21 outubro 2014

É a vida

– Assim que a quarta letra chegar, peçam-lhe que venha ver-me.
– Está bem – disse a última delas, a letra U.
– Queria despedir-me dela antes de partir… A minha carreira está quase a chegar. Sabem dessa letra?
– Se calhar perdeu-se… pediram-lhe  para desaparecer.
– Quem é que pediu?
– A Margarida, quem haveria de ser…
– É para aprender! Se calhar, julgava-se imprescindível…  Ninguém é imprescindível, nem as letras.
– É bem verdade – disseram as restantes letras, cabisbaixas e inseguras.
– É a vida.

António Gouveia, 46 anos, Oeiras

Desafio nº 76 – escrever sem a letra O

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