09 outubro 2013

Jantar (quase) romântico

Tinha escolhido o melhor restaurante, com velas, flores e música de violinos, para salvar o namoro. Mas agora que o jantar avançava, o silêncio tornava-se ensurdecedor.
Ela mastigava, ele contava migalhas. Ela sorria, ele desviava o olhar.
E quando ela pediu uma segunda garrafa de vinho, ele lamentou cada cêntimo da refeição.
Diálogo, nada.
Jamais ansiara tanto pelo ruído do motor do carro, em que a levaria à casa onde dormiam juntos aos sábados, pela última vez.

Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa

Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

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