02 dezembro 2013

Ao piano

Foi como uma brisa que me desalinhou, aquela vontade de ultrapassar o início da boa música e rasgar sem medo a agitação que me sustinha.
Abri o piano e avancei para o desafio.
Sem lugar para uma declaração, escondi-me sorridente na luminosidade, a testar as vantagens da impaciência enquanto esperava a próxima ovação – que apareceu disfarçada de palpite de morte surda.
Com vaidade, deixei-a passar. 
E sobrevivi, temerária, com os dedos nas teclas a desafiar o ritmo.

Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa  

Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários

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