31 agosto 2013

Férias do emigrante

Passou-se Agosto. Emigrantes; regressaram a gosto, para rever os seus e os seus haveres.
Chegaram com as ideias nas romarias, festas e quilómetros de praia lusitanos.
A contragosto, encontraram as melgas do Algarve para lhes estragar o início das férias, mas mantiveram a alegria e a esperança no fim da praga.
Quando as férias iam de encontro ao sonhado, surgiu o inferno dos fogos, maioria de mão criminosa, e assistiram ao caos rondando impiedosamente suas casas, que desgosto!

Paulo César Nunes, 58 anos, Póvoa de Santa Iria


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

Vida!

Sofreu um grande desgosto de amor. Foi o primeiro, por isso doeu tanto!
Só chorava, ia entrar em depressão, se não ajudassem...
Decidiram levá-la a passear, mesmo a contragosto.
Ficaram em hotéis junto a praias maravilhosas, visitaram museus,
feiras de artesanato...
Lentamente, foi reagindo, a gosto próprio, ao seu ritmo.
Um dia, ao acordar, sentiu que a nuvem negra tinha desaparecido
e havia novamente sol, a iluminar a sua vida.
Assim se passou o mês de Agosto!

Arminda Montez, 75 anos, Queluz


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

Retrato

A gosto
sorriu,
a boca semiaberta,
uns dentes quase sedutores,
faiscantes.
O amor, para ela,
fora sempre um caminho recto,
tombado,
orlado de flores, comodidades…
alguma solidão, certamente,
mas nem um desgosto.
Não era bonita:
o sol de Agosto reflectia,
em jeito de troça,
um brilho incerto,
nos seus cabelos;
os olhos,
beges,
nada contrastavam
com a sua tez.
E o riso? Gargalhadas trémulas,
em jeito de guincho simiesco.
A contragosto visitava-a:
Era muito azarada ao póquer!

Jaime A., 49 anos, Lisboa
Publicado aqui: http://soprodivino.blogspot.pt/2013/09/retrato.html#links
Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

Que transtorno!

Tanto pra fazer que tinha...
Deixou tudo para Agosto.
Mas tanta mágoa lhe vinha!
Tanta dureza continha
Que fazia a contragosto!

Não era caso pra tanto,
Pois assim se faz a vida!
Porquê todo aquele pranto
Que causava tanto espanto
A quem a via na lida?

– Ó vizinha, diga lá                                         
Como o transtorno se dá?

– Não faço nada a gosto,                             
Não tenho satisfação!
Tudo me cansa e aposto,
Outros sentem o desgosto
Que sinto em meu coração!

Fernanda Gomes, 45 anos, Lisboa


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

30 agosto 2013

Agosto, a contragosto, a gosto

Vai se embora o mês de agosto
E eu, meio a contragosto
Com as mãos pousadas no rosto
Respiro esse ar de desgosto
Na boca um amargo gosto
Que pela vida me foi imposto
Deixando-me meio indisposto
E um tanto quanto descomposto
Mas me encontro predisposto
Pra livrar desse encosto
Por isso peço um tira-gosto
Boto um sorriso no rosto
E vou viver a vida a gosto
Esperando que no próximo agosto
Me sinta bem mais disposto

Majoli Oliveira, 53 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO
(e neste caso sempre em rima!)

Labaredas

Mais um agosto em que as notícias de incêndios nos fazem arder de horror. Aqueles que ainda conseguem manter algum equilíbrio sentir-se-ão desgostosos com as imagens de labaredas que abrasam e destroem, a contragosto de todos: sobretudo dos bombeiros. Queria enaltecê-los. Sinto-me inapta: não há forma! Todas as palavras são insignificantes; nenhum comentário apaga o desgosto das perdas de vidas. Geração rasca? Não generalizem! Quando jovens dão a vida a defender, a gosto, um património de todos.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

De motorizada parada...

– Espera, meu filho.
A contra gosto volto a sentar-me, a avó perdendo-se em fúteis conversas com as amigas de sempre, no café de sempre. Pensam que é fácil dissuadi-la de manter a rotina? Já experimentei tudo, até chantagem… da emocional, claro!
Logo Agosto, que para meu desgosto tem 31 dias, é o mês da avó ficar connosco.
A motorizada fica arrumada que é perigoso.
Bem, já só falta um dia para poder voltar a acelerar a gosto.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

A vida é um sonho

Meu amigo, sei que tens momentos de desânimo, vives como se já estivesses morto, sem entusiasmo pela vida, e só pensas em doenças, não te deixes abater sai desse marasmo, vem olhar o céu, o mar, ouvir e ver o esvoaçar das gaivotas, admirar A natureza, contemplar o horizonte, e diz não à morte, é urgente um acordar, vá lá, sorri, dá uma gargalhada.
Vida é um sonho! Diz não à morte.
Urgente sim, é um acordar!

Maria Silvéria dos Mártires, 67 anos, Lisboa

Desafio nº 42 – frase com 5A5E5O3I e 3U, que dá o mote

Programa Rádio Sim nº 80 – 30 Agosto 2013

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim

 Desafio nº 6 - início e fim obrigatórios

De dia viam-se muito pouco
na  cabeça deles existe amor,
ele fá-la sentir aquele calor que ela precisa.
Nessa noite, deseja que a aqueça.
O seu coração imagina que ele é um lutador,
vem para salvar a dor.
Os ouvidos dela ouvem a sua suave voz
os lábios dela querem sentir a sua felicidade
e  o corpo dela deseja sentir a  sua sensualidade
pela noite dentro. Precisa da poesia dele,
assim será o seu poeta.
Quem diria! 

 Diana Pinho, 18 anos, Cesar, estudante

O senhor é...?!

Noto que perdemos o caminho e que circulámos em torno de Toronto.
– Desculpe, pode indicar-me onde fica o Instituto Camões?, perguntei ao zarolho que estava sentado num toro à beira.
Olhou meio tonto para o plano roto e dizia: Foi marinheiro, aventureiro, a única rota é sempre para frente com o vento a favor, além encontrará o meu trono de glória que conquistei com a pena.
– Ui! Perdão! O Senhor é Luís de Camões!
– Sou eu próprio.

Theo de Bakkere, 60 Anos, Antuérpia, Bélgica


Desafio n.º 40 -  a partir de anagramas contendo as letras de Toronto

Retrato

A gosto
sorriu,
a boca semiaberta,
uns dentes quase sedutores,
faiscantes.
O amor, para ela,
fora sempre um caminho recto,
ladeado de flores, comodidades…
alguma solidão, certamente,
mas nem um desgosto.
Não era bonita:
o sol de Agosto reflectia,
em jeito de troça,
um brilho incerto,
nos seus cabelos;
os olhos,
beges,
nada contrastavam
com a sua tez.
E o riso? Gargalhadas trémulas,
em jeito de guincho simiesco.
A contra gosto visitava-a:
Era muito azarada ao póquer!

Jaime A., 49 anos, Lisboa


Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRA GOSTO; DESGOSTO

Casamento... ou não!

Era final de Agosto quando veio a notícia do casamento da filha com Leonardo, seu então namorado.
Dona Lili a princípio até fizera com que parecesse a gosto dela tal fato.
Ajudou no que pode, planejou tudo junto.
Porém tudo que fazia era exatamente a contragosto do que os noivos queriam.
Implicavam com tudo, só pediam, nada faziam.
Assim, para ela, ao final, aquele casamento seria o próprio desgosto.
E pior de tudo: nem ocorreu!
Acabou antes!

Chica, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil  

Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO

O rosto

Maria acorda, olha para o gigantesco guarda-fatos do quarto da tia, onde dorme sempre que passa as férias de verão na quinta dos avós. Mete-se dentro dos lençóis, assustada. O guarda-fatos tem um grande rosto desenhado. Maria sabe que é por causa da luz que reflete na sua grande porta envernizada. 
Salta da cama, aproxima-se dele e faz-lhe uma grande careta. Agora sim, mais descansada, vai tomar o pequeno-almoço que a espera na cozinha. Hum… que delicioso!


Sílvia Mota Lopes, 43 anos, Braga

(história sem desafio)

Caminho marítimo

Encapelaram-se as ondas,
era profundo,
frio, escuro,
aquele mar,
os ilhéus sempre o quiseram Atlântico,
para mim, eram as nuvens
que quiseram ser espuma,
um céu que quis ser líquido, colérico.
Não,
não era assustador,
era só um regresso,
uma visita.
O rugido mantinha-se,
o céu e as águas aliavam-se,
desprezando o horizonte,
uma aliança de jugo,
disforme.
Eu escorria vento,
os braços cruzados
como insectos,
os olhos marejados de sal
(húmida esperança),
uma História naval banal.
Jaime A., 49 anos, Lisboa 


Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa, neste caso pela ordem da frase

Desafio nº 50

Está a acabar o mês de Agosto, e lembrei-me de uma coisa, provocada pela ideia da Helena Almeida, quando estávamos no programa…
Sim, podem ficar já preocupados, lembrei-me de uma coisa meio estranha.

Gostava que escrevessem uma história que tivesse as seguintes palavras:
AGOSTOA GOSTOA CONTRAGOSTODESGOSTO

Que vos parece? Reparem que vos dou total liberdade para as encaixar no texto (não é bom?) e até podem descobrir outras que não me tenham ocorrido…

Eu escrevi assim:

Aceitou, a contragosto. O que queria mesmo era estar com ela!
A ideia, de início, não lhe parecera má. Contudo, com o passar dos dias, imaginar-se a passar o mês de Agosto na cidade, mergulhado em livros poeirentos, enjoava-o bastante. Começou a agigantar-se a ideia, qual tarefa demoníaca, quando devia, como todos os outros, estar de férias. Tudo porque se deixara enlevar numa conversa sobre saladas temperadas a gosto.
Agora, lia desgostos românticos do século passado, sozinho.
Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

29 agosto 2013

Programa Rádio Sim nº79 – 29 Agosto 2013

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim

Desafio nº 39 -  Afinal, era só um ovo de Páscoa…



Desejos Secretos
Treze anos fresquinhos, Mariana prometeu: “A partir de hoje nada de doces; o Rui há-de ver-me com outros olhos!”
Mas quando viu aquele embrulhinho deixado em cima da mesa pela madrinha, não resistiu… Afinal era só um ovo de Pascoa… Nem leu a mensagem presa ao laço “OVO MÁGICO. Realiza desejos secretos”.
À primeira dentada saiu a esvoaçar cidade fora. Só conseguiu pegar na mão do Rui que a olhava com o sorriso mais apaixonado do mundo.

Carla Flores, 43 Anos – Lisboa/Aveiro

Que lida!

despertador tocou!
Começou a lida!
A cozinheira pisava no almofariz, alhos, coentros e sal, para a açorda e
cozia as couves, que iriam alimentar o leitão.
O pequeno-almoço, cheirava tão bem!
– Menino Rui, cuidado com a vespa, pode picar, alertou a Luísa!
– Achei uma bola de ténis! – disse o menino.
Alguém chamou:
– Augusta, vamos às compras, já tens o papel com a lista?
– Tenho, sim, só preciso, antes de sair, de colocar a rolha na garrafa.

Arminda Montez, 75 anos, Queluz


Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório, em bold

O poder dos deuses

Mentiroso anúncio de um verão invernoso! Agosto entrou, triunfante, e o impossível aconteceu.
Elsa desejou o mar, todo o ano, para afogar a guerra com o marido.
Primeiro mergulho. Não se apercebeu da corrente mas o surfista apercebeu-se da aflição da mulher que esbracejava.
Quando, deitada na areia, abriu os olhos, não queria acreditar. O grande amor da sua adolescência estava ali, para salvar o que ela destruíra há vinte anos.
É forte o poder dos deuses!

Ana Paula Oliveira, S. João da Madeira, 53 anos


Desafio nº 49 – história louca de férias!

Grande receção

Chegámos, pousámos as malas e abrimos as janelas. Na cozinha, uma linha preta irrequieta fez-nos esquecer o cansaço da viagem. Afinal não estávamos sós!
As formigas, alinhadas e apressadas, nem deram conta da nossa chegada.
O que fazer? Eliminada a solução do extermínio, optou-se por provocar a alteração do percurso daquele carreiro negro. Deixámos iguarias doces no pátio.
No dia seguinte, o pátio tinha-se transformado num jardim zoológico e as formigas continuavam a deambular pela cozinha adentro.

Maria Garrido, 48 anos, Caminha


Desafio nº 49 – história louca de férias!

A recomeçar

Fogo,                           
pena,                   
sorriso:
três objectos-sentimento
que a assaltavam
hora a hora,
minuto a minuto,
tiquetateando,
forçando-a ao sorriso,
à pena,
depositando-a no fogo.
E tudo a recomeçar,
mecanicamente,
melhor, digitalmente,
com a certeza
de um programa pavoroso
criado pelo absurdo.
Já não eram só as mãos,
que tremiam,
ou os joelhos que chocalhavam
num tango bizarro;
toda ela era um estorvo
para si mesma.
Aquele ciclo:
fogo,
pena,
sorriso,
era a mortalha,
o regresso
a caminhos extintos...

Jaime A., 49 anos, Lisboa

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Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

A árvore

A avenida da quinta parecia que não tinha fim. Ladeada de palmeiras tornavam-na mais fresca naqueles dias quentes de verão. Mesmo assim, o sol teimava com os seus braços de luz iluminar todo aquele espaço.
Maria não se cansava. Percorria para cima e para baixo a avenida e parava apenas para subir à sua árvore preferida. Tal como o seu irmão lá em cima imaginava. Ela era Jane, o irmão Tarzan.
A árvore onde tudo pode acontecer!

Sílvia Mota Lopes, 43 anos, Braga

(história sem desafio)

28 agosto 2013

Programa Rádio Sim nº 78 – 28 Agosto 2013

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No site da Rádio Sim



Desafio Rádio Sim nº 3 – um dos provérbios dados no fim

Parece que tudo acontece neste mês de julho de 2013. Não sou supersticiosa, mas o treze é considerado o número do azar . Para os outros, claro! A crise passa-me ao lado. Pertenço àquela casta afortunada que ainda pode dizer “Nós, graças a Deus, podemos!” Caramba! Até a água da piscina está morna! Eu não digo que tudo acontece neste julho? Que maçada! Devia dar ouvidos à tia Benedita: Em Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.

Paula Ângelo, 48 anos, Portela, Loures



O boto encantado

Tenho 12 anos. Fui com meus pais ao “Cantinho”, o sítio do tio Óscar. Estava de férias. O lugar tem pitomba, manga, taperebá.  Frutas que só existem por lá.  Tia Jânia cuida das flores e das galinhas.  À noite tio Óscar conta histórias de arrepiar. Sob a lua dourada e zilhões de estrelas, ele contou que ali o boto sai da água para encantar as moças.  Repentinamente um forte vento nos assusta. – É o boto virando gente...

Elza Maria Pereira de Souza, 60 anos, Manaus, Amazonas, Brasil


Desafio nº 49 – história louca de férias!

A caixinha de música

O quarto do avô é mágico. É tão grande que cabe lá todos os sonhos do mundo!
A Maria entra no quarto todos os dias. Ajoelha-se em frente à cómoda muito antiga, como tudo o que habita no quarto do avô. Em silêncio abre a caixinha de música que o tio trouxe do ultramar. A caixa tem um ar exótico e lá dentro uma pequena bailarina que dança sempre que a Maria a traz ao seu mundo. 


Sílvia Mota Lopes, 43 anos, Braga

(história sem desafio)

27 agosto 2013

Programa Rádio Sim nº 77 – 27 Agosto 2013

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No site da Rádio Sim

Desafio nº 5 -  Frase de 7 palavras posta ao alto, de 10 em 10 palavras

Debaixo desse teu olhar feliz, habitam monstros.
Debaixo da tua cama não há espaço para tantos monstros desse tamanho, disse-te sorrindo para quebrar o silêncio do teu rosto.
– Foste lá ver?
A tua voz ganhava um outro olhar. Falava agora a solidão, desenhando e ilustrando uma página menos feliz.
– Não fujas! Vamos procurá-los.
 Nós duas, numa aventura épica onde habitam fantasmas, bruxas, fadas, gnomos, princesas e estórias maravilhosas de muitos monstros.
– Queres que os assuste?
Manuela Ferrer

O Piquenique

A família Almeida regressou à sua aldeia natal para um período de férias.
Este ano trouxeram dois adolescentes, amigos dos filhos.
Os jovens tomaram banho na praia fluvial e fizeram um piquenique na linda paisagem rural.
Durante o piquenique ocorreu um pequeno desastre.
Ouviram uns zumbidos, ficaram exasperados julgando que eram abelhas. Um dos rapazes entrou em pânico e trepou por uma árvore.
Afinal, eram filmagens nesse local porque “em Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço”.

Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra


Desafio Rádio Sim nº 3 – um dos provérbios dados no fim

Avós para sempre

Maria entrou pela porta da cozinha. Uma porta pequena para uma cozinha tão grande.
Sorridente cumprimentou a avó que todos os dias vivia rodeada de tachos e panelas de todos os tamanhos e feitios.
O avô estava no escritório. Sentado na majestosa cadeira da cor do carvão, alimentava a sua solidão a jogar solitário. Olhou-a com um sorriso aberto. Maria sabia o que significava aquele sorriso. Os dois entusiasmados jogaram crapô e o tempo congelou lá fora.

Sílvia Mota Lopes, 43 anos, Braga

Desafio nº 49 – história louca de férias!


26 agosto 2013

Programa Rádio Sim nº 76 – 26 Agosto 2013

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 Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa


Amores perfeitos
Amores perfeitos eram para outros. Por desatenção? Absorvido pelo filme ininterrupto a passar na mente... Então vi o pássaro negro de bico amarelo; andava de um lado para outro da janela gradeada do espaço onde eu me encerrara. O mais surpreendente foi o sorriso daquela mulher inesperada, de tudo aliviada, de dor ausente, além do sofrimento. Sorria para quê? Sorria para mim apenas, via-me sem qualquer mas. Segui-la em pequenos passos saltitantes de pássaro negro, pensei ainda.

João Xavier, 53 anos, Carnaxide

Da novela erótica de M. Teixeira Gomes, DEUS EX MACHINA, colecção brevíssima portuguesa, B Civilização Contexto -  "Ainda pensei em segui-la: mas para quê. Além de tudo o mais eu andava então absorvido por outros amores..."


Tempo sem tempo

Podia por começar por dizer: "O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem." 
E despachava logo o assunto. Mas assim não tinha graça alguma! Não tinha graça, e eu não tenho tempo para brincadeiras. Pois no meu tempo não se brincava com coisas sérias! Mas como não estou naquele tempo e não tenho mais tempo... desculpem, palavras, ficamos por aqui!

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas


Desafio nº 12 – escolher uma palavra que apareça pelo menos meia dúzia de vezes

Como se isso agora tiveesse importância alguma

COMO se metera nesta situação? Não sabia, nem tampouco compreendia.
SE ao menos percebesse como começara! Os motivos! Se os houvesse!
ISSO tornava as coisas bem mais fáceis. Seria? Estas coisas tornam-se fáceis?
AGORA não interessa se são fáceis ou difíceis!
TIVESSE tomado atenção aos sinais que estavam à vista, só ela não via.
IMPORTÂNCIA? Bem, agora não tinha nenhuma. Mas traição? Nunca admitiria!
ALGUMA coisa de havia de resolver, afinal não era o fim do mundo!

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras

24 agosto 2013

Rotinas

De dia viam-se pouco, as saudades dos primeiros anos passara há muito.
Não se sabe bem em que altura, deixaram de sentir necessidade de estar juntos! 
Quando chegava o fim da tarde, encontravam-se em casa, aí o diálogo era pouco ou nulo. Cada um vivia no seu mundo. Sem se aperceberem, suportavam convenientemente a vivência em comum. Deus não lhes dera filhos, talvez fosse melhor assim! As pessoas, ao saberem desta calma vivência, diziam perplexos: 
– Quem diria!!!

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 6 – início e fim impostos (a bold)

O bule chinês

Sou um bule rachado, sou... É verdade.
Hoje não tenho serventia. Apenas sirvo de decoração! Decoração e recordação!
Pois os olhos da menina brilham ao olhar para mim, tem dias que ficam com lágrimas, enquanto conta às netas quando me trouxe da China na viagem de lua-de-mel! Depois nunca mais parei! Quando vinham visitas importantes, dias de festa, chás das cinco... era sempre eu! Hoje toca-me com nostalgia e estremeço. Estremeço, pois!!! Sou rachado, mas com coração.

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 4 – começando com frase imposta

Férias assombradas

Uma vez reunimo-nos em férias e fomos a Camboriú em Santa Catarina acampar com nosso tio Daniel, muito piadista.
Ao chegar, cansados, alugamos uma casa velha que parecia mal assombrada.
Na parede havia um quadro com dois meninos metidos em ternos e de cabelos repartidos de lado. Tio Daniel os apelidou de Cosminho e Damiãozinho”, o que rendeu piadas e histórias de fantasmas.
Depois disso, quem disse que conseguimos pregar o ôlho?
Nem com reza brava!

Anne Lieri, 53 anos, S. Paulo, Brasil


Desafio nº 49 – história louca de férias!

Desgosto Infantil

Estávamos na província, a passar umas semanas, na casa da "Quinta".
Tinha muitos animais e eu adorava-os.
Um dia, não sei como, a minha galinha favorita, partiu a "pata". A madrinha
disse-me: "tapa" bem a patinha dela, enquanto não chega o veterinário.
Escureceu e apareceu o "luar", lindo!
Foi então que me lembrei de dizer ao primo "Raul", porque ele também gostava
muito daquela galinha.
As lágrimas banhavam-me o "rosto" e o primo, fez-me sentar nos "toros".

Arminda Montez75 anos, Queluz


Desafio nº 19 – anagramas dentro da história

Férias em Cabo Verde

Duas amigas resolveram passar férias em Cabo Verde. Chegadas ao aeroporto africano, a mala de uma delas tinha desaparecido. Muitos minutos mais tarde, foram informadas que a mala talvez aparecesse no dia seguinte. À uma da manhã, de táxi, ao percorrerem a estrada, sem iluminação, em direcção ao hotel, ouvem um som estranho…pneu furado. Acenam aos carros que passam para arranjarem boleia. Pára uma carrinha da polícia, sem vidros, com cassetetes. É nela que chegam ao hotel!

Margarida Leite, 46 anos, Cucujães


Desafio nº 49 – história louca de férias!

23 agosto 2013

Programa Rádio Sim nº 75 – 23 Agosto 2013

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No site da Rádio Sim

Desafio nº 31 - com matemática

O 31 da Maria Inês
No dia 20 de janeiro, Maria Inês saiu do Porto rumo à Festa das Fogaceiras. Faltavam-lhe 31 quilómetros para chegar à Feira. Pouca coisa…
Quando estava a chegar tinha 31 carros à sua frente para estacionar. Que grande 31!
Ao longe ouvia-se um foguete a estalar… a festa estava a começar!
Finalmente lá chegou, 31 minutos atrasada…
Quando se aproximou da festa pouca gente encontrou. De tantas Fogaceiras que havia, Maria Inês só viu 28 mais 3!

3ºA da EB 1 Feira nº 2 de Santa Maria da Feira, professora Cátia Silva.



Histórias que invadem os dias

São tantas as historias que se cruzam, que imaginamos, e tentamos adivinhar, teatrais…
…”vem aqui Luisa!”…, …”sabes o que me disse o João?”…, …”estive com a minha mãe, está cada vez mais surda”…
Histórias soltas, que o bafejar do vento traz até mim. O sol acalenta e a vontade dum mergulho fez-se sentir…
Poisei o livro, pondo de lado as histórias que invadem o meu dia. E,“debaixo de algum céu” aceitei o convite…
A água estava óptima!

Graça Pinto, 55 anos, Almada


Desafio nº 49 – história louca de férias!