22 julho 2014

Memória perdida

Voltou, sozinho, ao lugar onde dera os primeiros passos. Tudo lhe parecia morto. Sobrava vazio, apesar das casas reconstruídas.
Deambulou, experimentando cheiros, saboreando sons e descobrindo jogos de luz nas folhas dos plátanos. Queria pertencer.

Avançar, vida fora, sem começo, parecia cada vez mais insuportável. Tristemente, faltavam as memórias que enformam as saudades.
Nem o toque dos muros que ladeavam a vereda foi capaz de lhe devolver parte de si. Não havia nada a fazer. Tinha esquecido.

Nuno Longle, 40 anos, Odivelas

Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias 

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