13 setembro 2015

Ainda cá estou...

Não se reconhecia. A perda inesperada do seu filho Luís levara-lhe parte de si. Os dias sabiam a saudade. As saudades, dolorosamente, deslapidavam o seu coração. Havia um vazio inexplicável que a demolia de cada vez que tentava reerguer-se. Tinha a Maria e era preciso ficar por ela. Não reparou no nada em que se transformara senão quando Maria lhe suplicou:
– Mãe, ainda estou cá. Não me deixes…
E metade de si, apenas metade, ficaria…Viveria morrendo…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 74 – nada em que se transformara


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