31 janeiro 2013

Maldito rádio!


– De que morreu ela? – perguntava alguém, quando o carro patrulha se aproximava para tomar conta da ocorrência.
– Está ali um homem armado – um transeunte apontava em direcção ao jardim.
Armas tiradas do coldre, intercomunicador na mão e…
– Daqui trinta e shiiiiiiiiiiiii… reforços.
– Como?
– Daqui shiiiiiiiiiiiii… três, peço shiiiiiiiiiiiii…
– 33? Diga!
– Reforços, peço shiiiiiiiiiiiii…
– Ok, 33. Qual é a localização?
– Rua Manuel shiiiiiiiiiiiii… Maldito rádio. – O polícia olhava agora o cabo, que em desespero o seu puxão arrancara.
 
Quita Miguel, Cascais


Zezinho!


Na escola a professora tentando facilitar o aprendizado, numerou cada aluno. Na hora da chamada, ao ouvir seu nome, cada um deveria dizer o seu número.
Zezinho, último em ordem alfabética, ganhou o 33.
Foi um dos poucos que não gravou o número que lhe coube.
– Zezinho! Zezinho!
Nenhuma resposta!
Diga 33! Ande! E para gravar, vá escrever 33 vezes: Sou o Zezinho 33!
Ele  fez e escreveu 33 vezes: Sou o Zezinho 33 que te DETESTA!

Chica, Brasil


30 janeiro 2013

EXEMPLOS - desafio nº 33

Na escola a professora tentando facilitar o aprendizado, numerou cada aluno. Na hora da chamada, ao ouvir seu nome, cada um deveria dizer o seu número.
Zezinho, último em ordem alfabética, ganhou o 33.
Foi um dos poucos que não gravou o número que lhe coube.
– Zezinho! Zezinho!
Nenhuma resposta!
– Diga 33! Ande! E para gravar, vá escrever 33 vezes: Sou o Zezinho 33!
Ele  fez e escreveu 33 vezes: Sou o Zezinho 33 que te DETESTA!
Chica, Brasil

– De que morreu ela? – perguntava alguém, quando o carro patrulha se aproximava para tomar conta da ocorrência.
– Está ali um homem armado – um transeunte apontava em direcção ao jardim.
Armas tiradas do coldre, intercomunicador na mão e…
– Daqui trinta e shiiiiiiiiiiiii… reforços.
– Como?
– Daqui shiiiiiiiiiiiii… três, peço shiiiiiiiiiiiii…
– 33? Diga!
– Reforços, peço shiiiiiiiiiiiii…
– Ok, 33. Qual é a localização?
– Rua Manuel shiiiiiiiiiiiii… Maldito rádio. – O polícia olhava agora o cabo, que em desespero o seu puxão arrancara.
 Quita Miguel, Cascais

- Mãe já compraste o meu fato de Carnaval?
- Não! Ainda faltam muitos dias!
- Amanhã é dia um. Já só faltam sete para o carnaval da escola...
- Está bem! Já escolheste?
- Pode ser o Hulk, ou de tropa ou Ninja!
- O de Hulk é muito caro!
- Caro?! Quanto custa?
- 33 euros.
- Diga 33! A Marta também avisa para dizer 33!
- Mas é quando estás doente...
- Então não quero esse. Não posso ficar doente, no carnaval. Escolho o Ninja!
Alda - Porto

Maria de Fátima não suportava consultar outro médico que não fosse o dr. Dirceu.
Era excelente em diagnóstico e um cirurgião de mão cheia!
Fátima seguia suas recomendações apesar da opinião dos amigos de que o dr. Dirceu estava ultrapassado.
Costumava examinar os pacientes com zêlo e, ao escutar o coração, sempre pedia:
- Diga 33...
E Fátima sempre obedecia:
- 33...33...
Por este motivo, dr. Dirceu ficou conhecido como o “Doutor 33” e clinicou além dos oitenta anos!
Anne Lieri, Brasil

 Entrei, tirei senha, aguardei.
Na sala de espera um jovem e uma senhora debatiam a importância de certos números.
- Sabia que com essa idade José desposou Maria? Que  Jesus Cristo nosso Pai foi crucificado?
- Curioso, em medicina são 33 voltas completas que compõem o genoma humano. A coluna vertebral que nos sustém é composta por 33 vértebras.
Conversa interessante! Subitamente…
Dong…
Na sala em surdina ouviu-se…
- Número 33.
- Diga… (era a minha vez)
 Graça Pinto - Almada

Ainda que não pelas mesmas razões mas à semelhança dalguns cantores, Josefa comia as palavras.
A patroa, entre o riso e a tolerância emendava-a, porém sem êxito.
Josefa, sabe o número do talão da lavandaria?  É o trin t'e trê.  Ó mulher, diga 33!
Josefa aturdida disse repentinamente: trinta e três.  Riram ambas.
Josefa desceu a rua até à lavandaria repetindo trinta e três...trinta e três.
Lá chegada e sem demoras disparou: talã trin t'e trê.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 68 anos, Lisboa

O Hugo nascera na aldeia, onde as casas pareciam casinhas de bonecas.
As ruas estreitas escondiam encantos onde nas sombras da noite pareciam nascer histórias de encantar.
Um dia chegou a casa e os pais estavam numa azáfama a empacotar os haveres que eram parcos e velhos.
Iam viver para a cidade! Lá partiram, malas aviadas e muito expectantes.
Chegados a uma rua imensa com prédios altos até ao céu, o pai exclama:
– É aqui no 33!
Mafaldinha, Porto
 
Já calculava que o dia ia correr mal, nem sei porquê.
Talvez porque pisei o Horácio mal me levantei.
Ou porque o esquentador falhou...
Mas ficou pior quando o director me chamou.
– Alfredo!!! A publicidade encolheu – disse. – Vamos ter mais 33 páginas de editorial.
– Diga? 33?!? 33 páginas, assim de repente?!
– Sim, Alfredo, e cuidado com os custos!
Engoli em seco e apeteceu-me embebedar-me.
Em vez disso trabalhei 33 horas seguidas.
E o Horácio aliviou-se na carpete.
Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

Ela resolveu ir ter com ele, sabia que ele trabalhava no edifício Estrela, um dos maiores edifícios de Lisboa, mas estava nervosa, como seria quando chegasse? Logo se veria.
Foi.
Na recepção do edifício confirmou o andar em que ele trabalhava.
– A senhora entre no elevador e diga 33! O elevador activa-se ao som da voz.
Subiu.
Chegou.
Que dizer, que fazer?
Não foi capaz, no mesmo instante deu meia volta e entrou novamente no elevador mas…
Marina Maia

Ela entrou na farmácia para comprar o medicamento, genérico, que o seu filho toma diariamente para prevenção da asma.
– Os genéricos estão esgotados, o laboratório que detém a patente entrou com uma providência cautelar: responderam-lhe.
– Então, levo a receita tripla do medicamento original.
– São 62,52 Euros
– Diga? 33 Euros... cada embalagem custa 11 Euros!
– Custava! Agora são 20,84 Euros.
Esta mãe ficou sem palavras, contou até dez e comprou uma embalagem.
O seu filho precisa do medicamento.
Cristina Lameiras

33 anos sem saber se partir, se ficar, se apenas morrer o tempo das coisas por começar.
33 dias a fingir que era feliz, porque estava escrito nas paredes, homem, é assim que tens que te sentir.
33 passos que empurrei para a frente, um palmo de chão que fosse, mas que, teimosamente, me arrastaram bem lá para trás, terra onde o que eu quis destalhou as sementes que não plantei.
Diga 33.
Não digo. Não direi.
Bau Pires, Porto

Ela tinha-me dito que seria o ponto de viragem. “Está a ver aqui? É a carta da mudança. Aos 33 anos tudo  mudará para si.” Mal sabia eu que ela tinha razão. Um dia, meses antes da entrada dos 34, sentei-me frente a frente com alguém e foi o ponto final de muitos 33 dias de mágoa e tristeza.  Matutava eu nisto e o empregado da repartição à espera que eu falasse…
– É a senha 33? Diga!
Alexandra Rafael

O sr. Acácio levantou-se cedinho. Era o dia dos seus anos.
Estava "velhote ". Nasceu em 1933. Fazia oitenta anos.
Iria celebrar à sua maneira.
Apostaria nestes números, quem sabe...!
A família só se reunia para o jantar, tinha tempo.
Foi à papelaria, comprou uma cautela com o nº 33033.
Foi à corrida de cavalos, apostou no alazão 33.
E... constipou-se!
Foi ao médico que lhe pediu: diga lá 33.
Apenas faltava saber o resultado do seu investimento.
Rosélia Palminha

Pedro não conseguia dormir! Contou carneirinhos: um... três... trinta... trinta e três. Lembrou-se da farinha 33, que comia em criança, do médico que o mandava dizer 33... e começou a imaginar que 33 podia ser igual a 6 (3+3) ou a 9 (3x3).
Mas o sono não vinha! Os olhos ficaram em bico, e os dois 3 viraram-se um para o outro e formaram um 8. Era assim que Pedro se sentia: todo feito num 8!
Ana Santos, Portugal

Sentada. Braços apoiados na secretária. Um sorriso. Plástico.
Mais um inquérito para preencher.
– Boa tarde, como se chama?
– 33.
– Idade?
– 33.
– Estado civil?
– 33.
– Morada?
– 33.
– 33, novamente?
De repente levantou-se a estremecer:
– Tomei o número atómico 33, com 33 anos e faltam-me 33 segundos...
Os meus braços saltaram da secretária em direção a ele, não chegarem a tempo.
Caiu desmanchado no chão. Esvoaçou uma fotografia rasgada em 33 pedaços.
Passaram 33 dias: já ninguém se lembrava.
Catarina Peças, Portugal

A sua morte desgastara-a. Sofrimento incomensurável. Queria ficar só. Quem sabe, ir ter com ele.
Dormir, depois do adeus, era tudo o que desejava. Não conseguia. Exigiam-lhe papéis e mais papéis para assinar e fazer prova de filiação, como se alguém conseguisse mentir sobre um assunto destes.
E o notário:
– Rua 33? Diga?!
– Sim, Sr. Doutor, exactamente o que pensa; como no médico: “Diga, 33!”.
Caminhou para casa. Tomou os comprimidos. Deitou-se. Viu-se a caminhar até ele. 
Isabel Pinto, Almada

O guarda fatos aberto de par em par.
Inquieta;
Descalça;
Num silêncio felino, percorre a penumbra do quarto de lés a lés.
Nenhuma combinação me serve!
Desespero!!!
Arfa, tolhida pelo calor.
Cansados, os olhos, percorrem o quarto. Abrandam sobre a cómoda. Demoraram-se no estetoscópio...
Diga 33, ressoou no seu cérebro uma e outra vez. Tantas vezes o repetira aos pacientes!
33, CLARO!!!
Os dedos ágeis lançaram-se sobre o cofre, click! ABRIU!!!
Nunca mais esqueço esta bela combinação!
Luís Marrana

A Liliana olhava espantada para os gatos que entravam pela porta do quintal. Eram muitos e de todas as cores. Brancos, castanhos, amarelos, tigres, pretos e com uns olhos mais lindos, que alguma vez tinha visto. A avó quando entrou em casa soltou um grito:
– Mas o que é isto?!
– Diga, 33 gatos.
Do mais pequenino ao maior, do mais magrinho ao gordito, a rapariga contava-os um por um sem falhar nenhum. Estava maravilhada, a avó não.
Vanda Pinheiro

Mafalda olhava para o espelho e via uma menina de 18 anos, embora já tivesse mais quinze.
Uma manhã, ao saborear o seu cappucino na pastelaria de sempre, alguém perguntou:
– Ui, que olheiras! Que idade tem a menina?
Ela ficou perplexa e disse: não consigo!
Diz logo a senhora atrás do balcão: 
– Oh, menina Mafalda, é sempre a mesma! Diga 33! Vá, seja capaz!
– Mas porque é que eu tenho que crescer mais rápido do que gostaria?
Susana Ramos

No talho, uma senhora excessiva e arrebicada estava na fila à espera da sua vez.
Quando um garoto entrou na loja, a vaidosa mulher percebeu que o moço estava a fixar-se ela e perguntou:
– O que é que há, rapaz?
– A senhora tem 33?
– 33? Diga... – E dirigiu-se lisonjeada aos circunstantes: – Tenho muito mais anos!
O rapaz olhou com estupefação para ela e disse:
– Entendi que dizia o número da senha que tirou ao entrar na loja.
Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Dia de Bingo no Lar
Rosa oferece-se logo para retirar os números e dizê-los em voz alta.  Inês, amiga de Rosa, é louca por chocolate e quer sempre sentar-se ao seu lado.  Os restantes dividem-se pela sala e dá-se início ao escrutínio dos números.  Minutos depois, incomodada, Inês murmura a Rosa:
– Ai, Rosa, este chocolate é tão rijo.
Ao que Rosa irritada responde num tom mais alto.
TRINCA, INÊS.
Ao fundo ouve-se Maria, senhora com graves problemas de audição.
–  DIGA? 33? BINNNNNGO.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca de Caparica

Diga 33,
um sorriso
vestido de branco,
a voz imperturbável,
as mãos firmes.
Debruçou-se:
o olho experiente,
o ouvido entendido
nas velhas artes
da cura.
Sorriu outra vez,
as frases serenamente
a-r-t-i-c-u-l-a-d-a-s
                   o
                 r
               p
            o
num s
esvaindo-se, fonte de vida;
talvez a sua mente,
o seu intelecto,
sei lá,
estivessem a r
             e
                s
                  v
                    a
                       l
                        a
                           r,
de alguma planície abissal,
agora, nela
tudo funcionava
em solene, discreto
rito maçon
de 33 graus.
Jaime A., 50 anos, Lisboa

Queixava-se, queixava-se, de tudo e de quase nada, era uma picada qualquer, uma pequena dor instantânea, uma tontura de vertigem, uma náusea momentânea. Odiava médicos, faziam-lhe sentir ainda mais doente, lembrava-se quando pequeno o Dr. Pestana de estetoscópio no tórax: Diga 33! Porquê 33? Na escala de quantos por quantos? A dúvida deprimia-o. Aquela memória assustava-o. Afinal agora queixava-se de quê? Já não sabia. A dor de que se queixava não devia valer 33. 33 é muito!
Constantino Mendes Alves, 56 anos, Leiria

Contar ou contar
Contar pode ser tanto, podem ser números, vivências.
Contar ou contabilizar?
Conto em noites cada uma delas sem acordar contigo. Conto histórias para mim mesma de todos os dias com tua presença.
Enumero horas, beijos, cafés...
Contabilizo declarações de eterno amor, filmes, canções, livros, cartões.
Desenhos na areia, escritas, fotografias impressas na alma...
Conto flores recebidas, cores vividas.
Conto trocas e entregas.
Seriam quantas? Diga, 33... 33.000 vezes contigo. Ou tantas mais?
Resta contar lembranças.
Contar saudades... 
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Olhava fixamente a paisagem. Sentia-se estar noutro mundo. No céu, as gaivotas emparelhadas faziam desenhos. Lembrou-se da sua última consulta.
– Diga lá 33!
No bailado as aves, em conjunto, pareciam descrever um número… Como era engraçado descobrir coisas iguais em outros lugares…
Estava decidido. Por que haveria de dizer 33? Numa próxima consulta, diria: “gaivotas aos pares”! No mínimo haviam de se rir. Para desgraça bastava a sua situação. O 33 passaria a lembrar o mar. 
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Estando eu com grande febrão chamaram o Dr Martins.
Despido o sobretudo, pousado o chapéu, tira da pasta um pequeno funil com que me massacra as costas e, com seu grande vozeirão e pronunciada gaguez:
– D-d-diz trinta e três!!!
Quanto mais se zanga mais eu me rio!
A velhaca da minha prima tinha-me prevenido de véspera: quando o "ventas de assadeiro", assim lhe chamávamos, te mandar dizer trinta e três, tu não te rias!
Foi remédio santo!!!
Milena Falcato, 81 anos, Estremoz

O Doutor, já estava impacientado.
E a criança ainda mais.
– Diz lá, 33:
– Tlinta e tlês.
Diz outra vêz!
– Tlinta e tlês, outla vêz. Bolas, Doutol.
já estou falto desta tleta.
– Mas eu só quero que digas, 33.
– Olhe diga o senhol, já que é tão espelto.
E agola, quelo a minha mãe.
– Então Doutor, o que tem ele?
Bem, o que ele tem, não sei,
só sei que ele não consegue dizer 33.
– E é grave?
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Sou educadora de infância na creche local e adoro a minha profissão: da correcta educação das crianças deriva uma sociedade com futuro digno e justo.
Acabei de chegar à drogaria vizinha.
― Bom dia! Desejo 33 balões, por favor.
― Bom dia! 33? Diga! De que cor prefere os balões?
― Gostaria de balões vermelhos... eles serão libertados amanhã pelas crianças da creche durante a nossa festa de aniversário.
― Certamente será uma festa belíssima!
― Obrigada, está convidado para a festa!

Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 33

Não resisto a pedir-vos isto…
Recordando o que os médicos nos pediam para dizer, quando encostavam o estetoscópio gelado às nossas costelas para nos auscultar, aqui vai a proposta:

Sensivelmente a meio do texto, alguém terá de dizer:
– Diga 33!
Ou
– Diga, 33…
Ou
– 33? Diga!

Vá, divirtam-se!!!

A minha saiu assim:
– Diga, 33, diga, não se acanhe…
Pobre soldado. Já perdera o nome, passara a 33, sem identidade para lá da cama onde dormia na caserna e de ser mais uma cabeça na parada.
– É que…
– Ó homem, fale! Só para a morte não há solução, não é o que dizem?
33 calou-se. O problema mesmo era a morte da ratazana de estimação do capitão que dormia a seus pés e comia do bom e do melhor. Atropelara-a…
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33
EXEMPLOS

29 janeiro 2013

Acasos


Ela abriu o cofre dos acasos.
Estava trancado há anos, sem préstimo.
Desenterrou-o da memória e, ansiosa, procurou-o.
Lá estava, intacto, no soalho envernizado.
Olhou em redor, temendo ser apanhada.
Mas não havia ninguém em casa.
De lágrimas nos olhos, ajoelhou-se prontamente.
Deu uma pancada seca no chão.
Tal como dantes, a tábua moveu-se.
Empurrou-a ligeiramente para o lado, devagar.
E que belos, reluzentes acasos encontrou!
As jóias do coração onde, adolescente, tropeçara.
Tirou uma.
E sorriu.
 
Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

Um reconto...


Uma menina muito adorada pelo pai…
Vivia triste por ele viajar bastante.
Um dia chegou com uma novidade.
Tinha casado e trazia-lhe uma mãe.
Que viria com duas belas irmãs.
A menina ficou feliz e encantada.
Mas infelizmente aquela felicidade iria desaparecer.
A madrasta e as filhas eram…
Muito más para a doce menina.
Obrigavam-na constantemente a limpar a casa.
E vestia-se com velhos vestidos rotos.
Numa noite virou princesa.
Perdeu o sapato, casou com o príncipe.

Maria Jorge

28 janeiro 2013

O céu e as estrelas



Eu olhei para o céu infinito.
Vi milhares de estrelas a brilhar.
Pareciam vários pontinhos e pirilampos luminosos.
E aqueles todos estavam a sorrir.
Voltei para casa e decidi dormir…
Acordei já mais tarde muito sobressaltado
Porque a jarra estava toda partida.
O gato fugiu logo pela janela.
Saiu para a rua muito assustado.
Mas tudo voltou logo ao normal.
Eu fui imediatamente para a cama.
Apaguei a luz do candeeiro.
E logo adormeci.
E também sonhei.

António Cortez Marques, 10 anos, Torres Vedras

Ganhámos! 1° lugar em Língua Portuguesa












Obrigada a todos pelo entusiasmo, pelo apoio, por ajudarem a fazer deste blogue uma realidade e um ponto de encontro entre pessoas, palavras, ideias e sorrisos!

1° lugar na Categoria Língua Portuguesa


25 janeiro 2013

Era uma vez uma menina...


Era uma vez uma menina traquinas
Que decidiu que queria ser melhor
Então pensou… pensou… pensou e encontrou!
A solução é deixar de traquinices
E ficar sossegadinha, sentadinha no sofá…
– Começo já amanhã esta minha decisão!
E assim foi: sentou-se e sossegou…
Mas o tempo nunca mais passou…
E a menina desesperou! Arreliada, zangou-se!
Então concluiu que algo estava mal…
Uma menina não se quer sentada
São importantes as brincadeiras…
As traquinices e malandrices!
Viver e aprender!

Elsa Susana Gameiro


PORTUGAL




Era uma vez um belo país.
Um país de sol e maresia.
Nele havia esperança, coragem e alegria.
Mas um dia, infelizmente, tudo mudou.
Alguém chegou e roubou a esperança.
Levou-a consigo e acinzentou o céu.
O povo triste adormeceu e desistiu.
Então, bem alto, o poeta gritou:
Heróis do mar, nobre povo, imortal!
O povo acordou, uniu-se e lutou
Na lição da História encontrou coragem.
Procurou a esperança.
Recuperou o sol e a alegria.
Reconquistou Portugal!



Palmira Martins
57 anos
Portugal


24 janeiro 2013

Sobreviver


                                    
Para que serve a minha vida?
Salários em atraso, Desemprego no horizonte
Passo os dias a tentar sobreviver

Que decisão vou ter de tomar?
Baixa da Caixa, Suspensão ou Rescisão?
Tantos anos a trabalhar para nada
Só me apetece, ralhar e gritar

Merece a pena continuar a lutar?
Tenho direito á revolta e indignação...
Pelos meus filhos vou tentar reagir
Pensar,Ousar, Tentar e Realizar

Apesar das dificuldades
Ainda temos comida na mesa 
E vamos sobreviver

Cristina, 47 anos


23 janeiro 2013

Saudades do mar


Ai que saudades tenho do mar!
Alice deixava-me ali, sentada à janela.
Nunca me aborrecia vendo as ondas.
Ora chegava uma, pequena e tímida.
De mansinho, contava segredos à areia.
(Que raiva, não os poder ouvir!)
Ora chegava outra, gigante, altiva, furiosa.
Explodia a sua fúria nas rochas.
Coitadas, vítimas do seu mau génio!
Gaivotas roucas competiam com o vento.
Tentavam apurar quem voava mais depressa.
Crianças corriam na praia.
Assim passava os dias.
Agora… adeus, mar!...

Ana Paula Oliveira, S. João da Madeira


DE NOITE



De noite, João sonhava ser estrela.
Tudo ver, ser visto por todos.
Acordava sempre muito cansado e descontente.
Não dormia bem nem acordava estrela.
Mantinha-se igual a ontem e anteontem.
O João que só sabia sonhar!
A sua mãe bem que repetia:
“Assim não vais a lado nenhum.
Deves sonhar, mas dentro do real.
Tu sabes que nunca serás estrela!”
Nessa noite teve um sonho diferente.
Chamava-se João.
Era um menino muito feliz.
E acordou a sorrir.
Ana Bruno



RETRATO



São teus olhos gemas de oiro
E teu nariz é de marfim
As tuas mãos são de luar
A tua pele é de cristal
E a tua boca um rubi
Da tua cabeça pendem, maravilhosos corais
Desconhecia existir, um rubi  tão precioso
Que diriamente esbanjasse, esses  sorrisos cristais.
Os teus gestos são como pérolas
Que se unem todos, num colar
Safiras são, todas as tuas lágrimas
Que do teu corpo se soltam
Pr’a no meu ir desaguar

Graça Pinto – Almada

O Mário e a matemática



O Mário está no 6º ano e umas vezes gosta de Matemática, outras não.
No início a professora era muito boa agora acha que não.
Já aprendeu perímetros, áreas e volumes, quadriláteros ainda não.
Não precisa de saber a tabuada, a calculadora é a sua salvação.
Embora seja bom aluno estar quieto e calado na sala de aula é uma aberração.
Deseja deixar a escola, ser padeiro como profissão.
Na sua ideia todos têm de comprar pão.  

Cristina, 47 anos, Portugal

22 janeiro 2013

O muro



Eis a história de um homem
que nada tinha de própria opinião.
Ao fazer a passagem do túnel
percebeu qual era sua triste posição:
estava em cima de um muro
sem saber, para ir, qual direção.
"Venha cá, amigo" - ouviu de Deus,
e do demônio, um sorriso bonachão.
Deus continuou insistindo para que descesse
mas o homem, como sempre, indecisão.
O demônio só sorria, nada dizia...

...até soltar seu bordão:
"O muro me pertence,
esgotou sua opção."

Bia Hain, Brasil

Qual então?


Ontem fui ao Parque da Cidade.
A tarde estava competente para deambulações.
O Sol tintava tudo à volta.
E que dizer da colorida avifauna?
Que afirmar das mamãs e bebés?
Quais as palavras devidas aos anciãos? 
No coreto dançavam 7 graciosas figuras.
Ciclistas aparelhados à maneira consagravam pedaladas.
Satisfeitos estavam os vendedores de bijuteria.
Parzinhos de namorados faziam-se promessas infindas. 
Estava ali todo o universo conhecido.
Não é o jardim da Celeste.
Qual  então?
Jardim da Estrela.

Elisabeth Oliveira Janeiro