22 fevereiro 2013

Tantas vozes fora de nós!



Tantas vozes fora de nós! Parecem-se connosco e talvez sejamos nós. Enchem o sentido das letras gordas com volumes histéricos. Estão prontas para carregarem raivas que vagueiam na minha pele. A pele que é minha carrega os ruídos que me confundem, que se alimentam do espaço que deixo livre. Depois existes tu, silêncio. Tu que te esforças por descansar cá dentro, enroscado num canto, à espera que me lembre de ti. Faltas tu a levar o tempo.

Clara, 36, Lisboa

Manuel António Pina, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança (1999) - Tantas vozes fora de nós!
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José Luís Peixoto, Morreste-me (2000) - Faltas tu a levar o tempo.

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