06 março 2013

Dá deus loiras...


– Saiu-me uma loira – queixou-se. E o tom pejorativo incomodou-me.
Não era maneira de se referir a uma rapariga daquela estirpe, que tinha deixado casa, emprego e muito mais, por ele; que soube valorizar o amor e não hesitou em segui-lo, da cidade à província.
Confrontou-o:
– A tua mulher é fantástica!
– Só se for para ti, eu sempre preferi morenas...
– Agora é tarde. Devias ter pensado nessa preferência antes!
Voltou-se e partiu, irritado – como se o tivesse ofendido.

Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa

“Como partiu nessa tarde para a província, não soube mais daquela rapariga loira.” é a frase final do conto “Singularidades de uma rapariga loira”, de Eça de Queirós, e surge na pág. 51 de “Contos”, edição de bolso de 1989, das Publicações D. Quixote.

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