30 novembro 2015

Programa Rádio Sim 650 – 30 Novembro 2015

o programa em podcast nRádio Sim

História simples
O velho Albatroz costumava passear no jardim do Teatro. Dava milho à passarada. Vivia feliz.
Mas, subitamente, D.ª Maria das Dores atroviscou-lhe a vida. Passou a ter dores atrozes nos quatro cantos das pernas. Foi-se acadeirando, entristecendo, atrofiando…  
Sentia-se atropelado a toda a hora.
E o jardim, sem ele, já não era o mesmo.
Um dia, foi operado.
Tudo mudou!... foram-se os atropelos das dores.
Voltou ao jardim. Voltou à vida.
Voltou o Sol à sua alma!

Domingos Correia, 57 anos, Amarante
Desafio nº 99 – 8 a 10 palavras com ATRO


29 novembro 2015

O furo

Agora sim! Um furo, quem no seu perfeito juízo atira uma maçaneta p´ra estrada?
Nunca tinha mudado um pneu, ali estava um grande problema! O marido bem a massacrava para aprender, mas ela...
Desatou a rir ao avistar o bispo António, o peso pesado da paróquia, assim era conhecido. 
Ele sentou-se numa pedra meio torcido pedindo-lhe para retirar o conteúdo do carro.
Sentiu-se uma palerma por ter comprado tanta coisa, especialmente aquele livro que devia ter escondido.

Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas 

Desafio RS nº 31 – 14 palavras com ordem imposta
A imagem da Inês do Carmo não lhe saía da cabeça. Podia dar azo a tanta imaginação, aliás é o que os grandes artistas conseguem fazer. Cabeça pendente, parecendo mergulhar num mundo só dele…Cabelos desarrumados, os dedos entrelaçados, sim, era assim que se posicionava quando queria fugir para um mundo só seu… Deixava-se levar pelos pensamentos escolhidos por uma força de vontade férrea. Nunca se deixava vencer. Dentro de si sempre encontrou as razões para continuar…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 21 – a propósito de uma ilustração

Desafio ao «Poeta Anónimo»

Em cada um de nós existe um poeta
todos temos a capacidade de escrever
porque tudo quanto nos completa...
é o que queremos e podemos dizer.


E se alguém duvida de que é capaz
tente escrever algo com simplicidade
acabará por descobrir quanto é sagaz
traduzindo por palavras, a sensibilidade.

Isto é apenas um pequeno exemplo
do que com pouco, tanto se pode dizer
tudo quanto se tem por sentimento
e afinal, se torna tão simples escrever.

®Maria Cabral, Azeitão

Camila

A bruxa da Camila devia esperar por Francisco. Garantiu que à hora, inúmeras vezes  repetida, levaria Mariana. Não ouviu o pedido que Rui soletrara tantas umas vezes dissera. Xale nos ombros, zangada e pronta a zaragatear, a xingar, Mariana caminhou com voz alterada e uma tesoura, sabuja e reles, na mão. Queria partir tudo ou nunca mais lembrar-se de Julho! Infelizmente haviagente falsa e diabólica. Correu bastante mal. Camila acabara de estragar um fabuloso negócio…


Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 20 – usar o alfabeto duas vezes no início das palavras e por ordem! Uma vez certo, outra ao contrário

28 novembro 2015

Paella

Para hacer una paella necesitaremos varios ingredientes: arroz, carne de pollo, gambas, mejillones, judías verdes, pimiento, cebolla, colorante, ajo, sal y aceite. En primer lugar, se lavan y cortan todos los ingredientes en partes iguales, se fríen los trozos de carne y se añade sofrito. Después se añade agua junto con las verduras hasta que se hagan. Se añaden los demás ingredientes y el arroz de manera uniforme, se echa el colorante alimenticio y se deja reposar.

Paola Peralta Bragado, 20 años, Zamora, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

Alice, olha...

Na fuga da guerra a família separou-se. O medo empurrava todos numa corrida incontida. Quando o dia amanheceu, Alice percebeu que o pai não estava. Os dias foram passando e retidos na fronteira, os boatos chegavam. O pai de Alice tinha morrido. Como o tempo se faz rogado quando a ansiedade vive em nós! Ali estava Alice, ajudando a preparar as refeições para tantos outros refugiados. Alice, olha o teu pai! A vida dera-lhe a melhor prenda!

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida (não precisa de ser material, pode ser emocional)

Desprecios

Soy una tetera rajada, un recipiente al que supuestamente no se le puede dar uso. ¿Por qué la gente no me quiere seguir usando? No soy capaz de contener el líquido a pasar de que esto es lo único que debo hacer… nadie quiere usarme ya que no merece la pena llenarme. Lo que ellos no saben es que a pesar de ser una simple tetera sigo teniendo sentimientos y siento todos los desprecios que me hacen.

Julia Crisolino Iglesias, 20 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Crema de yogur

Para esta receta solo necesitamos yogur natural, leche condensada y limón.
La medida variará en función de las raciones que queramos hacer. En este caso vamos a hacerlo para unas cuatro personas: cogemos cuatro yogures y un bote de leche condensada, los juntamos en un bol y lo mezclamos bien, a continuación usaremos la ralladura del limón; volvemos a mezclarlo todo con ganas y ¡voila! Ya tenemos la crema de yogur lista para repartir en cuatro raciones.

María del Pilar Almeida Pérez, 26 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

Hum.......

Ingredientes y preparación: -Trituramos 200 gr. de galletas con mantequilla y a la nevera!
En un cazo ponemos 50 ml. de leche y 50 ml. de nata. Cuando hierva bajamos al mínimo el fuego. Añadimos 100 gr. de chocolate troceado y 30 gr. de mantequilla y removemos hasta que se quede una crema y a la nevera!
Juntamos 250 gr. de mascarpone con 30 de azúcar glas y a la nevera!
Montaje: Vaso, galleta, chocolate, mascarpone, chocolate.

Lorena Garcés Santisteban, 24 años, Valencia, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras


Bizcocho de naranja sin huevo

Necesitamos levadura en polvo, 120 gramos de azúcar, 35 gramos de aceite de girasol, 250 gramos de zumo de naranja (dos naranjas) y 150 gramos de harina. Este bizcocho no lleva huevo, es apto para alérgicos. Se mezclan primero la levadura, el aceite y el zumo de naranja. Después se añade la harina y el azúcar y se bate todo. Se vierte la mezcla en un recipiente y se mete al horno a 180 grados 35 minutos.

Noemí Alonso Hidalgo, 20 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras


Lo difícil se hace fácil

Para comenzar, necesitaremos un huevo fresco, preferiblemente de talla M para poder disfrutar de mayor cantidad de alimento, una sartén, un chorrito de aceite de oliva extra. Vertemos el aceite (unos 10 cl) en la sartén. Se enciende el fogón y la colocamos en el centro de este. Cuando el aceite coja temperatura adecuada abrimos el huevo con delicadeza y dejamos derramar el huevo también con sumo cuidado y tras 3 minutos lo sacamos de la sartén.

Marcos Pascua Flores, 20 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

Por um dia...

A manhã acordou cinzenta. O vento uivava o outono nas folhas que esvoaçavam em redor da casa, estremecendo a velha árvore do jardim. Meio adormecida dirigiu-se à cozinha para tomar o pequeno-almoço. Ligou a máquina do café e a torradeira, mas não havia forma de sentir o aroma do café ou do pão torrado. Que teria acontecido? Estariam em greve? E estavam. Sentiam-se cansadas daquela rotina, da frieza como eram manuseadas. Por um dia, apenas, fariam greve.

Emília Simões, 64 anos, Mem-Martins-Algueirão

Desafio Escritiva nº 2 – greve na cozinha

Tetera agrietada

Soy una tetera agrietada, soy ese objeto que alguien regaló en una boda. Pronto me colocaron en un estante para decorar el nuevo hogar. Vi crecer una niña que me admiraba desde abajo. Aunque nadie me usase, nunca me sentí sola. Cuanto más envejecían mis dueños, más polvo cogía yo. Un día llegó el silencio. Mucho después vino al fin alguien, una mujer con rostro familiar, a vaciar la casa. Caí y me agrieté cuando ella lloró.

Carolina Cárcel Pedrera, 22 anos, Palma de Mallorca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Kintsugi: la cicatriz que me hace más bonita

Soy una tetera agrietada, soy un plato partido, un vaso roto o una vasija inservible… vamos, que no sirvo para nada. O eso me decían. Pero en China soy una reliquia: me han reparado con oro. Ahora soy más bella, incluso presumo de mi historia y de mi cicatriz. Aquí todos me admiran. Es curioso que en esta cultura de usar y tirar no se hayan deshecho de mí.

Lara Lagoa, 21 anos, Vigo, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Gozando

Ouvi um grito tão grandioso que gelei. Depois, gerou-se a confusão. Grupos desnorteados de garotos avançavam empunhando gazuas. Caiu-me a geleia, a tomatada gulosa… O granito ficou gorduroso. Foi genial… todos caíram grunhindo. O guia reclamou o golpe. Os garotos apenas gozavam o carnaval. Grande azar. Garanti então, gaguejando, não era grosseira… Disse-lhe que gostava de ajudar. Gomes, o guia, calmamente garantiu não gostar daquela gentalha. Pedira generosamente aos garotos para não gritarem. Eles gozaram, saíram gozados!

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 57 – palavras começadas por G em todo o texto, estando entre cada palavra com G, poderá haver uma ou duas palavras livres

A caminho de Toronto

Indo eu, indo eu
A caminho de Toronto,
Encontrei um cão aos saltos,
Vi logo que estava tonto!

A caminho de Toronto,
Indo eu, indo eu,
Mas se um dia eu lá torno,
Levo o  e o Amadeu!

Indo eu, indo eu,
A caminho de Toronto,
Noto que subi ao trono,
E li um discurso e pronto!

A caminho de Toronto,
Indo eu, indo eu,
Veio contra mim um toro,
Ai Jesus que lá fui eu!...

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 40  a partir de anagramas contendo as letras de Toronto

Caliente...

Ingredientes:
– un vecino amargo
– zanahorias
– café
– miel
Tomar un vecino de tamaño normal bien amargo (de esos que no saludan en las escaleras) y rellenarlo de zanahorias hasta que se vuelva amable. Para el relleno, evitar todo tipo de pan: para él, buenas son las tortas. Untar con café que el pobrecito está de mal humor antes de su primera taza. Añadir miel al gusto (una cucharada si lo quiere agridulce, dos de buen humor). Servir caliente.

Lucas Krywicki, 20 anos, Liège, Bélgica, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

Este estar sin ser

Soy una tetera agrietada, estropeada, inservible, inútil. Desechada por mis propietarios a causa de estar rota por fuera, y también por dentro. Mis compañeras de estante me preguntan qué se siente al no poder hacer la única tarea que debería poder hacer. Y yo no encuentro las palabras para describir está inseguridad, este estar sin ser; entonces callo y me limito a ver como una a una abandonan su puesto mientras yo permanezco imperceptible en el banquillo. 

Vanessa Roch, 21 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Receta para ESA noche memorable

Primero enciérrese a estudiar durante horas en su habitación. Cuando esté en el punto justo de agobio, comience a preguntarse por qué decidió dejarlo todo para el último día. A continuación añádale un toque justo de desesperación, y espere unos minutos. Después simplemente querrá huir de casa. Coja el teléfono y llame a ese amigo que sabe que está en la misma situación. Por último deje caer un: "¿Salimos un rato de tranquis?", y disfrute del resultado.

Lucía Ruiz, 18 años, Torrelavega, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras


Bizcocho de limón

Vacíe un yogur de limón en un vaso. Este vaso nos servirá como medida. Ponga 3 huevos en un bol y bátalo bien. Añada 2 vasos de azúcar. Bátalo bien hasta parecer una crema. Añada un sobre de levadura. Añada 3 tazas de yogur con la harina. Bátalo bien. Unte el bol donde va a poner la mezcla  con mantequilla. Coloque la mezcla en el recipiente y métalo  en el horno durante una hora a 180 grados.

Cristina Collantes, 20 años, Béjar, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

La vida de la tetera después de jubilarse

La vida de la tetera después de jubilarse
Soy una tetera rajada. Soy una tetera que ya no sirve. Y como no hay un cementerio de teteras me he resignado a vivir en una caja de cartón por el resto de mi vida. Mis dueños o me han querido reparar. Pero no os pongáis tristes por mí. Ahora estoy casado con la taza sin asa y hemos adoptado al salero sin tapa y al cucharón que no tiene mango como hijos. Formamos una familia feliz.

Jesús Rey Aneiros. 22 años, Ferrol, España, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

La conciencia de mí misma

Soy una tetera rajada, soy un recipiente ni deprimido ni constantemente feliz. En realidad, antes lo era, lo de siempre feliz, hasta ese día en el que me caí de la repisa. Y no terminó mi estado alegre debido a la grieta que me hice, la cual luzco con mucho orgullo. Hubo algo que me cambió: la conciencia de mí misma. Desde que conocí que soy solo un objeto, no dejo de preguntarme acerca de mi contenido.

Laura Herrero Román, 29 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

27 novembro 2015

Programa Rádio Sim 649 – 27 Novembro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim

Entender-me
Sempre me senti atraída por aquilo que não compreendo. Há algo de mágico nas coisas, algo que fascina e me impulsiona na direcção de mudar esse estado de incompreensão. Incuravelmente curiosa, racionalmente louca, assim me descrevo. Sou simplesmente complicada. Sempre solitariamente acompanhada pelo carinho das palavras. Constantemente em conflito com o “porquê” do porquê. É difícil definir-me. Ainda mais entender-me! Sou humana, instintivamente apaixonada por esta procura de algo mais. E foi por isso que me escrevi.

Liliana Macedo, 17 anos, Ovar 
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

26 novembro 2015

O senhor Hugo

O Senhor Hugo era pouco falador e só sabia dizer não como resposta aos favores que lhe pediam. Não fazia mal a ninguém, mas também não fazia bem.
Não era quente, não era frio. Vivia egoistamente, não fazendo pelos outros, mais do que não fazendo nada. E não fazendo nada, não fazia coisa alguma que não valesse apenas zero.
Pobre criatura!… por não fazer nada, não ficou para a história… a não ser, por dizer apenas não.

Domingos Correia, 57 anos, Amarnte

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Desajeitamentos

Sentado na proa do barco, segurava o diário. O cheiro a humidade denunciava o tempo a que tinha sido votado ao abandono. A avó entregou-o no leito da morte com a responsabilidade de manter o segredo. Sentia-se em êxtase. Queria descobrir o segredo de família há tanto escondido. Eram dolorosas as lembranças despertadas pela leitura. Na última página, a chave do cacifo onde estava o segredo final. Ficou eufórica. Desajeitada, desequilibrou e a chave caiu no mar…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase

Toco o sol da minha existência

Olho as estrelas, o mar a noite. O vento sopra numa carícia transparente.
Alerta, afirma ou sugere?
Sinto ondulações que me despenteiam, em sucessão de movimentos articulados, erguendo uma vaga que me envolve, fazendo-me carícias faciais. Afagos duma brandura calmante, embalando-me, tal como um colo maternal.  
Corrente que me ampara e protege, adoça e sustem!
Ergue-se o meu ser, o meu âmago, levando-me a tocar o sol da minha existência.
E foi por isso que me escrevi. 

Fernanda Costa, 54 anos, Alcobaça

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

Entalado...

A meteorologia tinha alertado. O mar estaria alterado. Enjoado, Rui vomitava. Pedro estava enojado. Como era possível? Só enlatado não veria tal espetáculo. Estava decidido: dedico agora atenção ao parvo e resolvo o assunto.
 Prova isto, é uma das minhas poções. Não temos mais opções!
Não resultou. Rui era entroncado. Amarrou-o ao leme. Entronado segurava o leme. Procurou o rádio. Tinha-o encontrado. Não funcionava, pois Rui tinha entornado café para cima dele. Sim, estava entalado… Restava esperar…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 56 – usar 14 anagramas insólitos e divertidos



Programa Rádio Sim 648 – 26 Novembro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim


Clube dos fantásticos
Faz tempo descobri este passatempo fantástico. Pensei juntar-me ao "clube dos fantásticos". Depois descobri a autora do mesmo, então sim, não pensei mais. Já conhecia a Margarida, já conhecia suas iniciativas sempre apelativas, já partilhávamos amizade.
Foi assim que, sem saber escrever, cheguei embora tropegamente ao desafio cem.
Lamento não termos comemorado a ocasião tomando juntos o tal chazinho há tanto planeado, trocando nossas impressões.
A escrita é um bálsamo, e foi por isso que me escrevi.  

Rosélia Palminha, 67 anos, Pinhal Novo
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

25 novembro 2015

Programa Rádio Sim 647 – 25 Novembro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim

A criança que fora
Sempre que podia, saía para fumar um cigarro e disfarçar aquele fedor das lotas e ouvir outras vozes que não fossem as das peixeiras tolas gritando altos pregões para pescar clientes à solta. Sabia-lhe bem aquele cigarro da manhã que se fazia coincidir com o recreio da escola ao lado. Gostava de ver o salto do fumo adulto contornando os altos toldos ao ritmo da correria infantil de gazelas loucas. Sabia-lhe bem recordar a criança que fora.

Paula Cristina Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca
Desafio RS nº 30 – anagramas de S L T O A

Estressado...

O fogão era lembrado todo o dia. A geladeira também e mesmo a máquina de lavar. Mas o ferro elétrico, não. Só quando alguém tinha de caprichar na aparência para  ir à igreja, a uma festa, a uma entrevista. Ele foi-se sentindo cada vez mais abandonado.
Até que chegou o mês de dezembro e com ele a agenda dos habitantes da casa lotou. Antes estava deprimido, agora estressou-se. No réveillon, os três apareceram com as roupas amassadas.

Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil
Desafio Escritiva nº 2 – greve na cozinha


Asno!

A tarde entardeceu clara e lenta, como se clamasse por perdão. O ar morno transporta dores da mãe e sons plasmados no seu corpo. Dentro do coração, a sede de amor atormenta-a e condena a alma ao som do medo. Se sente tanto medo é por ter amado tanto esse traste. Parcos momentos têm para estar em amor se ele nem a tem no coração. Asno! Tem na alma podre cara de monstro. Não tem coração, pronto!

Filomena Mourinho, 42 anos, Serpa
Desafio nº 8 – crise de letras; usar só  E  O  T  R  S  P  L  M  N  D  C

As minhas flores

Tenho um lindo jardim,
Com belas flores a nascer,
Verdes, brancas ou azuis,
Gosto sempre de as ver!

E, logo pela manhã,
Vou vê-las mesmo ao pé,
São lindas, as minhas flores,
Tenho uma cor de café!

O sol tão bom ao nascer
Vem rindo para as beijar,
Eu troco com elas mimos
E fico sempre a ganhar!

Às vezes falo com elas,
A brincar como quem diz:
– Olhem, esta nasceu hoje!...
E eu estou muito Feliz!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 44 – palavras com apenas 1 ou 2 sílabas

24 novembro 2015

Os Poderes da Varinha Mágica

– Sou uma VARINHA MÁGICA e todos sabem que tenho PODERES. Estou FARTA desta vida insignificante de ralar sopas e purés. Então os restos de legumes presos ao corpo! Que nojo! Quero retomar a dignidade da minha função:  Perlimpimpim, perlimpimpão, transforme-se esta cozinheira numa….
– Socorro! – grita a cozinheira, que dormitava junto ao fogão.
– Que se passa, dona Maria?
– Nada, filha. Só um sonho mau. Rala aí essa compota. Ah, mas usa o passe-vite, não vá o diabo tecê-las…

Palmira Martins, 59 anos, Vila Nova De Gaia

Desafio Escritiva nº 2 – greve na cozinha

Espiando

Olhou pelo furo na porta de onde vinha o ruído, mas nada descobriu. Já sem juízo, girou a maçaneta e desvendou o problema.
Um menino estava a massacrar a mãe, que não parava de rir. Num tabuleiro, viu o bispo, o rei, a rainha... A criança jogava com peso cada pedra.
De nariz torcido, espiou o conteúdo da mochila sob a mesa. A mãe palerma, gargalhando sem cessar e o menino procurando novas jogadas no livro escondido

Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil
Desafio RS nº 31 – 14 palavras com ordem imposta