31 janeiro 2014

Programa 186 – 31 Janeiro 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim

Quando me sento à janela
Quando eu me sento à janela:
penso em tudo o que não tenho e queria ter;
vejo tão bem a vida a passar,
não consigo agarrá-la como queria,
não consigo trincá-la como me apetecia!
É noite e o camião do lixo ensurdece os corações abandonados
trancados, apaixonados, conformados, desesperados…
Difícil mudar um ritmo que se enraizou,
a monotonia que se colou
numa voz que só quer gritar prá folha um verso:
E será um verso de amor…

Isabel Pereira da Costa, 46 anos, Paris, França

Versos: Fernando Pessoa, “Quando ela passa” (in Poesia I, 1902-1929, 3ª ed., Pub. Europa-América); Alexandre O’Neill, “Poesia e Propaganda” (in Poesias Completas, 1951/1986, INCM)

Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Sou um bule rachado, e daí?

Sou um bule rachado. Sou feito de barro macio, com flores pintadas. Gosto muito de transformar a cor transparente da água em sabores deliciosos! Para mim, o sabor do morango é o mais sensacional… Sabores saborosos, foi o que sempre quis!
Aqui começa a minha história: fui criado com a magia da mãe natureza e, assim, nasci. Por isso é que posso ter o dom de falar!
Agora sou crescido, torno o coração das pessoas mais quente…

Diogo Neves, José Zuzarte Reis, Daniel Cobileac, João Batista, Torres Novas, 3º ano (8/9 anos), Colégio Andrade Corvo, prof. Carla Veríssimo

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Não!

Não, eu não quero acreditar
Não tinha que ser assim
Não podia o tempo voar
Não devíamos esbarrar no fim

Não sonhei sonhos em vão
Não te amei em uma só estação
Não afoguei em ti minha ilusão...
Não foi um amor de verão

Não repitas mais esse não
Não me cause essa desilusão
Não mereço essa situação...
Não machuques mais meu coração

Fique comigo um pouquinho
Dar-te-ei colo, carinho
Leve-me contigo pelo caminho...
Serei teu ninho

Majoli Oliveira, 53 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

A minha suave dor

Sou um bule rachado. Sou de cor branca, de porcelana. Sirvo a Rainha Vitória: visto leite, com água…
Uma vez rachei, magoei-me com muita força e senti saudades da minha mesa, onde servia a minha querida Rainha. Nunca senti tantas saudades de a servir com os meus belos chás e umas bolachas de manteiga, bem quentinhas! Quando servia o chá, ouvia falar a sua voz melodiosa. Posso ser um bule rachado, mas nunca esquecerei a minha Rainha…

Afonso Cardoso, Nelson Fanha, Tiago Afonso, Paulo Shan, Torres Novas, 3º ano (8/9 anos), Colégio Andrade Corvo, prof. Carla Veríssimo

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Programas Rádio Sim, Janeiro 2014




Todos os programas, sempre com Helena Almeida, na Companhia da Rádio - podem ouvir-se aqui
(ou pelos links que estão em baixo)

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 21h20, todos os dias


Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

Em Janeiro de 2014:
P165 – 2 Janeiro 2014 – desafio nº 44 – Majoli Oliveira  

Não à solidão

Não posso e não quero pensar em esquecer!
Não quero acreditar que partiu sem sequer me pedir autorização. Claro que lhe teria dado como resposta um rotundo não!  
A vida não tinha alegria sem a sua presença. Não poderia esquecê-lo. Ele não se esquecia do  aniversário dela. Sempre mandava uma mensagem, uma palavra amiga. Agora não! Não há poema, não há flor...
Não ao esquecimento! Não à vida sem presenças valiosas! Não ao desamor! Não à solidão!

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 50 anos, Coimbra

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Sonhar ou viver

− A sério? Não! Não pode ser! Não disse a ninguém que não ia…
− E mesmo não indo, ficaria sempre um não por dizer, não era?
− Não há motivos para não dizer tudo o que penso ou não
− E tu não pensas da mesma forma?
− Não, sabes que não
− O sonho termina quando se deixa que o medo seja maior e chegas ao futuro apenas quando o construíres
− E viver dentro do sonho é desperdiçar a vida, não?!

Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Não sei adormecer

Estou na cama mas não consigo adormecer. Não abro os olhos para não espantar o sono, mas mesmo assim ele não vem. Espero. Com paciência. Não me mexo e quase não me atrevo a respirar. Tento ter calma e não pensar, não me lembrar de nada. Mas as perguntas não pedem licença e as preocupações não fazem cerimónia, não adianta. É minha esta cabeça? Então porque não me obedece e não pára de fabricar? Não sei adormecer.

Sofia Diniz, 36 anos, Colónia, Alemanha

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Isso basta-me

Dizes-me o que devo ou não fazer, mas eu não quero ouvir-te…
Sou um ser da luz e não quero mais a escuridão da ignorância, não quero mais a sombra da injustiça, não quero mais a paz podre, onde não posso dizer não, ao que não quero.
Não insistas, eu aprendi a dizer não.
Não sei para onde vou, não conheço o caminho, não sei o que vou encontrar… Sei o que não quero e isso basta-me!

Maria de Fátima Esteves Martins, 45 anos, Coimbra

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Os amigos

Não, não me esqueci dos amigos! Mas, por vezes, não tenho tempo para dedicar a quem não merece falta de tempo. Aos amigos não se pode dedicar um momento à pressa: não aos amigos! Podemos não acabar de ver o filme que estávamos a adorar mas não podemos deixar inacabada uma conversa: não aos amigos! É permitido esquecer um aniversário de quem não nos diz nada, mas… não dos amigos! Não, não esqueço os amigos. Não: definitivamente!

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Não estou parada

Não estou parada? Não!
Não parar não significa inquietude solitária.
Não consigo ficar à espera que algo aconteça ou… não.
Os olhos reparam que o físico não acompanha a mente.
Não sinto o resfriar da mente como um freio de comboio que não consegue parar na estação. Não descem pensamentos em forma de passageiros, não nos despedimos, não… sem lágrimas. Não deixo que entrem novos passageiros, pensamentos, que não entrem no gratuito instante de simplesmente se viver.

Ana Cristina da Costa, 50 anos, Paris 

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Sopa de Letras

Não, não e não! Não quero, não como, não gosto de sopa! – dizia eu, miúda birrenta.
A mãe não alterava a voz, fingindo não se irritar:
Não vês que não é sopa? É um jogo de letras a nadar no prato.
Não acredito! A sério?! Nunca vi letras a nadar! E não sei jogar…
Com paciência, a mãe começava o jogo.
Não sei se foi pelas “palavras” engolidas mas hoje não dispenso sopa, nem jogos com palavras.

Palmira Martins, 58 anos, Vila Nova de Gaia

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Borrifar a raiva

Estava ruborizado e a tremer, apetecia-lhe gritar e xingar o Sistema, mas ficou imobilizado como uma abelha num nenúfar com o patrão, um burro, a zurrar
Deu um pontapé no entulho e magoou uma unha. Só queria fugir daquele lugar imundo, não tinha hipótese neste trabalho, jogara tudo e perdera.
Mais tarde, sentiu fome – comeu ovos com queijo e um caramelo à luz da vela. Pegou num livro que lhe murmurava esperança e lhe borrifava a raiva.

Maria de Fátima Esteves Martins, 45 anos, Coimbra
Desafio nº 58 – tabela de 2 palavras obrigatórias para o alfabeto, uma à escolha

30 janeiro 2014

Programa 185 – 30 Janeiro 2014

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim


Alvoroço na granja
Grande alvoroço na granja! Os galos cantam, galinhas cacarejam, grunhem os porcos, grasnam os patos, gatos miam, os grilos cantam, os gaios voam de galho em galho, saltam gafanhotos, barulhentas gralhas esvoaçam em grupo. Há grande algazarra no galinheiro, o galo capão galando as galinhas! Os galgos velozes seguem Germano, que vem galopando no galeão, cavalo gabado na região. Gertrudes, cozinheira, grelha a garoupa, coze o grão, salteia os grelos e guisa a galinha com vinho Gatão.

Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha
Desafio nº 57 – palavras começadas por G em todo o texto, estando entre cada palavra com G, poderá haver até três palavras livres

O papagaio

No tempo em que não era mais possível inventar palavras, certo papagaio obstinado apenas repetia “Não”. Os donos, não estando para brincadeiras, decidiram-se pela super-cola. Não que fossem contra os direitos dos animais, não! Não que não gostassem de ouvir papagaios no noticiário das oito, não! Mas não gostavam – mesmo! – era de lhe ensinar novas palavras. Aquele não custara-lhes horas. Agora, não suportando tanto não, impunham-se medidas cautelares: não lhe cortariam o bico, não, isso seria desumano!

Graça Santos, 55 anos, Paço de Arcos

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

EXEMPLOS - desafio nº 59

Atraso justificado?
O sino badalava.
Não vi o noivo, diz Bernarda, a sogra.
Não pode! Não fará isso! Minha filha não merece! Isso não e não mesmo!!!
A filha não imaginando, por chegar.
Não a podemos deixar entrar!
Bernarda à entrada avisa:
– Casar com esse traste: Não mesmo!
Ela não sabia que o noivo não passara bem.
Não chegou a tempo. Não viu o que nas calças estava a aparecer.
Era triste, mas não deu pra deixar de rir...
Chica, 65 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Não lhe era possível não ceder. A tentação não se lhe oferecia como uma escolha, pelo menos desde que não voltara a ser complacente consigo próprio. Não conseguia resistir a tamanha atração, não se sentia com forças suficientes. Atrever-se-ia? «Não», seria a resposta óbvia. No entanto, não havia motivos para continuar, não encontrava justificações. Se não o fizesse, tudo se tornaria insustentável. Não bastava levantar-se diariamente e não pensar. Não adiaria mais. Não acordaria no dia seguinte.
Tiago Marques, 31 anos, Lisboa

Não sei se sabem ou não,
Se não souberem, não faz mal.
Não conhecia este desafio,
Só soube na Rádio SIM PAL.
 
Com muita atenção ouvi,
O que a Helena dizia,
Depois a Margarida,
Não hesitei, já escrevia.
 
Não escrevi no papel, não
Não escrevi com caneta, não
Não tinha com que escrever,
Escrevi com o coração.
 
E agora, não vou deixar,
Este desafio em vão.
Penso que para não falhar
Terei que dizer mais um não.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca da Caparica

Não estremeceu, porque não chamaram o seu nome. Não sabia nada sobre o assunto. Não tivera tempo de estudar. Também não respirou fundo. Não sabia se não mudariam de ideias.
Seria que não podia sair com passo miudinho? Se o irmão não estivesse de sentinela…
Olhou-o. Não podia contar com ele. Isso também não era novidade.
Não sabia porque ainda se admirava. Tão diferentes, até parecia que não eram irmãos e gémeos. Seria que eram? Ou não?"
Quita Miguel, 54 anos, Cascais

Escrever um texto? Não! Responderam em uníssono. Não seríamos capazes. Não temos vocabulário suficiente, não sabemos conjugar os verbos, não sabemos utilizar muito bem os possessivos e é melhor não arriscar.
Quem não arrisca não petisca. Uma troca de olhares, tímidos sorrisos e não há tempo a perder.
O texto começa e alguém exclama “oh, não”! O nosso teclado não tem o til, não podemos escrever não.
Escrevemos sem til?
Não! Inserir símbolo, selecionar, ok. Já está.
Alunos do 4º ESO (equivalente ao 10º ano, Português como língua estrangeira), Cáceres, Espanha – prof. Joana Marmelo

O melhor dia da minha vida
O despertador não tocou e perdi o autocarro, não cheguei a tempo e o chefe não gostou.
Ao almoço, apesar de não ter forme, pedi lasanha. Não havia. Comi peixe e não gostei. Não tinha tempero. 
À tarde, não vieram clientes. Não havia trabalho. Não me sentia bem e pedi para sair mais cedo. A resposta foi: NÃO!
Quando saí não chovia. Agora sim. Não preveni e constipei!
Fui à farmácia e atendeste-me tu! Não resisti: apaixonei-me!
Pedro Emanuel Santos, 30 anos, Valongo

No tempo em que não era mais possível inventar palavras, certo papagaio obstinado apenas repetia “Não”. Os donos, não estando para brincadeiras, decidiram-se pela super-cola. Não que fossem contra os direitos dos animais, não! Não que não gostassem de ouvir papagaios no noticiário das oito, não! Mas não gostavam – mesmo! – era de lhe ensinar novas palavras. Aquele não custara-lhes horas. Agora, não suportando tanto não, impunham-se medidas cautelares: não lhe cortariam o bico, não, isso seria desumano!
Graça Santos, 55 anos, Paço de Arcos

Sopa de Letras
– Não, não e não! Não quero, não como, não gosto de sopa! – dizia eu, miúda birrenta.
A mãe não alterava a voz, fingindo não se irritar:
– Não vês que não é sopa? É um jogo de letras a nadar no prato.
– Não acredito! A sério?! Nunca vi letras a nadar! E não sei jogar…
Com paciência, a mãe começava o jogo.
Não sei se foi pelas “palavras” engolidas mas hoje não dispenso sopa, nem jogos com palavras.
Palmira Martins, 58 anos, Vila Nova de Gaia

Não estou parada? Não!
Não parar não significa inquietude solitária.
Não consigo ficar à espera que algo aconteça ou… não.
Os olhos reparam que o físico não acompanha a mente.
Não sinto o resfriar da mente como um freio de comboio que não consegue parar na estação. Não descem pensamentos em forma de passageiros, não nos despedimos, não… sem lágrimas. Não deixo que entrem novos passageiros, pensamentos, que não entrem no gratuito instante de simplesmente se viver.
Ana Cristina da Costa, 50 anos, Paris 

Não, não me esqueci dos amigos! Mas, por vezes, não tenho tempo para dedicar a quem não merece falta de tempo. Aos amigos não se pode dedicar um momento à pressa: não aos amigos! Podemos não acabar de ver o filme que estávamos a adorar mas não podemos deixar inacabada uma conversa: não aos amigos! É permitido esquecer um aniversário de quem não nos diz nada, mas… não dos amigos! Não, não esqueço os amigos. Não: definitivamente!
Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Dizes-me o que devo ou não fazer, mas eu não quero ouvir-te…
Sou um ser da luz e não quero mais a escuridão da ignorância, não quero mais a sombra da injustiça, não quero mais a paz podre, onde não posso dizer não, ao que não quero.
Não insistas, eu aprendi a dizer não.
Não sei para onde vou, não conheço o caminho, não sei o que vou encontrar… Sei o que não quero e isso basta-me!
Maria de Fátima Esteves Martins, 45 anos, Coimbra

Estou na cama mas não consigo adormecer. Não abro os olhos para não espantar o sono, mas mesmo assim ele não vem. Espero. Com paciência. Não me mexo e quase não me atrevo a respirar. Tento ter calma e não pensar, não me lembrar de nada. Mas as perguntas não pedem licença e as preocupações não fazem cerimónia, não adianta. É minha esta cabeça? Então porque não me obedece e não pára de fabricar? Não sei adormecer.
Sofia Diniz, 36 anos, Colónia, Alemanha

Sonhar ou viver
− A sério? Não! Não pode ser! Não disse a ninguém que não ia…
− E mesmo não indo, ficaria sempre um não por dizer, não era?
− Não há motivos para não dizer tudo o que penso ou não
− E tu não pensas da mesma forma?
− Não, sabes que não
− O sonho termina quando se deixa que o medo seja maior e chegas ao futuro apenas quando o construíres
− E viver dentro do sonho é desperdiçar a vida, não?!
Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Não posso e não quero pensar em esquecer!
Não quero acreditar que partiu sem sequer me pedir autorização. Claro que lhe teria dado como resposta um rotundo não!
A vida não tinha alegria sem a sua presença. Não poderia esquecê-lo. Ele não se esquecia do aniversário dela. Sempre mandava uma mensagem, uma palavra amiga. Agora não! Não há poema, não há flor...
Não ao esquecimento! Não à vida sem presenças valiosas! Não ao desamor! Não à solidão!
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 50 anos, Coimbra

Não!
Não, eu não quero acreditar
Não tinha que ser assim
Não podia o tempo voar
Não devíamos esbarrar no fim

Não sonhei sonhos em vão
Não te amei em uma só estação
Não afoguei em ti minha ilusão...
Não foi um amor de verão

Não repitas mais esse não
Não me cause essa desilusão
Não mereço essa situação...
Não machuques mais meu coração

Fique comigo um pouquinho
Dar-te-ei colo, carinho
Leve-me contigo pelo caminho...
Serei teu ninho
Majoli Oliveira, 53 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil

Decisão tomada
De José Régio adoptou " Não, não vou por aí ", não conforme o poeta, não segundo a génese daquele verso, mas o seu contrário. Não servil, mas submissa, pacificadora, não se lhe conheciam intolerâncias ou impaciências, com o marido beneficiando no topo da hierarquia.
Não que não tivesse ambições, só não primava pela discórdia, não alimentava conflitos, não costurava agastamentos.
Ordenou-lhe o marido que mudariam de cidade. Não iria, decidiu!
Não, desta vez, não adiaria a sua vontade...
Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa

NÃO quero desejar-te, NÃO quero imaginar-nos mais
NÃO, desta vez NÃO, a magia acabou…
NÃO tenho liberdade, NÃO sei cortar as amarras que me prendem a ti...
NÃO tenho luz, NÃO sei viver sem ser à tua sombra…
NÃO tenho amigos, porque quando me procuram, NÃO estou lá…
NÃO sei falar, porque mesmo as palavras caladas NÃO chegam ao teu coração...
Por isto, por tudo aquilo que NÃO disse, NÃO te quero a cruzar o meu caminho
Isabel Lopo, 67 anos, Lisboa

É o mundo do Não.
Não gosto do não quando injusto.
Não gosto do não quando sei que no fundo é sim.
A porta diz não. Também a terra e o chão.
É um não estampado no rosto. É um não escondido à espreita.
Um não que espera desistência.
Um sim que se tornou não.
Que mundo cão, este do não!
Quando o não é de todo injusto.
E só nãonão para quem diz sim.
Sílvia Mota Lopes, 43 anos, Braga

Sonho
Não! Não é um sonho, amor, não imaginei que isto pudesse acontecer, não te contei a saudade dos dias tristes que vivi, não sei como, chegas de repente, como um relâmpago. Não te pedi que viesses, quiseste fazer-me esta surpresa, vens sôfrego de carícias e beijos, dizes não suportar esta ausência. Não acreditava, não posso esconder as lágrimas, não amor, não é tristeza, não são ciúmes, não! Não te disse, és tudo o que de melhor existe.
Maria Silvéria dos Mártires, 67 anos, Lisboa

Era uma vez uma história que não era história porque não tinha espaços, não tinha tempos e as personagens nem sempre lá estavam porque já não tinham o que comunicar.
Não havia presente e não se sabia se iria haver futuro.
Não era poema porque não tinha metáforas
Não era música porque não tinha melodia.
Não era vida porque já não tinha sonhos nem bandeiras e já o era flor porque já não tinha o vermelho. Basta!
Maria da Conceição Gralheiro, 57 anos, Aveiro

Não consigo perceber por que é que a vida insiste em não me trazer felicidade. Será que não mereço? Talvez não
Não me posso queixar… não estou doente, não estou desempregada, não estou na miséria, mas a verdade é que também não estou feliz. Não tenho razões para estar infeliz, mas isso não me chega. Não me consola o facto de haver quem não esteja melhor do que eu.
Não sei se devia, mas não me conformo!
Catarina Azevedo Rodrigues, 40 anos, Lisboa

Os nãos da vida
Não! Não me conformo! Não tinham o direito de não lhe darem segunda oportunidade!
Infância amputada, não aprendeu a brincar, não aprendeu a conviver. Não ouviu uma voz carinhosa de mãe, não viu um sorriso orgulhoso de pai, não escutou uma história aconchegado nos lençóis. Filho do álcool, não aprendeu a alegria! Não aprendeu a ser gente.
Agora, já cá não está.
Não foi notícia de jornal. De telejornal também não.
Atropelado, disseram uns.
Overdose, disseram outros.
Ana Paula Oliveira, 53 anos, S. João da Madeira

Vazio
Partiste, não sem deixares este enorme vazio em mim. Não te esquecerei. Foste a pérola mais pura que consolidou na natureza. 
Não, não é possível, como o tempo passou!
Não dás notícias, não me contas como vives no paraíso, é lá que estás, não creio que Deus tivesse outro lugar para ti.
Não foste só Mãe, não foste só Amiga, não foste só Companheira, foste tudo! 
Não, não calculas as saudades! Não calculas como falo contigo!
NÃO...!
Rosélia Palminha, 65 anos, Pinhal Novo

As tuas palavras não são alfinetes. Não são brasa. Não espetam o meu ouvido. As tuas palavras não são ignóbeis, não estão vazias– fala, não, não é irritante. As tuas ideias não são murros na existência e não são facadas nos sonhos. Descansa, com o meu dedo não vou arrancar o teu olho, não o esquerdo. Não vou afogar os teus desejos, não como fizeste aos meus. Vou fico um nós em chamas, mas já não só.
Catarina Confraria Peças, 42 anos, Lisboa

Não, não aguentava esperar mais. Joana Magalhães sempre sonhara ser mãe, mas não assim. Não queria ter um filho de um homem que não a amava. Não valia a pena pensar. Primeiro, era preciso saber se estaria ou não grávida. Trémula, não conseguia abrir o envelope. Rasgou-o. Negativo. Não, não iria ter um filho. Sorriu. Aliviada, leu o resultado lentamente. Como?! “Utente: Joana Guimarães”. Não, não era possível... Aquele resultado não era o seu! Oh, nãaaaaaao!!!!
Margarida Leite, 45 anos, Cucujães

As Avozinhas
Avó Engrácia não sabia ler, não sabia escrever, não tinha vergonha de desvendar as suas memórias e segredos.
Avó Gertrudes não era interessante, não tinha beleza exuberante, não gostava de mostrar as suas emoções.
Não prestavam vassalagem, não eram polémicas, a vida dos seus netos não era uma miragem.
Eram insensatos, não gostavam da escola, não desrespeitavam ninguém mas não concretizavam os seus sonhos porque não tinham paixão.
Pacientemente concluíram que ainda não tinham saído da casca…
Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra

O João que só diz não
– Ó João, podes levar a passear o cão?
– Não, não!
– Ó João, arruma lá o teu quarto que está uma confusão!
– Não, não!
– Ó João, acaba lá de comer o pão!?
– Não, não!
– Ó João, arruma o teu camião!?
– Não, não!
– Ó João, já acabaste de escrever a lição?
– Não, não!
– Ó João, tu és um bom comilão!?
– Não, não!
– Ó João, ontem deste um grande trambolhão?!
– Não, não!
– Ó João, tu gostas muito de dizer não.
João Diogo Domingos Garcia, Escola EBI – 5º G, 11 Anos, Grândola

A história do não
– Hoje NÃO fazemos trabalhos de casa!
– Ah! Fazem, fazem…
– NÃO, NÃO, NÃO!
– NÃO quero comer sopa! Quero doces!
– NÃO, a sopa faz crescer e os doces engordam, provocam cáries e diabetes.
– Quero ir à casa de banho!
– NÃO! Só no intervalo.
– NÃO quero fazer a ficha de matemática!
– NÃO quero barulho na sala de aula! Se fizerem barulho NÃO vão ao intervalo.
– Oh, NÃO! Já me dói a mão de tanto escrever!
– NÃO, NÃO… NÃO quero escrever!
Texto colectivo, 2º/3º D, EB Coruche, professora Carmo Silva

O parto
– Não, não acredito! – gritou.
Não tivera dor alguma, daquelas de morrer não, não tivera!
Por isso não dissera nada, estava à espera delas.
Não estava preparada, estava apavorada! O marido não estava, não atendia o telemóvel... Não sabia que fazer. Tanto treino e não sabia que fazer! BOMBEIROS! 
Ligou, não tardariam. As dores já não passavam despercebidas. Oh não, outra...
Arfando chegou ao hospital. O marido? Bem, não chegou a tempo de assistir ao nascimento do filho!
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Que grande confusão! Já chega de tantos “ não”
– Não, não é assim que se faz!
– Se não é assim, como é, rapaz?
– Não, não quero ir à escola!
– Nem penses! A sacola!...
– Não, não acreditas em mim! Logo no dia de S. Valentim…
– Não, não comas a papa!
– Se não como a papa, como massa com carne de vaca.
– Não, não tires macacos do nariz.
– O que eu fiz…
– Não, não e não! Acabou esta confusão!
Daniel Cobileac; Diogo Neves; José Maria Reis; João Batista, 8 anos, Torres Novas, Colégio Andrade Corvo, prof Carla Veríssimo

Não
Não. Dizer não à vida, dizer não a este momento é negar a verdade que és. Com igual esforço que dizes não, podes escolher dizer sim. Não, não quero que digas que sim, porque me apetece. Não desejo que sejas aquilo que achas que eu quero que sejas. Não te peço que sejas mais do que és, não quando estás comigo. Não digo não, para ser apenas um não, digo-o para que não me negues mais. Não.
Paulo Renato, 38 anos, Maia

Portanto
Não te daria esse prazer. Claro que não. Eu, o egoísta cuja atenção não se centrava noutro lugar que não o próprio umbigo, não te ofereceria a vitória. Não sabia que volta dar à situação, pois não. Com o teu redondo «Não», certo fiquei de que não te entregaria um troféu que não desejei. Não deixaria para depois. A comichão na ponta dos dedos não me largava. Não quiseste dar-me a oportunidade. Como dizes, não presto. Portanto...
Carina Leal, 30 anos, Coimbra

O “não” até é bom!
Não!”… “Não” pode ser uma boa palavra, querem ou não querem ver?
Não sujar é ser limpinho, não bater é ser amigo; não estragar é ser responsável; não ser preguiçoso é ser trabalhador; não perturbar os colegas é ser companheiro; não falar alto é saber estar; não ser invejoso é saber partilhar; não portar mal é portar bem; não arrastar cadeiras é ser cuidadoso; não ser mau é ser bom; não saber… é ainda estar a aprender!
1ºB, do Centro Escolar de Moure (Agrup Moure e Ribeira do Neiva), prof. Cátia Silva

Porque me dizes tu não!?
Se, a cada não teu, eu te digo sim!
Não, não repetes tu incansavelmente.
E eu, forma positiva desse teu não, aceno que sim.
Murmuras não, gritas não, prenuncias não suavemente, como se esse não fosse o sangue que corre em tuas veias.
Mas o que significará esse teu não!?
Esse não que me inquieta e enlouquece.
Para mim chega de tanto não.
É a minha vez de gritar, dizer-te não, não.
Margarida Sousa, 37 anos, Paris

Afastou os fantasmas do pensamento. Bocados do tempo em que, pobre, lhe chamavam Trapeira. Agora era Beatriz VASCONCELLOS!
Nessa noite, iria ser a Rainha da festa...
– Deseja uma bebida? – perguntou alguém.
Virou-se sorrindo. Foi quando o viu. Ali estava, vestido de criado, o noivo que há muito abandonara na terra. Sentiu a alma gelar quando ele, num impulso, a chamou de Trapeira.
Fugiu, mas naquela corrida desenfreada, percebeu que o seu apelido ficara preso no arame farpado...
Isabel Lopo, 67 anos, Lisboa

Ontem, disse que não voltaria a fazê-lo. Prometi, que não o faria. Como disse que não o faria, hoje não tenho a consciência tranquila… Não, não cumpri com o prometido. Não, não resisti… Não me soube controlar. Não fui forte. Não sei o que aconteceu. Na verdade sei, mas não quero admitir! Não lutei o suficiente e pequei. Não tive forças. Mas confesso o meu pecado: devorei um delicioso… pastel de nata! Mas, amanhã é que é!
Brigite Rodrigues, 35 anos, Luxemburgo

Entrei em casa e não estavas. Não estavas e não voltaste nessa noite. Não me preocupei, pois não era coisa que não fosse habitual em ti. No dia seguinte, e nos que lhe seguiram, não voltaste e apercebi-me que não irias voltar. Cansei-me. Prefiro já não esperar o teu ilusório regresso. Fecho as janelas, pego no gato, que não mia, e saio pela porta fora para não voltar. Espero que não tenhas voltado. Não voltaste, pois não?
Raquel Carinhas, 32 anos, Montevideu, Uruguai

Não!
– Vá lá!
Não é não!
– Sempre não!
– Começa por merecer.
– Queres falar em merecer?! Não!
Certa manhã, depois de um telefonema, foi em direção ao quarto.
Não posso acreditar! Não vais às aulas há 3 dias! Quero uma explicação!
Não! Não atendeste o telemóvel! Não vens a casa. Não te passou pela cabeça que possa ter acontecido algo? Telefonaste? Não! Não queres saber!
Pensativa, saiu do quarto.
Mais do que dizer não, teria de estar presente.
Amélia Pessoa, 40 anos, Sierre, Suíça

Realmente não sou uma pessoa que aceite não como resposta, principalmente quando não entendo a razão. Aquela resposta não me soou lá muito bem. Perante esta situação não hesitei em questionar o segurança sobre a razão de não poder estacionar naquele lugar. Que eu saiba, não é proibido estacionar! Não há indicação de proibição. Respondeu-me que não, não podia estacionar naquele lugar por não fazer parte da empresa.
Imediatamente perguntei:
– Será que não? Não sabe, pois não?
Angelina Costa, 35 anos, Joanesburgo, África do Sul

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Não quiseste ouvir-me. Agora estás arrependida, não é? Não tiveste calma. Não soubeste calar-te na altura certa. Não pensaste nas consequências. Agora é tarde, não é? Talvez não. Será que não vais a tempo? Quem sabe se não foi apenas um aviso? A vida são dois dias. Não te precipites. Pensa num recomeço. Não posso dizer-te mais nada. Só quero que não deites tudo a perder. Não deixes que o teu mundo desabe. Não pensas voltar atrás?
Paula Cardoso, 49 anos, Barreiro

Não? Porquê sempre não?
– Porque não podemos sair quando queremos, porque não podemos decidir? 
Não” é a palavra mais usada pelos pais. “Não” é uma palavra simples, porém não é fácil de aceitar. Para nós, jovens, um simples “não” altera tudo.
Não quero que faltes à escola, não podes ignorar os estudos, não podes faltar ao respeito!
Porque será que esta palavra nos faz perder a razão?
– Será que aceitaremos algum dia um não? Não, não aceitaremos! 
Erika, Sandrina, 17 anos, Lycée de Garçons-Esch-sur Alzette, prof. Carla Simões

Não, claro que não. Não me apetece ficar do lado dos não sonhadores. Contrariamente àqueles dias onde não queremos abandonar o nosso refúgio assim tão caloroso e não agressivo. Não quero voltar às minhas noites sombrias, onde o mundo não é cor-de-rosa e nos sufoca penosamente. Não preciso do teu aval, nem da tua não sensibilidade para comigo. Sei que vou partir numa aventura não desgostosa, não pessimista. Não vou recear, serei forte, não egoísta.
Carla Monteiro, 32 anos, Champigny, França

Hoje, sim, importo
Falas mas não te ouço
Olho para ti mas não te vejo
Tocas-me e não te sinto
Tuas carícias não desejo
Teus beijos não quero
Não quero nada de ti
Não percebo como chegámos aqui
Mas não importa, pois nada temos a dizer
Não temos nada em comum
Não tem sentido este viver.
Não importa o que sinto
Não importa o que penso, dizes.
Não? Talvez te enganes. Pois hoje importo a alguém. Mas não a ti.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Se um não nega a possibilidade de se concretizar o que quer que seja, então eu não assumo dizer-te não, porque não quero que me acuses de não te ter deixado fazer o que querias.
Podes-me não entender, e não me quereres bem, por não ser assertiva, o suficiente, para não te restarem dúvidas sobre a minha não conivência com os teus actos, mas não me peças o que não te posso dar. Não é não, sempre!
Ana Paula Ferreira, 54 anos, Seixal

Ele não gostava de atividades não necessárias. Não, não acreditava. Não acreditava que se poderia fazer algo com coisas tão vãs e, pensava ele, não frutuosas.
Acreditava que poderia haver tarefas interessantes para fazer, para aprender e não estagnar.
Não participar em blogues, não escolherem por si, fazia parte da sua escolha de vida.
Ele não queria engolir sapos vivos.
Não mais na sua vida, não!
Porém, isto não podia ser nos dias de hoje, não acham?
Vítor Coelho, Genebra, Suíça

Não há razão para não perdoar, a quem não procura quem quer encontrar. Não será por falta de vontade se não achar. Não há tristeza maior que procurar e não descobrir. Se não decifrar a charada não deverá poder continuar. Assim não chegará, não deverá continuar por maus caminhos. Embale o sonho, não permita que a alma vagueie pelas terras vazias. Não deixe por mãos alheias o sabor do triunfo. Empenhe-se e procure. Não perca a esperança.
Celeste Hazeleger

– Mas porque não?
– Já te disse que não! Não é não!
não aguentava mais. Ele queria aquela caneta, não outra qualquer. Sempre que passava pela montra não conseguia evitar ficar especado a olhar. Não parava de sonhar com as histórias que iria escrever com aquela caneta. Mas não era uma caneta qualquer. Não era barata, não era para qualquer um. Era uma caneta digna de escritor. Não seria fácil. Ainda assim, não desistia.
– Mas porque não?
Ricardo Miranda, 38 anos, Friburgo, Alemanha

Não entendo mas é verdade, não posso deixar de brincar com as palavras, elas não são minhas, não são tuas, não são de ninguém, não têm dono nem superior.
Não se esqueçam do seu grande valor! Elas não permitem a censura, dão-nos liberdade, são corajosas e não cobardes, ajudam e não pedem recompensa. Não, não é isso, elas querem o amor, a amizade e não a tristeza, o medo e não são mais do que maravilhosas amigas.
Isabel Geyer

Não
Diz não àquilo que não convém, se qui é não, então ali será mais não.
Às vezes não dizemos não quando devemos, e às vezes dizemos não quando não devemos.
Se dizes não a mim, dizes não a ele, então diz não a ele e diz não a mim.
São palavras muito bonitos, que às vezes hesitamos em dizer para não magoar alguém, mas às vezes temos de as dizer, porque no futuro não será em vão.
Guilherme, 14 anos, e Adalsino, 15 anos, Seixal

 me interrompas, já disse que não gosto! Não vale a pena vires com truques, és sempre a mesma coisa! Quando uma pessoa diz que não é não! Não comesses com falinhas mansas, não te vou perdoar. Dei-te um voto de confiança e não respeitaste. Não fales comigo, quando eu falo, tu não me ouves. Não gostas que te contradigam, não gostas da palavra não, no teu dicionário não existe. Um conselho… aprende a ouvir esta palavra.

Não sei bem como tudo chegou aqui. Tudo o que sei não trago comigo, deixei-o contigo. Sei que não sabes isso, mas sei também que um dia não irás fazer perguntas e esperarás por tudo o que virá.
Não! Não sou capaz de dizer que não és importante para mim. Não! Não vou dizer que não me mudaste. Não! Não vou desistir de lutar por tudo o que não temos, mas que ainda não nos foi negado.
Maria Luísa Barros, 15 anos, Porto

Não, esse não tão estranho, essa partícula de negação oposta à afirmação.
É proibido dizer não às crianças durante o verão.
Não, esse advérbio de negação que é detestado pelos pequenos, nas compras, nas lojas, nas lojas, nas praias…
Não, essa palavra que dói ao coração.
Ninguém gosta do não.
Não gosto
Não gostas
Não gosta
Não gostamos
Não gostais
Não gostam
Não entendo esse não que me perturba a imaginação
E que nos impede de sonhar.
Alexandra Gonçalves e Mathilde Paranhos, 13 anos, Collège Pierre et Marie Curie, Section Portugaise, turma A, 8º ano, Le Pecq, França, prof. Isabel Pereira da Costa

Não me sinto bem. Não estás aqui comigo, estás longe. Não sinto o teu calor, não vejo o teu sorriso, não vejo os teus olhos que brilham com o luar. Deixaste-me, sozinha, não tenho ninguém. Disseste que não me ias deixar, não me deixavas aqui sem saber para onde olhar.
Mas agora não quero que voltes, não me faças sofrer, não me toques, não te quero mais, não olhes para mim, não me partas mais o coração!
Filipa Bastos,16 anos, Lycée International de Saint-Germain-en-Laye, Section Portugaise, turma A, 10º ano, Saint-Germain-en-Laye, França, prof. Isabel Pereira da Costa

Não sou um animal e também não sou uma mulher. Não sou jovem, não sou idoso. Não tenho uma profissão muito fácil, mas não me vejo a fazer outra coisa. Não trabalho numa área científica, porque não me interessa. Os meus interlocutores não têm a mesma idade que eu. Não trabalho na Política, não trabalho em Direito e também não trabalho numa empresa privada… Ainda não adivinharam quem sou? Ainda não adivinharam quem sou? Oh! A sério?
Inês Ribeiro, Catarina Sousa, Apolline Rispal, 16 anos, Lycée International de Saint-Germain-en-Laye, França Section Portugaise, turma A, 10º ano, prof. Isabel Pereira da Costa

Negociação 
– Acorda.
Não.
Não queres que me atrase e me despeça o patrão, pois não?

– Veste o vestido.
Não. 
– Se amanhã vestires, hoje levas o calção.

– Lava os dentes.
Não. 
– Fada dentinho não tragas nenhum tostão!

– Chega creme à cara.
Não. 
– Este não dá comichão.

– Penteia o cabelo.
Não. 
– Prometo não dar nenhum puxão.

– Calça a sapatilha.
Não. 
– Eu aperto-te o cordão.

– Come a sopa toda.
Não. 
– 20 colheres, então.

– Vai dormir.
Não. 
Não?! Já apaguei a televisão!
Márcia, 35 anos, Famalicão

Não! Não!
NãoNão e não! Já disse que nãoNão quero que apanhes sol! – A mãe não gostava que eu me sentasse no quintal à espera deles porque, dizia ela, o sol fazia-me mal. Mas eu não queria perder aquele baile: os boeiros, as poupas, os melros... não desperdiçavam uma única semente: saltitantes, atarefados – parecia que não teriam outro manjar. Não se importavam por ter companhia; não se inibiam e não deixavam de depenicar...
Não! Não! Sai daí!
Arménia Madail, 56 anos, Celorico de Basto

Quando ainda não era adulta, os meus pais não me deixavam sair, diziam que não tinha idade. Uma vez não lhes obedeci e saí. Fui a uma festa e isso não correu bem: os meus amigos não obedeceram e foram parar ao hospital pois beberam muito álcool. Não gostei pois não souberam resistir. Não souberam não beber. Os meus pais não me deixaram mais sair, mas não me castigaram porque não bebi álcool e não fui hospitalizada.
Sophie Pinto, 13 anos, e Jessica Gonçalves, 14 anos, Collège Pierre et Marie Curie, Section Portugaise, turma A, 8º ano, Le Pecq, França, prof. Isabel Pereira da Costa

Não, não, e não! Não quero! Eu faço o que eu quero, não o que tu queres!
– Mas, ó filha, pensa...
– Está decidido, eu não vou para o campo! Não há lojas, as casas estão a cair que de podres, nem há televisão!!!
Não é verdade! Não estou contente! Não sabes o que é o respeito!
Não, não sei o que é o respeito, e não vejo o problema! – disse irritada partindo o copo.
– Pára… que idade!
Inès Chevrier da Costa, 11 anos, 6º ano, Secção Portuguesa do Liceu Internacional de Saint-Germain-en-Laye

Esta noite sonhei que era professora, mas não gostei do meu sonho porque os meninos faziam asneiras e não trabalhavam. Faziam muito barulho. Não, não, não, não gostei do barulho! Eu já não sentia a minha cabeça. O barulho não parava e eu não gostava disso. Não consegui acabar de corrigir os trabalhos, os que corrigi não tinham boa nota. Tentei gritar, mas eles não me ouviam, não servia de nada. Não tive sorte nenhuma neste sonho!
Turma de CE2 (3º ano) e CM1 (4º ano), da Secção Portuguesa do Liceu Internacional de Saint-Germain-en-Laye, Polo da Normandie-Niemen, Le Pecq, França, prof. Isabel Pereira da Costa

Não digas não
Não! Não digas não, meu coração chora de dor porque quer ouvir um sim. Não é verdade e não acredito, que não és sensível à melodia do nosso amor, quando nossos corações batem em uníssono, e não são dois mas um só, vivendo as mesmas emoções, se não é verdade que sentes e me amas como eu te amo, não me procures, viver na mentira não, digo não. Não entregarei meu coração, sofrer não. Não, amor, não.
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Oh! Não pode ser! Não pode ser que tive outra negativa. Espero que a minha Mãe não me mate! Não posso ter mais negativas este ano, se não, não passo para o próximo ano. A partir de hoje, não vou sair mais e vou estudar ainda mais, para não ter mais negativas! Não! Não pode ser! Não pode ser que já tive outra negativa. A minha mãe não me vai assinar o teste, ai não vai não!
Hélder Ferreira, 13 anos, Lycée de Garçons, Esch-sur-Alzette, Luxemburgo, prof. Carla Simões

O teatro
Ontem à tarde, na oficina de teatro, preparámos um espetáculo que não agradou ao público. As pessoas não gostaram da peça. Não aplaudiram, gritaram. Não chorámos, porque somos corajosos. Nunca nos enganámos. Nãocompreendi por que é que as pessoas nãogostaram. Se calhar não estavam atentas. Se calhar o espetáculo não era bonito. Talvez o cenário não fosse giro. Não fiquei contente!Não, não foi fácil! Não percebi! Não é mesmo nada simples conquistar uma assistência!
Turma de CE2 (3° ano) da Secção Portuguesa do Liceu Internacional, Polo do LI, França, alunos da professora Conceição Escórcio, orientados pela professora Isabel Pereira da Costa

Não desisto de tentar
Não me falta nada! Não, não de maneira nenhuma! Não me sinto triste, mas também não me sinto feliz... Sinceramente não sei o que sinto. Acho que não sinto nada. Mas não sentir nada, não será também sentir alguma coisa? Não sei o que pensar! Assim fico, parada a mirar o que me rodeia. Não consigo parar! E não há quem me salve! Não compreendo tudo isto que deriva na minha mente. Mas não desisto de tentar!
Liliana Macedo, 15 anos, Ovar

Aberta surgiu, não como esperava…
Percebeu que iriam ficar sozinhos “Não, Não, Não…” pensou.
Imaginou este momento inúmeras vezes. Tinha a capacidade de sonhar e ao mesmo tempo não criar expectativas.
Não compreendia o atual conceito de Amor, tudo era efémero, não duradouro, aparência, não conteúdo, talvez por isso preferisse sonho e não a realidade.
Não queria acreditar que vivia na Era errada onde não ser corruptível, não ser fiel, não ser bom mentiroso, não era normal.
Sérgio Oliveira, 26 anos, Vila Nova de Gaia

Recuso-me
Não posso. Não vivo sem ti. Não penses que minto. Não, olhos nos olhos, diz-me: eles não mentem. Não escondas o sorriso, ausente. Não, não afastes as palavras, mudas. Quero senti-las, encostadas nos meus lábios. Fica no meu beijo. Não, não ligues a indiferença. Deito-me no teu cheiro, salgado. Não fujas da minha pele. Liberta a nudez do teu pensamento. Não morro, mas mirro até desaparecer. Recuso-me. Não me esqueço de te amar. Não vivo sem ti.
Ana Diniz, 53 anos, Almada

Não gosto de dias cinzentos, tristes. Dias assim não alegram. Logo pela manhã, não apetece levantar. Que é que vou fazer num dia sem sol? Não sei!
Apesar de não me apetecer, levanto-me.
Tomo banho, arranjo-me, em seguida saio, tenho que fazer compras. Não tenho pão, não tenho queijo, não tenho manteiga, não tenho leite, não tenho nada para comer.
Não encontro ninguém, não falo.
Afinal não tomo pequeno-almoço; Vou ler um livro que não acabei!!
Adélia Alves, 79 anos, Estremoz, professora Zuzu Baleiro

Não, hoje não! Não vais! Não podes ir todas as vezes que te apetece ao cinema!
Ainda não estudaste para o ponto que tens amanhã. Com certeza que não queres ter uma negativa?! Sabes bem que não podes ter uma negativa a português. Não queres passar de ano?! Parece-me que não!!! Porque não vais agora estudar um pouco, se não conseguires sozinha, eu ajudo-te. Não podes ser tão mandriona, a vida não é só divertimento, não achas??!!! 
São Sebastião, Estremoz, Academia Sénior, prof Zuzu Baleiro

Um carrinho que não deu problemas
Não tínhamos carro e não tínhamos dinheiro.“Não é difícil: compramos um em segunda mão.” Só não sabíamos que os vendedores de automóveis não são honestos. “Aqui têm um carrinho que não lhes dará problemas. Não gasta quase nada e não está caro!” Não gostávamos da cor, mas isso não era importante. Importante, era não dar problemas. E não era caro…
Comprámos. Poucos quilómetros andados, o carro parou. “Problemas?! Não, não! –garante o vendedor –, mas o carrinho acabou…”
Fernanda Ruaz, 66 anos, Lisboa

Não,
Não à fome
Não à guerra
Não à miséria
Sim a Portugal
Sim ao Mar e ao Sal
Não à discriminação
Não à humilhação
Sim às artes
Sim à cultura
Sim aos estandartes
Não à agrura;
Não,
Não ao pessimismo
Não ao egocentrismo
Sim ao humanitarismo;
Não à poluição
Não à económica “insustentação”
Sim,
Sim ao humorismo
Não ao sadismo
Sim à natureza
Reciclagem com certeza
Não à tristeza
Sim à alegria
À metáfora da alegoria!
Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Juntam-se sabendo do interdito, do não, mas a necessidade de encontro é não suprimível. Respeitam a individualidade de ambos; não a vida que possuem.
Não avançam na intimidade; percebem a sua não reversibilidade.
Como continuar relação invulgar, não possível?! Não ultrapassar fronteiras. O futuro não seguro, o não risco inexistente. A não certeza. Como desistir de um amor para abraçar outro não previsível. Não é racional. Não é justo "experimentar". Viver outra história de amor (seria?! Não?!).
Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

– Não, podes falar comigo assim, não sabes que não me interesso por mais nada?
 Não quero que te humilhes, não te faças um fingido. Nãonão te ofendo com as minhas amizades, quero que sejas de novo aquele que não tem ciúme, que não se perturba com mesquinhices. Não éramos felizes quando não nos importávamos com os outros? Não te deixes levar… Não te apoquentes, estou aqui e estarei a teu lado, só teremos de dizer não
Constantino Mendes Alves, 56 anos, Leiria

Não, já disse que não! Não me contraries e não fiques indignado quando simplesmente te digo que NÃO! Eu não digo NÃO somente porque não sei dizer algo diferente, mas para não te ver crescer na ilusão de que não há dificuldades a serem ultrapassadas. Não recuses o meu NÃO, pois com ele crescerás seguro e não indefeso. Não escolhas o caminho mais fácil e não dês muitos ouvidos a falinhas mansas. Os obstáculos levam-nos a crescer!
Cláudia Ribeira, 44 anos, Vila do Conde

Não sei o que fazer, não me sais dos braços, não mais lavo os olhos, não esfrego a pele.
Não acho os teus pés, não visto o teu cheiro, não fumo o teu ar. Não encontro o riso, não gosto da lua. Não há cavaleiros que matem dragões, não fadam as fadas, não saram as feridas, não nascem os dias pois encerrei as horas dentro do armário.
Não sei porque me faltas tanto se nunca te tive…
Jorgete Teixeira, 65 anos, Barreiro

Não harmonia, ausência de paz
Não estando pacificada, fatalmente ficarei não integrada.
O que poderia me deixar não ajustada e sujeita a todo tipo de intempérie possível com mais facilidade.
Não me equilibrando, não me sinto disposta e não alivio o meu coração.
Não me autoconhecendo, não trabalho o meu eu real.
Não fazendo esforço para me polir, não é possível eu me render às minhas sombras e virtudes, não deixando-as conflitarem.
Por isso estou aprendendo a dizer: não, não não!
Rosélia Bezerra, 60 anos, Rio de Janeiro

Não com gosto de sim
Não, quisera poder dizer o contrário, não mais ficar só remoendo vontades.
Não: pequenas letras, poucas, ínfimas...
Não: efeito devastador, diante da negação do amor.
Não dizer não, nunca o não, quando o sim vem em cascatas, saboroso derramamento, ainda que irreal e efêmero.
Não sei se por mais vezes, não, direi, pois cada não que te dei, um pedaço de mim retirei.
Não que foi sim, não com o gosto do querer, não sei não saber...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Não digas que não
Não fiques desanimado quando não tens o que queres. Não desistas à primeira chamada. Os medos já não existem para ti. Porque não é verdade que tu não os consegues ultrapassar. Não te preocupes com o que os outros pensam. Pois isso não interessa! Não, não te inquietes porque a tua vontade de melhorar é mais forte. Não, ninguém te consegue tirar o que te pertence. Portanto, não... não digas que não consegues, se tudo podes alcançar.
Soraia Salgado, 9 anos, Torres Vedras, prof. Ana Lúcia Agostinho

Era uma vez um não que não queria negar.
Como pode?! Passo a explicar:
Um não que não nega é um não a não rir, um não a não conseguir, um não a não ser feliz...
Então o rei das palavras e seus significados decretou: 
A partir de hoje, dois nãos que se casem formam um sim!
Mal soube, o nosso não juntou-se a outra não, não uma não qualquer. Amava-a! Casaram-se e disseram sim para sempre!
Carmo Correia, 25 anos, Guimarães

O valor do NÃO
Não penses qu´é fácil
Dizer sempre não,
Quando é não, é não,
Tens de ter noção!

Não molhes os pés!
Não vás para aí!
Não faças barulho!
Não brinques aqui!

Onde está o sim,
Está o não também…
Não queiras ouvir
Dizer sempre Ámen!

Não vais transgredir,
Não vais ofender,
Faz tudo bem feito,
Faz tudo a valer!

P’ra tu aprenderes:

Não, é mesmo não,
Se é palavra amiga,
Pode ser também
Lição para a vida!
Maria do Céu Ferreira, 59 anos, Amarante

Não!
Não aos que já não esperam, por isso desesperam.
Não a quem nada diz e não vive feliz.
Não aos que muito odeiam e amor não ateiam.
Não aos amores que dormem e na dor se consomem.
Não a quem muito abusa, não limpando o que usa.
Não ao que mente por opção para ter promoção.
Não ao que não dá por querer e não quer ver.
Não a quem tudo consome e deixa dor e fome.
Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa.

– Olha lá, ó nãoNão te entendo. Vês tudo desse modo tão contrário! Não consegues ser positivo? Não te enjoa tanto negativismo?
– Não percebes o quê? Se não queres o que podes dizer? Não sejas lamechas. Não sou como tu. Não digo sim a tudo. Nasci não e tu cresceste sim. Não vês utilidade em mim? Espera, não vás embora, escuta. Eu digo não à guerra, à violência! Consegues dizer isto com o sim? Claro que não!
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

O senhor Hugo
O Senhor Hugo era pouco falador e só sabia dizer não como resposta aos favores que lhe pediam. Não fazia mal a ninguém, mas também não fazia bem.
Não era quente, não era frio. Vivia egoistamente, não fazendo pelos outros, mais do que não fazendo nada. E não fazendo nada, não fazia coisa alguma que não valesse apenas zero.
Pobre criatura!… por não fazer nada, não ficou para a história… a não ser, por dizer apenas não.
Domingos Correia, 57 anos, Amarnte

Mãe, posso comer um caramelo?
Não, pede por favor!
Mãe, chocolate?
Não, não queres ficar cheio de dores!
Mãe, posso comer um rebuçado?
Não, ao jantar vou fazer assado!
Mãe, posso beber um café?
Não, és muito jovem, José!
Porque não posso comer nada?
Porque depois não comes ao jantar!
Não dizias que não a um bolinho!?
Não, não nem pensar!
Não para caramelo, não para chocolate, não para café.
Posso jantar?
Sim!
Beatriz Sousa, 12 anos 6º E - Escola Básica D. Pedro I - Canidelo - Vila Nova de Gaia, prof Arménia Madail

Não te quero mais, não quero mesmo! Não vou voltar a ser a tua boneca.
Não vou quebrar, desta vez não! Podes continuar a implorar, mas não volto atrás. Hoje, quem não quer sou eu! Já não preciso de ti do meu lado, já não te desejo. Já não me tens, já não és meu dono. Desta vez, não te vou mostrar o meu lado apaixonado, não. Desta vez, aprendi a dizer-te não quero. Fica longe, sim?
Mariana Bastos, 13 anos, Arrifana 

Estou farta! Porque não desapareces!?
Sempre respondes não a tudo e estou farta!
Nas sms não paras de mentir e tudo o que te peço é que não sejas assim. Quando me pediste perdão, quase disse não, mas não fui capaz.
Estou a dar tempo pois não, não quero ser sempre a má da fita. Mas, não sei se vou aguentar outro não sem razão. Não mereço isso e não quero sorrisos falsos.
Não dá, não aguento.
Sara Catarina Almeida Simões, 28 anos, Coimbra

Não quero acordar. Não me lavo, nem como. Não preparo o lanche, o dia, a tarefa. Não ouço conversas absurdas. Não digo “Bom-dia!”. Nãonão não! Esta espera mata-me! Já não tenho unhas. Não me deixam acampar perto do pavilhão do concerto da Beyoncé. Admiro-lhe todos os talentos. Não me cansa o último álbum. Mas o tempo não passa… O dia teima em não chegar. Eles não param de me chatear. “Ok. Já me levanto, mãe! Fogo!”
Graça Pereira, Setúbal

Estou farta que digam que não posso fazer aquilo, mas não, eu posso fazer aquilo, só que os outros é que não querem que eu faça porque eu não demoro nada a fazer as coisas. Eles dizem:
Não, não podes fazer aquilo se não ficas sem telemóvel!
Eu começo a pensar por que é que não faço só por dizerem que não.
Não, não e não! Não volto a não fazer só porque me dizem tal coisa.
Mariana Filipe, 11 anos, Sobral de Monte Agraço

Mais uma vez vou dizer que NÃO.
Já são muitas vezes disse que NÃO, mas acabo sempre por ceder.
NÃO porque NÃO queira, NÃO porque NÃO te ame.
Mas talvez por fraqueza, porque NÃO estejas preparado ou,
NÃO te esforces, ou NÃO te preocupes sequer.
– NÃO sei, e também NÃO quero saber.
NÃO vou perder o meu precioso tempo,
e por isso vou também tentar esquecer-te
Porque afinal, tu também NÃO queres,
aquilo que eu NÃO quero.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Um não, apenas...
Não ao prazer terreno
Quando o prazer da alma é eterno
Não ao ir, quando
O ficar é tão belo
Não à palavra não
Quando o não é singelo

A vida é um todo complexo
Onde tudo mora,
Onde não há viventes e tudo se ignora…

Não à indiferença
Perante quem se diferencia
Não nada, não tudo
Não ao sim da vida vazia

Digo não! Não ao destino
Não ao poder divino
Não ao verso onde termino…
Maria Ana Madeira, 14 anos, Porto

Solidão
Apanhei um! Apanhei um! Exclamavam, movimentando-se em várias direcções.
E eu na janela......
Gritei, o que se passa aí? 
É a caça aos pokémon!
Responderam, rindo. Talvez, da minha ignorância ou da minha solidão.

Valha-me o agitar do vento e o chilrear do passaredo que, na esplanada do café, me ajudam a quebrar o silêncio dos Tablets fixados no Facebook e Twitter. E eu na esplanada.......

Ao lado, bebem, cantam e dançam. Mas ninguém fala de Amor.
Júlia Braga, 59 anos, Oeiras

A notícia foi recebida com agrado e sem surpresa. Diria até que, para alguns, aquela boa nova chegava com algum atraso.
Anos a esconder os truques, que a levaram a conseguir tamanha façanha, só podiam ter aquele resultado: inveja e regozijo. É certo que jamais estava sozinha, mas o que ela não sabia é que, por trás daquelas caras de compaixão, havia sorrisos interiores de: “Quiseste guardar o segredo da tua solitária perda de peso? Agora paga!”
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca

O mundo do não
Eu não quero! Fogo, já disse que não quero escrever. Mas eu não vou desistir. Mesmo que não consiga à primeira, é claro que não sou pessoa de desistir. Eu não perco tempo, não vou esperar mais, não vou ficar parado à espera de não conseguir. Não, vou começar já! Não há tempo a perder. Se não ficar bem à primeira, tento outra vez. Digam o que disserem, não me vão convencer de que não vou conseguir.
Leandro Neves, 9 anos, Catujal/Loures

Nãonão posso desistir, pois não serei ninguém se não agir!
Não posso ficar desanimado, tenho de seguir em frente!
Não posso deixar que me despeçam assim tão facilmente, não!
Tenho que fazer de fazer alguma coisa, mas não consigo lembrar-me!
Não tenho ideias nenhumas, não me consigo lembrar do que fazer, não posso deixar-me intimidar!
Mas não paro de pensar em como aqueles miúdos estão a gozar, não!
Não vou conseguir, não vale a pena tentar!
Rafael Santos, 13 anos, Lisboa

Hoje é o meu “dia não”: não acordo a horas. Vou tomar o pequeno-almoço, não há pão. Abro o frigorífico, não há leite. Desenrasco-me, como e vou lavar os dentes, e não há pasta.
Não estou enraivecida, mas grito:
― Credo, não há nada nesta casa! ― dizendo isto, os meus pais não ligam.
Chego à paragem, mas não há autocarro, espero, não espero até que chegue.
Não, não vos conto mais… Não, não quero acreditar neste “dia não”.
Lia Cunha, 10 anos, Faro

Não queria amar... não acreditava no amor.
Não queria chorar, não desejava sofrer, não pensava que me fizesses sorrir!
Não gostava de homens com cabelos compridos, não apreciava tatuagens, não gostava de barbas, não acreditava na sensibilidade masculina... até te conhecer!
Não gosto de contabilidade, porque não consigo contar as estrelas.
Não aprecio chuva, mas por ti enfrento uma inundação!
Não gosto do campo, mas contigo vou para qualquer lugar!
Não há obstáculos para o verdadeiro amor!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Não gosto nada de pulgas!
Nãonão é por não serem um animal interessante, mas odeio catá-las aos meus gatos.
Não gosto de andar atrás delas no pelo deles, não param quietas! Não param mesmo!
Sempre a saltar de um lado para o outro. É uma coisa que não agrada aos meus gatos. Não suportam a comichão e eu igualmente.
Não suporto ter de lhas tirar! Nãonão gosto nada! Quando vou catá-las digo sempre nãonão!
João, 11 anos, Torres Vedras

Como é um grande futebolista, não leva a vida que desejava: não sai à noite, não bebe bebidas gaseificadas, não come francesinha há anos, não tem namorada, não tem carro nem a casa que desejava, não se veste de marca, não tem tempo para visitar a família, em suma, não, não tem vida própria.
Quinze anos de carreira não valem tanto esforço!
João Cruz, Gondomar, Colégio Paulo VI, prof.ª Raquel Almeida Silva

Joana Silva, 13 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Nãonão vou continuar a ser aquela que não é ela própria. Não vou desistir de um sonho por achar que não o consigo alcançar. “Não” é definitivamente uma palavra que não existe no meu dicionário, pois não me faz falta. Talvez lá esteja, mas não admito que me leve a desistir! Não me permito pensar que não consigo fazer algo… Só que não consigo parar de me comparar com os outros. Nãonão vou parar agora!
Matilde Faria, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Não gosto do verão. Não gosto do mar, não gosto da areia, não gosto dos peixes, não gosto de futebol e não gosto de passear pelos espaços verdes típicos de verão. Não gosto de nada.
Quando vou à praia, não vejo nada de especial, a não ser aquelas morenaças de triquini ao pé do nadador-salvador. Não sinto a magia que passa nos filmes de cinema.
Não digo não ao inverno, não ao outono nem não à primavera.
António Vaz, 14 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Não gosto de frio,
Não gosto de chuva,
Não gosto de pessoas sem coração,
Não gosto de pessoas que não sabem dar valor ao trabalho,
Não gosto de fogo,
Não gosto de incêndios,
Não gosto de quem pensa ser superior,
Não gosto de quem pensa ser melhor,
Não gosto de discriminação racial,
Não gosto de pessoas-robôs,
Não gosto de quem discrimina a educação,
Não gosto de pobreza, de corrupção,
Não gosto do que fazemos ao nosso mundo...
André Moreira, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Não. Simples palavra de três letras que, consultando no (não) dicionário, significa primeiramente "partícula negativa oposta à afirmativa sim". Ora, tal pode não ser completamente verdadeiro. Pensem segundo a lógica matemática: menos com menos dá mais. Logo, podemos afirmar que não com não (subentendido) pode ser sim, não é?
Na realidade, quando... alguém ouve "Não, não, obrigado.", ou "Não quero, desculpe.", esquece-se de que um não pode não ser um não.
Não...isto não pode ser assim.
Gonçalo Gonçalves, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

NÃO! NÃO me venhas dizer que te esqueceste! Que NÃO deste pelo tempo passar!
NÃO tenho mais paciência para irresponsáveis! NÃO venhas novamente com a conversa "NÃO me leves a mal! Já sabes como sou distraído!"
Porque é que NÃO arranjas um método que NÃO falhe? NÃO tens onde apontar?... Por que NÃO pões um lembrete no telemóvel?
Desejava NÃO me aborrecer, NÃO me sentir desamparada, lembrando que o meu esforço NÃO resultou minimamente... NÃO há desculpa!
Maria Costa, 38 anos, Maia

Não sei quando te poderei abraçar. Mesmo que não me abraces eu não chorarei. Não suplicarei esse abraço. Embora o deseje não desespero. Esperarei sempre por ele. Não me gabes a paciência! Não quero que digas absolutamente nada, vem abraçar-me apenas. E esse abraço não será o fim, acredita.
E quando acontecer não ficarás indiferente, sei.
Não conheces quem te abrace assim.
Não sabes o sabor que tem.
Não sejas louco.
Não digas que não te avisei.
Andrea Ramos, 41 anos, Torres Vedras

Miguel, 28 anos, não tem filhos, não tem preocupações, mas não tem o que quer.
Como é um grande futebolista, não leva a vida que desejava: não sai à noite, não bebe bebidas gaseificadas, não come francesinha há oito anos, não tem namorada, não tem carro nem a casa que desejava, não se veste de marca, não tem tempo para visitar a família, em suma, não tem vida própria.
Quinze anos de carreira não valem tanto esforço! 

João Cruz, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva