03 maio 2012

histórias recebidas - maio I

Estas histórias foram escritas sem o desafio, mas olhem que ficaram bem giras!


 Tenho-te aqui no meu ombro. Podia ter-te na concha da mão ou na ponta do nariz, mas não. Tenho-te aqui no meu ombro.
- Porquê, perguntaste-me tu.
- Porque é bom, respondi-te. Gosto de te ter aqui. Estás mais perto de mim assim. Fazes-me cócegas quando me falas e gosto mesmo muito de te ouvir conversar. E posso dar-te beijinhos! Posso dar-te todos os beijinhos!
Gostaste tanto que te riste muito!
- Cuidado, pedi-te! Assim ainda cais!
Manuela Ferrer

Da vida, a memória trazia-lhe breves rumores ao pensamento. Tinha decidido tirar dela o máximo prazer, tivesse que partir de novo onde tudo venha justamente do nada. Acontecia, agora reconhecer-se como um reinício, sempre obrigando-se a não olhar-se no espelho, não pelas rugas nele espelhadas ao milímetro, consciente que pouco importava o monótono aspeto físico. Guardaria ânimo para recomeçar sem melindres ou lamentos. Sem pressa iria sozinha alcançar a meta pré destinada a rasgar-se do próprio eu.  
Elvira Cristina Silva - Queluz 

Era uma casa em forma de coração, branca, pequena, rodeada de eucaliptos e flores, essa casa tinha um lugar mágico cheio de raios de luz que entravam sem pedir licença por uma janela redonda como as janelinhas dos navios.
Durante o dia a casa era invadida por crianças curiosas com  sorrisos charmosos, que corriam com os cabelos soltos ao vento. As  estações do ano passaram pela casa que continua em forma de coração, as crianças, essas cresceram... 
Paula Marques, Odivelas


Ela entrou na carruagem de metro e, distraidamente, olhou à sua volta. Viu sorrisos sardónicos e risos mal contidos e escondidos. Procurou a fonte da ironia e do riso. Encontrou dois homens jovens em traje académico com saia e capa. Um deles, como ela, procurou a próxima plataforma e sentou-se tranquilo à espera. Ela sentou-se junto dele. Ela disse-lhe que ele era corajoso num país de preconceitos. Ele sorriu e respondeu que não era coragem. Era orgulho!
Ivete Glórias

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