16 julho 2014

A caminhada

As palavras daquela carta não lhe saíam do pensamento. Deitara-se e levantara-se com elas a arruinar-lhe a alma. Compromisso? Responsabilidade? O que lhe doía mesmo eram as últimas «até nunca!» Não se via a desejar falar-lhe, tocar-lhe e não o poder fazer. Não se via privada do prazer de saborear o arroz-doce tão cremoso, tão macio! Era o momento de dar uma volta à vida. Joana arranjou-se, saiu. A caminhada devolver-lhe-ia as palavras que faltavam. Certas, resolutas!

Antónia Pereira, 57 anos, Lisboa
(sem desafio)

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