31 outubro 2015

Epitáfio

Somos feitos de histórias. Das que vivemos, mas também de todas as que
lemos, ouvimos e (re)contamos. E das que nos faltam ainda viver, ler,
ouvir e (re)contar. Diz um provérbio (árabe ou africano?) que «um
velho que morre é uma biblioteca que arde». Será então que os homens
inventaram a escrita para se salvarem da morte e do esquecimento?
Nesse caso, não haverá melhor epitáfio para uma vida cheia: «…e foi
por isso que (me) escrevi».

Carlos Alberto Silva
, 57 anos, Leiria

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

O vazio delas… num sussurrar de boa saudade…

Setenta e sete é o número de palavras que gosto e gosto tanto, que mesmo afastada, bem mais de sete vezes, o vazio delas, das palavras, chegou a mim num imediato de magia que a caneta não parou; juntou-se à folha de papel e deslizou num gesto ritmado de palavras que se encadearam num sussurrar de boa saudade (e faltavam oito palavras que tiveram de sair) e saiu, saíram assim!... e foi por isso que me escrevi. 

Lucrécia, 55 anos, Agualva-Cacém
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»


Era uma vez…

Era uma vez há muito, muito tempo uma mãe cheia de medos e de angústias perante a educação a dar ao seu filhinho muito pequenino. Como fonte de inspiração e de preparação lia avidamente todas as publicações sobre a infância, a educação e o ser mãe. Um dia encontrou um desafio publicado na Pais e Filhos e a partir desse dia novos desafios se foram abrindo. Primeiro, muito timidamente, depois cheia de coragem em todos se escreveu…

Alda Gonçalves, 48 anos, Porto
Leiam mais textos aqui: Maçadejunho-mafaldinha.blogspot.com

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

30 outubro 2015

Programa Rádio Sim 630 – 30 Outubro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim

Reminiscências
Ressoa em mim o que calou de nós. No silêncio, esvazio pensamento e sinto som da tua falta.
Um tanto de aritmética, contas sem métrica, soma de inteiras saudades, multiplicar de tempo e ausência, dividindo carência, subtraindo um quê de solidão. Restado infinito vazio.
Sombra ou peso da sobra?
Tua imagem de ontem de sempre, fala, riso, fundo de profundo olhar, quase tão nítidos, frequente. Tão real ou tão somente? Quase meu, presente. Doce disfarçar de assombração

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Nunca pensei neles como contrários

Vivia pacatamente a vida diária, sem pensar demasiado. Problemas, bênçãos, tinham sentença em adágio, ‘não há mal que sempre dure’; ‘o que abunda não causa danos’. Um vendedor da feira, ao ouvi-lo, zás!, lança-lhe ‘erva ruim dura 100 anos’; ‘todos os excessos são maus’. O outro fita-o atónito, desconfiado, mas não desarma. ‘Sê perseverante e triunfarás’. Logo a resposta: ‘tanto vai o cântaro à fonte que se parte’. Rende-se: – Uso provérbios, mas nunca pensei neles como contrários.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Amor em Roma

Rafaela foi a Roma
Em visita programada,
Instalou-se para Norte
Com outra rapaziada!

Um dia, num restaurante,
Tendo música e furor,
Cantava um lindo rapaz
Com uma voz de tenor!

E, sentiu-se irradiada,
Por aquele terno olhar;
Ia-lhe caindo o prato,
Ruborizada ao topar!

 Segurando ramo enorme,
Com a música acabada
Veio oferecer-lho à porta,
Perguntando-lhe a morada!

 Foi Amor à primeira vista,
Com uma grande paixão,
Que brotando, arrebatou
O seu livre coração!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio RS nº 14 – três trios de palavras em anagrama

Grande tosga!

Entusiasmado entra na loja dos trajes, para admirar as togas. Quer comprar uma pois já poderá usá-la. E não vai olhar ao gasto, quer a mais cara. É daquela que gosta. E já se imagina com ela vestida no meio dos seus pares. De regresso a casa, pendura-a no roupeiro. Dá comida aos gatos. Deita umas gotas de perfume no pescoço e vai jantar fora. Come bem e bebe melhor. Nem dá conta da tosga que apanha.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio RS nº 27 – anagramas de G S T A O


Desafio nº 100

Ora bem…
Chegámos ao desafio nº 100, que grande caminhada até aqui!
Juntaram-se a nós a Rádio Sim e a USAL, com os desafios Escritiva.
Como poderemos nós comemorar? Escrevendo em 77 palavras, claro!!!

E isso que vos peço: escrevam um texto que acabe em…
… e foi por isso que me escrevi.
Nota: pode ser adaptada para «se escreveu», ou «se escreveram», como quiserem.


Eu fiz o meu a pensar em todos nós, e ficou assim:
A minha vida somava, dia a dia, emoções, ternura e partilha. Mas faltava-me qualquer coisa. Levei tempo a descobrir que me faltavam as palavras.
Com os meus filhos, comecei a escrever para crianças. Rimos tanto com a primeira e com todas as que se lhe seguiram!
Com as dificuldades e tristezas, cozinhei contos para adultos.
Com as soluções, redigi a esperança.
Afinal, o mundo das palavras existia em mim, e foi por isso que me escrevi!
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

29 outubro 2015

Programa Rádio Sim 629 – 29 Outubro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim


Uma tartaruga aceitou algo muito estranho…
Iria fazer uma corrida completamente louca.
Uma corrida contra a lebre, imaginem!

Logo ganhou grande avanço, aquela lebre.
A tartaruga ia ficando para trás.
A lebre resolveu descansar, tinha tempo.
Aproveitando esta soneca, a tartaruga continuou.
Ultrapassou-a em bicos de pés, devagarinho.
Mesmo devagarinho, cada vez avançava mais.
Ao acordar, a lebre ficou desesperada.
Via a tartaruga perto da meta!
Fez um grande sprint, desvairada.
A tartaruga vencera.
Ficou mesmo desconsertada. 

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

Desafio nº 32 – 11 frases de 6 palavras + o que resta

Queda de cabelo

Por volta dos trinta anos, comecei a ficar careca! Uns olhares ao espelho, examinando falhas, angústia no coração.
O que fazer, o que não fazer, decidi marcar consulta. Há de haver um remédio, pensei.
Trimmm… blá, blá… já está! Terça-feira pode vir.
Lá fui, muito convencido que haveria cura.
Folheio umas revistas. Espero.
– Pode entrar!
Quando abri a porta… fiquei especado, pasmado, boquiaberto… depois, não me contive e… desatei numa aparatosa gargalhada.
O dermatologista também era careca!

Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

Fiz-me silêncio

A melodia da água escorrendo pela escarpa fazia-se música que me embalava. A natureza embrulhava-me no seu manto verde. Os cheiros embebedavam-me entorpecendo a minha dor. Fresca era a cor daquele ruído produzido no encontro entre a dureza da pedra milenar e a sinuoso jorro de água feito cascata. Deixei-me perder no tempo, num tempo que desejei ausente das lembranças que teimavam rasgar a minha alma. Permaneci no silêncio desejando não mais olhar para trás. Fiz-me silêncio…


Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Ah, meu amor...

Não posso descrever a angústia que senti no dia em que você foi embora: o ciúme consumira-me até afastá-lo do meu lado. E agora já não sei como fazer calar esta luxúria que sinto quando me lembro da nossa história. Mas, infelizmente, o orgulho foi mais forte do que a paixão. E, nesta ocasião, o pânico invade-me com a certeza de que não vai voltar. Ah amor, como enfrentar a saudade que você deixou no meu coração!

Vanessa Roch, 20 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

A Palavra

Agora quero criar a Palavra,
entre funis de alento,
no fundo da jornada,
nas roseiras vermelhas,
no sangue dos outros,
entre rugidos de esperança.

Quero a Palavra,
quero ser sua criação,
quero-a feita de letras,
quero dela ser digno,
criador,
criação.

No entanto,
talvez queira também fugir,
ser o nada e o tudo,
na Palavra me embalar,
entre espuma,
entre algas,
rochas alvas de alegria,
num livro,
numa linha,
no meio dos outros,
tudo esquecendo de mim...

Jaime A., 51 anos, Lisboa


Da paixão à solidão

A angústia de não ser percebido como um escritor legítimo perseguia-o a diário, submergindo-o numa profunda agonia e sonhos terríveis. Ninguém parecia estar a sentir compaixão por ele, as pessoas só mostravam um recalcitrante desprezo. A esperança pueril de ser ilustre e reconhecido desvaneceu-se quando começou a sentir a melancolia por tudo o que perdeu e a nostalgia por aquilo que nunca vivera. Assim, a sua paixão ia elanguescendo-se até sumi-lo sem remédio na mais irremediável solidão.

Andrea Crespo Madrid, 20 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

Ver o que não está lá...

Pois podia ser muita coisa... A imagem de Francisca Torres dava aso à imaginação. Sim podia ser um lagarto, amputado com certeza! Fiz-me espelho e vi um ponto de interrogação com uns pés para não cair. Olhem bem para o centro: que belo penteado tem a menina. Arrumadinho para o lado, sem franja ficou melhor! Olhando a imagem vi o nada que lá estava mas a imaginação é isso mesmo! Ver o que ainda não está lá.


Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

Domingo?!

Saí da minha morada depressa. Não teve tempo para o pequeno-almoço. O meu carro não funciona. "Hoje não podes falhar". Na terceira, na última, oportunidade começa.  Eu acelero nas ruas cheias das poças. Ontem caiu água e mais água. Os semáforos estão vermelhos. Estou atrasado.
Quero estacionar o carro na garagem. Eu corro para o elevador. Abro a porta e... Não posso abrir!!! Onde eu tenho a cabeça? Hoje é domingo. Então, eu dou uma grande gargalhada!!

León Pobreza, Guinea Bissau 

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

Dia atroz!

Faltavam quatrocentos metros para chegar à casa de Patrocínia, ainda tinha que percorrer aquela estrada larga, toda alcatroada de novo... Olhava para o relógio, não queria chegar atrasada ao Albatroz. Mesmo já tendo os bilhetes do Teatro, é preciso chegar a tempo e horas! Não gostava de ser um atropeloAtrofiava quando alguém se atrasava. Parecia a patroa. Quase a chegar, assiste a um atropelamento. Fica estupefacta com o acontecimento. Suas pernas trémulas caminhavam lentamente… dia atroz. 

Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Desafio nº 99 – 8 a 10 palavras com ATRO

28 outubro 2015

Programa Rádio Sim 628 – 28 Outubro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim


Só nos faltou gritar!

SÓ/ NO/ S F /AL/ TO/ U G/ RI/ TA/ R, V/ EN/ DO/ A M/ AÇ/ NA/ ET/ A R/ OD/ AR!

Só nos faltou gritar,
Vendo a maçaneta rodar!
Sozinhas e com pavor,
Sem sono naquele horror!

Asfixiadas, muito caladas,
Todas as cenas auguradas
E tiritando de medo,
Já por ladrões visitadas!

Parvas vendo redobrar  
Amargura de acabar
O sentir alguém na porta
A pretexto de entrar.

Poderiam ser ladrões,
Virem da sala ao quarto,
Eu, criança com as tias
Que faríamos de facto?

Passados alguns minutos
Ouviu-se uma barulheira,
A gata saltou espreitando
Pelo vidro da bandeira!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante
Desafio nº 38 – partindo de uma frase, utilizar os pares de letras desta para o texto


Estar contigo

Bom é poder estar contigo até ser dia,
Saber amar-te é o que quero mais,
É que sem ti, viver não saberia;
O nosso lindo amor é forte demais,
Calar este amor maravilhoso é utopia!
Até que o sol nasça e o mundo acabe, quero amar-te,
Ser tua é a minha prioridade,
Tempo de fazer da tua, a minha vontade,
De sentir contigo a liberdade,
Falar é o mínimo que farei… e só se for preciso falarei!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 30 – provérbio à esquerda na folha imposto

A foto

Estávamos de férias em Berlim com um grupo de amigas. Naquela manhã decidimos, quando parou de chover, ir para o bairro de San Nicolas.
Como em todos os grupos, temos uma amiga que se maquilha em excesso. Naquele dia, eternas duas horas de maquilhagem.
Quando ela se estava a preparar para tirar uma foto... um carro passou e ela ficou toda molhada! Nós rimos até chorar! Hoje quando nos lembramos disso ainda choramos como naquele fantástico dia!

Alba Mº del Brío Nieto, 19 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

O cão

Estávamos a andar pela rua, eu e o Marcos quando um cão começou a ladrar com agressividadetínhamos a dúvida se correr ou se ficar ali. No mesmo instante gritei com um ataque de histeria. Marcos começou a ter muito medo, nesse momento começou a chorar. Depois com pânico Marcos começou a gritar e a correr. Mas eu fiquei ali porque senti pena do cão. O cão afinal era muito simpático e também era muito bonito.

Julia Crisolino Iglesias, 20 ano, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética 

Ideias loucas

Na última quinta-feira de setembro eu e os meus amigos fomos a uma aldeia do sul, pequena mas bela. Mais tarde chegou outro amigo, este amigo tem umas ideias bastante loucas. Ele tinha uma namorada dessa aldeia e propôs-nos ir a casa da sua namorada, ascender pela varanda e por último pendurar uma rosa vermelha. Fizemos tudo isso, mas o pai da sua namorada viu-nos. Saímos correndo enquanto nos riamos sem parar, até ter dor da barriga.

Marta Deza, 19 anos, Zamora, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

Transições

A sua transição para a idade adulta não tinha sido fácil. Foram tantos os conflitos que seria impossível fazer a transcrição dos mesmos. A incompreensão foi transversal aos anos que necessitou para se autonomizar. A mãe com uma postura pouco transparente apenas transmitia insegurança. A transigência do pai somente contribuiu para aprender a ignorar os limites. Transtornada e cansada de viver à margem de tudo e de todos pôs um ponto final em tudo. Recolheu-se num convento.


Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio RS nº 5 – 7 palavras com TRANS–– (no início, não necessariamente prefixo)

Voltar a casa...

O João tinha muita vontade de ir para a praia. Não conseguia dormir pela sensação de que o tempo estava em “pause”.
Tinha tudo preparado: o balde de areia, a bola, a toalha, os óculos de sol…
Finalmente, a sua mãe avisou-o para ir para a praia e o João foi rapidamente ter com ela.
– Tens tudo, João?
– Sim, mãe! Vamos!
Mas ele esqueceu-se do mais importante, o calção!
– Mãe, acho que tenho de voltar a casa…

Lexuri Marquez, 21 anos, Badajoz, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

O meu avô

Relembrar a afetividade com que o meu avô me cuidava quando eu era uma menina, faz-me sentir um profundo carinho. O seu entusiasmo quando aprendi a andar de bicicleta e a sua frustração das primeiras quedas; ele sempre foi a minha grande inspiração. Agora só sinto a nostalgia e a pena de saber que ele não vai terminar aquela história que tanto gostava de contar-me antes de dormir.  Mas, deixa-me muitas lembranças maravilhosas daqueles dias com ele.

Lucía Ruiz, 18 anos, Torrelavega, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética 

Tio Henrique

Fui uma criança que não tinha medo de escuro.
Era véspera de Natal e meus tios iriam passar as Festas connosco.
Na madrugada fui fazer xixi mas, como de costume, não acendi as luzes e nem mesmo fechei a porta..
Adormeci sentada no vaso.
Tio Henrique também foi ao banheiro.
Quando ia abaixando o pijama, ouviu uma voz dizendo:
"Tem gente"!
A sua gargalhada foi maior que o seu espanto.
Esta lembrança, até hoje, me faz rir...

Verena Niederberger, 64 anos, Rio de Janeiro - Brasil

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

Dois cafés

No outro dia estava a fazer fila e um tipo de fato me ultrapassou. Não disse nada por altruísmo. A arrogância dalgumas pessoas me exasperam. Mas era um dia de merda e a frustração tornou-me hostil. "Só porque tens um fato te achas melhor do que eu?" eu disse. O tipo olhou com indiferença e continuou a sua conversa telefónica. Raiva imediata e imensa. Eu pedi dois cafés, um para mim e outro para o seu fato.

Lucas Krywicki, 20 anos, Liège, Bélgica, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética 

Azares...

Agosto foi mês escolhido por Ismael. De início franziu o nariz, não era a gosto que o casamento se fizesse naquele mês. Para Clara os meses de primavera eram os seus preferidos mas, ainda que um pouco a contragosto, resolveu aceitar a decisão de Ismael. Impôs uma condição: não seria dia dez pois era o dia de aniversário da futura sogra. O dia de casamento seria apenas e só deles. Para seu desgosto, Ismael escolheu essa data…


Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

Uma boa amiga

Estava com as minhas amigas: a Maria e a Sara. A Sara começou a imitar uma rapariga antipática que falava sempre mal das suas amigas. A Sara estava a pôr uma voz estridente enquanto caminhava como uma betinha quando tropeçou e caiu. A Maria e eu começamos a rir incontrolavelmente. Então, ela disse: “São tão más amigas como ela!” A Maria respondeu: “Uma amiga ajuda-te quando cais, mas uma boa amiga ri-se de ti e depois ajuda-te!”

Lara Cantos Modesto, 21 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio ESCRTV nº 1 – um momento de riso!

A dança

Ia dançar na companhia mais importante do mundo e a alegria invadia o meu corpo. Mas rapidamente começou o pânico e a histeria.
Não tinha coragem para dançar e sentia muita frustração porque estive a preparar durante muito tempo a audição. Se não dançava, a culpa seguir-me-ia por muito tempo.
Então, a música começou e os meus pés estavam movendo-se livremente. Tinha muita segurança em minha mesma, e finalmente pude desfrutar daquele momento mágico.
Amo a dança!

Lorena Garcés Santisteban, 24 anos, Perto de Sagnto (Valencia), prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética 

27 outubro 2015

Programa Rádio Sim 627 – 27 Outubro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim

Acenando na ponte
Esperava-o na ponte. Acenava-lhe ao vê-lo atravessar o ribeiro no seu cavalo alazão. Ele ignorava-a. Tímida, guardava para si a deceção. Contaram-lhe que ele vivia ali desde que o desastre o cegara. Resolveu arranjar coragem para lhe falar. Treinou palavras, frases,respostas... Vestiu-se como se ele pudesse adivinhar as cores garridas da saia e do «baton».
Quando ele passou, faltou-lhe a coragem. Acenou-lhe apenas, e assim continuou a fazer até ao dia em que ele não voltou.

Isabel Lopo, 69 anos, Alentejo
Desafio nº 97 – galinha de encontro ao vidro

Em contramão com a vida

Cabisbaixa, arrastava os passos e os pensamentos; as lágrimas a correrem-lhe pelas faces e a inundarem-lhe a alma. Em contramão com a vida. Desempregada, só, desamada e desencantada.
Andar rápido, vivo, alegre; rosto aberto num sorriso matreiro e feliz. Uma boa vida – amor, viagens, profissão desejada. Tudo para se sentir encantada.
Chocam-se de frente. A jovial pára impaciente, e arrogante: ‘empecilho, anda aqui a espalhar tristeza. A outra ergue a cabeça, olhar triste, e sorri sem subserviência.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Desafio RS nº 23 – história de mulheres

Dias diferentes

Era um dia triste, estava a chover muito e não ia sair da casa. Telefonei ao meu amigo e senti muita alegria porque ele queria vir a minha casa. Ele tem um novo videojogo que eu desejava ter. Fiquei zangado com ele porque não se lembrou de trazê-lo. Mas ele queria dar-me uma surpresa e trazia-o escondido, então senti tranquilidade. Agora em vez de estar triste, estou muito contente na minha casa e tenho preguiça de sair.

Marino Román Crespo, 21 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética


Assombro dos assombros

A tristeza inundava-lhe os dias, a vida, a existência, num frio de morte. Ousara ser frontal, vertical. Princípio inalienável. Assombro dos assombros, foi punida por tal desfaçatez por quem a alienava, enganava, subjugava e, também, quem se submetia servil e subserviente. Mentiram, difamaram, perseguiram-na, isolaram-na, para pagar pela ousadia. Só que a sua coragem abriu a consciência de outras pessoas e tornou-se numa enorme corrente de solidariedade, tal como a gota de chuva que acaba numa poça.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Desafio nº 91 – cena metafórica de gota de chuva que acaba numa poça

Eu própria

Nunca me senti confortável com o meu corpo. Quando os meus irmãos brincavam, eu estava sozinha, sentia-me deprimida. Eu queria ser como eles. Na minha adolescência foi um isolamento total. Tive muito mau-humor e não gostava de ser do sexo feminino. Nesse momento decidi ser eu próprio.
Troquei as minhas roupas, cortei o cabelo e comecei a sorrir. Pouco a pouco a melancolia estava desaparecendo. Conheci pessoas novas que me ajudaram a sentir-me orgulhoso e sentir em paz.

Adriana de Miguel, 19 anos, Santander, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética