30 novembro 2012

Cúmplice e amigo...


Contigo, vivi horas lindas histórias.
Ajudaste a carregar meus problemas, dores, sempre permitindo que depois, eu abrisse os olhos à realidade. 
Foste cúmplice, amigo sincero e leal.
Até mesmo quando te troquei, perdoaste. Ainda que no início nos estranhássemos, fomos nos ajustando e houve o entendimento.
Contigo aprendi que na vida, tudo é questão de jeito. Quando nos encaixamos bem, a convivência fica melhor ainda.
Assim, poderia te dizer muitos motivos pra te dedicar, meu querido Colchão!

Chica, Brasil


AC/DC


A minha adolescência foi maravilhosa, sabes porquê?
Porque tinha a tua amizade, que a pouco e pouco se transformou em Amor.
Amámo-nos mutuamente.
Resolvemos casar, não me pediste, fui eu que quis casar.
Eu não era feliz em casa dos meus pais. Tu concordaste.
Casámos há já vinte e um anos.
Sou muito, muito feliz! Arrisco dizer que o somos.
A minha vida tem dois tempos, o A.C. (antes do casamento) e o D.C. (depois do casamento)!

Marina Maia

Mãe...



Ao todo são 77. Estas palavras rasgam o meu coração. Lapidam amigavelmente tua alma. Mas este é também um número que a tua idade,  demasiadamente ultrapassou. Ave desasada, já sem companheiro de caminhada, continuas teu percurso esbanjando afectos. Atenta ao mundo que teima em correr veloz sob os teus pés. És o pilar que sustenta nossos abraços incansáveis. Eis aqui o amor maior que a vida tem... Puro, roubado, incondicional! Este é o amor de nossa mãe…

  
Graça Pinto - Almada

desafio nº 26



 Hoje peço-vos um texto especial – uma dedicatória!

Gostava que dedicassem a vossa história a alguém:
  • Alguém que adoram;
  • Alguém que veneram;
  • Alguém que detestam;
  • Alguém que precisava de ouvir das boas;
  • Alguém que não sabe o valor que tem;
  • Alguém que… enfim, o que quiserem!

Dêem-lhe as vossas 77 palavras, vá!

Aqui vai a minha:
No momento em que escrevo este texto, Junho de 2015, o blogue já fez quatro anos e a parceria com a Rádio Sim dois. Pelo caminho, ficam perto de quatro mil histórias, 127 desafios, centenas de participantes, alguns muito assíduos, outros mais esporádicos, todos com algo em comum: o prazer de escrever em 77 palavras. Dedico-vos estas 77 e agradeço-vos a amizade – sem as vossas histórias, este blogue não faria sentido. Voltem sempre! São só… 77 palavras.

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 26 – dedicatória para alguém

29 novembro 2012

O meu arroz



(Chittogart,  arte,  pequenas,  nascem,  pedintes,  esperandodoce, cercada)


Jamais esquecerei aquela manhã em Chittogart na India. A arte  é uma constante em todos os monumentos, forrados de pequenas figuras, que nascem em jardins muito descuidados. Aí abundam pedintes esperando turistas. Encostada a uma árvore, uma mulher, sorriso docecercada de crianças. Na mão um saco de plástico, cheio de arroz. Faz pequenas bolas  que distribui pelos garotos famintos. Querem mais!
Recordo o meu caixote lixo, com restos de um arroz igual àquele.

Genoveva Pereira

Paris



Paris à RisteàTerraço àCorreria à Riacho à Chorar à Raridade


Lembras-te quando fomos a Paris? Andámos numa correria aqueles dias antes da viagem, para fazermos as malas e arranjarmos os bilhetes ao preço mais barato, que raridade! Mas tivemos sorte e valeu a pena por tudo… principalmente aquela vista do terraço do nosso quarto de hotel, que fazia o Sena parecer um riacho! Riste que nem uma perdida nesse dia. Estavas completamente deliciada com a cidade! Triste foi o regresso, em que desatámos as duas a chorar!


Agnes C. - 19 anos

O Baile


Íamos ao baile. Um baile especial num local idílico, como só os sonhos permitem. Apanhámos o barco da imaginação, mas a falta desta provocou um choque com um icebergue.
Queríamos ser as primeiras!
Irritadas, chegou-nos a mostarda ao nariz, valeu-nos a paciência da Daniela explicando que a dança mais importante era a latina, esta a última do concurso.  
Finalmente chegámos ao polo Norte onde o Pinguim Narigudo trajado a rigor porque era domingo, nos recebeu  para dançar.     


Maria Rosélia Palminha, 64 anos, Portugal

28 novembro 2012

A gaveta



Abre a gaveta. Tapa a gaveta. Inspira. Abre a gaveta. Corre com a mão atrás dela. Tira a mão. Fecha a gaveta. Abre a mão que encerra a papoila. Expira. Latejando, ainda doente, permanece com as pétalas descaídas, são incapazes de voltar a acenar. Abre a gaveta. Tira o ninho de folhas de caderno. Abre. Embala-a e suavemente coloca-a a dormir confortavelmente enroscada nas suas pétalas outrora carmim. Tenebrosa e sapiente roda a chave, tranca a gaveta.

Catarina Peças

27 novembro 2012

Impaciência


relógio   Gioconda   data   tâmara   rabo   bochecha  chamas



Olhei para o relógioGioconda, desesperada, ergueu-se da cadeira e bombardeou:
- Estou aqui há uma data de tempo e o sô doutor ainda nem sequer chegou!
- Ficou preso no trânsito, senhora, acalme-se!
Intervi.
- É servida? Tire uma tâmara!
A mulher já não se aguentava - a consulta era para dentista - até de dores no rabo se queixava, incomodada com o assento.
Veio o médico, finalmente, e Gioconda:
- Olhe esta bochecha a arder!
(E as chamas atingiram-no sem piedade!)
Cocas, 37 anos, Portugal

Notícias Antena Zero


Último – motim – imprevisto – todo – donativos – vossa – saco



Bom dia, são três horas da tarde. Em fevereiro último abateu-se sobre a cidade um motim organizado não se sabe por quem, tendo resultado em setenta e sete vidros partidos. O imprevisto suscitou de imediato reação por parte de todo o governo. A população contribuiu com donativos para recuperação dos danos. “A vossa solidariedade é o sustento de todos nós”, disse o executivo, agradecendo ao povo português. Pergunta-se: o saco rompeu há muito. Que fizeram ao dinheiro?

Cocas, 37 anos, Portugal

Parabéns, Chica



ChicaCadadaquiquisessesemeararquitectartardedeliciando-nosnossa

Querida Chica, muitos, muitos, parabéns!!! Pensando em cada história sua que publico no blogue das 77 palavras, só posso enviar-lhe daqui um abraço bem grande, apertado, embora quisesse muito dar-lhe um beijo ao vivo! Este blogue deixou-se semear pelos os seus textos, nesta sua forma de arquitectar sonhos e palavras, com contos que nunca vêm tarde, deliciando-nos a cada desafio. Obrigada, nossa querida companheira de histórias, brincadeiras e pensamentos. Receba de nós todos 77 beijos de parabéns!

Domingo Louco



Que domingo louco: no fim da festança, deitei mostarda na Daniela… Imaginem!... Foi um choque para a Constança que berrou para o narigudo do marido: “ não me cheira nada bem! Vou espirrar…atchim, atchim,”
A mãe da moça, muito latina, com as suas ancas transbordantes e olhos amendoados, pespegou-me duas beijocas na cara… Depois pôs-se a chorar, tartamudeando “queríamos, queríamos”; não percebi nada.
A filhinha rebolava-se no chão com cócegas. O cão Epaminondas, ladrou: “está tudo louco!”

Graça Samora

26 novembro 2012

Escultura


Grande derrotismo modulagem gempilídeos oscilador dorso  sobrepairar


Grande era o desafio a que Octávio Manuel se entregava sem derrotismo. Era por todos reconhecida, a dificuldade da modulagem de um enquadramento complexo, mas Octávio escolhera os gempilídeos e agora era tarde para alterar a opção. Os dedos agitavam-se na tentativa de os delinear perfeitos num harmonioso bailado.
pêndulo oscilador aguardava já o dorso do peixe que faria sobrepairar, como se do mar acabasse de sair.
Finalizada a escultura faltava o nome: dança dos gempilídeos.

 
Quita Miguel, Cascais

23 novembro 2012

Abandonados



Abandonados; expulsos. De repente, o sossego de anos foi-se. O ego, mais que esfrangalhado, sofrera um golpe profundo: como puderam ser tão pérfidos assim, despedir sem aviso prévio, sem indemnização? Era dose a austeridade alemã, sabiam disso, bastava ler os jornais, eles sempre tiveram a mania que mandavam no mundo, qualquer um.
Sem mais lamentações, pegaram nas suas coisas, olharam pela última vez o menino - tão lindo! - e, a vaca e o burro, disseram adeus ao presépio.

Bau Pires

22 novembro 2012

O meu avô





Nada impedia das coisas diárias que aspirava fazer, que Ana visitasse o avô. Alindou-se para lhe agradar. Os valores e o respeito tomaram conta dela, tornando-a muito especial. Sempre almejara dias melhores que raramente chegaram. No caminho doía-lhe a lembrança de quando o deixou no lar.
Ao chegar viu a sua cadeira vazia, o que era raro. Como um robô percorreu o jardim. Faltou-lhe o ar! E a pergunta soltou-se arranhada, danosa e inevitável.
O meu avô?


Graça Pinto - Almada


Desesperada


Desesperada - dava - varre - resolve - verbalizar - zarpar - pára


Está desesperada! Noites a fio sem dormir. Dava tudo para estar no lugar dele. Varre a casa para se acalmar. Não é suficiente! Resolve retomar a estratégia de sempre: verbalizar que não está bem, por causa do Rui. Não obtém resposta. Ou melhor, a esperada: silêncio.
Zarpar é a solução. Será?! Vê-lo!
Pára a meio do caminho; reflecte: tem de ser ele a decidir. Ajudá-lo? Ainda não sabe como. Mas não será em vão a sua ida?!


Isabel Pinto, Almada

O QUEBRA-CABEÇAS



Zeferino  → NojoJogarGarfoFocaCasacoComichão

O Zeferino não conseguia desfazer a careta de nojo. O Isaltino tinha parado de jogar o quebra-cabeças literário para se pôr a comer! E sem talhares! Zeferino estendeu-lhe um garfo, mas ele lançou-o pelo ar indo aterrar na foca insuflável da sua irmã. Furibundo, Zeferino pegou no casaco dele. Sem deixá-lo terminar o frango assado, empurrou-o porta fora. As ideias fervilhavam em comichão na cabeça e por culpa do Isaltino não iria terminar o jogo a tempo!

Maria Jorge, Vila Franca de Xira

A OBRA



Quinta TabiqueQueríamosMosquitosToscosCostasTasquinha

Na quinta todos nos prontificámos em reconstruir a velha casa de paredes de tabique. Queríamos a obra pronta em apenas um mês, mas ao fim de uma semana fomos atacados por uma praga de mosquitos. Eram aos milhares e agarravam-se como lapas. Não picavam, mas incomodavam bastante. Os olhos ficavam toscos e as marteladas nos dedos e dores nas costas eram mais que muitas. Decidimos largar o trabalho e irmos para a tasquinha refrescar-nos com bebidas fresquinhas.


Maria Jorge, Vila Franca de Xira

Duros desafios



Destino – Novas – Vasta – Tarefa – Farejava – Vazia 

Saíra de casa sem destino, pensando em novas formas de enfrentar a vasta e penosa tarefa de resolver os duros desafios que agora fariam parte da sua vida.
No silêncio da noite distinguiu um vulto que farejava nos arbustos algo para encher a barriga vazia.
Pegou no pequeno cachorro perdido e, com ele agasalhado no casaco, regressou. Ter mais uma boca para comer, seria decerto compensado pela companhia que a ajudaria a enganar a solidão dos dias.

Maria Bruno, Lisboa

Ao serão


envolvida – Dalila lacre - crepitatalentostosse segue


Hoje ao serão, envolvida numa aconchegante manta de lã, Dalila espera notícias. Naquelas cartas amarelecidas que guardam ainda o lacrejogadas numa das gavetas da velha escrivaninha, junto à lareira onde crepita o fogo, escondem-se mágoas de vidas antigas e talentos escondidos. Tosse e acorda o gato que enrolado aos seus pés lhe faz companhia nestes dias outonais de solidão. Uma nuvem de fumo segue a luz bruxuleante e tímida que emana do candeeiro pendurado no teto.

Alda Gonçalves, Porto

Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html

20 novembro 2012

Roberta, a fera!



Roberta – tagarelava – vade-retro – troar – arfando – dobrava – valha-me

Nada impedia Roberta de fazer e dizer o que lhe dava na veneta. Nada nem ninguém! Toda ela meneios na cintura fina, trejeitos na cara sardenta e sacudidelas nos caracóis cor de fogo, tagarelava sabichona sobre mil assuntos, agora afirmativa e concordante, logo raios e coriscos!, vade-retro!, era um troar de impropérios, um bater de portas e um sair arfando. A avó Hermínia dobrava preocupada os panos da loiça: – Valha-me a Virgem! Que faço desta cachopa? Dizem-me

Ana Faísca, 36, Portugal

No Douro...


Animador - dormir - miradouro - romântico - comer - mercado - domingo

Resolvemos ter um fim de semana animador, ir passear, e no sábado bem cedo partimos, depois de muito passear, fomos dormir num parque de campismo. Havia umas belas casinhas de madeira e tinha um miradouro onde podíamos avistar todo o belo Douro.
Resolvemos ir fazer um passeio romântico de barco, com almoço a bordo, fomos comer produtos regionais que também comprámos no mercado, para casa trazer.
Domingo voltámos, mas as águas espelhadas do Douro fizeram-nos rejubilar! Adorámos!!!

Marina Maia, Portugal

Saber ver


Passa à sacode à decidida àdanos à nossaà sapeca à capricha


Passa ela esvoaçante
sacode ,deixando rastros, plumas a espalhar
decidida, com seu andar estonteante
danos ,acidentes, por certo  irá  causar!

Nossa! Marmanjos, tontos, parados, fixos a lhe fitar
sapeca, ela capricha mais no rebolado 
olhos como se a quisessem ter
 no fundo ela está a gostar
assim, se sente "aparecer"!

Há,  no entanto quem sabe ver
que por sob as penas, outra pode ter!
As aparências podem enganar.
Há de se ter cuidado, antes da opinião formar!

Chica

Publicado aqui:


desafio nº 25


Vamos lá dar a volta a essas cabeças!

O que vos proponho hoje é isto:
Queria que procurassem sete palavras respeitando esta regra: cada palavra nasce da última sílaba da palavra anterior. Dou-vos um exemplo:

Choque → Queríamos → Mostarda → Daniela → Latina → Narigudo → Domingo

Serão estas as palavras que darão a estrutura ao vosso texto, por ordem!

Deixo aqui o meu texto, partindo daquelas palavras:
Não queria acreditar! Parei, tentei raciocinar. Que choque! Acabavam de nos dizer que, depois de tanto esforço, tudo o que queríamos para o futuro ia ser adiado, senão mesmo cancelado. Foi mostarda para o meu nariz, e vi que Daniela, qual latina furiosa, estava pronta a enfiar naquele narigudo patrão um soco que lhe desse a volta ao miolo. Não deu… Acabámos o domingo a remendar roupas e deitar contas às contas que já não conseguíamos fazer.

19 novembro 2012

A FUGA



A menina entrou na casa
pronta para atacar
com o mata-moscas na mão dizia:
– Desta não vão escapar!

Acordei a minha companheira,
dei-lhe com a asa na testa.
– Vamos voar para longe,
vamos fugir para a floresta!

A balofa da minha amiga
não se levantou
e com tanto sangue na barriga,
a menina a localizou.

As minhas pernas esguias,
estavam tremendo.
– Ai minha Mãe do Céu,
a morte chegou demasiado cedo!

Agarrei a minha companheira,
apressámo-nos a voar.
Atravessámos a janela,
conseguimos escapar!

Lívia Batalha e Alexandra Petran, 8º B, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, professora Sandra Marques

Melgas modernas



Começou por evitar coisas que engordavam: espelhos, fotografia e balanças. Depois, insatisfeita, entrou nas dietas malucas. Ao fim de algum tempo, a melga Arabela ficou esbelta, ao contrário da amiga Felisbela que engordava a olhos vistos.
O pior foi quando, já escanzelada, capaz de desfilar no Moda Lisboa, começou a perder forças.
Faz como eu  - aconselhou Felisbela -, vai ao shopping, não falta gente com bom sangue.
Foi; engordou. Só não contou com o colesterol que ganhou. Morreu.

Bau Pires

Um leitão


O leitão era super engraçado. Vivia a pisar nas rolhas pelo quintal afora. Sempre descontraído a procura de algo interessante para fazer ou para comer. Quando passava perto do almofariz dava sempre um espiada em busca de algo apetitoso para comer, quando surge um odor magnífico que o faz viajar pelo mundo gastronômico. 
De repente ele sai do êxtase e acorda com o despertador gritando e o trazendo-o para a realidade.
Nem se importa e vai logo pegando a sua bolinha de tênis para se aventurar com a vespa pelos campos floridos da Toscana que tem um papel fundamental para sua felicidade.

Duas histórias, dois destinos...



Duas melgas à conversa, num sofá de alpendre, admirando o pôr-do-sol.
- Mas que lindas cores! Gostaria tanto de ir até aquele bracinho! Pena é que mal me mexo!
- Oh, amiga Florinda, veja como eu sou flausina! Eu tenho sempre cuidado, não vá encontrar um braço rolicinho, mas cheio de colesterol! Depois fico doente, como a amiga! Agora, vou voar e fazer uns exercícios! Ande, ou antes, venha voar, verá que lhe faz bem à saúde!

+

Uma melga
E outra melga e meia
Discutiam quem seria a mais bela!
- Tu és uma flausina, toda magrinha!
Dizia a Francelina.
- Tu és uma bolinha, toda redondinha!
Respondia a Laurinda.
- Tu nem sabes voar, é o vento que te leva!
Dizia a Francelina.
-Tu só sabes rebolar, nem consegues parar!
Respondia a Laurinda.
Uma melga
E outra melga e meia
Discutiam quem seria a mais bela!
 Veio uma almofada… e escolheu as duas!

Ana Santos

18 novembro 2012

Solidariedade


A  gorda  parecia um moscardo: zumbia como este seu parente. No andar de cima havia uma, magrizela e muito ativa: não tinha nada de mosca-morta.
Quando vieram os desalojamentos, fecharam tudo e não ficou nada para comer…
A magrinha conseguiu passar por um orifício pouco maior que o fundo de uma agulha e desceu em socorro da vizinha que, desesperada, se picara a si mesma e estava quase em coma.
Abraçadas, sobreviveram, até as janelas serem abertas.

Graça Samora, Portugal 

Fiquem a saber!


Uma melga gorda,
Uma melga magra,
Falando em confusão,
E com estranha desilusão,
Fica a conversa estragada.

Uma melga gorducha,
Uma melga magricela,
Veem na televisão
Com muita atenção
A nova novela.

Uma melga esperta,
Uma melga preguiçosa,
Uma estuda para o exame
E a outra dorme
Debaixo da árvore frondosa.

Uma melga esperta e gorda,
Uma magra e preguiçosa.
Por mais que tenham defeitos
Para nada têm jeito,
Apenas para nos morder.

Pois fiquem a saber!

António Cortez Marques, 9 anos
Torres Vedras, Portugal

15 novembro 2012

O ministro das finanças



Era uma vez duas melgas, Salomé e Ricardo. A Salomé era uma melga magrinha e voava depressa, o Ricardo, por ser uma melga gorda, voava mais devagar. 
Enquanto voavam, as duas melgas discutiam a atualidade.
– Olha Salomé, isto está cada vez mais complicado. Só impostos e despedimentos.
– É verdade, Ricardo. Isto está, como dizem os humanos, pela hora da morte!
De repente, aparece o senhor Ministro das Finanças e multa descaradamente as melgas por estarem a conversar.

Rafael e Pedro, 8º C, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques

Gordalina e Ossinhos



Era uma vez duas melguinhas chamadas Gordalina e Ossinhos. Um dia, estavam a passear pelas ruas… quando, distraídas, a passar pela passadeira, as melgas são atropeladas por um carro, ficando presas ao vidro onde já havia outros bichos. Elas, com medo que o condutor ligasse o pára-brisas, tentaram fugir, mas a Gordalina estava presa ao vidro, vomitando para cima da Ossinhos! O condutor viu uma coisa pequenina a mexer, ligou o pára-brisas e …morreram as duas esmagadas!

Francisco Fernandes, 8º B, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques 

O perigo espreita



Era uma vez duas melgas: a Cátia, uma melga magra, e a Felicidade, uma melga obesa.
Estavam as duas cuscas a tomar o chá das cinco, quando começaram a ouvir uns barulhos assustadores…
“txitxii”
– Felicidade, mas que barulho assustador é este? – perguntou a Cátia.
– Oh, meu Deus! Olha!
De repente, aparece Sykes! A perigosa lata de Dundum!
– Inimigos! – gritou Sykes, muito assustada.
– É o nosso fim? – perguntou Felicidade.
“txitxii”
- Sim, amiga Felicidade, é o nosso fim.

Alexandra Santos e Débora Mondim, 8º B, Escola Hermenegildo Capelo, Professora Sandra Marques 

“Escanzelada” e feita melga



Sabia-se magríssima. Mas ouvir do melga do fisioterapeuta que se encontrava escanzelada, custou-lhe. Melgou também sobre o assunto, encetando um diálogo; acertando contas com as melguices diariamente sofridas. Transformada em melga verberou uma série de asneiras. “Encheu-lhe” a cabeça; embora educadamente; ainda, vive o lema “antes sofrer uma injustiça do que cometê-la”.
Encontravam-se num espaço fechado. A porta de saída encravou. “Escanzelada” escapou por uma janela minúscula, do perigo, de horas trancada. Os melgas, obesos, aguardaram horas…  

Isabel Pinto

14 novembro 2012

de dieta...

– Olha, chegou um e aquele é bem gordinho.

– Não tanto como tu – respondeu a irmã alisando as asas e mirando-se no reflexo da janela. Aquele ano seria eleita Miss Melga. Disso não tinha dúvidas.

Ignorando o comentário, o insaciável insecto começou a esvoaçar acompanhada pelo inconfundível bzzzzzzzzz, importunando o homem que se estendera no alpendre a saborear a cerveja.

– Maldita melga – barafustou, arremessando o jornal que, catrapuz, acertou na elegante melga.

– Porquê eu? Até estou de dieta. 


Quita Miguel, Cascais

Uma história de amor... com melgas!



A melga Joaquim amava a melga Matilde desde que eram larvas. Hoje planeava pedi-la em casamento. Quando ouviu o pedido, Matilde, muito aflita, disse: “ Ai, Joaquim que me matas, estou tão gorda que não caibo no vestido. Não sou assim escanzelada como tu!”. Joaquim riu-se e abraçou-a. “Isso não importa, Matilde!”. Naquele instante o limpa pára-brisas começou a funcionar. Só tiveram tempo de pular para a antena. Foram-se embora a rir porque o amor fê-los invencíveis!

Alexandra Rafael

Dia de limpeza



Estão duas melgas, a gorda e a escanzelada, à conversa e de repente diz a magrinha:
– Foge! Vamos morrer! É o aspirador. É dia de limpeza!
A gorda tenta fugir, mas as asas não aguentam com o peso.
– Raios partam! As minhas asas são tão fracas…
Acaba por cair e a escanzelada tenta socorrê-la. Quando chega ao pé dela, ao tentar levantá-la, é esmagada pelo seu enorme peso. Caem as duas e são sugadas pelo poderoso aspirador.

Cláudio Barreiros e Rúben Lima, 8º B
Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques

Uma tragédia!


Certa noite, estava eu entre quatro paredes entretida a falar com a minha querida amiga.
– Então, tens andado a alimentar-te bem! – disse a minha amiga escanzelada.
– O que queres dizer com isso? – respondi eu, ficando irritada.
– Nada, nada… Esta casa não tem quaisquer perigos – diz confiante, a escanzelada, rindo-se.
De repente aparece o “SPRAY ANTI-MELGAS “.
Nós conseguimos fugir, até que a minha amiga gorda bateu numa parede com força e teve um fim trágico!

Catarina Monteiro e Sofia Gomes, 8ºB
Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques

Foi por pouco...



  
Numa tarde de primavera, o sol brilhava radiante. Junto a um sobreiro, ergue-se uma sombra onde duas melgas, uma gorda e uma escanzelada, descansavam. Entretanto, a sombra aproximou-se e ouviu-se um grande ruído. Era um mata-melgas eléctrico que alguém segurava para as apanhar. Enquanto tentavam escapar, a melga gorda ficou presa nos buracos, não se conseguindo mexer. A melga escanzelada, ao tentar fugir, foi contra a melga gorda e puxou-a com força. Conseguiram fugir e ficaram felizes.

8º A - Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques

O bicho




Estavam duas melgas à conversa, uma delas era gordinha, a Taty, e a outra era mais magrinha, a Nany. De repente, o perigo espreita... As duas melguinhas estavam a ser atacadas por um bicho estranho e desconhecido, que lhes cuspia para cima.
– Taty, estamos a ser atacadas! – diz a Nany, muito aflita.
– Socorro, oh meu Deus, oh meu Deu... #PUFFF#
As melgas amigas ficaram com as asas coladas e foram refeição para o bicho.

 Miriam Esteves e Ana Sofia Cavaleiro, 8ºB
Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques

13 novembro 2012

Melgas sem sorte...


— Onde estiveste, Ziza?
— A jantar.
— Não me convidaste?!
— Desapareceste!
— Fui tentar encontrar comida, mas não tive sorte.
— Oh, Mizi. Estás a passar fome. Olha para mim.
— Estás bem gordita. Já eu… estou numa miséria.
— Queres vir comigo?
— Onde?
— A uma casa onde estão sempre em festa.
— Ah, então o sumo vermelho deve ser bem docinho.
— Aos litros!
Esgueiraram-se por uma frecha da janela e entraram.
— Oh, não! Vamos morrer, Ziza!
— Armadilharam-se contra nós! Foge Mizi!
— Maldito spray!

+

— Olha Mizi, quem vem lá.
— É o Quito. Que andas a fazer por aqui?
— À procura de um lugar tranquilo para dormir. E vocês?
— À espera que anoiteça.
— Vão ao ataque de novo?
— Claro! Há dias que não como nada! A Ziza tem sorte.
— Vamos! Está na hora!
— Cuidaaaaaaddddddoooooo! — gritou o Quito.
— O que foi?
Zás! Uma mão pesada caiu sobre a Ziza.
— Oh, não! Mataram a minha amiga!
— E a seguir matam-nos a nós!
— Voa Quito!

Maria Jorge

12 novembro 2012

Será que o vento vem?



A melga escanzelada voou uns quilómetros ao encontro da melga anafada para lhe pedir ajuda.
– Não aguento a penúria, não tenho mais onde sugar!
– Isso pensas tu. Sê esperta, faz como eu!
Obedecendo-lhe cegamente, picou e sugou onde pensava já não ser possível. Mas continuava escanzelada e cada vez mais subserviente à medonha melga gorda.
Desanimada, questionou:
– Eu sugo, sugo, e tu é que engordas?
A resposta não veio.
Veio o vento. Zangado soprou, nenhuma escapou.

Ana Paula Oliveira, Santa Maria da Feira
publicado aqui:
http://livro-leitor.blogspot.pt/2012/11/vento-que-as-leve.html

Disputa de melgas



Duas melgas numa luta constante pela sobrevivência:
– Este belo gordinho é meu!
– Sua gorda, badofa, devias deixar-me agora dar uma chupadinha de sangue… estou com fome!
– Sim, pelo teu ar diria que estas prestes a cair para o lado, mas este belo gordinho é meu!
– Deus das melgas, olha  ali… o gordinho traz um mata melgas… Foge Ambrosina.
– Não fujo, não consigo… pesam-me as asas…
– Gorda, eu ajudo-te, não devia, tu és má para mim!
– Obrigada Felizmina!

Marina Maia - Portugal

Tontas...


Estão duas jovens melgas a trautear uma bela canção musicada pelas asas da mosca Teté, quando de repente a dona Ermelinda se lembra de vaporizar a casa com um perfume estranho que as deixou tontas e com falta de ar. Apenas a melga gorda, egoísta e matreira, tinha culpa naquela situação: picara a dona da casa e alimentara-se bem. A melga escanzelada não provou a refeição e, sem ter culpa de nada, tombou de fome e aflição.

Sandra Marques, Portugal

Amigas Melgas!



A Melga gorda pousou, saciada de sangue de um turista americano. Olhou, viu a Melga escanzelada.
– Estás tão magrinha!
– Sabes… entrei numa casa pensando que teria um banquete, mas nada.
– Então?
– Tentaram matar-me, escondi-me. Ouvi bater a porta, e pensei… saíram. Fiquei presa. Hoje regressaram, fugi.
– Anda, com sorte o americano ainda lá está.
E estava! Tentam aterrar, ele, enxota-as. Do nada um ameaçador spray. Fogem!
A Melga gorda diz: Ainda não é hoje que vais comer!


Genoveva Pereira, Portugal

Clotilde e as melgas


Lá na beira do mar
Clotilde estava tão a vontade
O sol seu corpo a bronzear
Oh que felicidade

De repente um zumbido escutou
E viu duas melgas inquietas
Seu ouvido tinindo ficou
Depois disso, tentou ficar esperta

Uma melga tão gorda era
Que mal conseguia voar
A outra escanzelada era
Que foi fácil com ela acabar

Clotilde de saco cheio
Melga gorda a lhe atacar
Saiu correndo em cambaleio
E
a melga atrás, querendo lhe pegar

Majoli Oliveira, Brasil

Publicado aqui:

11 novembro 2012

Uma prenda estupenda!


Miguel Teixeira fazia anos. Uma festividade destas, o tio Arlindo arranjou um
bom LEITÃO.
– Quem quer abrir o Champanhe? – interrogou o tio.
– Eu! – disse o Miguel.
Ao abrir a garrafa, a ROLHA saltou e acertou no ALMOFARIZ.
O barulho foi tal que lembrava o irritante DESPERTADOR.
Finalmente, os presentes. Clarinda ofereceu-lhe uma BOLA DE TÉNIS e o resto da família arranjou uma estupenda prenda coletiva: ofereceu-lhe uma VESPA, embrulhada num fantástico PAPEL de embrulho azul.

João Silva, Marinha Grande