28 fevereiro 2012

fevereiro 2012 - filhos

Francisca espiava o irmão de longe, interrompendo a sua brincadeira.
Tomás agarrava nas peças e tentava que encaixassem nos espaços que aquele brinquedo lhe apresentava. As tentativas tinham começado há dois dias, embora o truque estivesse por desvendar.
Foi nesse instante que Francisca avançou. Ela levava dois anos de avanço a Tomás, que brincava com a bagagem que os seus treze meses lhe proporcionavam.
Um exemplo, dois exemplos, e Tomás riu com gosto – estava decifrado o engenho!!!
(texto: margarida fonseca santos; ilustração: francisca torres)

27 fevereiro 2012

fevereiro 2012 - pais e filhos

– Porque é que o autocarro vai à nossa frente, pai?
– …
– Porque é que o semáforo mudou agora, pai?
– Tinha de ser, Filipa.
– Porque é que não vais pela rua da tia?
– Fica muito longe…
– Porque é que está escuro?
– É noite…
– E porque é que…
– Porque é que fazes tantas perguntas, Filipa?
– … Estão aqui – disse Filipa, apontando para a cabeça. – Saem sozinhas…
– Sozinhas?!
– Sim. Saem de repente. … Pai, porque é que elas saem sozinhas?
(texto: margarida fonseca santos; ilustração: francisca torres)

26 fevereiro 2012

fevereiro 2012 - pais



A poesia que escrevia era a única coisa que não partilhavam. Não por vontade dela, que começou por mostrar e depois guardou sem esconder. Também não por vontade dele, pois apenas se sentia incomodado nos versos que lhe tocavam fundo mas que não conseguia explicar com a razão. Em tudo o resto, as almas achavam-se gémeas. Contudo, há sempre um dia que desarruma as histórias das pessoas, e nesse dia ele leu e entendeu com o coração.
(texto: Margarida Fonseca Santos; ilustração: Francisca Torres)

revista - as histórias dos leitores em Fevereiro!



A Estrela azul
Era uma vez uma estrela que um dia mudou de cor. Ficou azul.
Ela ficou assustada e foi ao Dr. Colorido. Este disse-lhe que ela sofria de pintite aguda, doença rara e sem cura.
            A estrela ficou triste e chorou bastante, até que uma lágrima caiu na face da Sra. Toupeira, vestindo-a também de azul.
            A Sra. Toupeira pulou de alegria.
            A Estrela ao vê-la tão feliz percebeu que a doença não era grave.   
EB da Mata 4º A “Os reguilas” – Estremoz


Se formos a pensar numa certa coisa, quando os ladrões nos assaltam e dizem sempre:
- A Bolsa ou a Vida!!!
Se lhes dermos a bolsa, eles fogem com o nosso dinheiro e pertences. Mas depois se não lhes dermos a bolsa, matam-nos e levam a bolsa! Levam sempre a bolsa. O que intriga é quando às vezes não estamos a ver, eles levam a bolsa sem nós notarmos, e nem sequer nos falam uma única palavra.
Manuel Barros, vivo em Lisboa, tenho 11 anos

17 fevereiro 2012

EB 23 do Viso!!!

Escola EB 23 do Viso - Viseu (idades - 13 anos)

Os nossos antepassados observaram o mundo e tentaram explicar como funcionava. Quando a ciência falhava, pensavam em algo que explicasse o inexplicável: deuses.
     Mais tarde apareceram religiões ligadas a um grande e único Deus, como as religiões Cristã e Muçulmana.
     No séc. XV, os renascentistas voltaram a acreditar no Homem e na Ciência.
     Hoje, muitas pessoas apoiam-se em Deus, nos momentos mais difíceis.
     Mas o Homem mantém uma grande dúvida: será que ainda precisamos de Deus?
     Talvez.
Ana

Havia um lugar … assustador … misterioso … assombrado … esse lugar atraía-me … fui até lá … entrei e reparei … lá ensaiava uma pequena orquestra de cordas … ainda ouvia os ruídos das afinações quando reparei num violino encostado à parede … peguei nele e pareceu que alguma coisa se apoderava de mim … fiquei assustada … deu-me vontade de tocar … foi maravilhoso … lindo … cada dia que passa ainda sinto esse sensação … nunca cheguei a compreender mas percebi que realizei um sonho … um sonho de infância …
Francisca Cardoso – 9.E

Naquele momento encontrava-me frente a frente a uma espécie de mulher colorida.
Não tinha coragem de fazer nada, mas ela disse:
- Olá!
- Tu falas português?
Perguntei-lhe se precisava de ajuda.
Joneta, a mulher colorida, começou o relatório de como veio viver para a Terra e precisava de ajuda para comprar roupas e habituar-se à vida terrestre.
- Tu queres viver aqui?
Eu preferia viver noutro planeta, mas Joneta convenceu-me e fui às compras com ela.
Ana

História de um menino
Um menino de quatro anos, com apendicite, teve de ser operado de urgência. Meses depois começou a falar sobre o tempo que esteve entre a vida e a morte e sobre o que sentiu. Falou dos seus encontros com Deus, das visões que teve durante a cirurgia e de relembrou as orações dos seus pais enquanto era operado. Nos anos seguintes, nas alturas mais inesperadas, recordava o que de facto tinha acontecido, uma breve passagem pelo céu.
João

Estava a passear pelo parque quando, de repente, oiço ruídos atrás dos arbustos.
Muito curiosa fui ver o que era, e descobri um ser conhecido e desconhecido por todos: um ET. Assustei-me, mas ele começou a fazer uns barulhos engraçados que achei piada!
Levai-o para casa e o maroto comeu-me o frigorífico todo, dei-lhe banho mas não gostou, pois mudava de cor!
Tinha encontrado um novo amigo e estava felicíssima. Mas, no dia seguinte ele tinha desaparecido!
Beatriz

De início parecia imaginação mas ao longo dos tempos começou-se a revelar o que era realmente.
É normal três raparigas verem o mesmo rapaz de camisola vermelha, sem nariz, cara disformada e a deitar sangue?
E as vozes, as manchas pretas, os vultos? Seriam pedidos de ajuda ou terror?
A mulher de vestido branco, cabelos amarelos cuja personalidade se descrevia maléfica; seria real?
+
Nunca se soube ao certo mas se foi o que lhes aconteceu para desaparecerem?
Sangue… breves gotas de um vivo sangue mostram – se espalhadas  irregulares e frias … ligeiras manchas escarlate pintando o chão … sangue viscoso … um grande saco plástico esticado … rasgado … esventrado … ensanguentado … facas cruzadas sobre a mesa … lâminas sujas pinceladas de sangue … cenário macabro … arrepios de sangue … um estranho silêncio preenchendo o espaço vazio … quem foi o porcalhão que cortou os bifes e deixou a cozinha neste estado?
Carlos Almeida
 docente de História, 51  

13 fevereiro 2012

Mais histórias dos Reguilas da mata!



O Piolho

A minha irmã Lili ofereceu-me um coelho branco com manchas castanhas, muito peludo.
Coloquei-o numa coelheira e, às vezes, libertava-o e brincava com ele no quintal.
O piolho comia alface, cenouras e ração.
Ele brincava com a tartaruga e com os dois cágados.
Lá em casa todos o adoravam, exceto a minha mãe, porque ele espalhava pêlos por toda a casa.
Hoje estou muito triste, porque o meu Piolho morreu!
Nunca esquecerei o meu coelhinho.

                                                                                           Frederico

10 fevereiro 2012

histórias recebidas em fevereiro III

"A planície estende-se mesclada de cores, como se o pintor distraído tivesse aproveitado as pétalas para limpar os pincéis. Uma vez por outra, ergue-se uma árvore, que solitária dança ao sabor do vento com tal elegância, que lamentamos não possa desprender-se e expressar abertamente o sentimento de liberdade ao longo da planura.
O céu colabora neste bailado pintalgando-se com pequenos farrapos brancos, que no seu esvoaçar desenham estórias que nos fazem sonhar.
Que lugar bonito para amar."
 Quita Miguel, 52 anos, Cascais

Uma viagem inesquecível
Sei que as viagens podem ser feitas de carro, mas também podem ser feitas de sonhos e de leituras.
Quando abro um livro, desejo saber o que ele esconde. Essa ansiedade leva-me a uma grande pressão que só acaba quando chego à última página e deslindo o segredo anteriormente bem guardado.
Os livros têm sabedoria. São um tesouro, são o foguetão que me leva a viajar pelo mundo real ou num mundo de fantasia.
Patrícia Dias, 12 anos, Arrifana (Santa Maria da Feira), aluna do 7ºD na Escola Básica de Arrifana

A Amizade sofreu um grave acidente. Em país em que os bitates não usam coleira, logo milhentas vozes se ergueram quando se soube da notícia.
Houve quem culpasse a falta de atenção, a modernidade dos tempos, o estado decadente da paciente. Certo é que a pobre embateu no
caixote-do-lixo, atirada com fúria, amarfanhada, amarrotada. Acordou dias mais tarde, na sua casa de folhas, coberta de adesivos, após delicada operação cirúrgica. Recuperará. Palavras destas são como árvores perenes!
Elisabete Lucas, Lisboa, 40 anos
 
Os namorados
– Queres ser minha namorada? – pergunta-lhe ele, olhos profundos da cor da vegetação.
– Não!... – responde ela, olhos castanhos e ingénuos, brilhando como se a resposta fosse sim.
O sol aquecia levemente. A atmosfera estava impregnada de primavera. As madressilvas, em flor, cheirosas, dulcificavam o ar.
Eles caminharam lado a lado, olhando-se nos olhos.
Alguns anos depois…
– Aceita por mulher…….?
– Sim.
– Aceita por marido…….?
– Sim.      
E viveram uma vida cheia. Repleta de um amor incondicional, intemporal, eterno.       
+
Na piscina, «chapes» na água; cascatas de risadas!
Reminiscências do passado ecoam no meu cérebro. Fecho os olhos. Aquele retângulo de água azul estende-se, alarga-se numa imensidade de mar.
De mãos dadas, caminhávamos sobre a areia. Olhos nos olhos. Felizes…!
Lançávamo-nos pelo mar dentro e nadávamos, nadávamos até absorver toda a sua cor.
Estendo a mão procurando a água.
Toco a beira da chaise-longue onde estou deitada. Abro os olhos.
Tudo se desvaneceu. É APENAS A PISCINA.  
Dorinda Oliveira, 71 anos, Arrifana

(Des)encontro
Olhou-a com o mesmo olhar do lobo quando encarou o Capuchinho Vermelho. Olhar de gula feroz.
Ela, ingénua e seráfica, esperava na esplanada combinada, flor no casaco, como combinado, lendo o livro combinado, à hora combinada.
Ele, como não fora combinado, vestia calças pretas, no lugar dos jeans deslavados, camisa preta, no lugar da azul de ganga, e trazia um não combinado chapéu preto, em vez do boné.
Ela viu-o. Não ligou.
Ele analisou-a. E gostou!!!
Ana Paula Oliveira, 51 anos, São João da madeira


08 fevereiro 2012

5º anos do Colégio Marista de Carcavelos!

Estou lá a trabalhar escrita criativa com os 5º anos - uns miúdos deliciosos!!!
Aqui vão as histórias deles...

Um encontro
Um relógio estava entretido a dar horas, não deu conta que uma mosca voava à volta dele.
Quando a mosca pousou nele, assustou-se. Mas o susto não acabava ali, pois quando olhou em frente viu voar um mata-moscas que lhe acertou. Vinha com tanta força que o estragou. A ponta do mata-moscas acertou em cheio num dos olhos da mosca.
A mosca tentou ajudá-lo e conseguiu. O relógio agradeceu.
Os dois ficaram muito amigos e felizes.
turma A nº 16 e chamo-me Mafalda

O Relógio e a Mosca
Era uma vez, eu, um relógio que se estragou há muito tempo, e também uma mosca zarolha, trapalhona e aventureira.
Enquanto tentavam matar a mosca, o mata moscas foi cair em cima de mim e foi assim que eu me estraguei.
Ela ao tentar ajudar-me ficou zarolha pois um pequeno arame se espetou no seu olho!!! (ainda bem que tem muitos olhos)
Depois ela lá conseguiu consertar-me e tal. E desde então ficámos amigos do coração.
 Leonor Chicau 5ºA Colégio Marista de Carcavelos


                                       O Relógio e a Mosca
  Hoje eu fiquei amigo de uma mosca, pois ela ajudou-me a salvar-me de
um mata moscas. Claro que fiquei estragado, mas ela foi muito corajosa.
Ficou zarolha: porque é que isto aconteceu? Eu só estava a dar horas
tal como sempre.
 Agora que acabei de contar a história, já estou a estou a dar horas
como um relógio normal. Como o poder das histórias é maravilhoso.
 E, daqui a pouco, volto com mais histórias da minha amiga mosca.
Olá, eu sou a Marta do 5º A nº 21 do Colégio Marista
de Carcavelos e este é o meu texto


– Aaaah!
– Cheguei primeiro que tu!
– Mas tu fizeste batota.
– Não, não fiz!
– Fizeste sim, colocaste uma pedra à frente do meu pé sem eu ver.
– Pronto, eu admito que fiz batota, mas eu só queria ganhar, és tu que ganhas sempre!
– Está bem, mas tu tens de ser menos competitivo.
– Está bem, perdoas-me?
– Sim, claro!
– É melhor deixarmos as competições e irmos para as aulas, porque falta um minuto para tocar.
– Então é melhor corrermos, vamos!
– Corre!!!!!
  Sofia Carvalho, Externato Marista de Lisboa, 5º D

07 fevereiro 2012

histórias recebidas em fevereiro II



77 Palavras - História da Princesa Mariana e do Cavaleiro Paulo.
Mariana era uma linda princesa do reino de Van.
Ela era uma rapariga de cabelos louros, olhos castanhos e brilhantes como o Sol, seu sorriso era perfeito. Formava covinhas no seu rosto. Mariana apaixonou-se por Paulo. Ele era conhecido por todo o reino. Mesmo sendo um amor impossível, Mariana não o esquecia.
Paulo um dia desapareceu, ainda hoje se vê a tristeza da princesa nos dias 21 de Setembro. Dia em que o conheceu. Jamais o esquecerá.
Tatiana Vanessa Leal, tenho 14 anos e sou da escola Básica da Venda do Pinheiro

“Como era hábito sentou-se na pedra à beira da estrada que descia até a estação e olhou o relógio. Faltavam dois minutos. Fixou a curva da serra, lá bem ao fundo, e antes que o olhar vislumbrasse, ouviu o apitar que anunciava a chegada.
Surgiu sem pressas, parou no cais pronto a acolher quem quisesse entrar e a libertar quem tinha chegado ao seu destino.
Um dia, também ele embarcaria naquele comboio, fazendo-se ao mundo, à vida.”
Quita Miguel, 52 anos, Cascais


Numa manhã de domingo fomos ao Jardim Zoológico da Maia. O Tomás à muito que pedia para ir ao “Zilóquio”.
Macacos irrequietos; Leões refastelados; Zebras famintas; Ursos pachorrentos e o Hipopótamo… Esse sim! Grande e imponente!
Momento raro vê-lo sair da água. Vagaroso sobe para terra firme.
Nós os três mais um casal com o filho observávamos estrondoso animal.
Tomás espantado pergunta:
 “Mama Ná, onde tá a pili e o gabinho do hipopótamo?”
Desatámos todos à gargalhada…
O meu nome é Joana Teixeira e sou mãe do Tomás com quase 3 anos.



Três amigos, numa encruzilhada, decidiam que caminho seguir.
- Subimos por este – sugeriu o primeiro. – Quero ver a vista lá de cima.
- Descemos por este – defendeu o segundo. – Quero nadar no rio lá em baixo.
- Torci um pé. Vou ficar por aqui – lamentou o terceiro.
Os outros ficaram junto dele, porque, afinal, é isso que fazem os amigos.
Quem passava, juntava-se ao grupo, e aquela tarde no campo acabou por ser… a melhor de todas.
Rita Vilela

02 fevereiro 2012

6ºC Escola Básica de Mafra

É mesmo isso que estão a pensar: um turma enviou textos para o blogue (para além de palavras doces e simpáticas acerca do dia em que nos conhecemos...). São os alunos do  
6ºC da Escola Básica de Mafra!!!
Ora leiam:


João Queirós, o Miguel Alves e a Rita Castelão
Continuação desta história
Estava muito feliz, pois conseguira voar. Como pode uma simples lagarta voar?!
Depois foi ao espelho ver-se, estava linda, como se tinha imaginado.
O que podia ser melhor naquele dia?
Para mostrar a sua beleza foi passear; toda a gente olhava para ela, elogiava-a, e as lagartas ficavam com inveja.
Até que encontrou umas crianças que brincavam no parque. Olharam para ela e disseram:
– Que linda borboleta!
Ficara assim a saber que agora era uma borboleta.
Texto do Miguel Alves

Continuação desta história
– Ganhei, ganhei!!! – gritava Ambrósio.
– Tome o seu cheque de mil cagadeuros – disse o representante.
Foi para casa contar à sua mulher.
Quando chegou a casa deu para perceber que a mulher já sabia.
– Vamos passar umas férias nas Caraíbas – dizia, aos pulos, a mulher.
Foi ao computador ver os horários dos aviões e viu que partia dali a duas horas.
– Despacha-te mulher!
Foram depressa, apanharam um avião e quando chegaram, passaram as melhores férias de sempre.
Texto do João Queirós

Continuação desta história
A lagarta voou tão alto, tão alto como um pássaro. Avistou florestas, serras cobertas de neve e rios sem fim. Mas estava cansada e pousou numa pequenina rocha. Enquanto recuperava o fôlego reparou numa família de formigas e aproximou-se delas.
Uma delas exclamou:
– Que linda borboleta! Tão colorida.
A lagarta surpreendida com esta exclamação correu para o rio e viu a sua imagem refletida na água.
E aí percebeu que era uma linda borboleta e voou feliz rumo ao arco-íris.
Texto da Rita Castelão


Joana Albuquerque e Joana Romão.
No outro dia, o bicho pediu à sua mãe lápis que lhe desenhasse duas assas, um bico e várias penas. Como já devem ter percebido, ele queria ser um pássaro, mas um pássaro lindo!
Depois de já ser um pássaro foi à sua vidinha,  foi fazer uma viagem de barco pelo mundo. Agora vão-me perguntar: "de barco?" Sim! Porque ele não sabia voar. Com esta viagem, acabou por se apaixonar por uma pássara linda.   
Joana Romão
Continuação desta história 
(...) – Mana, isto não são bichinhos da conta! São gomas!
Mariana continuou a gritar com o irmão.
– Pedro, se pegares numa e meteres no chão vês que se mexem!
Pedro fez o que a  irmã disse, agarrou numa bolinha e pôs no chão.
– Mariana tinhas razão, elas mexem-se… MÃE! ENGOLI BICHOS-DE-CONTA!! AJUDA-ME!!
A mãe de Pedro levou-o ao hospital e ficou tudo bem.
Pedro nunca mais comeu coisas que não sabia o que eram.   
Joana Romão


Os feiticeiros eram novos no bairro. Gonçalo, o filho mais novo, tentava habituar-se às artes mágicas. A sua mãe, Maria, usava a magia para transferir pessoas ou objetos do mundo real para um livro em branco. Assim, arranjava personagens para as suas obras, porque era escritora.
– Se forem para a história; eles desaparecem! – pensou Maria.
A seguir, agitou a varinha e, quando abriu o livro, já os gafanhotos tinham começado a história.
Passados alguns meses, o livro foi vendido.
Joana Tavares


Joana Tavares, Inês Abegão e Diogo Almeida
Eu, Inês Abegão, tenho dois textos para lhe mostrar:
1º texto
Continuação desta história
Conseguiu voar porque ela tinha-se transformado em borboleta. A Natureza era assim, todas as lagartas se transformavam em borboletas.
Ela, agora podia ir conhecer o mundo, voando com as suas asas amarelas e laranjas!
Certa dia, perguntou às suas amigas:
– Querem vir viajar comigo?
– Sim!!! – responderam todas.
Viajaram pelo Hawai, Japão, Paris, Holanda, Londres, Espanha, Cuba, Brasil, Argentina, Punta Cana e pela China onde deixaram os ovos e morreram. As suas lagartinhas nasceram e viveram felizes.

 2º texto
Continuação desta história 
– Desculpa, não sabia que eram bichinhos da conta, pensava que eram bombons, daqueles minúsculos, sabes?
– Sim, sei, mas para a próxima podes perguntar!
A Ana, chateada, pegou nos seus bichinhos-de-conta e levou-os para o quarto.
O Pedro começou a ver televisão e...
– Um rato! - gritou a Ana.
O Pedro chamou o pai e foi buscar a vassoura...Trau! Matou o rato.
A Ana contou os seus bichinhos-de-conta e faltava um. Ela ficou tão triste que...

Duarte Amaro e André Manuel
 Continuação desta história 
Eu com ar de desconfiada deixei-o, mas sempre a pensar se tinha cometido algum erro.
– Mãe vais ver que não te vais arrepender, combinado?
– Sim filho, mas se vierem para aqui são expulsos.
– Ok!!! – disse o filho entusiasmado.
E foi logo po-los na história que era "A vida de um insecto".
Eu estava a fazer o jantar mas sempre a pensando nos bichos.
Fui lá espreitar, mas estavam todos a dormir até o miúdo.

André Queijeira e o Diogo Henriques
– Não sabia! Pensava que eram chocolates!
– Não me interessa! Vai-te embora do meu quarto!
Pedro, triste por a sua irmã se ter zangado com ele, foi buscar ao jardim bichinhos de conta.
Quando chegou ao jardim procurou esses bichinhos.
Depois de ter procurado chegou a uma conclusão, que já não havia bichinhos de conta, só que de repente apareceu um.
Ele agarrou nesse bichinho de conta e levou-o à irmã.
Quando ele lhe mostrou o bichinho a irmã ficou contente!
Diogo Henriques

Maria e a Sofia
Continuação desta história
A irmã dele gritava para largar, ela disse-lhe  que não era p'ra tocar e ele o fez, pois a irmã de 16 anos estava a fazer um estudo para a escola, tinha apanhado um bicho de conta de duas cores, preto e castanho claro, mas ele não fez caso de ouvir a irmã.
Pedro pensou o que é que se o fritasse, se o grelhasse, se o cozesse entre outros... Ele foi apanhar mais uns e fritou-os.

Ângelo e a Maria Inês
Continuação desta história 
Um dia, o caracol quis concretizar o seu sonho – tirar a carta de condução.
Levou muitos meses até saber conduzir, pois ele só sabia fazer marcha-atrás. O instrutor bem lhe ensinava a por as mudanças, a carregar no travão, a rodar o volante... mas o caracol só fazia marcha-atrás.
Por acaso, um dia reparou que o manípulo das mudanças podia fazer outros movimentos. Orgulhoso da sua conquista acabou por comprar dois retrovisores. Escaravelhos, já era!



1º texto
Continuação desta história
[...]Desculpa, pensava que eram bombons! – e fugiu a correr para não ouvir mais nada.
Depois de andar algum tempo a correr viu outra caixa, mas esta ele tinha a certeza que eram umas deliciosas gomas coloridas.
Começou a comer e a engolir, comeu todas... O problema é que não eram gomas, eram minhocas de todas as cores. No dia seguinte não se sentia muito bem, Pedro comeu bichinhos-de-conta e minhocas.
Ele aprendeu a lição!
Carolina Santos e Raquel Crispim  



histórias recebidas fevereiro I


Era assim desde que aquele rapaz decidira transformar-se no terror da escola. Todos fugiam quando ele aparecia. Ninguém queria vê-lo, brincar ou conversar com ele.
Como não gostava de ninguém, esquecera-se do que era receber uma carícia, um beijo, uma festa nos cabelos, um segredo. E ninguém fazia questão de o lembrar.
Um dia, um cãozinho tão rafeiro como ele aproximou-se, enroscou-se-lhe nas pernas, lambeu-lhe as mãos…
No chão, ficou um coração de pedra desfeito em cacos.
+
 51 anos, S. João da Madeira
Cada vez mais preciso do meu próprio espaço, um lugar tranquilo onde deixe de ouvir ruídos. Campainhas a mandar trabalhar, pessoas autoritárias a comandar, buzinas a refilar, músicas a martelar. E outros, ainda mais ensurdecedores. Vozes que reclamam, lágrimas que sufocam, dores que matam.
Cada vez mais preciso de encontrar a paz. Onde, se todos os lugares perfeitos estão ocupados ou são inacessíveis?
Opto por pegar num livro. Deitada no sofá, descubro o refúgio dentro de mim.
 Ana Paula Oliveira, 51 anos, S. João da Madeira

77, 3º Dto.
Frente à porta, no canteiro redondo de um plátano, estavam 5 gatinhos a miar, ainda de olhos fechados.
Levámos para casa com jeitinho, éramos irmãos e primos, miúdos dos 6 aos 9 anos, mostrámos à avó dizendo que os criaríamos a biberon.
Interessada, pegou neles com carinho e percorreu connosco o corredor, entrando na casa de banho.
Um a um espetou com eles contra o chão de cimento vermelho, explicou que era por caridade.
José Pedro Penha Lopes

Aquela fábrica produzia chapéus para todo o mundo: de cowboys, de polícia, cartolas, bonés …
Os funcionários, ao embrulharem a encomenda repararam que um deles tinha defeito.
– Oh, não, este chapéu está amassado.
– Não podemos mandá-lo assim. Que chatice!
O chapéu ficou muito triste ao ouvir aquela conversa, e pensou:
– Oh, não, será que me vão colocar no latão onde queimam os restos de felpo? – estremeceu, só de se imaginar naquele latão tão horrível.
Arlete Leitão

Eu quero um gelado, avó - disse Necas com ar suplicante.
Não podes comer um gelado porque estás com a garganta inflamada, respondeu a avó assertivamente.
Necas começou a falar baixinho.
O que é que estás a dizer Necas? - perguntou a avó.
Estou a dizer à inflamada que saia da minha garganta para eu poder comer o gelado.
E o que é que ela respondeu?
Disse que eu já podia comer porque ela foi para a garganta da avó.
Ana Duarte

01 fevereiro 2012

janeiro 2012 - filhos


– Como é que sabes que ela volta?
– Foi o que ela disse… – respondeu Pedro. – Deve ter ido arrumar a casa.
Estavam de cócoras, entretidos a olhar para um buraquinho minúsculo por onde, momentos antes, desaparecera uma lagartixa.
– Mas ela falou mesmo contigo? – quis saber Filipa. – Pode ter ido dormir.
– As lagartixas não dormem!
– Ah…
Continuaram à espera. Segundo Pedro, ela sairia dali a nada.
– Estou farta de esperar, Pedro…
– Pois… eu também… Se calhar, mentiu-me…
– Se calhar…
(texto: Margarida Fonseca Santos; ilustração: Francisca Torres)