31 agosto 2015

Programa Rádio Sim 586 – 31 Agosto 2015

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Um verdadeiro pandemónio! 10 leões à solta num dia de greve do metro, das nove às cinco (ou seria até às oito da noite?). Adiante! Interessa que os trabalhadores estavam na berlinda como se tivessem culpa de que os muros do Jardim Zoológico, feitos às três pancadas, se tivessem desfeito. Um bicho-de-sete-cabeças! Vieram dois carros das forças especiais, com quatro canhões de água, e foi um espanto. Em seis minutos, ensoparam os leões e acabou-se a brincadeira!

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 3 – números de 1 a 10

30 agosto 2015

Naturalmente...

“O segredo está em deixar que o momento chegue, naturalmente.”
O nó na garganta e o suor nas palmas da mão dizem-lhe que é chegado o tal momento. Ele respira fundo, aperta o botão do casaco e, convicto, leva um joelho ao chão.
– Carla, casas comigo?
O que lhe chega é um silêncio que entra pela porta dentro e se senta ao lado dele.
Levanta-se, irritado.
Naturalmente, João. Naturalmente.”
Suspira, ajeita o espelho e tenta outra vez.

Ana Pessoa, 37 anos, Alenquer

Desafio nº 97 – galinha de encontro ao vidro

Viver

– Mas isto está tudo louco? Tu viste bem aquilo? É preciso ter muita lata. – Rodrigues só não arrancava os cabelos porque não os tinha.
– Esse barafustar resolve alguma coisa?
– O mundo pode acabar, que para ti tudo bem.
– Porque não experimentas enfrentar os desagrados com um sorriso, abrires-te a uma maneira diferente de fazer as coisas? No dia em que olhares mais em volta e menos para o umbigo, vais descobrir que viver é uma aventura maravilhosa.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais
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Desafio nº 97 – galinha de encontro ao vidro

O cofrinho maltratado

AH! Que vida triste e tão cruel! 
Assim pensava e resmungava Dora, a cada fim de mês, quando seu salário faltava para as despesas enfrentar.  
Então, lá ia ela até o gerente do banco, novo empréstimo pedir.  Encalacrava-se cada vez mais!
Pagava cada vez mais juros sobre juros. Assim ela mesmo por teimosia, mais no fundo do poço se colocava.
Teimava em gastar mais do que ganhava e a realidade diante de seus olhos não sabia enfrentar!

Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 97 – galinha de encontro ao vidro

Desafio nº 97

Isto de as galinhas não serem capazes de perceber que, quando se lhes põe um vidro entre elas e o milho, poderiam dar a volta, sempre me intrigou… 
Mas, na realidade, conhecemos muitas pessoas que o fazem (não com milho, não com vidro, mas recusando-se a contornar obstáculos). 

Querem contar-me uma cena dessas?


Eu escrevi assim:
– Já lhe disse, é impossível.
A frase rematou a conversa, tão curta como as anteriores, deixando Feliciano frustrado. Quantas vezes fizera o pedido? Mais de trinta, pensava Mário Fininho, para quem tais pedidos eram estúpidos, dispensáveis e sobretudo ineficazes.
Nada comentou, ao ver Feliciano sentar-se, desfeito, na secretária, voltando a pegar nos processos volumosos.
Às seis menos vinte, bem antes do horário de fecho, já Fininho se amontoava com outros espectadores no estádio. Nunca pedia, saía, apenas.
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa


29 agosto 2015

Lição à força

O  Vaz, rapaz de Vizela, pescou dezanove azevias na Póvoa do Varzim.
Entre os campistas, a notícia correu veloz.
A vizinhança esperou pela partilha da pescaria. Era a tradição.
O Vaz, guloso e voraz, apressou-se a assá-las e, numa leveza de boca, esvaziou a travessa.
A esperança dos vizinhos esfumou-se de vez.
À tarde, quando as dores abdominais lhe ruborizavam as faces e a voz aflita se fez ouvir, os vizinhos desvalorizaram, comentando: Talvez aprenda! Talvez aprenda!

Palmira Martins, 59 anos, Vila Nova de Gaia

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Talvez...

Faz hoje um ano a última vez que nos vimos e os meus dias passaram a ter demasiadas horas vazias. Eu própria sinto-me esvaziada.
Talvez não volte a amar.
Talvez não volte a rir nem sequer a cantar.
Talvez perca definitivamente a voz. E, muda, nem a vizinhança ouvirá as minhas sonoras gargalhadas que me caracterizam.
Todos os meus sonhos se volatilizaram. Tentarei esquecer as promessas que me fizeste pelo que Veneza continuará infinitamente à nossa espera.

Ana Paula Oliveira, 55 anos, S. João da Madeira

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

28 agosto 2015

Programa Rádio Sim 585 – 28 Agosto 2015

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Clonado
Sabem o que é um clonado?
Clonado sem o saber!
Foi no século passado.
Nasceu e foi aprender
Numa escola do Estado.

O alfabeto aprendeu,
A tabuada decorou,
Pelas “contas” se perdeu...
Na leitura nunca errou
A família sempre honrou.

Fez tudo sempre certinho,
Da primária à secundária
Por fim veio o canudinho!
Consegue emprego na área
E uma noiva p’lo caminho.

De pasta na mão,
Olhando p’ro chão,
Começam o dia
Com a frustração
Da Monotonia.

Maria Antónia Vitorino, 72 anos, Estremoz
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres



Juízo errado

Não gostava de desforra, mas naquele dia sentira o início de uma animosidade. Nunca tinha pensado no que estava a acontecer e… sentiu um ligeiro desconforto. Estaria a embirrar com ela? Não gostava de juízos de valor assentes em parco conhecimento. Naquela tarde, sem dar conta, caiu desamparada. O sangue jorrava pela ferida aberta. Sem hesitação, Joana estancou a hemorragia com um pano. Sentiu o fogo subir pelo rosto. Fizera um juízo errado. Estava prometido serem amigas.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 69 – lista de palavras, onde se inclui desforra

Tudo para ser bruxa

Para bruxa só lhe faltava mesmo o queixo afilado. De resto tinha tudo. Cabelo desgrenhado, chapéu bicudo e vestido preto a condizer. “Bruxa” o adjectivo servia-lhe na perfeição. Mulher amarga de poucos sorrisos, não recolhia simpatias de ninguém. O seu olhar curioso da vida alheia, revertia um bom dia numa autêntica invernia, qualquer ponta de informação dava desgraça certa. De nome Josefa até gato preto tinha. Só não tinha ninguém por companhia. Toda a gente dela fugia.

Paulo Roma, 52 anos, Lisboa

Desafio RS nº 28 – Josefa, intriguista e bruxa

27 agosto 2015

Programa Rádio Sim 584 – 27 Agosto 2015

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E esta hein?!
E esta hein?!  Escrever sem saber de tal...   
serei capaz de tamanha façanha?
Irra... difícil é de certeza.  Tragédia tamanha!
Meti-me nela... Hei-de sair da mesma!!
É verdade?!... A "manha"! Fazer dela minha aliada,
e fica a escrita "arranjada".  
77 palavras...  nem precisa de grande matéria...
mas sem as tais "letras"... fica a batalha mais séria.
Perdê-la?  Nem pensar...  e  se certa "Sra. Padeira, 
ganha Fama, pelas afamadas "pazadas"...
Ganharei fama a servir-me... de tantas letras 
baralhadas!!! 

Maria Cabral – Azeitão
Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

A invenção

Sentia uma enorme frustração que já não podia esconder. Tinha tratado todo o tipo de fobias, desde caçadores com medo de elefantes, otorrinos que suavam desalmadamente quando ouviam uma simples tosse seca, ou floristas que entravam em pânico quando viam lírios, mas isto, isto era demasiado. Tinha-se tornado uma verdadeira epidemia: secretárias que se escondiam quando viam um agrafador? Um simples e inofensivo agrafador?
Estava prestes a desistir, quando, dando voltas a um aramezeco, inventou o clip!

Paula Isidoro, 34 anos, Salamanca

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Apenas... Um!!

Um dia... Um momento... Um minuto. Um segredo, mesmo que seja Um tempo de "tortura".
Um sopro de Um pouco de sorte, poderá ser Um triunfo. Um nome. Um recolhimento. Um
silêncio de oração. Um soluço... Um medo constante. Um instante que prevalece. Um ser ou 
não ser... Um sonho talvez... com Um final feliz !
Um texto que pode parecer não ter nexo... mas tem Um significado e... acima de tudo Um 
fio condutor... a palavra... Um

Maria Cabral, Azeitão 

O relógio

Não queria tocar. Tinha decidido que não queria tocar mais no assunto. Afinal de contas, estavam juntos de férias ao fim de tantos anos que não valia a pena estar a bater mais na mesma tecla.
Desaparecera o relógio de ouro, e depois? De certeza que o tinha perdido na praia. Estava decidido: assunto encerrado!
Mas à noite, depois de um copo a mais, a Rita voltou a tocar no assunto: “Eu sei quem roubou o relógio...”

Paula Isidoro, 34 anos, Salamanca

Não queria tocar.  – “Os teclados”, Teolinda Gersão

Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa

Transversal complacência

É quando te olho,
nessa mudez altaneira,
nesse teu meio-sorriso
(assim,
hifenizado),
que a minha complacência,
de viés,
desliza por ti acima,
num quase-tango
(também hifenizado).
Podes semi-cerrar
(hifenizadamente)
os teus lábios,
podes virar a cara
e a permanente,
que a minha complacência,
deslizará sempre 
por ti acima;
e mesmo que navegues 
o teu pedantismo,
pelas águas indiferentes,
a minha complacência
sempre te atirará
borda-fora
(nem o hífen
te livrará
do mergulho 
e do espalhafato).

Assim será.

Jaime A., 51 anos, Lisboa (agora em Mortágua)

Não te podes calar?!

Bom saber é o calar até ser tempo de falar.
Bom dia!? Bem gostava de
saber desde quando
é que estes são bons dias.
O meu ronronar de beleza interrompido com tanto “Olá! Bom dia!”. Não te podes
calar? Cala o bico! Irritante, como é possível estar sempre bem disposto de manhã
até à noite? Malfadada sorte, tinha que
ser esta a minha sina?! Ó
tempo volta para trás! Maldita lua
de mel na Amazónia que te trouxe até aqui! Se pudesse
falar para te mandar calar...

Paula Isidoro, 34 anos, Salamanca

Desafio nº 30 – provérbio à esquerda na folha imposto

Suavizava com a paixão e o amor em liberdade

Zanzava pela casa e pulverizava cada divisão onde fora escravizada e vitimizada anos a fio O aroma de essência marítima esvaziava, assim, tudo de negativo que azucrinava os seus sentidos, e estigmatizava a dor que vandaliza a vida e o amor, que a sociedade dogmatizava e pretendera evangelizados. Assim, eternizava a solidão.
Banzava indignada e ruborizava de impotência e irritação contra tamanha prepotência. Agora amenizava desse peso e suavizava com a paixão e o amor em liberdade.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Benevolência

Não conseguia dormir e a culpa não era só da tosse seca. O caso estava encerrado, mas imaginou-se na situação e teve medo: durante décadas ela aguentou o vizinho que ressonava como se fosse uma manada de elefantes em fuga, bordou lírios de todos os tipos e feitios nas horas de insónia e desesperada envenenou-o e usou um agrafador para lhe fechar a boca de vez.
E os seus vizinhos, seriam mais benévolos com a sua apneia?

Paula Isidoro, 34 anos, Salamanca

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

26 agosto 2015

Programa Rádio Sim 583 – 26 Agosto 2015

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Silêncio de morte
Era uma tarde calma: no horizonte o sol caía com tons de vermelho, a anunciar o calor do dia seguinte. Como é belo o entardecer nos campos do Alentejo!
Oiço a música alegre dos pássaros a cantar... é como a música de Chopin!
Mas a luz desaparece e estabelece-se o silêncio calmo da noite, só interrompido por um piar da coruja: aquele ruído assusta até o pobre rouxinol que parou de cantar.
Fez-se um silêncio de morte!

Eglantina Estriga, 73 anos, Estremoz
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

De corpo tatuado

Habituou-se a aceitar o que o destino lhe ia reservando. Aprendera com a mãe a fazer-se à vida, sem brados, sem queixumes. Não sabia que o mundo se podia pintar de gestos doces. Sem reclamar, deixava-se marcar, dia após dia, pelo azedume que o marido guardava. As histórias só eram contadas pelas cicatrizes que o magro corpo ia guardando. No hospital percebeu a cor do amor. Separou-se do tatuador do seu corpo. Casou com o seu enfermeiro.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 68 – imagem de uma folha amarrotada

Férias inesquecíveis

No século passado, com 10, 11 e 12 anos frequentei a Colónia Balnear Cova da Gala (Figueira da Foz).
Isso foi possível porque o meu pai era empregado na Companhia de Fiação e Tecidos em Torres Novas.
Jovens de empresas importantes de Lisboa e Sacavém, entre outras, marcavam presença.
Praia do Cabedelo, jogos no areal, banhos, camaratas, anfiteatro em pedra, campo de futebol improvisado, director Marques, muitas amizades, são imagens inesquecíveis dos meus 15 dias de férias. 


José Manuel Tuna Caranguejeiro, 66 anos, Torres Novas 

25 agosto 2015

O mistério das azevias desaparecidas

Nem trinta minutos passaram desde que o prato das azevias chegou à mesa e já estava vazio. Apenas as vozes e risos dos Azevedo, os vizinhos de cima, quebravam o silêncio que se instalou naquele momento… quem teria evaporado a dúzia encomendada de véspera? Ninguém se acusou até que se ouviu a voz do mais pequeno: “Avozinho!!!”. “Eu só comi uma… de cada vez…” Talvez tenha sido a expressão de felicidade a responsável pelo perdão da família.

Catarina Azevedo Rodrigues, 42 anos, Venda do Pinheiro

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Inês, a advogada

Inês é uma advogada conceituada, tem duas togas, dá-lhes muito uso! Tem uma vida social agitada e preenchida. Gosta de regressar a casa e abraçar o Tico e o Teco… dois gatos maravilhosos, os quais ama muito! Um dele andava constipado da vista, já tinha gasto as gotas… tinha que voltar ao veterinário. De saída com o Teco, na passadeira depara-se com uma enorme derrapagem. Ficou assustada, mas logo sorriu quando alguém gritou:
– Estás com a tosga…?!

Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Desafio RS nº 27 – anagramas de G S T A O

De vez

Fechou-se na sua viuvez de azeviche e vazou a festa do azevinho.
Ouviu as vozes vazias.  
Vivera o vazio de uma gravidez zelosa mas inválida.
E da invalidez se avizinhou a sua vida. 
Fechada numa vasilha, sem vazador.
Um Velasquez, sem visitas, em Valdevez, zelava pela sua malvadez. Pendurada numa falsa avidez e altivez.
Não casara com o Aviliez. Outra voraz tristeza.
A vaselina não escorregava os dias. Passavam vagarosos. Talvez tivesse deixado de viver. De vez.

Violeta Seixas, 49 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Programa Rádio Sim 582 – 25 Agosto 2015

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Coisas da Rádio Sim

Escrever em 77 palavras: DESAFIADOR. Aguça a mente, põe na roda o raciocínio. Grata a Margarida Fonseca que além de provocar meu ser criativo, ainda concede a gratíssima satisfação de ouvir minhas palavras escritas contadas por ela na Rádio SIM.
Margô Helena Almeida dão conta de nos proporcionar esse momento especial. Assim atravesso meus densos rios, Amazônidas, cruzo oceano nas asas da palavra, na nau da infinda imaginação. Do extremo norte do país para o mundo!

Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Brasil
Desafio Rádio Sim nº 1 – história tem de falar de rádio

Vejam no blogue da Roseane - lindo!

24 agosto 2015

Programa Rádio Sim 581 – 24 Agosto 2015

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Tibaldo Canário adorava a ribalta. Estar em palco libertava dentro de si uma borboleta sensível e brutal, capaz de enternecer uma bolota empedernida. Para medir o seu sucesso, não havia bitola. Mais ninguém conseguia uma tal batelada de palmas, mas os humores na floresta azedavam. Uma batalha de sussurros, numa atabalhoada tentativa de o derrubar, era liderada por Alberto Cuco. Só havia uma solução: deitar abaixo a árvore, tendo o cuidado de acertar em cheio em Tibaldo.

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 95 – o máximo de palavras com BTL

Expediente

Avizinhando-se a fome, a personagem desta história vozeava por qualquer vitualha, que zavava, vasculhando a despensa. Só encontrava zarandalhas, entre elas farinha 'self-raising'. No pacote:  aumenta os bolos. Ora, não interessa!
Súbito, vozearia a encher de ruído, a calmaria do beco. A voz duma varina azucrinava: "carapau fresco ".
 Pouco o dinheiro, comprou dois.
– Uma vez não são vezes, disse rindo. Dois que serão quatro! Basta fritá-los com farinha 'self-raising'.
Velozmente os vampirizou.
Zerovalente, mas salvou o dia. 

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Apeado

A useira e vezeira vagareza do check-in irritava-o, mais do que a variz que começava a incomodá-lo. Ao chegar a sua vez, descobriu que a reserva perdera validez. Valorizou a atitude a tomar.
Poderia gritar, vazando toda a irritação, mas, não querendo quebrar o verniz, pegou na mala e partiu veloz. Sentindo-se vazio, caminhou até à várzea, sentou-se numa mesa vizinha ao ribeiro e, esquecendo Veneza e a viuvez, deliciou-se com um variaz.
Terminou o dia vivaz.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais
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Desafio nº 96 – palavras com Z e V


O vendedor

 monotonia da várzea só foi interrompida por um riacho que serpenteava caprichosamente como uma variz grossa pela paisagem verde-bronze. Esta ribeira vazava as suas águas num vaza-barris à costa.
Uma barca amarrou, carregada com cadeiras em verniz escuro e pilhas veda-luz.
Na aldeia vizinha havia uma feira.
Uma vez descarregada, o vendedor, um verdizelo venezuelano, começou logo a recomendar a mercadoria com voz vivaz.
Ora, vendera muito e visivelmente satisfeito zarpava com o porão quase vazio.

Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Um exemplo

Faltavam quinze minutos para começar o jogo, já tinha comprado o bilhete. As bancadas estavam cheias de espetadores, as vozes faziam-se ouvir… tinha lugar cativo, iria apoiar o Clube ao qual já pertencera. Decerto, recordaria saudosamente momentos passados…
Era uma equipa muito especial! Entre os jogadores existiam três fatores fundamentais: harmonia, positivismo e amor à camisola! Marcavam a diferença! Quando entravam em campo era para vencer! É uma equipa que trabalha com sabedoria!
Um exemplo a seguir…!

Prazeres Sousa,52 anos, Lisboa
Desafio nº 84 – sílabas de QUINQUILHARIA


23 agosto 2015

O Valdevez

A cada vez que eleva o vozeirão, quase volatiliza a avestruz que se passeia sob o azevinho, voraz com a azevia do almoço. O dia é quente, capaz de vulcanizar o azeviche que cobre a calçada, e na avareza do tempo poucos são os que avalizam a suavidade da voz, como um dom a proteger. Talvez um dia o Valdevez deixe de verbalizar a viuvez e compreenda a importância do verniz, quanto mais não seja, nas unhas!

Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Um mundo quase perfeito

Sentiu-se enfeitiçada por aquele rosto alongado. A sua alma parecia sucumbir à doçura daquele verde olhar. Estremeceu. A medo decidiu aproveitar o que o destino lhe concedia. Percebeu-o cauteloso. Com respeito, ele avançou. Sem medo, ela aceitou o sorriso que lhe escorria dos lábios. O efeito do encontro dos seus corpos, estreitou a desconfiança. Lentamente, deixaram-se mergulhar no deleite da dança das emoções. Esqueceram-se de cada um. Existiram em uníssono, cederam-se. O mundo agora fazia-se quase perfeito.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 67 – 8 palavras com EIT

Josefa, a pintora

Josefa poderia ser pintora de naturezas-mortas ou de retábulos onde pairam anjinhos, mas preferiu atormentar a crítica que teimava não lhe dar sossego.
Tanta intriga fez e foi de tal forma levada a sério, que será recordada a bruxa mais malvada das artes decorativas.
Pintar ou tingir dá quase no mesmo, importante é fazer da intriga um modo de vida. Depois disso basta pintar com as cores desejadas e deixar que se espalhem numa amálgama de cores.

Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

Desafio RS nº 28 – Josefa, intriguista e bruxa

Dor de alma

Daro não conseguia entender. Tinha a cabeça à roda, num redopio de emoções. Roma era a cidade onde tinham combinado casar. Ali estava ela de mala feita, com um discurso inteligível: tinha encontrado, ali, o seu verdadeiro amor.
Sentia-se envolto na lama da frustração. Surdamente gritava. A dor escorria-lhe pela alma. Não mais seria capaz de se doar a alguém. Sem mora, decidiu: ninguém mais ocupará o meu coração! Fechou-se ao mundo. Não mais acreditou no amor.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada
Desafio RS nº 14 – três trios de palavras em anagrama


Por tão pouco

O tempo passou. Vaporizou-se ou volatizou-se. Para onde foi, o que deixou?
Talvez algumas recordações de momentos que desvalorizámos com pequenas coisas que nos infernizavam.   
Quantas vezes teria ficado de mãos vazias quando se avizinhavam tomadas de decisões que galvanizavam as minhas perspetivas e desorganizavam os meus projetos.  
“Tudo perde o valor quando o esqueleto começa a ranger”!
Diz-me a voz da consciência o quanto perdi quando deixei de ir a Veneza porque me estalou o verniz!

Rosélia Palminha, 67 anos, Pinhal Novo

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Uma flor

A primavera timidamente se aproximou. Receosa, esta flor desabrochou. Como uma leve batida num vidro, pouco a pouco as pétalas se abriram. Como quem teme o que virá depois, de mero botão, a primor. Tão frágil, tão bela esta flor. Lentamente o seu doce aroma se dispersou. Mas só foi tomada consciência quando já não mais o vento soprou, e não mais o aroma se sentiu. Murchou a flor restando apenas semente, paciente, esperando a próxima primavera.

Liliana Macedo, 16 anos, Ovar

Desafio RS nº 25 – dedos que batem no vidro (cena)

22 agosto 2015

A festa

Ouvia-se um zumbido…! Era avozinha que utilizava aquele vozeirão… azucrinava a vizinha!
Andava impaciente com vinda da filha que estava na VenezuelaOrganizava uma pequena festa, visualizava tudo, utilizava muito o seu bom gosto!
Concretizava assim o que tinha planeado, estava feliz!
Olhou para as mãos… o verniz precisava de ser renovado. Paciência, preferiu ir beber um café e comer uma azevia. Saiu a pensar que o dinheiro desvalorizava. Uma inflação sem medidas.
Enquanto caminhava… alguém buzinava.

Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

A vizinha

AVEZARA-SE à VIZINHA. Lembrava-lhe uma AVEZINHA com a sua VOZ doce e olhos de AZEVICHE. Gostaria de a surpreender cantando, mas com o seu VOZEIRÃO seria um fracasso.
No Natal, ganhou coragem, e levou-lhe um AZEVINHO. Não por AVAREZA, mas por ser pobre. Disseram-lhe que partira para VENEZA com um cantor.
Sentiu o coração ESVAZIAR-SE. Partiu VELOZ, destroçado. No caminho encontrou uma mendiga e deu-lhe o AZEVINHO. Ela sorriu-lhe, e ele sentiu que DESVALORIZARA demais a vida.

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Cantando

voz ajudava a entender melhor o que interessava.
Fosse o mundo, a história, eu voraz.
Numa das vezes, retratava-o instrutiva, divertidamente.
Sem resposta, vazava incomum união entre música e política.
Divinizado, sem esta pretensão, o país derivou de estrofes, promessas governalizantes.
Improvisada, a vez da pátria está aí.
Aqui se utilizava a veia musical que radicalizava mil ritmos.
Quinzenava decretos, alianças e arranjos que irritam, mas fazem dançar.
Guturalizava apoio aos candidatos, crítica cadenciada, sarcástica, graciosa. 

Renata Diniz, 39 anos, Itaúna, Brasil

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

21 agosto 2015

Programa Rádio Sim 580 – 21 Agosto 2015

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Recordaram a loucura da paixão que os uniu, os beijos ardentes que trocavam, a beleza dos seus corpos nus, as palavras que disseram, os encontros marcados 4.ª feiras nos locais mais diversos. 
Agora no banco do jardim, que tantas vezes os acolheu de mãos enlaçadas, riam-se ao recordar os anos há tanto tempo passados.
Que alegria teve este encontro! Pensaram que seria o recomeçar da paixão que não havia esmorecido. Mas não! Partiram então em direções opostas.

Felismina Trindade, 70 anos, Estremoz
Desafio nº 11 – diálogo (ou não...) com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.

É Vez de festa!

Vez por outra, reluzem blogs festejando, com honradez, o aniversário bem velozmente...
Resolvi dedicar seis dias a festejar o meu, pois, por vezes, temos falta de tempo para visualizar, com calma as postagens.
Lemos tudo vorazmente como se fosse um prato de comida não saboreado. Satisfazendo um compromisso social, apenas...
Tudo que se faz com dedicação dá leveza à alma. 
Mais uma vez, agradeço a todos que deixam carinho em forma de palavras, sejamos vivazes e alegremo-nos!

Rosélia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

O brilharete

Baltazar Libertário parou a bicicleta e olhou a tabuleta, perdera-se!
Lisboeta de nascença, teve a brilhante ideia de aceitar o trabalho de tabelião na província Alentejana.
Precisava libertar-se dos seus fantasmas, contra os quais batalhava constantemente saindo sempre perdedor!
Estava um calor brutal. Procurou sinais de vida, só borboletas! Regressaria, tinha a certeza que passara por uma quinta... alguém deixaria a labuta diária para ajudá-lo a chegar ao tribunal.
Que brilharete! Logo no primeiro dia de trabalho!

Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 95o máximo de palavras com BTL