12 maio 2013

Cravos


Só podia ser premonição. Dormia mal mas, naquela noite, não sossegava. O ar tinha um cheiro diferente que adivinhava mudança. E teve pesadelos.
Uma porta fecha-se ferozmente atrás dele e uma prisão escura, sem ar, rouba-lhe o alento. Agarrado às grades, abana-as, tenta arrancá-las para poder fugir. Grita mas ninguém lhe responde…
Apenas a rádio lhe respondeu com uma canção proibida. Grândola, vila morena. Abriu a janela e a noite cheirava a cravos vermelhos. Abril trazia esperança.

Ana Paula Oliveira, 52 anos, S. João da Madeira

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