30 junho 2016

Um amor diferente

Era uma vez uma cadela que vagueava pela rua e ouviu um choro vindo de uma caixa abandonada numa ruela. Aproximou-se devagar e abriu-a com cuidado. Era um bebé. A cadela, com pena da criança, decidiu levá-la para casa da sua dona. Assim que viu a caixa começou a discutir mas quando viu o bebé decidiu cuidar dele. A cadela ajudou a cuidar da criança que ia crescendo, feliz, e nunca descobriu qual a sua verdadeira identidade.

Laura Pozas e Miriam Acosta, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Enfim, o silêncio

Hora de reformas na casa. 
Paredes quebradas, fiação, encanamentos.
 Para a etapa final, contratado pintor que do alto da escada, a cada pincelada, cantava desafinado, dançando no ritmo.
Dava vontade de vê-lo longe, pois até da esquina se podiam ouvir seus guinchos.
Todo empolgado cantava.  Fazia grande sujeira.
De repente, no alto da escada trancou sua roupa num gancho.
Lá de cima caiu, ficou desmaiado.
Pior: a casa com pintura pela metade!
Mas o silêncio fez bem!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Desafio nº 108 - 6 palavras que originam outras 6

Ponto de Partida?

Apetece-me suspender as gotículas de suor, não deixar o meu corpo amolecer e embrutecer.
Partir…
Esta fúria impotente, dúvidas, receios gratuitos não são desconhecidos para mim.
Os momentos depressivos são uma amarga verdade…
Quero silêncio, compensar o esforço do trabalho, equacionar a fuga para a frente.
Introduzir algumas roupas numa mala, seguir na carruagem da vida.
Farta de somar e subtrair…
Os meus pensamentos sangram numa espiral irritada, segue-se o apocalipse.
Ponto de Fuga?
Ponto de Partida?
Cristina Lameiras, 51 anos, Casal Cambra

Desafio RS nº 38 – a matemática dos dias

Recordar

CANTOR – MÚSICA
ENTORNOU – BEBEU
PINTOR – PINCEL
CONTENTOR – PESO
PERENTÓRIO – EXIGENTE
ENTORPECIDO – GASTO

EXIGENTE consigo próprio,
várias vezes pegou no PINCEL,
mas acabava sempre por reprovar 
os rabiscos que ia fazendo.
Ela sempre dizia:
– Está lindo amor, eu gosto.
Todas as tardes, sentado no jardim,
BEBE o seu drink, ao som 
da suave MÚSICA da Rádio Sim.
Carrega sobre si o PESO da idade,
e a memória, já um pouco GASTA,
foi esquecendo como, em tempos,
era um grande artista.
Mas algo recordava,
quando um sorriso
lhe iluminava o rosto.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Desafio nº 108 - 6 palavras que originam outras 6

Gosto de cantar

cantor - pai
pintor - avô
detentor - pai
redentor - Jesus
inventor - Deus
extintor - Mestre

Sou cantora amadora, herdei do meu pai o dom de cantarolar. 
Foi quase um profissional – cantou na Rádio Nacional extinta e ultrapassada em áureo século. 
Foi também pintor junto a meu avô paterno, detentor de paz e alegria interiores. 
Meu Redentor me faz cantar, hoje em dia, com garra, distribuindo seus louvores aos que me cercam. 
Ele é Inventor da minha felicidade mesmo sem motivos aparentes. 
É também o Extintor da tristeza acumulada... 
Louvado seja meu Deus!
Rosélia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Desafio nº 108 - 6 palavras que originam outras 6

O melhor dia da minha vida

Eu vivia numa pequena aldeia com a minha mãe. Não éramos ricas nem pobres. Um dia, disse-me que se ia casar e fiquei muito contente. Ele vivia numa casa muito bonita, no campo, e fomos viver com ele. Ofereceu-me um medalhão dourado que prometi nunca tirar. Uma manhã, saí para passear e encontrei um coelho ferido que levei para casa. Enquanto cuidava dele, começou a falar e desde esse dia descobri que consigo falar com os animais.

Beatriz Campos e Lucía Mateos Jiménez, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Enfim, o silêncio

Hora de reformas na casa. 
Paredes quebradas, fiação, encanamentos.
 Para a etapa final, contratado pintor que do alto da escada, a cada pincelada, cantava desafinado, dançando no ritmo.
Dava vontade de vê-lo longe, pois até da esquina se podiam ouvir seus guinchos.
Todo empolgado cantava.  Fazia grande sujeira.
De repente, no alto da escada trancou sua roupa num gancho.
Lá de cima caiu, ficou desmaiado.
Pior: a casa com pintura pela metade!
Mas o silêncio fez bem!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Desafio nº 108 - 6 palavras que originam outras 6

Programa Rádio Sim 787 – 30 Junho 2016

o programa em podcast na Rádio Sim

Mania das limpezas
Sentada no cadeirão, a idosa ditava:
– Detergente para vidros, desengordurante, cera, óleo de cedro, rolos de papel, panos de pó, lixívia (dois garrafões), escovas, balde, esfregona.
– Ó mãe, para que precisa disso tudo? Não percebeu que, aqui no lar, outros tratam disso?
– Achas que estou maluca, é?!! Não é para mim!!! Não me disseste que ia passar a Páscoa a tua casa? Então trata de fazer essa faxina. Já não há mulheres como as do meu tempo!
Palmira Martins, 60 anos, V. N. Gaia
Desafio Escritiva nº 7 – as listas

Steysy

Era uma vez uma menina muito simpática chamada Steisy que era órfã. Ela era muito bonita e estava triste desde que tinha perdido os seus pais. Ela morava no bairro “Las estrellas”. Um dia, queria sair dali e descobrir o mundo mas ela sabia que só poderia conhecer alguns lugares, todo o mundo era impossível. Enquanto passeava pelo campo, encontrou uma menina que andava por ali perdida. As duas tornaram-se grandes amigas e viveram juntas para sempre.

Alejandra, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Desmancha essa cara!

Porquê a cara de espanto? A minha revolta é a resposta ao teu caráter frio e indiferente! As tuas atitudes são uma repetição constante, transformando-te num ser previsível! Deveria diminuir a minha revolta e a minha ânsia mas ainda as atiça, pois sei o que vais fazer ainda antes de o teres feito e a minha irritação inicia um crescendo ainda antes de agires. Por isso, desmancha essa cara de espanto. Só assim será uma convivência aceitável.
Fátima Fradique, 42 anos, Fundão

Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição

Sem balões

A sardinha respinga no pão. Cheira a manjerico e a sovaco. A culpa é do bailarico que quer disputar as marchas taco a taco. E lá vai ele, todo engalanado. O palco improvisado recebe os instrumentistas. O vocalista, nem por isso, que é homem pequenino e desvaira pelas pistas. Aproxima-se da fogueira e, ai que calor, só que não é das chamas, é da bebedeira, que tamanho ardor! Oh, meu Santo Antoninho, hoje não se sopram balões!
Vanda Gomes, 44 anos, Lisboa  
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

Velhos tempos!

Na minha aldeia, festejavam-se os santos populares com entusiasmo, marchas e bailaricos
Enfeitavam-se mastros com flores e balões.
Espalhava-se pelo chão rosmaninho. Faziam-se fogueiras que saltávamos com uma alcachofra na mão formulando um desejo dirigido a santo António.
Ao sabor das sardinhas assadas, os mais audazes, ofereciam às raparigas o majerico com uma quadra romântica.   
A alcachofra deitava-se à rua para ver quem de manhã a apanhava.
A minha, era a vizinha velhota quando varria a rua!...
Rosélia Palminha, 68 anos, Pinhal Novo
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

Decide-te!

chuva não parava e o vento soprava! Estávamos na rua, eu vestida de azul e ele de vermelho. O amor acontecia e nem o frio o arrefecia. Olhávamo-nos insistentemente, esperando o autocarro. Lá longe, aproximava-se e ele nada dizia. Ouvia-se a travagem e sentia que nunca mais o veria. Decide-te. Decide-te!, pensava eu, enquanto a temperatura do meu corpo catapultava. Estava ansiosa. Muito ansiosa. Vi-o aproximar-se e subir o degrau. Sentou-se ao meu lado. Meteu conversa.
Fátima Fradique, 42 anos, Fundão

Desafio Escritiva nº 3 – texto com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua

Desafio nº 108

Ah, este vai dar trabalho... Preparados?
Precisava que encontrassem 6 palavras que tivessem, nalguma parte, este bocadinho NTOR.

Todos encontraram as suas palavras - as do exemplo é só para dar uma ideia...

Depois façam corresponder (para cada uma dessas) uma nova palavra  aquela que associamos mais depressa à primeira. O texto será feito a partir dessas novas 6 (esquecendo as originais J).

Enviem a lista com as primeiras que arranjaram e as outras novas, para vermos como foi o percurso...

Deixo aqui o meu caminho:
Cantoria – gritaria
Entornar – nódoa
Contornar – mentir
Inventor – imaginar
Redentor – perdão
Mentor – mestre

Não era preciso começares nessa gritaria, afinal, é só uma nódoa. Nem imaginas as vezes que isto me acontece. Não te vou mentir, eu de mestre de dona de casa tenho muito pouco. Já a tua reacção é um exagero parvo, estás quase histérico! Será que nunca te aconteceu nada assim? Bem sei que era a tua camisola nova. Sim, era a preferida, mas paciência. Não vês que essa nodoazita de cereja até lhe dá graça… Perdoas-me?
Margarida Fonseca Santos, 55 anos, Lisboa
Desafio nº 108 - 6 palavras que originam outras 6

29 junho 2016

Salva por um cão

Numa aldeia estremenha, vivia uma mulher sozinha que não tinha nem pais nem filhos. Um dia, enquanto caminhava pela margem do rio, tropeçou. Por sorte, um cão passeava por ali e viu-a. Começou a ladrar e como ninguém mais a conseguia ver, saltou para a água e salvou-a. Quando as vizinhas se deram conta, acompanharam-na a casa e deram-lhe de comer. O cão passou a ser a sua companhia e protetor para o resto da sua vida.

Carmen Rodríguez e María Núñez, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Programa Rádio Sim 786 – 29 Junho 2016


o programa em podcast na Rádio Sim

O Amolador
O que fizera da sua vida?  De que tecido poroso eram urdidas as suas horas?
Agarrado a uma caranguejola, gastava os dias a pedalar, amolando facas, cutelos, tesouras e afins.
Desiludido e angustiado, chegou o dia em que decidiu cortar baraços, romper as teias das conveniências, voar mais alto...
Desandou. Foi parar a outras terras.   Mas... de novo, o mister falou mais alto: 
de amolador de facas passou a afinador de máquinas.
Afinal, sempre era outra coisa...
Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa
Desafio nº 105 – frase de Einstein

Um amor imprevisto

Era uma vez um urso que vivia num bosque encantado mas não tinha amigos. Um dia, uma menina que passeava pelo bosque encontrou-se com ele. Ela estava muito assustada. AO urso começou a falar com ela e tornaram-se muito amigos. Uma noite, a menina chateou-se com os pais e fugiu de casa. Foi ter com o urso à floresta mas não o encontrou. De manhã, o urso transformou-se numa pessoa e a menina quando o viu apaixonou-se.

Lucía Salazar Magadán e Montaña Barroso Molano, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Programa Rádio Miúdos 69 – 24 Junho 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!
É a rádio mais fantástica que há!
OUVIR

De dia viam-se muito pouco, mas de noite encontravam-se.
Assim acontecia frequentemente.
A coruja pigmeu encontrava muitas vezes a coruja duende.
Um dia de manhã cedo, a coruja duende só queria conversar, mas a pigmeu estava tão cansada (tinha passado a noite a caçar) que a mandou calar.
Ficou zangada, mas a coruja pigmeu não lhe ligou e foi para a sua toca.
A coruja duende resignou-se e foi embora para casa.
Que mal humoradas!
Quem diria! 
Matilde Tavares, 5ºD, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 6 – Início e fim: De dia viam-se muito pouco …….. Quem diria!

28 junho 2016

O alienígena esfomeado

A muitos anos luz, um alienígena grávido passeava pela nave espacial, quando de repente, teve um desejo. Lembrou-se que na terra comiam uma iguaria castanha chamada chocolate e quis prová-la.
Quando chegou, um homem assustado, levou-o até onde podia consegui-lo mas avisou-o que se começasse a comer não conseguiria parar. O alienígena esfomeado ignorou a advertência e provou a delícia que nunca conseguiu saciar-lhe a fome. Foi por isso que a barriga dele nunca parou de crescer.

Omar Rino e Virgínia Caballero, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

A história da televisão

Esta é a história da televisão. Antes, eram tão grandes que estavam cheias de personagens. Um dia, de tão cheias que estavam partiram-se e as personagens fugiram para as histórias de 77 palavras. É por este motivo que as televisões são cada vez mais planas e que há cada vez mais histórias com 77 palavras.
Foi também assim que nasceram os contos. As personagens contagiaram a imaginação das pessoas e começaram a fazer parte das histórias imaginárias.

Maria Mateo Navarro, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Programa Rádio Sim 785 – 28 Junho 2016

o programa em podcast na Rádio Sim

Linhas cruzadas
Pelas seis e meia da manhã, silvava o comboio ao entrar na estação. Passageiros habituais, tanto os que vinham, como os que entravam.
Os lugares pareciam reservados e assim se fizeram amizades. Bem, no meu caso foi algo mais.
Nessas viagens diárias a caminho do emprego conheci o meu marido.
Passamos a ver nos carris as linhas paralelas que transformaram nossos destinos.
Hoje agradecemos na cumplicidade do nosso olhar e no silêncio da ternura que nos une.   
Rosélia Palminha, 68 anos, Pinhal Novo
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

O koala ladrão

Era uma vez um koala ladrão. No seu zoo, era um malvado. Enquanto as pessoas passavam pela sua jaula, aproveitava para roubar carteiras. Não era pelo dinheiro, mas sim para se rir das fotografias que encontrava no bilhete de identidade. Um dia, um roubo correu mal e o dono da carteira começou a discutir com ele. Isto tornou-o famoso pois antes, ninguém se tinha apercebido. Pediu desculpa, com medo das represálias, e acabou por morrer de enfarte.

Pablo e Hugo, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

27 junho 2016

Um gatinho curioso

Era uma vez um gatinho curioso que estava a olhar pela janela e viu um avião feito de papel. O gato debruçou-se sobre a varanda e caiu na rua. O gato Tomé começou a perseguir um avião e encontrou uma linda gatinha. O Tomé e a Ivana apaixonaram-se, foram viver para o campo e tiveram muitos gatinhos.
Passaram os anos e a gatinha Ivana ficou doente, acabando por morrer, levan o gato Tomé a morrer de amor.
Jorge Tortonda Martínez e Álvaro Ayllón Gutiérrez, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Ovaloide e Ediólavo

Esta é a história dos animais que viviam no bosque Ovaloide. Todos os anos nasciam dez animais de diferentes espécies com a personalidade alterada. Aos cinco anos, deviam todos ir à cascata de Ediólavo a 15 de maio para submergir os animais “malvados” e assim cada um podia recuperar a sua personalidade. Se um animal se mexesse, o outro ficava com a sua má personalidade. Estes animais estavam destinados ao fracasso até recuperarem a sua personalidade original.

Diana Hernández e Laura Jorge, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Karma num bolo de Páscoa

Era uma vez, um coelho que vivia num bolo de Páscoa com uma raposa malvada que gostava de comer coelhos. Um dia, a raposa escondeu os ovos de Páscoa para poder apanhá-lo. O coelho procurou-os e quando os encontrou, a raposa atacou-o mas ele conseguiu escapar dizendo: se fazes coisas más o Karma devolver-tas-á. E assim foi, um dia, uma criança comeu o pedaço de bolo onde se encontrava a raposa. O coelho viveu feliz para sempre.

Marta Sánchez Martín, Irene Gómez Cirera e Hugo Galeano, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

Programa Rádio Sim 784 – 27 Junho 2016


o programa em podcast na Rádio Sim

Inveja desnecessária 
– Que inveja tenho de ti. Sempre tão elegante! E eu anafadinha. Qual a tua receita de emagrecimento? – dizia uma melga para a colega, que andava escanzelada.
– Inveja? Se fosse a ti não tinha. Mas queres mesmo emagrecer seguindo a minha receita?
– Claro, estás mesmo magra. Quem me dera estar como tu.
– Como pouco a cada refeição, com intervalos de três horas. Opto por alimentos saudáveis, frutas, legumes; massa, arroz, batata em quantidades moderadas. Ah!, e muitas caminhadas.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio nº 24duas melgas à conversa, uma gorda e outra escanzelada

O Galo Galileo

Todos os dias, numa casa de campo, o Galo Galileo cantava quase todas as noites. Ele tinha muita vergonha que as pessoas gozassem com ele e por isso nunca ninguém tinha ouvido a sua voz.
Um dia, a sua melhor amiga, a minhoca Joana, ouviu-o e apresentou-o no melhor show de televisão e conseguiu torná-lo num cantor famoso. Desde esse dia, todos ficaram a conhecer a sua linda voz e Galileo passou a ser uma vedeta internacional.

Ana Deira, Elis Queiroz e Rodrigo Barriga, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres 

Estarei a sonhar?

Vou à festa sexta feira 
contigo de braço dado
quando saltar a FOGUEIRA
​quero sentir-te a meu lado.

Ofereço-te um MANJERICO
com um coração espetado 
pr'a depois do BAILARICO
tu ficares apaixonado...

Numa MARCHA colorida
Com BALÕES a enfeitar
sei que vou ser oferecida
mas resolvi arriscar…

Quero contigo casar,
ser a noiva mais amada
Santo António a apadrinhar
esta boda abençoada

Água pé e SARDINHADA
nada poderá faltar,
amanhã estarei casada,
ou estarei eu a sonhar???
Isabel Lopo, 70 anos, Lisboa
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

Boneca de Porcelana

Debaixo dum sol resplandecente, Soraia sentiu um arrepio.
Parecia uma boneca de porcelana desprevenida no meio da multidão.
O seu peculiar retrato enfeitava paragens de autocarro.
Tinha uma personalidade particular, excessiva por vezes, simplória, inconfundível na sua tagarelice.
Paralisada pelo medo obscuro, proclamava com imprudência e ressentimentos que o seu portfólio era do melhor.
Parecia uma ovelha tresmalhada, irrequieta com o seu triunfo, desencantada com a realidade da vida.
Onde entrava, magnetizava o ambiente, ficando todos em silêncio.
Cristina Lameiras, 51 anos, Casal Cambra   

Desafio nº 107 - 10 palavras com PLR

Em casa é que não fico

É noite de Santo António,
De arcos e de balões
De sardinha cor de prata
Das marchas e dos foliões

Na noite de Santo António,
Meninas vamos marchar
Leva o manjerico na mão
Para um noivo encontrar

No S. João há cascatas
Alho porro, manjerico
Saltas as fogueiras na Lapa
Nas Fontainhas bailarico

O S. Pedro é na Afurada
Com fogo a cair para o rio
Vou comprar um manjerico
Pois em casa é que não fico.
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

A Festa da Alegria

À tradição o que é da tradição. Junho em Portugal é o mês da cor, da festa, do alarido popular. A sardinha, saborosa, entra no bailarico, amesendando-se sem pedir licença.
Nos bairros, onde as gentes mais se conhecem e tanto se estimam, o ambiente refulge em redor da fogueira.  Ruas e ruelas ostentam caprichosas, balões dependurados de cercaduras de papelinhos de seda.
E ao afã dos ensaios das marchas, apega-se o penetrante odor do
manjerico.
Que Festas!!!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

E o sabor?

Amanhecia! Céu cinzento. Pingolava. Trabalhar? Pouco apetecível. Mas um dia cinzento não servia como justificação. Saí de casa e abri o guarda-chuva para chegar ao carro. Pequenas gotas de chuva caíam, contornavam a copa redonda, caindo paralelamente à vareta. Já dentro do carro, mãos no volante, senti uma mecha de cabelo soltar uma gota que se alojou no centro da testa, escorrendo lentamente até entre os olhos, acelerando vertiginosamente nariz abaixo, espalhando-se entre os lábios. Sem sabor!
Fátima Fradique, 42 anos, Fundão

Desafio nº 91 – cena metafórica de gota de chuva que acaba numa poça

26 junho 2016

Pacholo, o peixe astronauta

Era uma vez um peixe-dourado cujo sonho era ser um astronauta mas os seus sonhos estavam no interior de um aquário. O peixe chamava-se Pacholo e a dona sabia dos seus sonhos por isso inscreveu-o numa turma de astronautas. Era o melhor da turma mas como era um peixe, não podia tornar o seu sonho reias para o céu alidade. Desde aquele dia, olha todos os pensando que um dia estará ao alcance das suas barbatanas.

David Valdivia Tejeda, Marta Meneses Isidro e Sofia Alcón Morcilla, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

O menino e a Amanita

Era uma vez uns meninos que estavam à procura de cogumelos. Encontraram muitos, de diferentes variedades. Um deles tropeçou num Amanita. Este era muito tóxico mas sem querer, tocou no cogumelo venenoso que começou a crescer sem parar e atrás deste apareceu um reino encantado. Começaram a fugir mas depois, aperceberam-se que era dos cogumelos mais importantes do Mundo. Regressaram ao lugar e olharam para aquelas maravilhas. Ficaram muito ricos e comeram muitos cogumelos de espécies diferentes.

Carla Sánchez, Rodrigo Reynolds e Alfonso Pacheco, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

As Damas Bananas

Era uma vez umas Damas Bananas, muito elegantes, que gostavam de jogar futebol. Eram rosas e brilhavam no escuro. Em contrapartida, o senhor Banana gostava de dançar na discoteca canções de My Little Poney e por isso todos se riam dele.
Um dia, o senhor Banana, farto daquela vida infernal decidiu fugir do mundo das bananas e foi para o mundo real. Ali, foi apanhado pelos homens dos trópicos que fizeram arroz à cubana com ele.

Agustín e Carlos Olivera, IES Profesor Hernández Pacheco, Cáceres

25 junho 2016

Nem o S. António lhe valeu

Tudo começou com o manjerico e o balão: um murcho, o outro vítima de atropelamento! Mas disfarcei a irritação e seguimos as marchas até ao bailarico. Percorrendo Alfama – aos encontrões! – não precisámos do destino para encontrar uma fogueira. De mãos dadas afoitámo-nos para a saltar. O homem era chumbo: nem saltou nem me deixou saltar. Chamusquei a saia nova! A fúria dominou-me; a sardinha, moída, condenou-o: arremessei-lhe o manjerico e dancei com o garanhão lá do bairro.
Maria José Castro, 56 anos, Azeitão
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

Ir às boxes

– Vou às boxes.
– Vais onde?
– Às boxes!
– Olha, agora deu-te para a fórmula 1?
– Antes fosse... Ando aqui a conduzir um Fiat 600 ao pára e arranca... Mas isto há-de acabar: daqui a nada vou à recauchutagem e vou sair de lá com um motor de Volvo!
A vizinha acenou com a cabeça e sorriu-me com ar desorientado. Mal ela sabia que a minha mãe estava a falar do coração dela e da operação que aí vinha...
Paula Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca (falando da mãe)

Chuva e mais chuva

Raio da chuva! Não acaba! Quantos milímetros hoje?
Multiplicam-se as pirâmides de folhas secas arrumadas à minha porta: arrastadas pela chuva, calculo!
A rua, em plano inclinado, virou trapézio de circo: pisa-se 1 segmento escorregadio e, numa fração de segundo, perde-se o equilíbrio.
Existe a probabilidade de 1 raio de sol intersetar uma nuvem, mas o intervalo de tempo de duração do fenómeno tem limites curtos.
Voltamos ao ponto zero: reduzidos a ver o mundo a sombreado.
Maria José Castro, 56 anos, Azeitão

Desafio RS nº 38 – a matemática dos dias

Regresso à verdade

Aquela vida agitada estava a transformá-la num monstro de risos falsos, abraços artificiais e elogios forçados. Tinha de regressar ao mundo da verdade. A 23 de Junho chega à aldeia. No céu, balões coloridos e, no ar, o perfume a manjerico e a sardinha assada. Após as marchas, a fogueira iluminava os rostos rosados do bailarico.
Estava ali tudo que precisava: a alegria dos risos sinceros, o calor dos abraços verdadeiros e a força dos elogios autênticos.
Margarida Leite, 47 anos, Cucujães
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas

Bia!

Bia linda! Minha filha! Anda! Despacha-te! Desperta! Levanta-te! Vê pela janela! Mar, mar, mar… e nada mais… verde e cinza transparente. A brisa na pele. Vai iniciar-se a fantasia de nadar na praia, sentir a areia amarela incandescente e viajar, viajar sem fim. Traz apenas a mala e nela a saia e a sandália. A gata mia de ânsia. Traz a trela para a manter. Será a estrela mais brilhante a indicar a realidade das vivências realizadas. 
Fátima Fradique, 41 anos, Fundão

Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

Desencantos numéricos

Somam-se dias passados e subtraem-se aqueles que nos aproximam do fim desta reta, intersetada por círculos, intervalos e resultados – certos e errados –, a que chamamos vida.
Elevamos ao cubo os problemas, reduzimos as alegrias até se tornarem negativas.
Equacionamos o futuro: encontramos tantas incógnitas que não há fórmula resolvente aplicável a esta expressão tão complexa.
Não reduzimos ao mínimo os múltiplos, comuns, desencantos que se atravessam nesta linha irregular da existência.
A felicidade não tende para infinito.
Maria José Castro, 56 anos, Azeitão
Desafio RS nº 38 – a matemática dos dias

O manto negro

O manto negro da noite tinha caído mas a lua ainda estava alta. Os ramos estavam quietos e as folhas finas balançavam serenas. Ela continuava à espera. Os olhos, como rubis bem polidos, observavam a pequena extensão que carecia de árvores. Mexiam as pernas pontapeando suavemente a rocha que lhe servia de assento. Esperava, mas ninguém aparecia. Ela voltava, uma vez e outra. Sentou-se no mesmo lugar e esperou. Um dia ouviu um ruído estranho, seria ele?

Noa, M. C., IESO “Los Barruecos”, Malpartida de Cáceres