29 junho 2013

Arrumação

Andei à procura delas pela casa; não as encontrava. A mania de nunca prestar atenção onde deixo as coisas, dava nisto. Precisava de as encontrar.
Encontrei a alegria, esquecida, a um canto; senti compaixão. Depois, quase que tropecei na desilusão; estúpido, não reparei que era minha companheira. Acordei a esperança e a felicidade; ficaram  surpreendidas, dormiam há muito.
Meti-as num saco, no frigorífico, para melhores dias. Só a tristeza ficou cá fora; era a dona da casa.

Bau Pires, 50 anos, Porto


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