21 fevereiro 2014

Fugi deste texto!

A abelha borrifou-se para a flor.
Ao longe, ouviu-se o carburar de uma lata velha.
A abelha dispersou-se, enterrou-se numa sebe próxima.
Era a falésia que gritava ao sol a pique. Havia dois dias que imobilizara jogando comigo próprio. Um livro murmurava, zumbia, notificando-me, alertando-me. Ousei sorrir, prenunciando um querer altivo. Ruborizei-me, sustendo a respiração. Tremi, unindo a abelha ao meu destino.
Não verti lágrimas, antes, sobre o xisto, em ziguezague, fugi deste texto, exercício amargo!

Jaime A., 49 anos, Lisboa

Desafio nº 58 – tabela de 2 palavras obrigatórias para o alfabeto, uma à escolha

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