29 dezembro 2014

A aranha e o menino

Pobre aranha. Vivia numa luta diária para manter a sua teia perfeita, pronta para recolher o pão – desculpem, quis dizer insecto! – de cada dia. O orvalho enfeitava aquela rede, todas as noites. O menino encantava-se com aquele rendilhado: não resistia, mexia-lhe. Um pequeno toque, um roçar suave dos seus rechonchudos dedos, era quanto bastava para a destruir. Era Natal. Ela queria-a bem bonita. Decorou-a com pequeninas folhas de azevinho. O menino entendeu: a aranha também tinha Natal.

Maia José Castro, 54 anos, Azeitão

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

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