30 abril 2015

Programa Rádio Sim 498 – 30 Abril 2015

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No site da Rádio Sim


Discussão peculiar
A guerra entre Maria Antonieta e Gertrudes Casquinha vinha dos tempos das avós.
Sempre que se cruzavam tinha discussão. Mas eram muito peculiares. 
E ali estavam.
– Quem ela é, Maria Antonieta a grande mentirosa.
– Minha amiga, quem tem telhados de vidro não atira pedras.
– Amiga!? Vozes de burro não chegam aos céus.
– Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.
– Bem prega Maria em casa vazia.
– Onde o tolo perdeu, o esperto aviso colheu.
Zangam-se as comadres...

Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas
Desafio RS nº 23 – história de mulheres

Coincidências


Era  vasta a savana com seus odores, seus silêncios, seus sons característicos e selvagens!
Tudo permanecia calmo,  natural, até  surgir um elefante clamando por ajuda.   
Seu filhote tinha pisado um agrafador, caído do nosso jipe. Pobrezito tinha um agrafe na patinha esquerda. 
A culpa era dos intrusos. (Nós)!
Penitenciámo-nos tratando o animal, não só da patinha como também duma tosse seca que o incomodava. Uma tisana de lírios roxos remediou, pois tal como cá, o hospital abarrotava.

Rosélia Palminha, 67 anos, Pinhal Novo

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Terror...

Uma tosse seca abanou aquele conjunto de ossadas bizarras. As raparigas colavam-se ao colchão, escondidas debaixo do edredão, que lhe pesava como se tivessem um elefante em cima. Tamanho era o medo! A situação arrastada deixava-lhes os nervos em franja. A mais afoita tacteou a mesa de cabeceira e agarrou um agrafador, atirando-o ao esqueleto no momento em que ele estendia aqueles braços na direcção delas. Truuuum! Silêncio! Espreitaram e viram um lírio no meio do chão.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Num corrupio

O agrafador avariado, uma tonelada de folhas,
mais pesadas que um elefante, não havia mãos que chegassem para transportar tudo. Resultado: O esforço que fiz, desencadeou uma tosse seca que só passou depois de ter posto tudo de lado e ir contemplar a natureza admirar os lindos campos de flores primaveris, onde um belo lírio me desafiou a fazer-lhe uma quadra.

Lírio roxo lindo lírio
Nasceste á beira do rio
Amo-te e num corrupio
Aceitei teu desafio

Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos, Lisboa

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Madrugada...

Fria... insone madrugada
Longe, aumentando minha enxaqueca
Sons de uma tosse seca,
Profunda... como se fosse de um elefante,
Alta... retumbante...
Levanto... caminho pelo quarto... deito,
Dormir como? Ah... não tem jeito...
No ar, perfume de um lírio
Doce... nauseante... um martírio,
Mexendo com minha alergia,
Ai que agonia...
Novamente levanto, nariz a arder,
Cabeça a doer,
Pego o grampeador
E, num gesto enlouquecedor,
Quase  grampeio o nariz...
Ufa... foi por um triz...
Melhor tentar dormir!

ania lepp, 43 anos, Porto Alegre – Brasil 

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Pobre terra de homens sem condição humana!

Lírio não oferece só modelo, mas possibilidade de florir e embelezar os olhos da alma.
Infância, adolescência, vida adulta, velhice, convergência, evolução, amplitude.
O desenvolvimento humano é o que permite admirar a natureza, mais ainda o elefante.
Pobre terra de homens sem condição humana!
Dúvida e conhecimento fazem parte de uma tosse seca, quase crônica do ser humano.
Colado à realidade, contato inventivo com o mundo natural, o agrafador tem a valentia do mundo transformado pelo homem.

Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Visões

A mulher comprou um lírio e sorriu à florista. Que lindo embrulho, obrigada! Ouviu uma tosse seca e notou uma espécie de tremor por todo o corpo. Virou-se, a medo, sentindo uma empatia mágica por aquele homem. Reparou que ele trazia um agrafador de grandes dimensões. Ousou pedir-lho emprestado e arranjou uma desculpa. Agrafou um cartão qualquer ao embrulho do lírio. Olhou para os pés e já não via um elefante. Via apenas umas pernas muito fortes.

Paula Dias, 50 anos, Lisboa

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Vingança

À noite, ela não conseguia dormir com o barulho. O som mais parecia um elefante. Cada bramido que ecoava aos seus ouvidos era arrematado por uma série de tosse seca.
Arre!
Num breve minuto dormiu.
Sonhou que trancava nariz, lábios do parceiro, com grampos de um agrafador.  Era sua vingança!
Dormiu finalmente. Pena só em sonho!
Ao acordar, fazendo suas atividades caseiras, arruma um lírio no vaso. Esquecera: o parceiro tinha alergia.
Inicia tudo, agora de dia!

Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Agrafo encravado

Uma tosse seca despertou o elefante. Mal-humorado procurou o desaforado que lhe interrompia o sono. Num canto, o agrafador contorcia-se. Um agrafo ficara encravado, dificultando-lhe a respiração.
O elefante, solícito, bateu-lhe nas costas, preparou um chá de lírio, ouvira dizer que era bom para a garganta. Nada. O agrafador estava quase roxo.
De repente, o silêncio. O elefante, zeloso, ainda tentou a respiração tromba à boca, tarde demais, o pobre já partira para o mundo do ferro-velho.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Desafio nº 89

Preparados para ficar com a cabeça fora do sítio? Excelente!

O desafio que vos proponho desta vez é este:

Na mesma história curta teremos de incluir
·         Uma tosse seca;
·         Um elefante;
·         Um lírio;
·         Um agrafador.


Que história é esta?

Depois de muito pensar, escrevi assim:
A notícia entrou-lhe pelas orelhas, em estéreo, e quase lhe saiu pela tromba, pois encontrava-se entretido a deitar lama para as costas, como qualquer elefante. Que notícia? A do falecimento do agrafador. Não que soubesse que era um agrafador, mas eram bons amigos. Morrera debaixo do casco de uma zebra distraída que pretendia cheirar um lírio e contraíra uma tosse seca. Um desastre!
Cheio de lama e desgosto, o elefante sofreu… Sofreu, até encontrar uma lanterna. Aí…
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

29 abril 2015

Programa Rádio Sim 497 – 29 Abril 2015

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Às minhas mãos
Às minhas mãos
vieram as tuas
num sorriso mais certeiro
do que o bico do mocho.
Acariciei,
melhor, meus olhos afagaram
Às minhas mãos
vieram as tuas
num sorriso mais certeiro
do que o bico do mocho.
Acariciei,
melhor, meus olhos afagaram
a tua nuca,
também fonte de saber.
Os meus atalhos
seguem os teus caminhos,
meus passos já buscam os teus;
trago no bolso,
perdidas entre rotas,
as tuas coordenadas.
Os meus olhos são incessantes
sorvedouros do real 
que me envolve,
nada lhes escapa,
apenas tu.
O pó da estrada
embala-me o sorriso 
numa vacatura delirante.

Jaime A., 50 anos, Lisboa


Já babada vai direitinha prá banheira

Começou a pequerrucha a babar-se e o seu pai, benzeu-se duas, três vezes, bandeou-se nervoso, novamente, no banco, pedindo, implorando auxílio, berrou:
– Quem vem pôr babete nesta criança?
– Meu Deus, eu!!! Balbina de Jesus Silva Bonifácio!
– Que maravilha, fica-lhe bem. Quem diria que babarias o meu fato bonito?
– Não querias fazer bom papel de pai?
– Babado? Fico cheirando a bacalhau.
– Vai já prá banheira.
– Eu ia banhar-me, mas preciso primeiro barbear-me.
– Então podes já bazar! Há pais???!!!

Margarida Monge, 52 anos, Vila Verde de Ficalho
Desafio RS nº21 – de 3 em 3 plvrs 1 começada em B

O amor do Chico

O Chico tinha sido ardina. Agora, idoso, só tinha a sacola dos jornais como ligação a tal vida. Um dia roubaram-lha.
Chorava todos os dias.
Coitado do Chico!
Mas uma manhã, viu a sacola à porta da sua casa.
Animado, tomou-a nas mãos, abriu-a.
Ao abri-la, ficou angustiado, amargurado!
Na sacola faltava uma carta do único amor da sua vida. Um amor não consumado… mas, a carta, junta com a sacola, formavam a razão da sua vida!

Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

O Quincas

Quincas + Toquina + abelha + conseguiria + traquinaria

Quincas era um cão feliz. Mas um dia, a abelha Toquina tentou dar cabo da vida dele com o seu zumbido e voos rasantes à volta da cabeça do pobre cão.
Conseguiria mesmo?
A sorte do cão foi que voava ali perto um abelharuco seu grande amigo. Assim que viu a traquinaria da abelha, nem pensou duas vezes. Fez um voo exímio e, num ai, papou a abelha Toquina.
Assim voltou o Quincas a viver feliz.


Domingos Correia, 57 anos, Amarante
Desafio nº 84 – sílabas de QUINQUILHARIA

Laços e abraços

Apenas o desejo de teu abraço, fazer um laço.
Juntar
Ponta a ponta sonhos atar,
Prensar o medo
Acolher até o ar quase fugir...
Afugentar, somente a solidão.
Enlaçar
Envolver,
Embaraçar
Fios do novelo juntar
Laço de unir, enfeitar.
Qual presente,
Entregar...
E no meio de ti,
Olhos fechar,
Tempo pedir para parar,
E o mundo pode rodar
Girar e apenas esse desejo realizar:
 Na quietude,
Toda plenitude,
Um Desejo de: Teu laço, o abraço apenas... Fazer...


Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio nº 10 – duas frases com as mesmas palavras e sentidos diferentes

Cinema?

– Vou ao cinema esta noite, queres vir comigo?
– Claro, vou arranjar-me, já volto.
Fico à espera e parece demorado. Subo, chamo, procuro, ninguém responde, ninguém aparece. Começo a preocupar-me. Será que desapareceu? Desço as escadas e ela aparece à minha frente. Pergunto onde estava, onde era mesmo a sua casa. Nada, sem resposta, assim fiquei.
Mal chegámos, comprámos as pipocas e fomos «Harry Potter». Adorei!!!
– Gostaste? – pergunto eu.
– Sim, voltamos cá mais vezes?
– Claro, adeus!
– Bye, bye!!!

Maria Dias, 11 anos, Torres Vedras

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

Just Love

Acordar e te ter por perto é doce. Tens mel. Acendes o amar. Põe amor no ar.
E é sempre deste modo. Mesmo ao correr do tempo.
Nossa pele corta de tesão.
Não penso ser real. Não pareces ser deste plano. E do nada troco de plano.
Do certo para o de repente, para o dançar das ondas...
por todo esse amar.
Completo.
Pleno.
E para te dar esse amor, todo e tão somente, sempre, eternamente...
Será...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Publicado aqui: http://www.anezinha.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=5224663
Desafio nº 8 – crise de letras; usar só  E  O  T  R  S  P  L  M  N  D  C

Uma lição dada

Nunca cansar! Caminhar, ir always rumo ao plano! Assim dizia a calma, parcimoniosa Lady, para a qual o difícil não tinha oportuno. Aldo, o moço habituado a corridas tirou graça, provocando-a. Topada a provocação foi buscar ultrapassar. No dia acordado, partiram rumo ao ponto, Aldo muito dono da vida, parou, tranquilo... Dormiu!
Assim foi Lady, na calma, ao modo próprio, quando Aldo, acordou... Viu Lady passar na linha! Não havia mais como ultrapassa-la!
Foi assim!
Uma lição!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio nº 9 – sem usar uma letra (U, R, S ou E) – história conhecida

28 abril 2015

Programa Rádio Sim 496 – 28 Abril 2015

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Ascenção e queda
Maltrapilho havia muito. Sem banho, água por no mínimo meses o máximo que fazia era molhar as mãos em lama de rua. Culpa de sua mesquinharia. memorável patrimônio, boas músicas, riqueza que multiplicara na mocidade, luxuosa moradamelhorias que a maioridade trouxe, se perdera. Restou o macerar que se impôs.    Misturado à dor: pena, humilhação.
– Miseráveis!
– nada para mordiscar...
Osório e sua tacanhez, sem mel, apenas fel.
Sem lágrimas, um choro quase mágico, vazio...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio RS nº 16 – lista de palavras com M


27 abril 2015

Programa Rádio Sim 495 – 27 Abril 2015

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Chegaram, ruidosas...
Chegaram. Entraram ruidosamente. Juntaram mesas. Arrastaram cadeiras. Sentaram-se. Riram alto. Falaram mais alto. Mataram o silêncio morno daquele café. Encomendaram. “Três cafés cheios e três normais”. E um bolo. Para as seis. Vieram os cafés. Três cheios, três normais. E um bolo. Uma fatia de red velvet, corpo vermelho de branco vestido. Matematicamente dividida em seis porções iguais. Não caberia mais nas ancas largas, nas barrigas proeminentes, nas coxas roliças, nos seios XL escondidos nos largos aventais. 

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira
Desafio RS nº 23 – história de mulheres

25 abril 2015

Um entardecer

Um corpo marcado pelo vento,
as águas formam trilhos,
espreguiça-se o compasso,
a bússola treme.
O vento tresmalha algumas folhas,
só se ouve o som do restolho.
A colina beija, lentamente,
o riacho que se espalha
na brandura de um entardecer;
o sol fixa-se,
um gesto expectante ganha forma,
e o tempo pára,
numa apoplexia deslumbrante:
cerejas misturam-se no pó,
amoras mergulham sôfregas nos córregos,
a brisa morna tudo envolve numa prodigiosa
salada de frutas.
Entardece então.


Jaime A., 50 anos, Lisboa

Céu Azul

– Só você para contrariar as nuvens – gritou Teté entusiasmada. A avó Mena ria e brincava como um salta-pocinhas de 7 anos. E já eram muitos mais os anos que lhe pesavam no corpo, mas a alma, essa, voava livre como um pássaro rumo à primavera e ao sol.
– Salta, Teté, salta! – grita, chapinhando feliz. Os olhos piscam de felicidade e, encharcada, abraça a neta e sorri. As nuvens libertaram o céu azul. Partiram então em direções opostas.

Sandra Pilar Paulino, 44 anos, Barreiro
Desafio nº 11 – diálogo com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.


24 abril 2015

Programa Rádio Sim 494 – 24 Abril 2015

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Férias em sete
Fui de férias para a Aldeia de Sete. Cheguei no dia sete de julho e aluguei o número sete da rua do alecrim. Passei sete dias maravilhosos.
Acordava às sete da manhã, sempre ao som das Sete Mulheres do Minho.
Tomava o café da manhã na pastelaria e conversava com quem ia aparecendo.
No meu baú de recordações guardo o provérbio popular que aprendi numa destas conversas matinais, dizia assim: “sarampo, sarampelo, sete vezes vem ao pêlo”.

Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha
Desafio nº 7 – história onde entre 7 vezes o número 7 

23 abril 2015

Programa Rádio Sim 493 – 23 Abril 2015

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Chico gritava:
– Roubaram a minha sacola!
Surgiu um burburinho: «Sacola?! Para um ardina fora do prazo?!»
Mas Chico continuava, os olhos num sufoco. Marília, namoradinha antiga, ouviu-o: «Tonto, vou acalmá-lo.»
– Ai, Chico, fica tranquilo. A sacola já não faz falta! Tanto alarido por uma malita antiquada!
– Foi uma companhia toda a vida. Malita antiquada, como assim?!
– Vá, Chico, tira isso do crânio!
Chico sorriu. Mãos dadas, a antiga paixão a iluminá-los. Avançaram a dois para o futuro.

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Pobre Pedro

Ao chegar alguém com lepra tem de avisar o povo são com penetrantes matracas. Ora, Pedro não tinha culpa de que a cara fosse cheia de chagas fedorentas. Insultaram-no... gafa! 
Oxalá encontrasse nos dias frios um humano que lhe desse um lugar quente no curral. Gozava do odor forte a estrume e feno, e a ração vária dos porcos era melhor do que um ventre vazio. 
Milagrosamente, a sua estada no curral fez sumir as chagas fedorentas.

Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia Bélgica

Desafio nº 88 – todas as palavras com mais de 6 letras têm de ter RST

Ai, as tradições...

Serenamente tento seguir com rigor as tradições e no meio de tantos trocadilhos, por vezes, entro em sofrimento! São contratempos que no caso me tiram do sério! Tormentas e contrastes deste astronómico mundo novo cheio de arbitrariedades que me transtornam! É que há por aí tantos tratantes que não sei onde tudo isto vai parar. São todos uns embusteiros! Como ajustar-me a estas tremendas prepotências? Quem me poderá ajudar? As tradições já não são o que eram.

Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins, Algueirão 
Desafio nº 88 – todas as palavras com mais de 6 letras têm de ter RST
Mais textos aqui: http://ailime-sinais.blogspot.pt/

Mal de amor

Quanto tempo ficou para trás, pensa tristemente Adamastor. Risolette ainda está em seu pensar.
Resoluto, esse seria seu eterno sofrimento. Ela atrevera-se a partir em uma, sexta feira, 13 de agosto de 2013. Superstição?
Tudo mais para ele fora assustador. Jamais suspeitaria. Nem a longa sonoterapia o ajudou. Por aquele amor, faria teses, livros, tratados. Cria na vida tridimensional. Tinha fé. O amor os uniria de novo. Soterraria o sofrer.
A fé era, é maior que tudo.

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 88 – todas as palavras com mais de 6 letras têm de ter RST

Babá e Beta

Beto era um homem baixinho que vendia diariamente balões. Ao vento, pareciam baloiços que, muito graciosamente, bailavam atraindo os olhares beliscados das crianças bonacheironas por tão maravilhoso bailado.
Pela manhã, vinha Babá comprar aquele suave bálsamo que embalava sua boa alma. Eles, docemente bailando ao vento, eram belos sonhos.
Preço? uma bagatela!
Mas havia a Beta, menina pobre muito bonita.
A outra menina, bondosa, ofereceu-lhe um colorido balão.
E as duas, babadas de pura amizade, baloiçavam-se suavemente.

Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Desafio RS nº21 – de 3 em 3 plvrs 1 começada em B

Livra, que dia!

Fui assar um leitão, enfiei-lhe uma rolha na boca. Depois, fui triturá-lo no almofariz.
De súbito, tocou o despertador, eu atirei-lhe uma bola de ténis e ele partiu-se. Fui à casa de banho antes de sair para o trabalho, e com a pressa esqueci-me das chaves da vespa.
Logo que cheguei ao trabalho, todos se começaram a rir de mim.
Quando olhei para os meus pés, tinha papel higiénico preso no sapato. Envergonhado, escondi-me, voltei para casa.

André Lourenço Rodrigues, 10 anos, Torres Vedras

Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel

Não acreditas em mim

– Teimarás três ou trezentas vezes?
– As oportunidades e as estratégias a usar são garantias minhas, não te metas.
És um ilustre senhor ou tantas serve para tirares o stress?
Julgo que é mais egocentrismo. Não acreditas nas minhas teorias?
Sim, mas não vês como é frustrante teimares subir todos esses patamares?
Vejo isso como uma consternação, preciso desses trabalhos, não sejas sarcástico.
Tentarás uma história ou pretendes mesmo esses trabalhos?
Não acreditas em mim... Continuarás a suspeitar.


Margarida Jesus Seita Monge, 52 anos, Vila Verde de Ficalho

22 abril 2015

Programa Rádio Sim 492 – 22 Abril 2015

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Forte personalidade
Dona Bexiguinha era uma volumosa mulher, engraçada nos trejeitos e nada apoquentada pelo aspecto facial, cordilheira terrosa de cicatrizes que a doença estampara. A turbamulta das mulheres do seu quotidiano olhava-a sempre de soslaio, esgrimindo risinhos de escárnio, mas ela moita-carrasco. Assim se esquivava.
Um inusitado aparato perto da residência, aguçou o apetite alcoviteiro. Uma marca de cosméticos oferecia-lhe tratamento dermatológico garantido.  
As louquinhas do costume de boca aberta. Enfim, ela sobranceira:
– Tomem lá e vão almoçar.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa
Desafio RS nº 23 – história de mulheres