28 setembro 2015

Viver o vazio

Belo, era belo aquele mar… Adorava ninar ouvindo o marulhar. Olhá-lo era banhar a alma lavando-lhe a mágoa que a devorava. O mar que amava aboliu o bem maior que havia ganho da vida: o amado filho, Amadeu. Viver o vazio deixado era difícil. O mar guardava agora o derradeiro gemido de Amadeu. Mergulhar nele era agarrar o resquício deixado. O resquício do filho amado. Belo aquele mar e enorme a dor lembrada… a dor do vazio.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº78 – escrever sem C P S T

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