20 maio 2013

E durante o adeus


Nem beijos, nem abraços. Ou, sequer, um sorriso.
Mal levantou os olhos e não se levantou.
Na rádio, tocava “E Depois do Adeus” para nenhuma revolução senão a do seu próprio quotidiano, a acontecer naquele instante.
“Junta o que é teu e vai”, disse ele serenamente, permanecendo sentado, a trautear para dentro “o que será de nós”.
Talvez ela esperasse lágrimas e gritos, promessas, convulsões, um derradeiro orgasmo.
Mas ele estava cansado de tudo.
E deixou-a partir.
 
Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa

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