13 maio 2013

Rádio


A caixa em ebonite preta inspirava respeito. Era usada exclusivamente ao entardecer para ouvir o terço. A sala enchia-se de mulheres de negro. Reluziam nas mãos as contas do terço, vagarosamente desfiadas.
Já tinha ouvido, fascinado, que aos nomes das cidades no mostrador, correspondiam idiomas imperceptíveis, tentadores…
Rezariam o terço? Naquela cadência? Sim?
Nãaaao!!!!
Foi um reboliço!! Nada valeram as desculpas. Ganhei um terço. Aprendi a ter as mãos quietas e a desfiar rosários na cadência certa!

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro, Portugal

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