31 janeiro 2013

Maldito rádio!


– De que morreu ela? – perguntava alguém, quando o carro patrulha se aproximava para tomar conta da ocorrência.
– Está ali um homem armado – um transeunte apontava em direcção ao jardim.
Armas tiradas do coldre, intercomunicador na mão e…
– Daqui trinta e shiiiiiiiiiiiii… reforços.
– Como?
– Daqui shiiiiiiiiiiiii… três, peço shiiiiiiiiiiiii…
– 33? Diga!
– Reforços, peço shiiiiiiiiiiiii…
– Ok, 33. Qual é a localização?
– Rua Manuel shiiiiiiiiiiiii… Maldito rádio. – O polícia olhava agora o cabo, que em desespero o seu puxão arrancara.
 
Quita Miguel, Cascais


Zezinho!


Na escola a professora tentando facilitar o aprendizado, numerou cada aluno. Na hora da chamada, ao ouvir seu nome, cada um deveria dizer o seu número.
Zezinho, último em ordem alfabética, ganhou o 33.
Foi um dos poucos que não gravou o número que lhe coube.
– Zezinho! Zezinho!
Nenhuma resposta!
Diga 33! Ande! E para gravar, vá escrever 33 vezes: Sou o Zezinho 33!
Ele  fez e escreveu 33 vezes: Sou o Zezinho 33 que te DETESTA!

Chica, Brasil


30 janeiro 2013

Desafio nº 33


Não resisto a pedir-vos isto…
Recordando o que os médicos nos pediam para dizer, quando encostavam o estetoscópio gelado às nossas costelas para nos auscultar, aqui vai a proposta:

Sensivelmente a meio do texto, alguém terá de dizer:
– Diga 33!
Ou
– Diga, 33…
Ou
– 33? Diga!

Vá, divirtam-se!!!

A minha saiu assim:
– Diga, 33, diga, não se acanhe…
Pobre soldado. Já perdera o nome, passara a 33, sem identidade para lá da cama onde dormia na caserna e de ser mais uma cabeça na parada.
– É que…
– Ó homem, fale! Só para a morte não há solução, não é o que dizem?
33 calou-se. O problema mesmo era a morte da ratazana de estimação do capitão que dormia a seus pés e comia do bom e do melhor. Atropelara-a…
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

29 janeiro 2013

Acasos


Ela abriu o cofre dos acasos.
Estava trancado há anos, sem préstimo.
Desenterrou-o da memória e, ansiosa, procurou-o.
Lá estava, intacto, no soalho envernizado.
Olhou em redor, temendo ser apanhada.
Mas não havia ninguém em casa.
De lágrimas nos olhos, ajoelhou-se prontamente.
Deu uma pancada seca no chão.
Tal como dantes, a tábua moveu-se.
Empurrou-a ligeiramente para o lado, devagar.
E que belos, reluzentes acasos encontrou!
As jóias do coração onde, adolescente, tropeçara.
Tirou uma.
E sorriu.
 
Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

Um reconto...


Uma menina muito adorada pelo pai…
Vivia triste por ele viajar bastante.
Um dia chegou com uma novidade.
Tinha casado e trazia-lhe uma mãe.
Que viria com duas belas irmãs.
A menina ficou feliz e encantada.
Mas infelizmente aquela felicidade iria desaparecer.
A madrasta e as filhas eram…
Muito más para a doce menina.
Obrigavam-na constantemente a limpar a casa.
E vestia-se com velhos vestidos rotos.
Numa noite virou princesa.
Perdeu o sapato, casou com o príncipe.

Maria Jorge

28 janeiro 2013

O céu e as estrelas



Eu olhei para o céu infinito.
Vi milhares de estrelas a brilhar.
Pareciam vários pontinhos e pirilampos luminosos.
E aqueles todos estavam a sorrir.
Voltei para casa e decidi dormir…
Acordei já mais tarde muito sobressaltado
Porque a jarra estava toda partida.
O gato fugiu logo pela janela.
Saiu para a rua muito assustado.
Mas tudo voltou logo ao normal.
Eu fui imediatamente para a cama.
Apaguei a luz do candeeiro.
E logo adormeci.
E também sonhei.

António Cortez Marques, 10 anos, Torres Vedras

Ganhámos! 1° lugar em Língua Portuguesa












Obrigada a todos pelo entusiasmo, pelo apoio, por ajudarem a fazer deste blogue uma realidade e um ponto de encontro entre pessoas, palavras, ideias e sorrisos!

1° lugar na Categoria Língua Portuguesa


25 janeiro 2013

Era uma vez uma menina...


Era uma vez uma menina traquinas
Que decidiu que queria ser melhor
Então pensou… pensou… pensou e encontrou!
A solução é deixar de traquinices
E ficar sossegadinha, sentadinha no sofá…
– Começo já amanhã esta minha decisão!
E assim foi: sentou-se e sossegou…
Mas o tempo nunca mais passou…
E a menina desesperou! Arreliada, zangou-se!
Então concluiu que algo estava mal…
Uma menina não se quer sentada
São importantes as brincadeiras…
As traquinices e malandrices!
Viver e aprender!

Elsa Susana Gameiro


PORTUGAL




Era uma vez um belo país.
Um país de sol e maresia.
Nele havia esperança, coragem e alegria.
Mas um dia, infelizmente, tudo mudou.
Alguém chegou e roubou a esperança.
Levou-a consigo e acinzentou o céu.
O povo triste adormeceu e desistiu.
Então, bem alto, o poeta gritou:
Heróis do mar, nobre povo, imortal!
O povo acordou, uniu-se e lutou
Na lição da História encontrou coragem.
Procurou a esperança.
Recuperou o sol e a alegria.
Reconquistou Portugal!



Palmira Martins
57 anos
Portugal


24 janeiro 2013

Sobreviver


                                    
Para que serve a minha vida?
Salários em atraso, Desemprego no horizonte
Passo os dias a tentar sobreviver

Que decisão vou ter de tomar?
Baixa da Caixa, Suspensão ou Rescisão?
Tantos anos a trabalhar para nada
Só me apetece, ralhar e gritar

Merece a pena continuar a lutar?
Tenho direito á revolta e indignação...
Pelos meus filhos vou tentar reagir
Pensar,Ousar, Tentar e Realizar

Apesar das dificuldades
Ainda temos comida na mesa 
E vamos sobreviver

Cristina, 47 anos


23 janeiro 2013

Saudades do mar


Ai que saudades tenho do mar!
Alice deixava-me ali, sentada à janela.
Nunca me aborrecia vendo as ondas.
Ora chegava uma, pequena e tímida.
De mansinho, contava segredos à areia.
(Que raiva, não os poder ouvir!)
Ora chegava outra, gigante, altiva, furiosa.
Explodia a sua fúria nas rochas.
Coitadas, vítimas do seu mau génio!
Gaivotas roucas competiam com o vento.
Tentavam apurar quem voava mais depressa.
Crianças corriam na praia.
Assim passava os dias.
Agora… adeus, mar!...

Ana Paula Oliveira, S. João da Madeira


DE NOITE



De noite, João sonhava ser estrela.
Tudo ver, ser visto por todos.
Acordava sempre muito cansado e descontente.
Não dormia bem nem acordava estrela.
Mantinha-se igual a ontem e anteontem.
O João que só sabia sonhar!
A sua mãe bem que repetia:
“Assim não vais a lado nenhum.
Deves sonhar, mas dentro do real.
Tu sabes que nunca serás estrela!”
Nessa noite teve um sonho diferente.
Chamava-se João.
Era um menino muito feliz.
E acordou a sorrir.
Ana Bruno



RETRATO



São teus olhos gemas de oiro
E teu nariz é de marfim
As tuas mãos são de luar
A tua pele é de cristal
E a tua boca um rubi
Da tua cabeça pendem, maravilhosos corais
Desconhecia existir, um rubi  tão precioso
Que diriamente esbanjasse, esses  sorrisos cristais.
Os teus gestos são como pérolas
Que se unem todos, num colar
Safiras são, todas as tuas lágrimas
Que do teu corpo se soltam
Pr’a no meu ir desaguar

Graça Pinto – Almada

O Mário e a matemática



O Mário está no 6º ano e umas vezes gosta de Matemática, outras não.
No início a professora era muito boa agora acha que não.
Já aprendeu perímetros, áreas e volumes, quadriláteros ainda não.
Não precisa de saber a tabuada, a calculadora é a sua salvação.
Embora seja bom aluno estar quieto e calado na sala de aula é uma aberração.
Deseja deixar a escola, ser padeiro como profissão.
Na sua ideia todos têm de comprar pão.  

Cristina, 47 anos, Portugal

22 janeiro 2013

O muro



Eis a história de um homem
que nada tinha de própria opinião.
Ao fazer a passagem do túnel
percebeu qual era sua triste posição:
estava em cima de um muro
sem saber, para ir, qual direção.
"Venha cá, amigo" - ouviu de Deus,
e do demônio, um sorriso bonachão.
Deus continuou insistindo para que descesse
mas o homem, como sempre, indecisão.
O demônio só sorria, nada dizia...

...até soltar seu bordão:
"O muro me pertence,
esgotou sua opção."

Bia Hain, Brasil

Qual então?


Ontem fui ao Parque da Cidade.
A tarde estava competente para deambulações.
O Sol tintava tudo à volta.
E que dizer da colorida avifauna?
Que afirmar das mamãs e bebés?
Quais as palavras devidas aos anciãos? 
No coreto dançavam 7 graciosas figuras.
Ciclistas aparelhados à maneira consagravam pedaladas.
Satisfeitos estavam os vendedores de bijuteria.
Parzinhos de namorados faziam-se promessas infindas. 
Estava ali todo o universo conhecido.
Não é o jardim da Celeste.
Qual  então?
Jardim da Estrela.

Elisabeth Oliveira Janeiro

2ª fase de votação!

Meus queridos amigos deste espaço com histórias em 77 palavras:

Passámos à segunda fase de votação. 

Na categoria de Língua Portuguesa estamos em 1º lugar!!!
Na categoria de Educação, em 5º lugar.

Votamos mais esta semana? É de segunda dia 21 a sábado dia 26. Acho que podemos concentrar-nos na Língua Portuguesa, aí estamos claramente em vantagem e é mais o perfil do blogue.

É aqui: http://aventar.eu/blogs-do-ano-2012/blogs-do-ano-2012-votacoes-2a-fase/
Já sabem, cada ponto de internet pode votar uma vez a cada 24 horas.

Obrigada a todos, têm sido incansáveis!

DIA CINZENTO


 
Hoje tudo me parece estar vazio
Limitado, nada preenche o meu espaço
a chuva, o vento, o frio.
As palavras silenciaram no meu regaço
Transformadas apenas e só no pensamento
Sem sentido, abstrato, disperso e incolor.
Ponho cavacas na fogueira e sigo
A dança das chamas emanando calor,
Remexo as cinzas que se amontoam
E ficam inertes ocupando o nada
Que imperfeito me fica nas mãos.
Lá fora, o vento
Faz lacrimejar os olhos
Dum rafeiro solitário!

Rosélia Palminha

BRANCA OU BELA?



Branca de Neve ou Bela Adormecida, quem és tu?
São só sete anões que te estão a guardar na floresta encantada?
É tempo de sonhar, imaginar e acordar
O teu belo príncipe encantado, D. Filipe de Aragão
Caminha e cavalga pela floresta no seu cavalo branco
Ansioso e muito preocupado até te reencontrar
Sofre em silêncio na sua solidão
Transmite força, admiração e confiança
Derruba todos os obstáculos para te procurar
Finalmente vai-te encontrar, beijar e acordar

Cristina Lameiras, 47 anos, Portugal


21 janeiro 2013

A menina dos fósforos



Acendeu um fósforo após o outro,
Na tentativa de se manter quente.
Naquela noite gélida... estava tão sozinha!
Última noite de mais um ano
Não tinha mãe, não tinha carinho,
Não tinha sapatos, não tinha comida.
Mas a sua mente era poderosa
E seu coração cheio de luz.
Quando assim é, o destino cumpre-se...
Na estrela cadente sua avó reconheceu
Aquele clarão de novo as juntou.
Passagem de Ano,
Passagem de Vida,
Foram fogos distintos mas simultâneos!

Vera Viegas, 29 anos, Lisboa


20 janeiro 2013

Homenagem à natureza fustigada neste sábado


Tenho pele enrugada, curtida pelo sol.
São muitos os anos, as primaveras.
Por vezes me enfeito e embelezo.
Acontece sempre que a primavera chega.
Continuo vaidosa e gosto de brilhar.
A Oriana amarinha pelos meus ramos.
Instala-se na bela casa de madeira,
produção do tio Patrocínio com amor.
E ela sonha com o dia,
em que também abrirá os braços
para receber alguém no seu colo.
É o milagre da vida,
que se renova
a cada amanhecer.

Quita Miguel, Cascais


Que desilusão...


Para aquele rapaz televisão era verdade.
O picapau realmente tinha aquela risada.
A novela retratava a vida real.
Os comerciais não iludiam as pessoas.
Ele não vivia, só assistia televisão!
Sua atriz preferida era uma deusa.
Sempre maquiada e vestida perfeitamente bela!
Sua voz macia o inebriava sempre.
Os amigos o convenceram a viajar.
Um dia viajou para bem longe.
Conheceu outras pessoas, outros lugares, enfim!
Viu sua deusa.
Bêbada, nas ruas...
Assim, se desiludiu!

Anne Lieri, Brasil

O Francisco e o gato



O Francisco estava na sua rua.
Viu um gato saltar num muro.
O gato tinha os olhos azuis.
O focinho pequenino e bigodes macios.
Ficou em cima de uma árvore.
Miava sem parar, parecia estar magoado.
Alguma coisa se passava com ele.
O Francisco foi socorrê-lo muito rapidamente,
Saltou para o colo do Francisco.
E este apanhou-o com as mãos.
O gato lambeu logo o Francisco.
O Francisco ficou feliz.
E pareceu-lhe, que…
O gato também ficou.

 João Fernandes, 10 anos, Maristas de Lisboa 5º D

O Falador



Era um homem sempre muito bem-falante;
Falava de encantar, todos o admiravam.
Ele chegava e as palavras voavam.
No ar, a sua oratória pairava.
Como chuva, o palavreado descia devagar.
As pessoas bebiam e sentiam-se instruídas.
Aquilo era homem de muito saber.
Devia ser um doutor estrangeiro, certamente;
Por cá, não havia gente assim.
Estranhamente, ninguém reparava que não falavam.
Olhavam uns para os outros, simplesmente.
Habituaram-se a calar;
Eram sábias as palavras.
Ignaros, mudos queriam ficar.

Bau Pires, Porto

Uma mulher feita de círculos



O silêncio dormia e a escrita estava inflamada. 
As letras inseguras e inabaláveis dançavam na folha de papel, manchada de vinho do porto, e um desejo ardente misturava-se na sua saliva. Não era caso para cuspir, o seu palato apreciava-o, ainda por mais, numa mulher literata. Eclodiu do dia para a noite, nas doze badaladas. Hoje, é um rebento grande, mas a sua  própria consideração é ínfima. A mulher está extenuada da sua vida cíclica, sente-se inebriada.

Miguel Jerónimo, 14 anos, Portugal

Mais contos aqui: http://rabiscosdoluar.blogspot.pt/

O despertar de Maria


  
Uma casa fechada, trancada, sem luz
Tudo nela escuro, sem vida, energia.
Assim, Maria escolhera viver, até morrer.
Até quando dormia, sua vida vegetava.
Uma noite, para sua surpresa sonhou...
Uma vozinha muito querida lhe soprou:

– Vai ser feliz, acorda Maria, acorda!
 Maria acordou, levantou, sentiu algo estranho.
Foi até a janela, a abriu!
Uma brisa, alegre e ligeira aparece.
 Parecia ter pressa em lá entrar!

Maria olha, sente o frescor.
Vê a luz!
Para vida acordou!

Chica, Brasil
Publicado aqui: http://chicabrincadepoesia.blogspot.pt/2013/01/o-despertar-de-maria.html

O susto



Maria, ao dormir, preparava o despertador.
Porém,  sempre acordava sozinha, bem antes.
 O barulhinho do tic, tac, incomodava.
 Parecia estar dentro de sua cabeça.
E aquilo parecia crescer, Crescer, CRESCER...
Ela pega o raio do despertador.
O aperta, abafa, sob o travesseiro!
Estava tranquila, poderia descansar e dormir.
Dorme, acorda com o telefone tocando...
 – Não vens trabalhar hoje, Dona Maria?
O susto  deixa com pernas   tremendo.
– Arre! Diachos!
Ela falhara.
Não acordara como sempre, antes do relógio.

Chica, Brasil