12 maio 2012

desafio nº 4 - mais histórias!


Sou um bule rachado, sou de barro e rechonchudo. Na barriga tenho uma pintura linda que me envolve de flores e corações. Sofri muito para ficar belo e reluzente quando me puseram num forno a altas temperaturas para ser cozido, mas ao ser admirado por tanta gente, valeu bem o sacrifício. Vi muitas disputas para me comprarem, mas levavam os meus irmãos gémeos. Um dia, deixaram-me cair e parti-me em dois. O lixo foi a minha casa.
Maria Jorge
 
Sou um bule rachado, sou, peça delicada que te aquece quando de mim precisas. Mas não é isso que te escrevo. Queria dizer-te: faltou-me o guião. Tantas conversas, depois do dia se fazer noite... Falei mais comigo, sem partilhar dúvidas, calando receios. Se tivesse um guião meu, saberia fazer escolhas; outras escolhas, outros chás. Saberia que o tempo e as mãos desgastam. Sou um bule rachado, com medo de palavras inventadas. Não podiam ter-me escrito um guião?
Manuela Ferrer


Sou um bule rachado, sou mais um desses equilibristas do quotidiano. Sou dos que nos anos setenta me cria elefante por mor da tromba -que era farta - e agora, rachado, me encontro vertendo líquidos por caminhos inesperados. Emigrei! Sirvo numa casa de Norfolk. Chego a pensar que sou mais amado que os filhos dos meus actuais donos. Mais ainda que dos precedentes: os estimáveis governos portugueses... Apesar do pingo, por defeito de fabrico, gostam de mim...
Anónimo, blogue


Sou um bule rachado. Sou lindo, rosas me decoram, tornando-me delicado, singelo e sensível.
Na mesa do chá, sempre cobiçado pelas amigas da minha casa.
Morava no armário junto com minhas primas xícaras e primos, pratinhos. Estávamos sempre juntos!
Um dia, o ambiente na mesa esquentou...
Coisas tristes começaram a ser ditas. Não combinavam com a refeição.
Não aguentava mais.
Fui-me indignando, parecia inflar.
Até que, sem mais nem menos, rachei.
Todos me olharam muito tristes! Parti!
Chica, deixado num comentário ao blogue

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