30 maio 2013

Despido de alma

Com roupa ou sem roupa terei de trabalhar,
Apenas para isso me procuram e me querem.
Hoje, visto este colete rasgado e estas calças velhas,
A boina que a minha mãe me fez,
Mas, estou quase despido de alma.

Vou andando para o trabalho,
Tentando-me esconder, no entanto,
Marco o caminho no chão
Deslizo neste manto.

Vou morrer, já sei,
Resta-me escolher a forma de o fazer.
Morrerei a criticar o prazer
Daquele que se designa “Rei”.

Jorge Gaspar, 17 anos, Regueira de Pontes, professora Helena Frontini

(a propósito de “O Memorial do Convento”, de José Saramago)

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