04 março 2013

Seguir


Seguir torna-se um tormento insuportável quando quero que este muro continue bem alto à minha volta. Aquele caminho, desenhado mesmo à beira do meu maior medo, fica tão grande e tão aberto que quero apagá-lo logo dali. “Por favor, desaparece já. Vai-te embora daí.” Triunfante, o caminho continua lá. Este desafio. Presunçoso. Tão imenso que é impossível ignorá-lo. Chama-me, puxa-me, divertido, a zombar do meu pânico. Continua a crescer e absorve-me enquanto vai derrubando o muro protetor.

Clara, 37 anos, Agualva Sinta

“O que o poeta viu à noite (1924)” em "Contos de Amor", Hermann Hesse
É este o caminho que quero seguir.

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