30 junho 2015

Programa Rádio Sim 542 – 30 Junho 2015

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No site da Rádio Sim


Tu vê lá, filha...
“Quem não arrisca não petisca” era o seu lema! Sempre que dispunha de uma oportunidade, não a perdia! Marta era uma pessoa muito extrovertida, enérgica e nada a demovia dos seus intentos. Queria aprender, fazer novas experiências, conhecer novos amigos, viajar! No entanto, a mãe por vezes lembrava-lhe se não estaria a exagerar!
– Tudo tem um limite – dizia-lhe. – Não faças nada de que possas um dia vir a arrepender-te! Olha que “mais vale prevenir do que remediar”!

Emília Lopes de Matos Vieira Simões, 63 anos, Mem-Martins (Algueirão)
Mais textos aqui:  http://ailime-sinais.blogspot.pt/
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Caminhada

– Se calhar a minha amiga sabe mais... – Se arranjasse maneira de lhe arrancar a verdade, pensava.
– A menina é bem destemida, mas necessita de ter paciência – disse a anciã. – Siga, pedale pela vida sem pressas. Sinta as entranhas da terra e lembre-se de permitir às pernas a merecida paragem.
– Deverei deixar a minha alma ditar a caminhada? – demandei.
Devagar, a anciã meneia a cabeça e esclarece:
– Aprenda a atendê-la a cada amanhecer, e a vida far-se-á leve.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais
Leiam outros textos aqui: http://quitamiguel.blogspot.pt/

Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

A enfermeira

Maria nascera na cidade de Santa Maria, fez carreira na enfermagem.
Ainda recém na área, dedica a zelar de gente da terceira idade, assim sentia feliz pela vida. Mas nem sempre na vida têm-se dias livres de tristezas. Ela aprendera na primeira partida sem vinda da velha amiga Francisca na manhã de Abril, elas eram afinadas de fazer lembrar mãe e filha. Desde esta data se dedica à medicina, para saber destes males, capazes de maltratar velhices.

António Tomaz Reis, 59anos, Salvador, Bahia

Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

Apenas “a, e, i”

Ai ai... A Margarida me dana! Inventa essas tiradas crazy, pede escrita sem certas letras necessárias. Ai resta ir atrás. Desafiada, enxerida bem a minha cara.

Sem chances de fazer rima
Certas letras me privam
Mas tentar entrar em clima
Abraçar a ideia, a mente reativam!

Versar assim é legal
Cabeça vai a pensar
E chegam letras e tal
Para faltas abafar!

Margarida minha amiga
Fã de ti sempre serei
Mas ideia me diga?
Mente brilhante, sei!

Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Brasil
Desafio nº 93 – escrever sem O nem U
publicado aqui http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5295847

Pedro e Maria

O Pedro estava contente, amanhã, marcaria, seguramente, o pacato encontro com as melhores surfistas. Orgulhoso, podia estar convencido. Amanhã, mesmo sábado, o Paulo esperava-o. Claro, a Maria, sempre objectiva, preferia economia. Contestava a magia, subtileza, o poder especial, contemplativo. Assim mudava sempre o programa. Estava convicta. A maçada seria: ondas, pulos e coisas audazes… mirabolantes. Seria, obviamente, perigoso e cansativo. A Maria surfar? Ondas? Preferia estudar certamente a matemática. Sonhava obrigar Pedro esquecer completamente as marés? Sim!

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Desafio nº 93

Hoje vamos subir a fasquia. Quem tira uma letra, tira duas – e se forem vogais, tanto melhor!

Que tal escrevermos sem usar o O e sem o U?

Impossível?! De todo, é bem divertido…

Eu já fiz vários, deixo aqui um deles (que é capaz de descrever o que sentem...):
A Margarida é perversa! Deseja narrativas sem certas letras… Cansativa! Se se lembrasse de cenas mais fixes, para variar? Tentei fazer rimas, nada. Tentei desenhar dramas em escada, nada. Desisti. Virei-lhe a cara, para ela perceber a minha raiva. Ela, sem ceder, fingia-se distraída. Cabra! Estas letras faziam falta era difícil deixá-las à margem, mas a Margarida cantava baladas cínicas para me impacientar ainda mais. Perdi a serenidade! Agarrei-a pela cabeça e apertei-lhe a garganta. Nem assim!

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

29 junho 2015

Programa Rádio Sim 541 – 29 Junho 2015

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No site da Rádio Sim


Maitê
Sempre ouvira a avó dizer que o hábito não faz o monge. Nunca acreditara.
Maitê iludira-se a vida inteira com as promessas vãs dos militares, com fardas engomadas e botões polidos.
Os vestidos curtos e baratos não disfarçavam a beleza exótica.
Jogos de prazer em vielas sombrias mediam forças com noivas púdicas que se mantinham virgens até ao casamento.
Perdera o brilho, perdera o sonho...
A vida dura ensinou-lhe que não se julga um livro pela capa.

Sandra Pilar Paulino, 44 anos, Barreiro
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Peúga atrevida

Desde muito nova julgava-se uma peúga deveras atrevida e muito sabichona.
Frequentemente espreitava pelo ralo fazendo maldades a quem passava – depois escondia-se.
Certo dia, uma doce jovem queixou-se ofendida com a sua conduta.
relojoeiro, seu pai, não tolerando aquele comportamento decidiu agir prontamente.
Num metro de tubo pendurou a infeliz  à vista dos transeuntes.
Envergonhada, e pressentindo a ruína, deixou-se secar – muito triste! – ao vento.
Não mais se falou de má educação no bairro – fez-se justiça

Génio G., 58 anos, Tondela
Desafio RS nº 26 – 7 palavras impostas em 7 frases de 11 palavras

27 junho 2015

Isso pensas tu!

Ti Madalena era tão coscuvilheira que não havia ninguém igual em todo o bairro. Espiava todos os homens, das outras, claro…
– Não querem lá ver que a ti Maria anda feita com o José alfaiate!
– Não digas isso, mulher. Para ti todos se atiram à Maria.
– Todos não, meu Zé, não malha no que é dos outros.
– Pensas tu! Melhor seria cuidares do que é teu!
– Olha lá, que sabes tu?
– O que ele me vai contando!

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio RS nº 23 – história de mulheres

Contumácia versus Terapia

Viajante incansável, absorvia os pormenores, ficando cativo pelas diferenças, pelo exotismo, pelos usos.  Tudo o deslumbrava.
Do frio glaciar ao espanto que lhe causava a canícula tropical. Da fertilidade dos países baixos à aridez das estepes siberianas.
De quando em vez, aflorava-lhe a revolta, ou a repetição dos ecos sensoriais...as viagens eram fantásticos sonhos, por ora irrealizáveis.
Seguia o mapa da parede em frente à cama, que o sustinha até à cura.
As viagens, essas, continuariam.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição

Pastorisa

Pastorisa, menina pobre e humilde, passava horas brincando com a Naná que era rica. Às vezes, a Naná, lembrava-se, talvez só porque era rica, e puxava-lhe as tranças.
Pastorisa ficava triste, choramingando...
Isto passava-se sempre.
“Sempre é muito tempo!”, pensou um dia.
Era pobre, mas não aguentava mais ser humilhada!
Quando Naná lhe puxou as tranças novamente, ganhou coragem e… puxou-lhas também.
O tempo passou…
Acabaram-se as puxadelas. Agora, Naná respeita Pastorisa e tornaram-se até grandes amigas! 

Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Desafio nº 65 – chamavam-lhe Pastorisa

Queremos nosso amor eterno

No emaranhado de folhas que encontrei numa gaveta
foi com espanto, que deparei com a carta, que tu, meu amor, me escreves-te
passados uns dias do nosso primeiro encontro.
Lembras da revolta que sentimos, quando perto de nós alguém agrediu brutalmente a companheira, injuriando-a com nomes obscenos, e nós no auge da nossa paixão nos beijávamos e fazíamos juras de amor.
Lamentamos aquela cena tão fria mas a repetição dos nossos beijos, do nosso amor queremo-la eterna.

Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos Lisboa

Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição

26 junho 2015

Programa Rádio Sim 540 – 26 Junho 2015

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No site da Rádio Sim

Afetos Passivos
Amor com amor se paga. Casamento exuberante, cooperação, capacidade de entendimento mútuo. 
Com alegria e liberdade, caminhando para dias melhores. 
Todavia, na escada dos fundos, violência alucinada aliciando amantes da inveja, do ciúme. 
A flor do casamento se enfraquece pelos maldosos incapazes de andar por si mesmos. 
Mercenários do amor estão à solta tragando os que não perseveram no ser amado. 
Dessa forma, um alerta contra os afetos passivos: Antes que te cases, vê o que fazes.

Renata Diniz, 39 anos, Itaúna/Brasil

Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Pecados e pudores

Ouviu-se. Pecado? Era controverso. A Mentira? Sabotadora. Opressivo pudor? Estranha coisa adiada, medos sucumbidos.
O Pai estava confuso. A mãe sorria.
Ontem pudera enternecer corpos, aconchegar maresias sensuais.
Ouviu-se. Podia enganar. Calar a maternidade, silenciando-a. Obedecer, por esses caminhos apaziguadores, mas sibilantes! Ouvir patéticos, engenhosos conselhos, admoestando, martirizando. Sabia-os!
Ouviu-se. Podia erigir-se como amorosa mãe. Sentia-a! Ostentar pecados enamorados. Condimentados, aromatizados. Manjericão, sálvia. Optar pela esperança. Crença andante, mas segura.
Ouviu-os. Pai entra, comovido. As mães… sorriem.

Fernanda Elisabete Gomes, 58 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S


Que imagem?

Olho o espelho e sinto um frio a queimar-me. Não vejo ali a menina que fui. Espanto! Estará o espelho zangado comigo? Olho as rugas, os cabelos brancos, e não reconheço a imagem que ele me devolve. Fujo, desorientada, mas não resisto. Regresso. Vou enfrentá-lo teimosamente. Pode ser que a repetição o humanize e me devolva aquilo que me quer roubar: o esverdeado dos olhos, o louro do cabelo, a pele macia, a paz. Ai que revolta!

Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Francamente...

Com franqueza, Francisca Torres, de padinha com a Margarida Fonseca? Isso é imagem que se
proponha para um desafio: venha cá, ó Freitas! Quem é ele? Ignorância minha, se calhar devia conhecer… mas, para mim, Freitas era um tipo que nem gosto de me lembrar, quanto mais de me servir dele para escrever. Pronto, esquisitices à parte, apetece-me é pouco aturá-lo… por isso melhor é dizer-lhe já que, por mim, está dispensado. Prefiro os livros da Margarida…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

25 junho 2015

Programa Rádio Sim 539 – 25 Junho 2015

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Gesualdo contou de novo – 1000 menos 230, menos 45, menos 138, menos 508, menos 93, menos… nada! Não sobra nada!
Depois de pagar renda, electricidade, passes, alimentação do Carlitos e dele, água, nada sobrava. Foi à arrecadação procurar algo para vender, safando aquele mês. Nada! Começou a olhar para o Carlitos, o Carlitos para o pai, aquilo complicou-se, complicou-se, até que, apontando um para o outro, disseram:
– Vou-te vender!!!
Não se assustem, isto é só uma história…

Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

Desafio nº 31 um conto com matemática…

S ou ?

Seria uma salamandra?
Ou interrogação do avesso?
Um “S” pela metade?
Engraçado é, reconheço!

Parece que quer comer
As bolinhas bem na frente
azul e a vermelhinha
Numa bocada somente!

Lagartixa osga, ou camaleão.
Calango, iguana ou lagarto.
Salamandra, porque não?
Na dúvida, nenhum descarto.

Importa que seja bonitinho
Seja qual gênero for
Se um "S”, é estilizado.
Com seus coloridos pontinhos

Usando a imaginação
Mil ideias vão surgindo
A arte sugere então
Até poesia fluindo!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Publicado aqui: http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5291971
Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

Desenlace

Observava. Apenas isso. Ostentava ar de tranquila, mas, o intimo se opunha ao aparente sossego. Olharam-se pela última vez. No silêncioouviam-se ruídos de respiração, apenas.
Aquele encontro certamente a obrigaria a infinitas noites de vigília.
Um suspiro. Obedecendo a razão ocultou a dor. Em anos aquela ausência ocuparia sua existência. Nada a obviar. Nada.
Olvidar?
Nunca.
Alguns sentimentos de tão oceânicos, obscurecem toda vida.
Jamais objetar o destino. A vida se oferta desse modo. Just it! 

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Publicado aqui: http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5295950
Desafio Rádio Sim nº 4 – todos os verbos com uma destas letras O, L ou D (só uma!)

24 junho 2015

Uma questão de tamanho

Todos os sábados à tarde avô e neto iam às praias da Costa.
O neto refilava que queria a do "meio".
Um dia o avô perguntou-lhe o porquê da escolha, a resposta foi... 
Bolas de Berlim.
O  avô ficou pensativo... no sábado seguinte escolhe outra praia.
O neto refilava... quem perde sou eu !!
Perdes porquê?  As bolas são iguais.
Como menos um bocado...
As destas praias, são de futebol, as da praia do "meio" são de 
"basquetebol."

Maria Cabral,

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

Desarrumação

Miguel entra no seu quarto desorganizado levando uma mão à cabeça. Esquecera-se completamente de o arrumar, tarefa que não lhe agradava. Recorda-se, então, dos advertimentos da mãe sobre o seu desleixo que era capaz de levar o Papa ao desespero. Felizmente, era um bom aluno e na maior parte das vezes conseguia sair ileso ao mostrar o cartão verde que eram as suas notas. Contudo, agora, as férias tinham chegado, sinónimo de tarefas domésticas, um verdadeiro pesadelo.

Inês Manaia, 13 anos, Leiria

João Ninguém

Banho para quê? Ele dizia
Mau cheiro que causava asco
De tudo pouco caso ele fazia
Meio perdido, verdadeiro fiasco!

Envolto em um caos total, assim vida era.
Sem eira nem beira, vagava o coitado.
Dias inteiros ausentes de quimera
Soca fundo o destino, desapiedado.

No saco coas um café requentado
No fundo somos todos cabeças ocas
Há quem cosa a vida de jeito inusitado
E assim menos dissabores, provocas...

E segue torto e absorto sua trilha...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Publicado aqui: http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5298131
Desafio Rádio Sim nº 7 – anagramas com S C O 

Programa Rádio Sim 538 – 24 Junho 2015

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Desinformado...
Quem não arrisca não petisca! Pedro continua a pensar assim, afinal mais vale arrepender-se do que fez, do que daquilo que não fez. Por exemplo, Inês, a miúda mais gira da turma. Decidiu declarar-se a ela. Tudo fazia crer que era correspondido. Até os nomes combinavam. Preparou uma serenata em frente a toda a escola. Inês ficou boquiaberta. Como era possível Pedro desconhecer que ela namorava João? Quando este esmurrou Pedro, ouviu-se” Quem anda à chuva, molha-se.”

Vera Viegas, 31 anos, Penela da Beira
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Comodismo

Na sua aparente bondade era um homem frio que nem um glaciar e perante situações de alguma tensão o seu discurso arrogante causava muita revolta motivando alguns tumultos. A dúvida tingia de sombras o horizonte!
O sorriso amplo e cínico dos lábios finos caracterizava-lhe o rosto imperturbável e a repetição das suas opiniões, sempre no mesmo tom, a ninguém já causava espanto!
Um certo comodismo foi-se generalizando e soube-se que jamais alguém conseguiu dissuadi-lo dos seus intentos! 

Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins, Algueirão

Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição

O momento em que o mundo parou

Naquele instante, apercebi-me de que o mundo tinha parado e eu... continuava ali, boquiaberta e desorientada. Observei as pessoas, algumas tinham uma expressão carrancuda como se soubessem o que se tinha passado mostrando visivelmente o seu descontentamento. Outras pareciam felizes por puderem parar para descansarem da azáfama habitual. E eu... que nada entendia do que se passava explorei cada detalhe à minha volta esperando poder recordar, mais tarde, aquele mero segundo insignificante em que o mundo parou.

Inês Manaia, 13 anos, Leiria

Como eu quero...

Quero ausência de inverno,
Dias sem frio de solidão.
Que enquanto dure, seja eterno.
  
Quero beijos de infinitude
Não dormir sem repetição de abraços.
Mistura de gostos, cheiros, e sapatos.

Também quero o retorno ansiado
Contar cronometrado,
espanto da chegada... 

Quero sim tudo o que é merecido,
Risos soltos, coração ardente,
Emoções, e na hora “H”, ponteiro esquecido...

Quero a melhor companhia partilhada,
Nada de revolta ou dormir engasgada,
Quero a sorte de um amor tranquilo...

PS: no texto-poema frase de poetas do Brasil: Vinicius de Morais- “Que seja eterno enquanto dure” e Cazuza - "Eu quero a sorte de um amor tranquilo".

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Publicado aqui: http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5301323
Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição

23 junho 2015

Programa Rádio Sim 537 – 23 Junho 2015

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Que ruína!
A história do Chico continuava a cativar os vizinhos do bairro. Todos sabiam com minúcia cada passo do infortúnio do ardina. A sua sacola fora roubada por um vil rapazola havia muitos anos, mas ainda agora sofria na alma o abalo infinito causado por tal ato. Os jornais não foram a sua maior ruína, pior tinham sido os parágrafos apagados da sua biografia: um a um, os dias vividos na única profissão praticada por si haviam sumido.

Ana Paula Fernandes, 51 anos, Torres Vedras
Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Pensamento

Há que ser belo o anelo do amor.
Arar coração, possibilitar,
Deixar um vão, janela aberta...
Livres sem traves ou trevas.
 Do íntimo vertas bondade,
 Sê generoso, fiel sem ser servil.
Simplicidade é lugar onde ele mora, pessoa rara.
  
Dedico esses versos sem rima,
Com mira certa, aos que oram a paz,
Olena, Amir, Omar, tanto faz.
Aqui, em Roma, qualquer lugar...
 Decido a dádiva da vida (Life) brindar,
No divã da coerência refletir,
Preconceitos, intolerâncias afastar!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Publicado aqui: http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5291961
Desafio nº 56 – usar 14 anagramas insólitos e divertidos

O frio da ausência

Helena percorria todos os dias os mesmos lugares. Naquele dia, o espanto deixara-a completamente perplexa. Como era possível? Onde estava o seu menino? O frio da sua ausência percorria-lhe a alma. Quando a noite se avizinhava, a dor tornava-se mais insuportável. Numa repetição quase patológica revisitava cada lugar onde imaginava que pudesse estar. A revolta cavalgava-lhe no peito, perturbando-lhe a lucidez.
– Helena, vem para casa. Amanhã, vamos à campa do nosso menino. Comprei margaridas para ele. Gostas?

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição


Ai, ai!

– Ai, Leonor, para de olhar para esse aborrecido, mau e chato relojoeiro!
– Ai, ai, ai, ai, hoje em dia já nem há justiça! Deixa-me estar aqui sentadinha Pai, é que eu nem me ralo!
Todos os dias era a mesma doce história, brrrr, que irritação! Eu tenho que acompanhar a Tia Fifi ao metro de Lisboa. 
A Tia Fifi é muito exagerada, faz de tudo uma ruína. Tivemos que voltar atrás porque se tinha esquecido de uma peúga!

Maria Leonor Moura, tenho 11 anos e vivo em Santa Maria da Feira
Desafio RS nº 26 – 7 palavras impostas em 7 frases de 11 palavras


Livra!

Pela quinquagésima vez, pedia-lhe para não mais mentir. Aquele trafulha conseguia ser um exímio mestre na arte da patifaria. Nunca vira nada assim. Respirava mentiras, comia mentiras, um caos… Que angustiante! Agora percebia o que era um mentiroso compulsivo. Sempre que o maldito telefone tocava, tinha taquicardia. Na certa ia haver confusão. Estava cansada, desatinada, farta, já não sabia quem mais precisava da consulta de psicologia. Acorda Mariana! Puxa, ainda bem que foi só um mau sonho! 

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 84 – sílabas de QUINQUILHARIA

Napoleão

Ao tocar a segunda repetição do clangor, o regimento imperial apareceu na batalha. O espanto sobre o fim incerto do combate estava sensivelmente presente. Porque todos sabiam que o imperador mobilizara o seu último trunfo na peleja. Nuvens de fumo de pólvora envolveram os granadeiros e as hostilidades de sangue frio intensificavam-se sob o estrondo de canhões. Depois da luta encarniçada, o rumor que Napoleão deixou a batalha de Waterloo, provocou alguma revolta entre os soldados vencidos.

Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 92 – associar: frio, espanto, revolta e repetição