21 fevereiro 2014

Na cerca

Na cerca que se impõe à liberdade de passear, vêem-se, presas nas
farpas do arame, como confetis, penas de aves que ali pousaram.
Atalham a atenção e adiam o desejo de transpor os arames. São muitas.
São tantas. Como se um bando de pássaros ali se tivesse despenado.
Perdidos de penas assumem identidade outra. Deixaram de ser aves.
Deixaram de ser quem eram. Tiro o alicate do bolso das calças. Corto
arames. Abro passagem. Prendo a asa...

Rosário Caeiro, 39 anos, Lisboa

Desafio nº 60 – apelido preso no arame farpado (frase obrigatória)

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