31 março 2013

AFINAL


Afinal, era dia e eu tomei a noite como certa, não porque a luz me cegasse, mas porque os sonhos esmorecem mais devagar no escuro.
Afinal, era o mar e eu pensei que tinha uma terra para lavrar caminhos; assim, sempre me afoguei ao andar.
Afinal, era só um ovo de Páscoa e eu cheirei Natal, como se a traição ao calendário lambesse as feridas do tempo.
Afinal, era mentira mas fingi que a verdade dormia comigo.

Bau Pires, 50 anos, Porto

Rabiga em acção!


Havia migalhas por todo o lado e a formiga Rabiga na sua azáfama laboriosa ia empurrando um pedacito de encontro ao esconderijo, pelo carreirinho adiante. Afinal, era só um ovo de Páscoa! Há que aproveitar estes raios de sol que hoje aquecem o corpo e a alma confortada depois de tanta chuva, para repor as provisões, pensa ela toda animada. De repente um enorme obstáculo e o carreirinho desaparece. E daquele muro saía um cheirinho tão agradável…

Alda, 45 anos, Porto

30 março 2013

Depois de uma hesitação...

Todos os anos era o mesmo. Ele carregava e os outros aproveitavam-se disso. Por momentos ponderou deixar a carga mesmo ali no meio do nada. Afinal, era só um ovo de Páscoa… quem é que acharia falta? Ao fundo viu a casa onde teria de deixar a encomenda. Uma menina de cabelos longos e pernas desajeitadas brincava na rua. O seu coração encheu-se de propósito novamente. Ele era o Coelho da Páscoa e iria cumprir a sua missão!

Alexandra Rafael

Grande madrinha!

Queria tirar a carta e a madrinha disse que lha oferecia.
A mãe gritou: “A prenda da tua madrinha está na mesa!”.
Correu, parou e… afinal, era só um ovo de Páscoa….
Desiludido, pegou no ovo para o dar à irmã. Ao menos, faria alguém feliz.
Bateu à porta do quarto da Maria. Enquanto aguardava, reparou numa
etiqueta branca colada no ovo: “Já podes tirar a carta. Transferi o
dinheiro para a tua conta. Um beijo. Madrinha”.

Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

Que sobrinho!


Sempre atrás da chave… Todos os dias era o mesmo. Vasculhava a mala, espalhava tudo no chão e, por fim, agarrava-a vitoriosa. 
Entrou em casa, atirou as coisas para cima do sofá e… o que era aquilo em cima da mesa? Mais uma partida do António Sérgio? Torceu o nariz.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… com a mensagem: “Peço-lhe que me desculpe…”
Sorriu satisfeita.
Pegou no ovo, mas antes de o provar, explodiu. Maldito sobrinho.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Foram os crescidos?!


Com o sol a espreitar pela janela, a Rita dizia ao irmão:
– André! Acorda! Não está a chover!
Com uma fatia de bolo na mão, saíram sorridentes.
Pelo caminho, encontraram algo diferente, redondinho e falador. Nunca tinham visto um assim. Afinal era só um ovo da Páscoa!
– Mas ovos não falam! (gritava o André)
– Foram os crescidos que te disseram isso? (dizia o ovo)
– Tão giro! Vamos ser amigos! És especial, tal como és! (dizia a Rita)

Ana Couto, 33 anos, Lisboa

Alentejo


Alentejo. Férias da Páscoa em casa dos avós. Quinze anos vaidosos. O ovo de Páscoa tentador provocando de cima da cómoda antiga. Uma determinação férrea e irrealista, até à véspera, de se permitir, apenas, tentar por um doce: o ovo.
Afinal, era só um ovo de Páscoa… - justificou-se para consigo face àquele acordar… com o cheiro doce e envolvente do chocolate e das fatias paridas da avó: deixa lá o ovo e vai alegrar a tua avó.  

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Ritinha


Ritinha, menina muito danadinha, adorava comer chocolates.
Seus pais tinham o maior cuidado com isso, pois alergias deixavam seu corpo coberto de bolinhas quando comia demais.
A Páscoa mais uma vez chegava e sabia que ganharia só um ovo.
Ela chegava a sonhar.
Sonhou com ovos de chocolate “matrioskas”, um ovo dentro do outro, várias camadas deles. Só de olhar, ria. Feliz.
Se assim fosse, ninguém a poderia questionar... Viva!
Afinalera só um ovo de Páscoa…

Chica, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Publicado aqui:

Desafio nº 39


Trabalharam muito no último desafio, não foi? Então, toca a descansar… ou talvez não!

Estando na Páscoa, surgiu-me uma ideia. E se escrevêssemos um texto que tivesse, lá pelo meio, esta frase:

Afinal, era um ovo de Páscoa

Simples? :) Só falta escrever 70 palavras para além desta!

Eu inventei assim:
«Que se lixe», pensou. Afinal, era um ovo de Páscoa
A dieta seria interrompida por breves instantes, não afectaria o resultado final. Até nem era dos maiores. Rodando-o para ler a ficha informativa, percebeu: 100 gramas de chocolate preto, total – 487 calorias. Era quase metade do que consumia por dia! Vacilou, mas logo arranjou solução. Não comeria mais nada naquele dia! Ou então, se sentisse fome, atacaria outro ovo. Depois da primeira dentada, não mais parou.
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio n.º 39 história que contém a frase: “Afinal, era só um ovo de Páscoa”

Em trânsito


O dia não podia ter corrido melhor! TODa a ener gIA que sentira Naqueles dias prendia-se com a Oportunidade que lhe haviam dado. PODia deixar o emprego que odiava, aquela TErra onde sufocara…
PeRCorrera meio mundo e finalmente conseguira!
Mas sentia agora, naquele fim de mundo em que se encontrava “em trânsito”, que o sorRIso ofericiDO juntamente com o café Merecia meLHor resposta que uma mera gORjeta e sem pensar duas vezes, alterou novamente o seu rumo.

Carla Flores, 43 anos Lisboa / Aveiro

29 março 2013

Sala de Urgência


AO CAÍREM, OS MIÚDOS, MAGOAM-NOS A NÓS! 

AO +CA + ÍR + EM +OS + MI + ÚD + OS + MA + GO + AM + NO + SA + NÓ + S!

– Ao caírem, os miúdos magoam-nos a nós! Não lhe parece, cara irmã?
– Bem, aos miúdos e aos borrachos, Deus põe a mão por baixo! Já quanto à dor dos graúdos é que não temos um grande remédio!
– Mais logo, assim que se confirme que não é nada, vamos dar-lhes a boa notícia, lá fora! Sabendo que tudo não passou de um grande susto, logo normalizam!
– Que lhes sirva de lição! Crianças e piscinas, é precisa muita supervisão!!

Luís Marrana, 52 Oliveira do Douro
desafio nº 38,

A luta semanal


Agora, fartava a chuva, frequente, desta semana. Água do meu céu, porque afinal, chorar de tonta, esvaziar aquele espaço, seria inútil. Achava que o mido das minhas paredes me colocava frente a frente qual meu estar, ali fosse, equilvalente a um terrível torneio: figurinhas, duendes e cornetas soavam. Intimavam o meu pensamento para lutar. Edificava, em cima do escadote, a luta semanal. Mas, naquela inquietude, sabia que chegara a hora de mexer o balde e a esfregona.

Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, S. Miguel, Açores


desafio nº 38, histórias em 77 palavras, histórias recebidas,

27 março 2013

Comemoração imprevista


Era forte o desejo de abraçar aquela mulher para sempre, nesse momento improvável.
ERa o coração batendo, bAFo marítimo das ondas cORrendo
forTE ODor, corpos ESguios.
Num bar, vEJo água, água e Poseidon
Entre ODres de vinho e bóias
tEAres aBRindo
 linhas grACiosas, ARtes
AQuosas emanações.
 Nas rUElas
LAadeando paralelípedos,
transMUtação e abrigo
moLHes objectivos.
ERa
PArtilhar
brincadeirRAs,
pasSE e
coMPasso de
amoREs,
coNExões
aSSimétricas,
 tEMpo ÓMega ardENdo compleTO,
IMergia comPReensível itinerário
mOVendo-me favorÁVel a ELa.

João Xavier, 53 anos, Carnaxide

25 março 2013

Primavera Atrasada


Pobre passarito abandonado na árvore nua.
Pousado sobre o ramo mais alto, espera o epílogo das suas aventuras. Sabe que a primavera está, ainda, no leito do inverno, abnegada e lânguida. Dona do tempo, nada a arrelia. Nem mesmo chegar atrasada. Virá quando quiser ou o inverno a desabraçar. E o passarito, perdido e sem voz, espreita-a.
Árvore solitária, envergonhada da nudez; pássaro silencioso. Duas solidões, caladas e pacientes, esperam que se abra a porta do tempo.

Ana Paula Oliveira, 52 anos, São João da Madeira

Vinte anos


Vi nt ea no ss ão ba ga ge me es qu ec im en to.

Vinte anos são bagagem e esquecimentoViste-me antes que te visse. Apeaste-te do comboio no momento em que parou. Segundos passaram em que nos olhámos, o meu coração a bater contra o teu. Engasgada pela emoção não disse palavra. Era o fim da viagem. Merecera esta mão que apertava a minha? Deus sabe os pecados que cometera...por instantes foi impossível sorrir. Então os teus lábios sussurraram contra os meus: “Vinte anos e não te esqueci um momento!”

Alexandra Rafael, 35 anos, Albufeira

23 março 2013

A Sombra das Palavras


A sombra do homem que sorri.
Uma frase que me tomou como um abraço. Primeiro, fiquei aconchegado, depois perturbado. Tanto, que gelei; não conseguia tirar os olhos da pedra.
– Oh, não fiques assim, como bicho embalsamado – pediram-me, passado alguns minutos.
Porquestariam ali as palavras que eu escrevera há imensos anos, como resposta à acusação que não sabia sorrir? Afaguei-as, eram minhas.
A tremer, afastei as heras da campa e vi a foto: era eu, a sorrir.


Bau Pires, 50 anos, Porto

Todas as palavras


Pensava que tinha comigo todas as palavras. E aPEnas por alguns instantes marAVilhosos, AQui me persuadi de qUE os meus midos pensamentos gaNHariam as asas que sempre me ACompanharam na terra dos sonhos. O tOM de orgulho que consIGo relembrar quando cOTejo as memórias dessas ODes perdidas deixa-me agora horrorizada! QuantAS lágrimAS de vergonha desses PAlanques inesperados! Em plena QuaresmaLAvo estas mãos de Herodes, laVRando a sentença de Cristo nAS últimas horas, que são também minhas!

Madalena Tavares, 43 anos, Vale do Paraíso (concelho de Azambuja, Lisboa)

22 março 2013

ENIGMA


Vesti uma camisa florida e saí p’la manhã. 
Não havia nuVEns, o tempo eSTava perfeito. Chegou a primavera, tudo florIU, MArcando os jardins de vários CAmbientes.
Ao longe, crianças caMInhavam alegres e SAltitantes, as aves FLutuavam acORdando devagar.

Nada nem ninguém parecia ter IDade. SAEm pelos caminhos SApientes "IPs" LAnçando poéticos MAdrigais escritos com os primeiros raios de sol.

Olho a minha imagem e sigo. CamiNHo. Ah!, mas não sei p'ra onde vou nem sei quem sou.

 
Rosélia Palminha, 65 anos, Pinhal Novo 



21 março 2013

Caminhada


HA+MA+IS+PE+SS+OA+SN+AR+UA

Há mais pessoas na rua. O sol é convidativo. Vêm apanhar ar, depois demartirizados pela clausura imposta pelas chuvas torrenciais dos últimos dias. Pesa-me o corpo, estou destreinada. Dou passos largos mas caminho devagar. Mudo de música. O som dos PhaZer impele-me para uma marcha mais rápida e pensamentos distantes. Abençoados! Um asno faz-me um gesto obsceno. Traz-me de volta à realidade. Não me estraga o dia. Paro feliz e descanso. Conforta-me um golo de água.

Teresa Ferreira46 anos, Costa de Caparica

Pensava como era feliz


PE + LO + CA + MI + NH + OP + EN + SA + VA + EM + CO + MO +ER + AF + EL + IZ

Pelo caminho pensava em como era feliz! Fez muitos planos, mas de repente tropeçou…
PEdro LOgo CAiu… MInha mãe… !, gritou.
Parecia ter partido uma perna.
TamaNHa queda, teve de ser OPerado, ENtrou para a SAla de operações.
VAi ser rápido, EM pouCO tempo vamos tER notícias.
AFlita, a mãe rezou.
O médico disse que ELe está bem, gritou a mãe felIZ!
Não vale a pena fazer planos… O destino pode alterar tudo em qualquer momento!
Sê Feliz!

Marina Maia, 43 anos, Castanheira

AS LIMPEZAS


AS + DU + AS + DA + TA + RD + EA + CA + SA + ES + TA + VA + CI + NT + IL + AN + TE

Às duas da tarde, a casa estava cintilante. ASsim que despertara, após ter dormido DUrante toda noite, Elisa agarrara-se ÀS limpezas DA enorme casa. TArdava sempre aquela tarefa porque detestava a lixivia. ARDiam-lhe os olhos e espirrava. O nariz ficava vermelho e o pentEAdo desmanchado. A CAminho da despenSA, EScorregou numa traquiTAna e VArreu o chão. VaCIlou, peraNTte a ILação ANgustiante de que estava com dores, mas não recuou e alegre TErminou muito antes da hora prevista.

Vanda Pinheiro, 36 anos, Vila Franca de Xira

ESPALHOU OS ORNATOS


ES + PA + LH + OU + OS + OR + NA + TO + SD + OV + ES + TI + DO + NA + TA + RD + EC + HU + VO + SA

Espalhou os ornatos do vestido na tarde chuvosaEstaria assim pactuando com lhaneza e louvor na iantina maravilha que são os orgulhos da natureza. Todos, desde as novas e frescas lembranças da última primavera, se haviam habituado a um clima nada severino, e como o sol tardava em arder, fechando-se uma humilhação devota e sapiente, ela resolveu ajudar a paisagem; e as flores da sua saia voaram na direcção do vento que as colocou onde faziam falta.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 68 anos, Lisboa

Uma mensagem


Re+ce+bi+ho+je+um+am+en+sa+ge+m

Recebi hoje uma mensagem, daquelas que recorrentemente caiem na caixa postal e que cedo apagamos. Uma biafada hodierna, ignorada em jeito de superioridade.  Esta, foi um tanto diferente,  tocou-me de improviso, e logo amadureceu dentro de mim.
Dizia: “Experimenta a paz dentro de ti. Sente que estás onde deves estar, acreditando nas infinitas possibilidades que nascem da confiança em ti mesma e nas gentes que te rodeiam. Utiliza os dons que recebeste e transmite amor.”

Sandra Évora, 40 anos, Sto António dos Cavaleiros

Passear no parque


EL + AG + OS + TA + VA + TA + NT + OD + EI + RP + AS + SE + AR + AO + PA + RQ + UE

Ela gostava tanto de ir passear ao parque! ELa AGarrava  a saia da mãe pedindo para a deixar voltar a  ir ter com OS tantos  amigos que  esTAvam  a brincar.
VA lá, não venhas TArde, deNTro de pouco tempo pODe chover e ficas molhada.
Olha, a Rita hEI-la aqui, vais sozinha?
Não vou com o RP.
Quem é?
É o Rui Pedro.
ASsim SE tARdarem vou AO PArque saber poRQue demoram quando EU pedi qUE não demorassem.

Marina Maia, 43 anos, Castanheira

20 março 2013

Primavera


ja+ch+eg+ou+ap+ri+ma+ve+ra+vi+va

Já chegou a primavera, viva!
 a fauna e a flora terrestres desabrocham em todo o seu esplendor.
Pegando na mitologia ou não, apercebemos-nos que a beleza espreita a natureza
O peodo da terra fecundada de sol e a beleza lânguida espalhar sob os nossos olhos as maravilhas da estação. Seduzindo-nos e deixando as serranias agrestes do inverno rejuvenescerem nas raízes vivas, nos cheiros, nos rumores e nas cores em que os campos são pintados de poesia.

Alda, 45 anos, Porto

Apimentar a relação


HO  JE  DE  CI  DI  AP  IM  EN  TA   RR  EL AÇ ÃO

Hoje decidi apimentar a relação.
HOra do desJEjum.
Estava DE pijamas. Lá de CIma do armário, DIretamente sobre meu AParelhado fogão, cai um pote de pIMenta.
Na hora não apenas mENtalizei, como proferi várias palavras. Melhor eu nem  conTAr  aqui.
ARRe! Arre!!!
Ao juntá-la, bati na omELeteira. Derrubei ainda um pote e quatro mãs!
Eu ali a olhar, sem acreditar que naquela hora tudo aquilo já estava a me esperar!
Agitada, nessa hora, acordei!
Que maravilhosa sensaçÃO!

Chica, Porto Alegre, Brasil

Uma vida perfumada


Associo sempre momentos com odores. AS pesSOas em geral fazem-no com músicas. Como apreCIo muito aromas talvez OS procure para mEMorizar momentos importantes. É com PRazer que lEMbro  cOMo a Páscoa está próxima ENtre  a fragrância das mimosas que sinTO no ar. Do mesmo modo, é um iSCo, a forma cOM que o ODor a castanhas me remete para o retORno à EScola, depois das longas férias de Verão. A banda sonora da minha vida é perfumada!

Vera Viegas, 29 anos, Lisboa

Eterna espera


OS + OL + BA + TE + ME + NA + CA + RA

O sol bate-me na cara. Levanto OS Olhos devagar, procurando-te na imensidade da praia. Não estás. 
Deixo que o rumor das ondas me em
BAle enquanto TE espero. 
De novo, olho em volta. Acreditei que virias. Sim, desta vez virias, mas foi mais uma 
MEntira. 
o tomo jeito. Fazer o quê? 
Sinto o 
CAlor na caRA, mas nem isso me alivia este frio que me devora por dentro. 
Sei que não virás, mas permaneço ali numa eterna espera.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Se soubesses...


SE SOUBESSES COMO SERIA, FUGIAS.
SE + SO + UB + ES SE SC + OM +OS ER + IA + +FU + GI +AS.

Se soubesses como seria, fugias. Começarias primeiro por avaliar uma saída SEgura e bria, à qual te irias sUBmeter, porque reagirias devagar, lentamente. ESsa partida SEria calculada e eSCrita em tom cÓModo, como se não importasse. Mas OS dias e os momentos acabariam por chocar, a apodrecer. Começarias subitamente a ERguer-te em agonIA, mas depressa. A urgência da FUga iria GIrar mais forte dentro de ti e só aí iriAS rapidamente escolher correr sem olhar para trás.

Clara, 37 anos, Agualva, Sintra