28 dezembro 2014

Tréguas

Teias há muitas!... dizia empertigada, a nédia aranha Felisberta ao mirrado ácaro Felismino.  Amizades improváveis são as que amiúde perduram, pois as incompatibilidades atraem, atiçam a conquista do terreno alheio.
Aqueles dois fizeram-se apresentados numa velha mansarda, pejada de trastes, embelecos doutras eras.
Num divertido jogo, Felismino, por aleivosia, concedia-se à aventura da prisão aramada da amiga, que na sua paciente crueldade aranhou ostentosa: Não hoje! Vou descer ao salão tecer brilhantes fios na Árvore de Natal!

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa
Desafio nº 80 – o Natal da aranha

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