor, não os trates mal. Adoro os carros. Sempre penso neles. Compra três, sete... Adoro os carros desde sempre. Sempre penso neles a todo o momento. Os carros são peças? Não, não são. Podem ser uma casa andante, com cor: preto, amarelo, prata…
Enrique Ruis Martínez, 16 anos, Escola Secundária IES Zurbarán, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 8 – crise de letras; usar só A E O T R S P L M N D C

Programas Rádio Sim - semana 26 Dezembro 2016

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, no programa «Giras e Discos», nos links aqui em baixo.
(Rádio Sim)

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Conta Reconta




Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias
Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:



25 dezembro 2016

Biblos

Quando for grande
quero ser repositor
numa biblioteca infinita,
e assim privado dos outros,

a espiar e a ler,
     
arrumarei livros lidos

esquecidos

e o meu alimento serão
as palavras mais nutritivas
de Eça ou Garrett ou Namora,
Hemingway, Tolstoi ou Sophia,
Borges e o caos (...)
palavras alimentícias, decerto.
Estarei pois sentado num chão de páginas

as pernas cruzadas,
a curiosidade infinita,
como infinita é a biblioteca,
em que, lembrem-se,
sou o repositor,
esquecido pelo bibliotecário.
Jaime A., 52 anos, Lisboa