09 fevereiro 2013

Morte



A sua morte desgastara-a. Sofrimento incomensurável. Queria ficar só. Quem sabe, ir ter com ele.
Dormir, depois do adeus, era tudo o que desejava. Não conseguia. Exigiam-lhe papéis e mais papéis para assinar e fazer prova de filiação, como se alguém conseguisse mentir sobre um assunto destes.
E o notário:
– Rua 33? Diga?!
– Sim, Sr. Doutor, exactamente o que pensa; como no médico: “Diga, 33!”.
Caminhou para casa. Tomou os comprimidos. Deitou-se. Viu-se a caminhar até ele. 

Isabel Pinto, Almada


Sem comentários:

Enviar um comentário